Tudo o que você precisa saber sobre a exterogestação

Categorias: Dicas, Gestantes
Data: 29/07/2022   18 Views  

Apesar de pouco conhecida, a teoria da exterogestação defende que os primeiros meses de vida do bebê são, na verdade, o quarto trimestre de gravidez. Seria como se o recém-nascido continuasse sendo gestado fora do útero.

Apesar de parecer uma teoria maluca, esse conceito tem respaldo científico e foi criado pelo antropólogo Ashley Montagu, após observar o desenvolvimento fetal em diversas espécies de animais.

Mas, antes de abordar melhor a teoria de Montagu, vamos explicar melhor o conceito do termo. Chamamos de termo quando o bebê nasce entre 37 e 42 semanas de gestação. Do ponto de vista médico neste período o bebê está “maduro” para nascer. Se quiser entender um pouco mais sobre como são contadas as semanas de gestação sobre como se calcula a idade gestacional.

Início da Exterogestação

Os primeiros momentos após o parto – o início da exterogestação.

Exterogestação

O prefixo “extero” significa “fora” ou “externo”. Neste sentido, o termo exterogestação é utilizado para descrever o período gestacional realizado fora do útero, ou seja, após o parto.

Nessa fase, os pais devem tentar recriar o ambiente uterino fora do corpo da mulher para aumentar o conforto da criança e tornar possível que o desenvolvimento do bebê continue ocorrendo de forma apropriada.

Mas, de onde surgiu a teoria da exterogestação?

Conforme explicado, o termo foi inventado pelo antropólogo Ashley Montagu, no século passado, ao observar várias espécies e perceber que os humanos estão entre aquelas cujos filhos desenvolvem menos ao nascer.

Para ele, o motivo de termos bebês tão imaturos (do ponto de vista biológico) está no desenvolvimento de nossa espécie.

Comparados a outros filhotes de mamíferos, os bebês humanos são muito mais dependentes dos cuidados materno e paterno para a sobrevivência. O desenvolvimento é lento até conquistarem a capacidade de se locomoverem e se alimentarem sozinhos ou, pelo menos, conseguirem manter um padrão de sono e alimentação mais semelhante ao de um adulto.

Por isso, baseado nessas observações, o Montagu defende que os primeiros meses de vida após o parto poderiam ser considerados parte da gestação e são essenciais para que o bebê continue o desenvolvimento e se adapte completamente à vida extrauterina.

Como o bebê fica na exterogestação?

Dentro do útero, o bebê tem contato integral com a mãe e um contínuo suprimento de alimento, não sente sede ou fome, se mantém aquecido, limpo e consegue dormir sem luzes ou barulhos altos provocando sustos frequentes.

Já fora do útero, acaba toda a sensação de segurança. Ele sente frio e fome, precisa tomar banho e trocar as fraldas sujas para se manter limpo e acaba passando algumas horas sem a presença reconfortante da mãe.

Sem contar que, agora, o bebê precisa chorar para chamar a atenção dos adultos e comunicar suas necessidades, que garantem a sua sobrevivência ao mesmo tempo que geram barulhos e estímulos (muitas vezes) desconfortáveis para ele.

Em suma, a transição da vida uterina para a vida no mundo exterior é um momento de estresse e insegurança para a criança.

Papel do Pai na Exterogestação

O pai também participa na exterogestação, oferecendo conforto e proteção para o bebê.

Quais as vantagens da exterogestação?

Tornar a transição do útero para o ambiente externo algo mais tranquilo, tanto para o recém-nascido quanto para a mãe, é a grande vantagem da exterogestação. Pois, desse modo, reduz o estresse da fase de recém-nascido e o ajuda a aliviar as terríveis cólicas.

Isso porque, dentro da barriga, ele tem contato o tempo todo com a mãe, se mantém aquecido, não sente fome, nem precisa enfrentar luzes e sons altos para dormir tranquilo. Já do lado de fora, tudo isso deixa de existir, o que gera mais insegurança nele.

Outra vantagem é que ela reforça a criação de um laço emocional forte entre o bebê e os pais, que pode ter um impacto positivo em aspectos físicos e psicológicos da criança em médio e longo prazo.

É importante observar que a intenção da exterogestação não é recriar por completo o ambiente uterino (até porque seria impossível), mas simulá-lo, dentro das possibilidades reais, em alguns momentos para que a criança passe por esse período de transição com mais segurança e os pais tenham mais tempo para se adaptar aos cuidados que são demandados.

Quanto tempo dura a exterogestação?

3, 4, 9 ou 18 meses. São algumas das respostas encontradas para essa pergunta que varia de acordo com o que se considera como o final da exterogestação.

Entretanto, o 4º trimestre é o período mais aceito e, apesar do nome, pode durar de 3 a 4 meses após o nascimento, período em que o bebê ainda está se ajustando. Afinal, é grande o contraste entre a vida dentro e fora do útero, o que torna o processo desafiador.

