O que é translucência nucal?

Categorias: Dúvidas, Gestantes
Data: 01/10/2016   357613 Views  

A translucência nucal (ou TN) é uma medida realizada na região da nuca do feto. Esta medida estima o risco do feto ter algumas doenças, entre elas a Síndrome de Down e as cardiopatias congênitas. Fetos com malformações ou doenças genéticas possuem uma tendência a acumular liquido na região da nuca. Portanto uma medida aumentada significa um aumento de risco.

A medida da translucência nucal deve ser realizada quando o feto tem entre 45 e 84 mm de comprimento. Considerando a medida da cabeça à nádega. Isto corresponde a cerca de 11 a 14 semanas de gestação contadas a partir do primeiro dia da última menstruação. A medida da translucência nucal não é um teste de diagnóstico. Portanto ela apenas define qual grupo tem alto ou baixo risco. Para diagnosticar se o feto tem, por exemplo, a síndrome de Down deverá ser realizada uma biópsia de vilosidades coriônicas ou amniocentese. A medida da translucência nucal começou a ser utilizada na década de 90 pela maioria dos grandes centros médicos. Para medida adequada da translucência nucal recomendamos que sejam seguidos os padrões de medida definidos pela Fetal Medicine Foundation.

Translucência Nucal

A tanslucência nucal é a área translúcida atrás da nuca do feto e que pode também ser vista no ultrassom.

Qual é a vantagem de realizar a medida da translucência nucal?

O exame da translucência nucal permite que você conheça o risco do seu bebê ter a Síndrome de Down. Anteriormente o maior fator de risco era a idade materna. Considerava-se que quando a mãe tinha mais que 35 anos o risco era aumentado. Entretanto apenas cerca de 30% dos fetos com Síndrome de Down nascem de mulheres com mais de 35 anos. Embora a maior parcela dos fetos com Síndrome de Down nasce de mulheres mais jovem.

Apesar o menor risco, a fecundidade é muito maior nestas mulheres. O exame da translucência nucal permite identificar quais pacientes jovens tem risco aumentado e quais pacientes com idade mais avançada poderão ser classificadas como tendo baixo risco, com base na medida realizada. Se o risco for baixo isto poderá dar mais segurança de que o feto é normal. E se o risco estiver aumentado você poderá realizar uma biópsia de vilosidades coriônicas e saber ainda no início da gestação se o feto tem a Síndrome de Down.

Translucência Nucal Aumentada

Exemplo de translucência nucal aumentada.

Como o exame da Translucência Nucal é realizado?

O exame poderá ser realizado de duas formas distintas: apenas a translucência nucal e o exame morfológico de primeiro trimestre. A primeira, quando se realiza apenas a translucência nucal, é realizando um exame obstétrico comum. Durante este exame o profissional irá confirmar a idade gestacional medindo o comprimento do bebê da cabeça até a nádega. Depois será realizada a medida da translucência nucal e o valor desta medida será fornecido em milímetros. Neste caso considera-se risco aumentado quando o resultado é igual ou superior a 2,5 mm.

Em cerca de 95% dos casos o exame pode ser feito apenas pela via abdominal. Já em 5% das vezes é necessário que o exame seja complementado pela via transvaginal pois a posição do bebê pode dificultar a avaliação da translucência nucal pela via abdominal. Alguns médicos podem preferir fazer o exame transvaginal com uma frequência maior pois ele costuma produzir imagens um pouco melhores.

Com quantas semanas é feito o exame da translucência nucal?

Este exame é feito quando o bebê tem entre 45 e 84 mm de comprimento cabeça-nádegas. Isto corresponde a aproximadamente a 11 semanas e 3 dias até 13 semanas e 6 dias. Pra facilitar provavelmente seu médico irá dizer pra fazer entre 11 e 14 semanas. Mas é importante que você não faça nem muito no começo da 11ª semana nem muito no fim da 13ª semana. Recomendamos o começo da 13ª semana pois nessa fase como o bebê é um pouco maior, produzindo melhores imagens. Portanto a chance de conseguir identificar uma malformação é maior.

Malformações na época da tranlucência nucal

Adaptado de Rossi. First-Trimester Ultrasonography. Obstet Gynecol 2013.

