Atividade Física na Gestação

Categorias: Dicas, Gestantes
Data: 10/09/2014   2529 Views  

gravidez-exercicio

Antes de iniciar um programa de atividade física (sair correndo por aí), a mulher grávida deve passar por um exame médico completo, realizado por seu médico, para descartar complicações que possam tornar o exercício inadequado e para que lhe sejam fornecidas informações específicas sobre sinais e sintomas a serem observados durante a gravidez. Além do início das atividades físicas é importante o cuidado com a alimentação.

Contra-indicações para Atividades Físicas

Exemplos de contra indicações absolutas para o exercício aeróbio durante a gravidez, incluem: hipertensão induzida pela gravidez, diabetes do tipo 1, histórico de dois ou mais abortos espontâneos, restrição de crescimento intra-uterino, sangramento persistente do segundo para o terceiro trimestre, gravidez múltipla, tabagismo e ingestão excessiva de álcool. As contra indicações relativas incluem: histórico de trabalho de parto prematuro, anemia, obesidade, diabetes do tipo 2 e aptidão física muito ruim antes da gravidez.

Em geral, as principais adaptações cardiovasculares e metabólicas da gravidez em comparação com a não gravidez são as seguintes:

  • O volume de sangue é aumentado de 40 a 50%.
  • O consumo de oxigênio (taxa que o organismo de um indivíduo tem de captar e utilizar o oxigênio do ar que está inspirando para gerar trabalho) é discretamente maior em repouso e durante o exercício submáximo.
  • O consumo de oxigênio no exercício com suporte de peso é acentuadamente aumentado.
  • As freqüências cardíacas são maiores em repouso e durante o exercício submáximo.
  • O débito cardíaco (quantidade de sangue bombeada pelo coração) é maior em repouso e durante o exercício submáximo nos dois primeiros trimestres. Isso significa que a mulher grávida se cansa com mais facilidade, porque aumenta a necessidade de oxigênio (tanto para a mãe quanto para o feto) e porque o trabalho extra de respiração, à medida que o útero cresce, pressiona o diafragma. No terceiro trimestre, o débito cardíaco é menor e a possibilidade de hipotensão arterial (pressão arterial baixa) é maior.
  • Os vasos sanguíneos ficam mais flexíveis e distendidos para acomodar o aumento no volume de sangue, podendo resultar em veias varicosas, hemorróidas e inchaço. Em alguns casos os vasos não se distendem e, em vez disso, se contraem e causam a elevação da pressão sanguínea. Se essa elevação ocorre durante a gravidez ela é chamada de hipertensão induzida pela gravidez – uma doença séria e que pode ser fatal.

Recomendações de Atividade Física

Diante dessas alterações fisiológicas, foram desenvolvidas orientações iniciais estabelecidas pelo American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), como por exemplo: não se exercitar com uma freqüência cardíaca superior a 140bpm. Porém em orientações mais recentes, são enfatizadas que devido à possibilidade de alteração entre a freqüência cardíaca e o VO2 (consumo de oxigênio) durante a gravidez, sugere-se que a melhor escolha para classificar a intensidade do exercício seja através do esforço subjetivo (sensação do esforço percebido pela mulher grávida- leve, moderado, cansativo).

Gravidez

Gravidez

Além disso, a ACOG salienta a necessidade de se evitar a realização de exercício na posição supina (abdômen para cima), após o primeiro trimestre e a modificação da intensidade dos exercícios de acordo com os sintomas de cansaço, além de não forçar até a exaustão. As atividades com sustentação do peso corporal (ciclismo, natação) são estimuladas em razão do menor risco de lesão. Em contrapartida, qualquer tipo de exercício que envolva a possibilidade de trauma abdominal e perda de equilíbrio, deve ser evitado. Deve-se ter a atenção na necessidade de hidratação, vestimenta apropriada e condições ambientais ótimas para a manutenção da temperatura corporal dentro da faixa normal associada ao exercício. Com relação à duração do estímulo, afirma-se que o exercício de curta duração e de baixa intensidade parece não acarretar conseqüências negativas durante a gravidez. No entanto, dados sugerem que o treinamento de longa duração ou de alta intensidade deve ser evitado.

Os benefícios potenciais citados comumente em um programa bem elaborado de exercícios pré-natais incluem:

  • Aptidão aeróbica e muscular aprimorada,
  • Facilitação da recuperação após o trabalho de parto,
  • Maior bem estar psicológico materno que pode ajudar a combater as sensações de estresse, de ansiedade e/ou depressão, experimentadas freqüentemente durante a gravidez,
  • Estabelecimento de hábitos permanentes de um estilo de vida saudável,
  • Retorno mais rápido ao peso, a força e a flexibilidade pré-gravidez,
  • Menor intervenção obstétrica,
  • Fase ativa mais curta do trabalho de parto e menos dor,
  • Menor aumento de peso,
  • Digestão melhorada e constipação reduzida,
  • Lombalgia reduzida durante a gravidez.

É extremamente importante que ao se exercitarem as mulheres grávidas estejam cientes dos sinais e sintomas que tornam necessária a interrupção do exercício e a procura de aconselhamento médico, dentre elas:

  • Quaisquer sinais de secreção sanguinolenta proveniente da vagina,
  • Qualquer “jato” de liquido proveniente da vagina (ruptura prematura das membranas),
  • Edema (inchaço) súbito dos tornozelos, mãos ou da face,
  • Cefaléias (dores de cabeça) intensas e persistentes e/ou distúrbios visual; episódio inexplicável de tontura ou vertigem,
  • Dor e vermelhidão na panturrilha de uma única perna (flebite),
  • Elevação da freqüência de pulso ou da pressão arterial que persiste após o exercício,
  • Fadiga excessiva, palpitações, dor torácica,
  • Contrações persistentes (> 6-8/h) que podem sugerir o início de um trabalho prematuro,
  • Dor abdominal inexplicável,
  • Aumento insuficiente de peso (menos de 1 kg/mês durente os últimos dois trimestres).

Referências

  1. Howley, Edward. T. Powers, Scott. K. Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao condicionamento e ao desempenho . Editora Manole, 2005.
  2. American College of Sports Medicine. Diretrizes do ACSM para os Testes de Esforço e sua Prescrição. Editora Gunabara Koogan, 2007
  3. Botogoski, Sheldon R.; Amaral, Vivian Ferreira. Guia da Gestante Saudável. Editora Juruá, 2008.
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