O Ovário Policístico e a Síndrome do Ovário Policístico

Categorias: Dúvidas, Gestantes
Data: 12/09/2020   118 Views  

Sim, por incrível que pareça são duas coisas diferentes. O ovário policístico se refere ao aspecto ultrassonográfico do ovário. Apesar de existirem milhares de óvulos nos ovários, durante o exame de ultrassom enxergamos apenas alguns. Eles são pequenas “bolinhas” pretas. O líquido no ultrassom fica preto e estas pequenas imagens representam os folículos ovarianos, que são circundados por líquido. Essa imagem é normal. Por outro lado, em até cerca de 20% das mulheres, ao invés de ver alguns cistos no ovário, identificamos uma quantidade muito grande. Nestes casos dizemos que o ovário tem um apecto policístico – o famoso ovário policístico. O ovário policístico também pode ser chamado de ovário micropolicístico pois são diversos cistos pequenos. Isto é bem diferente dos cistos de ovário que geralmente são únicos e grandes.

Ovário Policístico - Ultrassom

Imagem ultrassonográfica comparando um ovário normal com um ovário policístico.

Já a Síndrome do Ovário Policístico (ou SOP) é algo um pouco mais complexo. Dizemos que uma paciente possui esta síndrome quando pelo menos duas das seguintes características estão presentes: (1) ciclos menstruais irregulares (anovulatórios); (2) aumento de andrógenos (hormônio masculino) e (3) presença de ovários policísticos. Portanto para ter a síndrome do ovário policístico não basta ter apenas a alteração no ovário, precisa ter pelo menos mais uma das outras características. E por outro lado é possível ter a Síndrome do Ovário Policístico sem ter os ovários policísticos… confuso não é?

O que o ovário policístico pode causar?

Quando temos apenas o ovário com aspecto policístico geralmente não temos outros sintomas associados. Já na síndrome do ovário policístico, por ser uma doença metabólica, podemos ter diversos diferentes sintomas. Os sintomas mais comuns são:

  • Irregularidade menstrual – como a ovulação geralmente não acontece, o ciclo menstrual fica bastante irregular e algumas mulheres ficam até meses sem menstrual;
  • Menstruação abundante – como o endométrio (camada do útero que descama na menstruação) cresce muito, durante o período menstrual o sangramento pode estar aumentado;
  • Acne – o excesso de andrógenos (hormônios masculinos) aumentam a oleosidade da pele, levando ao aparecimento de acne na face, no tórax e nas costas;
  • Crescimento de pelos – cerca de 70% das mulheres com a síndrome tem um aumento no crescimento de pelos. Este excesso de pelos é chamado de hirsutismo;
  • Obesidade – mais de 80% das mulheres com síndrome de ovário policístico são obesas, portanto é um dos principais fatores de risco para a doença;
  • Escurecimento da pele – algumas áreas como a virilha, pescoço e em baixo das mamas pode ocorrer um escurecimento da pele;
  • Calvice – algumas mulheres podem ficar com os cabelos mais finos e apresentar uma calvice semelhante ao que ocorre em homens.

O que causa a síndrome dos ovários policísticos?

Não existe uma causa exata para este problema. Acredita-se que os altos níveis de hormônios masculinos (andrógenos) fazem com que os ovários produzam menos hormônios e que a ovulação não aconteça. Possivelmente a associação entre uma predisposição genética, o aumento da resistência periférica a insulina e o excesso de andrógenos fazem o problema acontecer.

A insulina é um hormônio secretado pelo pâncreas e ela ajuda o seu corpo a metabolizar os açucares das comidas. Quando as células não conseguem usar a insulina corretamente o pâncreas produz mais insulina para tentar compensar esse problema. O excesso de insulina faz com que os ovários produzam hormônios masculinos – piorando o problema.

A obesidade é a principal causa da resistência a insulina. Ou seja, a obesidade faz com que as células não consigam usar a insulina adequadamente. Assim o pâncreas secreta mais insulina para compensar o problema. Por isso a forte relação entre o ganho de peso pode estar associado a doença. Desta forma a mudança de estilo de vida e perda de peso fazem parte importante do tratamento da doença.

Tanto a obesidade quanto a síndrome dos ovários policísticos aumentam o risco de níveis elevados de açúcar no sangue, hipertensão, colesterol HDL (“bom”) baixo e colesterol LDL (“ruim”) alto.

Juntos, esses fatores são chamados de síndrome metabólica e aumentam o risco de doenças cardíacas, diabetes e derrame.

Como é feito o diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos?

Para o diagnóstico é preciso apresentar pelo menos dois dos três critérios abaixo, após a exclusão de outras patologias que poderiam causar sintomas semelhantes.

  1. Hiperandrogenismo clínico e / ou laboratorial;
  2. Irregularidade menstrual / anovulação;
  3. Aumento volume ovariano / alteração na morfologia dos ovários com a presença de cistos.

O hiperandrogenismo é o excesso de hormônios masculinos que podem ser identificados em exames laboratoriais de sangue ou por características clínicas como o hirsutismo. A irregularidade menstrual é um sintoma comum quando a paciente possui ciclos anovulatórios, o que pode causar a infertilidade. Já a análise do volume ovariano e a presença de cistos serão avaliados durante um exame de ultrassom transvaginal.

Como é a menstruação de quem tem a síndrome do ovário policístico?

A dificuldade em ovular faz com que os ciclos sejam bastante irregulares. É comum que algumas mulheres com a síndrome do ovário policístico fiquem vários meses sem menstruar. E quando vem a menstruação podem ter sangramentos mais abundantes e que duram vários dias.

O ovário policístico faz a mulher engordar?

Apesar da forte associação entre a obesidade e a síndrome do ovário policístico a teoria mais provável é que a obesidade cause a síndrome e não o contrário. A obesidade faz com que as células do corpo tenham dificuldade em utilizar a insulina para metabolizar açúcar – o que chamamos de resistência à insulina. A resistência a insulina está associada com o aumento de produção de andrógenos pelos ovários. Justamente causando assim algumas das alterações vistas nas pacientes com a síndrome dos ovários policísticos.

É possível engravidar com o ovário policístico?

Sim, apesar de comumente as pacientes apresentarem ciclos anovulatórios, o tratamento adequado poderá fazer com que a ovulação aconteça e a paciente engravide. Em casos mais extremos poderá ser necessário um tratamento para infertilidade com a fertilização in vitro.

Qual é o tratamento da síndrome dos ovários policísticos?

A dieta alimentar e a prática de atividade física representam a primeira linha de tratamento da doença. Isso melhora a sensibilidade à insulina, regula a ovulação e aumenta a fertilidade. Em alguns casos poderá ser prescrito anticoncepcionais orais para ajudar a regular a menstruação. Por ser uma síndrome, com vários sintomas, o tratamento pode englobar diversos medicamentos como hipoglicemiantes orais ( como a metformina nos casos de resistência à insulina); medicamento para reverter o quadro de infertilidade, cosméticos conta a acne e terapias para o controle do estresse e da ansiedade.

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