Qual a diferença entre translucência nucal e exame morfológico?

A segunda maneira de avaliar o bebê entre 11 e 14 semanas é fazendo um exame morfológico de primeiro trimestre. Neste exame iremos considerar, além dos dados anteriores, a idade materna e o histórico de filhos anteriores com Síndrome de Down além de outros marcadores como o ducto venoso (que pode estar alterado ou ter agenesia), osso nasal e regurgitação tricúspide. O resultado será fornecido como uma probabilidade, considerando-se apenas a idade da mãe e considerando a idade da mãe, o histórico e a medida da translucência nucal. Por exemplo:

  • Risco da idade: 1 em 100
  • Risco corrigido: 1 em 1000

Isto significa que o risco, considerando-se apenas a idade da mãe, é de 1 em 100 (ou seja, 1%). Após a medida da translucência nucal, este risco foi corrigido para 1 em 1000 (ou seja, 0,1%). Considera-se o risco alto quando ele é superior a 1 em 100 (maior que 1%). No exame morfológico, além da translucência ainda são observados outros detalhes, como o osso nasal, que poderá ajudar a classificar o risco. Portanto lembre-se sempre que o exame avalia apenas o risco e não faz o diagnóstico. Isto significa que um exame “normal” não garante que o bebê é normal, apenas significa que o risco para a Síndrome de Down é baixo.

Da mesma forma um exame “alterado” informa que o risco é alto, porém mesmo quando a translucência nucal está aumentada encontramos fetos normais. Em nosso site dispomos de uma calculadora de risco para Síndrome de Down aonde você poderá, entrando seus dados, fazer uma estimativa de risco.

Qual a medida normal da translucência nucal?

Não existe um valor único para a translucência nucal, ela varia de acordo com a idade gestacional. O limite superior pode variar entre cerca de 2,0 a 3,0 mm dependendo da idade gestacional, conforme pode ser visto nesta tabela. Como a maneira mais adequada de avaliar se a translucência está normal é utilizando a calculadora de risco individual. Entretanto como regra podemos guardar que valores abaixo de 2,5 mm geralmente dão risco baixo enquanto valores maiores de 2,5 mm geralmente dão um risco um pouco maior.

Qual é a eficácia do teste da translucência nucal?

Os testes de rastreamento, como a medida da translucência nucal, não são perfeitos. Eles conseguem separar um grupo de alto risco mas mesmo nos grupos de baixo risco identificados pelo teste poderemos ter fetos com Síndrome de Down. Aceita-se que a translucência nucal tenha uma sensibilidade de cerca de 80 a 90%. Isto significa que 80 a 90% dos fetos com a Síndrome de Down serão classificados como “alto risco”. Portanto cerca de 10 a 20% dos fetos com a Síndrome de Down tem medida de translucência nucal normal.

O que fazer se meu bebê tem translucência nucal aumentada?

Caso seu bebê tenha translucência nucal aumentada, recomendamos a realização de biópsia de vilosidades coriônicas ou amniocentese para definir o diagnóstico. Assim sendo, estes exames permitem que seja feita uma análise dos cromossomos do bebê chamado cariótipo. O cariótipo permite diagnosticar não só a síndrome de Down mas uma série de outras doenças dos cromossomos. Caso o resultado do cariótipo seja normal, ainda assim o bebê pode ter outras doenças (como por exemplo malformações cardíacas). Portanto a conduta sugerida nestes casos é realizar um exame morfológico detalhado entre 20 a 24 semanas e um exame do coração do bebê chamado ecocardiografia fetal.

Translucência nucal aumentada pode diminuir?

Sim, sabemos que a história natural da translucência nucal é diminuir. Isto significa que a maioria dos bebês que tiveram o teste da “nuquinha” alterado num primeiro momento poderão ter o teste normal se repetirem ele. Entretanto, o fato da medida da nuca diminuir não significa que o bebê tem menos risco. Para fins de determinação de risco sempre usamos o exame aonde o risco foi maior. Ou seja, se o bebê tinha uma nuca de 3,5 mm e depois repetiu o exame e o valor encontrado foi 1,5 mm o risco será determinado pelo exame aonde a medida foi maior.

 

Veja também: Translucência Nucal no Rastreamento de Cardiopatias Congênitas

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