É possível ter parto normal de gêmeos?

Categorias: Dúvidas, Gestantes
Data: 02/09/2022   28 Views  

Muitas mães se perguntam se é possível ter parto normal de gêmeos, afinal, pode ser que a prática seja perigosa. No entanto, veremos em nosso artigo que essa modalidade de parto pode ser muito mais segura do que se imagina. Na verdade esta é uma opção desde que o primeiro bebê esteja de cabeça para baixo.

Contudo, alguns fatores podem acabar complicando a situação da mãe e dos bebês, e por isso, é sempre interessante estar atento. Abaixo, vamos falar sobre a possibilidade desse parto, além de outros fatores que influenciam nessa prática. 

Entendendo os tipos de gêmeos

A primeira coisa que é importante de se compreender é que nem toda gestação gemelar é igual. Existem diversos tipos de gestação gemelar! Os gêmeos pode ter placentas diferentes ou dividir a mesma placenta. Além disso nos casos onde os gêmeos dividem a mesma placenta eles ainda podem estar em bolsas diferentes ou na mesma bolsa.

Quando cada gêmeo tem sua placenta

Quando cada bebê tem a sua própria placenta chamamos de gestação gemelar dicoriônica. O vocábulo grego “khórion”, que pode ser traduzido como “membrana” é utilizado para indicar o número de placentas.

Quando cada bebê tem a sua própria placenta eles estão obrigatoriamente em bolsas diferentes pois cada placenta tem a sua bolsa. Na maioria das vezes que cada bebê tem sua própria placenta eles são indivíduos geneticamente diferentes. Mas eventualmente podem ser também idênticos. Por isso numa gravidez gemelar não é possível dizer se os gêmeos são iguais ou diferentes apenas pelo fato de cada um ter sua placenta. Isso só é possível quando o sexo dos bebês é diferente.

Quando os gêmeos dividem uma mesma placenta

Numa segunda situação os bebês podem dividir uma mesma placenta, o que chamamos de gestação gemelar monocoriônica. Nas gestações gemelares monocoriônicas geralmente cada bebê ê tem a sua própria bolsa. Entretanto é possível também que eles estejam na mesma bolsa.

Quando temos uma placenta e duas bolsas chamamos de gestação monocoriônica monoamniótica. Já no caso de uma placenta e uma bolsa chamamos de monocoriônica e monoamniótica (ou gestação mono mono).

As gestações gemelares monocoriônicas podem apresentar algumas complicações durante o pré-natal e por isso o parto pode ser um pouco mais complicado nestes casos. O acompanhamento pré natal deste tipo de gestação é geralmente acompanhado por um especialista em medicina fetal para que os devidos cuidados e exames sejam feitos para preservar a saúde dos bebês e da mulher.

Tipos de Gestações Gemelares - Monocoriônica e Dicoriônica

Tipos de gestações gemelares, conforme o número de placentas e de bolsas.

Complicações como a Síndrome da Transfusão Feto-Fetal ou a Restrição de Crescimento Seletiva podem acontecer e uma antecipação do parto ou cirurgia fetal pode ser necessária. Por isso nestes casos eventualmente as chances de ter um parto normal podem ser menores.

Por vezes o obstetra poderá inclusive optar por antecipar um pouco o parto ou fazer uma cesárea para evitar as complicações que podem ocorrer como o sofrimento fetal.

É possível que o parto seja normal?

A boa notícia para as mamães é que é possível ter parto normal de gêmeos, não representando grandes riscos para os envolvidos. No entanto, assim como em outras modalidades, é necessário respeitar uma série de fatores.

O peso das crianças, além da sua posição, são alguns dos pontos mais importantes quando falamos do parto de gêmeos. A seguir vamos responder algumas das principais dúvidas, para te ajudar a entender melhor a questão do nascimento dos bebês.

O bebê pode estar com qualquer peso?

Um dos fatores que influenciam no parto normal de gêmeos é o peso das duas crianças, que não podem estar com grande diferença. Habitualmente espera-se que a diferença de peso entre os bebês não seja maior do que 25%. Nestes casos o seu obstetra poderá suspeitar de uma restrição de crescimento seletiva e medidas como a realização de uma cesárea poderá ser necessário para resguardar a saúde dos bebês.

No geral, também é interessante que os bebês estejam com um peso entre 1,5 kg e 3,5 kg. Bebês muito pequenos, ou seja, com menos de 1500 g, tem um maior risco de lesões no canal do parto por sua fragilidade e por isso muitas vezes se prefere o parto por cesárea.

Por outro lado, bebês muito grandes também podem trazer alguma dificuldade. Em todo caso, caso as crianças sejam muito prematuras, o mais indicado é que o parto normal não seja adotado.

A idade gestacional pode variar conforme o tipo de gestação gemelar

Em função das complicações que podem acontecer nas gestações gemelares, o obstetra poderá optar por antecipar o parto. Recomenda-se que o nascimento dos gêmeos dicoriônicos ocorra entre 37 e 38 semanas. Já as monocoriônicas diamnióticas o parto é recomendado um pouco mais cedo, entre 36 e 37 semanas. As monocoriônicas monoamnióticas são as de maior risco e por isso o parto destes gêmeos idealmente deve ser realizado entre 32 e 34 semanas para evitar maiores riscos que podem acontecer ainda dentro do útero.