Este período é super importante para o desenvolvimento neurológico dos bebês, além de seus sistemas circulatório, respiratório, endócrino e digestivo.

No livro “Touching: The Human Significance of the Skin” (1986), Ashley Montagu descreveu este momento de mudança:

“O nascimento não constitui mais o início da vida de um indivíduo do que o fim da gestação. O nascimento representa uma série complexa e altamente importante de mudanças funcionais que servem para preparar o recém-nascido para a passagem pela ponte entre a gestação dentro do útero e a gestação continuada fora do útero”.

A tese de Montagu ganhou ainda mais notoriedade graças ao livro “The Happiest Baby on the Block” (2002), do pediatra estadunidense Harvey Karp.

Para Karp, os primeiros meses de vida requer muitos abraços. “Um recém-nascido certamente gostaria de passar mais alguns meses dentro do útero se tivesse esta opção”, afirmou.  Por isso, criar um ambiente que faça-o achar que ainda está no útero é o ponto principal.

O que fazer na exterogestação

Enrolar o bebê e fazer um balanço suave são boas práticas na exterogestação.

O que fazer durante a exterogestação?

Agora, você deve estar se perguntado sobre o que fazer para ajudar o bebê. Por isso, listamos 11 dicas para tornar esse período o mais tranquilo possível.

  1. Iluminação: Como dentro do útero não existe uma fonte de luz, os ambientes devem ser mantidos com luz baixa na maior parte do tempo. Além de não agredir os olhos da criança, isso pode deixá-la mais calma.
  2. Enrole-o: O bebê gosta de ficar enroladinho, por isso use o cueiro tradicional ou swaddle. Dessa forma, ele vai ter mais limites, assim como tinha na vida uterina.
  3. Sono: Embora não haja um padrão ou ritmo determinado, é importante respeitar essa falta de horários e permitir que ele durma sempre que quiser.
  4. Balanço suave: Com o bebê nos braços, você pode simular um balanço suave com o corpo para acalmá-lo.
  5. Shushing: O Shushing ou ruído branco são sons suaves que simulam aqueles que o bebezinho ouvia de dentro do útero. Todos os sons exteriores eram abafados, portanto para fazer o shushing você pode repetir o som “shhh shhh” não tão baixo, mas não tão alto. Existem músicas e vídeos que simulam esses sons, mas a voz da mãe tem um efeito bem maior pois já está familiarizado.
  6. Alimentação: O aleitamento materno simula a conexão do bebê com a mãe por meio do cordão umbilical. Dessa forma, o leite materno através do seio se torna essa fonte após o nascimento até entrar na rotina que permita mamadas mais espaçadas.
  7. Toque: O tato é um dos primeiros sentidos desenvolvidos pelo bebê e deve ser estimulado o máximo possível com beijos, carinhos, abraços, massagens e aconchegos. Por meio desse contato constante, a criança consegue sentir o coração dos pais batendo e se manter aquecida, o que traz segurança e tranquilidade.
  8. Sling: O ideal é que o recém-nascido seja transportado bem coladinho à mãe com o uso do sling. Dessa forma, ele se movimentará junto com ela ao longo do dia e conseguirá ouvir sua voz e seus batimentos cardíacos o tempo todo, como se ainda estivesse dentro do útero.
  9. Banho: Para simular o ambiente uterino durante o banho, é indicado o banho de ofurô ou de balde com água morna (similar à temperatura corporal, entre 36 e 37,5ºC). Naquele espaço apertadinho, cercado de água morna, a criança experimenta as mesmas sensações que tinha quando estava dentro da bolsa amniótica.
  10. Choro: Nas primeiras semanas de vida, o choro é sempre representação de algum incômodo: fome, frio ou calor, fralda suja, dores ou apenas necessidade de afeto e aconchego. Por isso, não é aconselhável deixá-lo chorar por muito tempo. Procure identificar a causa do desconforto e alivie.
  11. Colo, carinho e amor: Dar muito colo e amor ao bebê. O contato é essencial, o cheiro, a temperatura do corpo e sua voz são como mágica e fazem toda diferença para o recém-nascido que por meses esteve unido a mãe.
Colo, carinho e amor na exterogestação

Colo, carinho e amor são fundamentais na exterogestação.

Existe algum sinal que indica o fim da exterogestação?

Na teoria, a exterogestação vai até os 3 meses após o nascimento e, a partir disso, os pais podem começar a transição. No entanto, os bebês costumam demonstrar que já estão preparados para isso ao ter curiosidade por buscar objetos e ao expressarem vontade de mais liberdade.

Como você viu, a exterogestação representa uma fase de muita adaptação. Por isso, é preciso ter muita paciência com o recém-nascido, que chora e está tentando descobrir esse novo mundo. Bem como, é importante cuidar do seu bebê, tendo sempre em mente que ele acabou de sair do útero e tudo aqui fora é novidade, inclusive, não estar mais ligado ao corpo da mãe.

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