Benefícios da Cirurgia Fetal para Mielomeningocele Persistem até a Idade Escolar

Categorias: Artigos, Médicos
Data: 26/01/2020   448 Views  

Fetos que possuem mielomeningocele possuem um defeito na coluna que expõe as meninges e a medula ao líquido amniótico. Além da exposição ao líquido amniótico existe a possibilidade de trauma na medula e raizes nervosas. Também ocorre a protrusão de estruturas cerebrais, como o cerebelo para dentro do canal medular. Estas alterações já podem ser vistas ao ultrassom desde muito cedo, e são conhecidas pelo sinal da banana e do limão.

Em 2011, o estudo Management of Myelomeningocele, financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano Eunice Kennedy Shriver do NIH (NICHD), constatou que, aos 12 meses de idade, crianças submetidas a cirurgia fetal exigiam menos procedimentos cirúrgicos de derivação ventrícular. Aos 30 meses, o grupo de cirurgia fetal estava mais propenso a andar de maneira independente.

Benefícios da Cirurgia Fetal para Mielomeningocele Persistem

Bebe com cicatriz de correção de mielomeningocele.

Em um novo estudo, os pesquisadores reavaliaram as crianças do estudo original quando tinham 6 a 10 anos de idade. No total, 161 crianças que participaram do estudo de acompanhamento. Destas 79 foram designadas para cirurgia pré-natal e 82 foram designadas para cirurgia tradicional. As crianças do grupo de cirurgia pré-natal caminharam independentemente com mais frequência do que as do grupo de cirurgia tradicional (93% vs. 80%). Aqueles no grupo de cirurgia pré-natal também tiveram menos colocações de derivação para hidrocefalia, ou acúmulo de líquido no cérebro (49% vs. 85%) e menos substituições de derivação (47% vs. 70%). O grupo também pontuou mais alto em uma medida de habilidades motoras.

Os dois grupos não diferiram significativamente em um teste que mede a capacidade de comunicação, as habilidades de vida diária e as habilidades de interação social.

“A cirurgia pré-natal para mielomeningocele traz benefícios e riscos, em comparação com a cirurgia pós-natal tradicional”, disse Menachem Miodovnik, M.D., do NICHD Pregnancy and Perinatology Branch. “Este estudo fornece informações importantes para médicos com pacientes que estão pensando em cirurgia pré-natal”.

Entretanto, apesar dos resultados positivos observados não podemos esquecer que o melhor tratamento sempre é a prevenção! Por isso não podemos esquecer de utilizar o ácido fólico antes da gestaçãoVeja o resumo do artigo publicado:

Correção pré-natal de mielomeningocele e resultados funcionais em idade escolar

Houtrow AJ, et al. Prenatal repair of myelomeningocele and school-age functional outcomes. Pediatrics. 2020.

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O estudo Management of Myelomeningocele (MOMS), um estudo randomizado de correção pré-natal versus pós-natal para mielomeningocele , constatou que a cirurgia pré-natal resultou em menos herniação do encéfalo posterior, menor necessidade de derivação aos 12 meses de idade e melhor função motora aos 30 meses. Neste estudo, comparamos o comportamento adaptativo e outros resultados em idade escolar (5,9 a 10,3 anos) entre os grupos de cirurgia pré-natal e pós-natal.

MÉTODOS: Estudo de coorte de acompanhamento de 161 crianças inscritas no MOMS. As avaliações incluíram avaliações neuropsicológicas e físicas. As crianças foram avaliadas em um centro MOMS ou em uma visita domiciliar por examinadores treinados e cegados.

RESULTADOS: O escore composto de Vineland não foi diferente entre os grupos cirúrgicos (89,0 ± 9,6 no grupo pré-natal versus 87,5 ± 12,0 no grupo pós-natal; P = 0,35). As crianças no grupo pré-natal caminharam sem órteses ou dispositivos auxiliares com mais frequência (29% vs 11%; P = 0,06), apresentaram escores percentuais médios mais altos na Avaliação de Reabilitação Funcional dos Resultados Neurológicos-Sensoriais (92 ± 9 vs 85 ± 18; P <0,001), taxas mais baixas de hérnia do cérebro posterior (60% vs 87%; P <0,001) tiveram menos derivações para hidrocefalia (49% vs 85%; P <0,001) e, entre aqueles com derivação, menos revisões de derivação (47% vs 70%; P= 0,02) do que os do grupo pós-natal. Pais de crianças com correção pré-natal relataram maiores escores z de qualidade de vida média (0,15 ± 0,67 vs 0,11 ± 0,73; P = 0,008) e menores escores médios de impacto na família (32,5 ± 7,8 vs 37,0 ± 8,9; P = 0,002).

CONCLUSÕES: Não houve diferença significativa entre os grupos de cirurgia no comportamento adaptativo geral. Os benefícios a longo prazo da cirurgia pré-natal incluíram melhoria da mobilidade e funcionamento independente e menos cirurgias para colocação e revisão de derivações, sem fortes evidências de melhoria do funcionamento cognitivo.

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