A posição dos bebês também pode dificultar o parto normal de gêmeos

O principal ponto a ser considerado no parto normal de gêmeos é a posição que as crianças estão no útero. O ideal é que as duas crianças estejam com a cabeça para baixo, para que a sua saída seja facilitada e o parto possa acontecer normalmente.

No entanto, caso só o primeiro esteja na posição certa (cefálico), ainda é possível que o parto seja normal, porém, é preciso experiência e habilidade do obstetra para evitar um possível cavalgamento de partes do corpo do bebê dentro do útero.

A situação que deve ser evitada é a realização de partos vaginais quando o primeiro gemelar está pélvico. Nesta situação a emergência de cavalgamento dos polos cefálicos poderá acontecer e isto é uma situação dramática e de difícil solução.

Cavalgamento Cabeça Gemelar

O cavalgamento das cabeças é um tipo de distócia (parto difícil) que pode acontecer em partos gemelares.

Como é feito o parto do primeiro bebê

O parto do primeiro gemelar é feito de maneira muito semelhante ao de uma gestação única. Logo após o nascimento do bebê o cordão é clampeado e o primeiro bebê entregue para o pediatra. Neste momento o obstetra não irá retirar a placenta e irá aguardar o nascimento do segundo bebê.

Qual o intervalo normal entre o parto do primeiro e do segundo gêmeo?

Após o nascimento do primeiro bebê a posição do segundo bebê poderá mudar um pouco dentro do útero. Algumas vezes o segundo bebê irá assumir uma situação transversal. Ou seja, poderá ficar “atravessado”.

Nestes casos novamente a habilidade do obstetra é fundamental pois poderá ter que realizar uma manobra chamada de “versão interna”. De uma maneira bastante simplista, a versão interna seria algo como colocar uma mão dentro do útero para “puxar” um bebê pelos pés.

Não há um limite de tempo para o nascimento do segundo bebê. Um auxiliar do obstetra deverá ficar controlando a frequência cardíaca do bebê para detectar sinais de sofrimento fetal e evitar qualquer risco para o bebê.

Não dá para dizer com exatidão quanto tempo dura um parto normal de gêmeos, afinal, isso varia em cada caso. Pode ser que seja rápido, com apenas algumas horas de processo, porém, o procedimento pode se alongar por um período até maior do que uma hora.

Irei sentir mais dor por serem gêmeos?

Na verdade não. A dor que você irá sentir é semelhante a dor de um parto de gravidez única. As mulheres não costumam se queixar de dores mais fortes em partos de gemelares.

Riscos que a prática pode trazer

Pode ser que a segunda criança demore muito para nascer, o que representa um risco para a mãe e o próprio bebê. Um dos maiores riscos são lesões por conta das manobras que ajudam a criança a nascer, além de possíveis sequelas neurológicas. Além disso algumas complicações como o prolapso de cordão umbilical são mais frequentes nos partos de gestações múltiplas.

Para evitar que isso aconteça, é necessário que a via de parto esteja bem indicada para a criança, o que exige um trabalho bem feito da equipe para minimizar as chances de problemas.

O tamanho da equipe necessária

A equipe para realizar um parto normal de gêmeos também é maior do que a equipe que normalmente atende as gestantes em partos onde apenas um bebê irá nascer.

São necessários 2 obstetras, um para realizar o parto e o outro para ajudar a cuidar da vitalidade do segundo bebê. Além disso são necessários dois pediatras por serão dois recém nascidos!

Portanto não é apenas a gravidez gemelar que é diferente, é necessário estar preparada para um trabalho de parto e parto diferentes, com dois nascimentos.

É possível que um bebê nasça de parto normal e o outro de cesárea?

Essa é uma dúvida bastante interessante. E sim, por vezes isso pode acontecer. A obstetrícia é uma especialidade intrigante e cheia de surpresas. Se por exemplo durante um parto normal de gêmeos, após o nascimento do primeiro bebê o segundo apresentar sinais de sofrimento fetal o obstetra poderá ter que realizar uma cesárea para retirar o segundo bebê em segurança.

O pós-parto normal de gêmeos

No pós-parto de gestações gemelares espera-se que tudo transcorra de maneira bastante semelhante ao que ocorre em uma gravidez única. O útero irá contrair de maneira semelhante e a barriga da grávida irá progressivamente retornar ao seu tamanho normal.

Gestação de Gêmeos

O pós-parto da gestação gemelar também pode ser mais complicado que em o de uma gestação única.

Novamente aqui temos que considerar algumas possibilidades de complicações como a hemorragia puerperal. O útero que ficou mais distendido que o normal poderá apresentar uma dificuldade em contrair fazendo com que o sangramento seja mais volumoso.

Na verdade o seu médico já estará preparado para isso pois este fenômeno é bem conhecido em obstetrícia e poderá ser tratado com a administração de medicações que ajudam o útero a contrair, como a ocitocina.

Com os cuidados adequados e uma equipe bem treinada fique tranquila! Em várias situações o parto normal é possível e você poderá curtir seus filhos gêmeos nascidos de parto normal!

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