Injeções de Corticoide para Amadurecer o Pulmão do Bebê

Categorias: Dúvidas, Gestantes
Data: 07/12/2018   1816 Views  

Caso exista o risco eminente de um parto prematuro, o seu médico poderá prescrever injeções de corticoide. Dessa forma irá amadurecer o pulmão do bebê mais rapidamente. Corticoide ou corticosteroide é o nome dado a um grupo de hormônios esteróides produzidos pelas glândulas suprarrenais, ou a derivados sintéticos destes. Os corticosteroides possuem diversas ações importantes no corpo humano. Dessa forma possuindo um papel de relevo no balanço eletrolítico, e na regulação do metabolismo.

Em um ensaio clínico realizado de 1969 a 1972, Sir Graham Collingwood Liggins e Ross Howie mostraram que, se os médicos administrarem corticoides para mulheres grávidas antes delas terem um parto prematuro, os bebês têm menos casos de síndrome do desconforto respiratório do que bebês nascidos prematuramente de forma semelhante sem o tratamento com corticoides.

Sir Graham Liggins - Injeções de Corticóide para Amadurecer o Pulmão do Bebê

Sir Graham Liggins (1926-2010)

Antes do estudo, bebês prematuros nascidos antes de 32 semanas de gestação freqüentemente morriam. Afinal apresentavam a síndrome do desconforto respiratório, que é a incapacidade de inflar os pulmões imaturos. Liggins e Howie, ambos na Universidade de Auckland, Auckland, Nova Zelândia, publicaram seus resultados em “A Controlled Trial of Antepartum Glucocorticoid Treatment for Prevention of the Respiratory Distress Syndrome in Premature Infants”, em 1972. O estudo baseou-se nos experimentos iniciais de Liggins com ovelhas. Os experimentos com corticosteroides de Liggins mudaram a forma como os médicos tratam as mulheres grávidas que vivenciam o trabalho de parto prematuro e melhora a expectativa de vida dos bebês nascidos prematuramente.

Hoje já sabemos que podemos prevenir o parto prematuro com a medida do colo uterino que deve ser realizada na época do exame morfológico e utilizando progesterona para as gestantes que tiverem colo curto.

Benefícios para o bebê prematuro

  • Os corticoides podem reduzir o risco de:
    • Doença pulmonar após o nascimento, chamada Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR).
    • Sangramento no cérebro, chamado hemorragia intraventricular (HIV).
    • Outros problemas que podem causar danos a bebês que nascem prematuros, como a morte de tecido intestinal, chamada enterocolite necrosante (ECN)
  • Efeitos colaterais
    • Para o bebê
      • Não afeta o crescimento físico e o desenvolvimento do bebê.
      • O bebê pode não ser tão ativo 2 a 5 dias após essas injeções.
    • Para a mãe
      • Leve risco de infecção se a bolsa de água ao redor do bebê estiver quebrada.
      • Dor no local da injeção.
      • Visão embaçada.
      • Cãibras musculares ou fraqueza.
      • Dificuldade para dormir, nervosismo, humor incomum.

Quem deve utilizar corticoides?

Os benefícios da administração pré-natal de corticosteroides em fetos com risco de parto prematuro superam amplamente os riscos potenciais. Esses benefícios incluem não apenas uma redução no risco de RDS, mas também uma redução substancial na mortalidade e HIV.

Todos os fetos entre 24 e 34 semanas de gestação com risco de parto prematuro devem ser considerados candidatos ao tratamento pré-natal com corticosteroides. A decisão de usar corticosteroides antenatais não deve ser alterada por raça ou sexo fetal ou pela disponibilidade de terapia de reposição de surfactante.

Pacientes elegíveis para terapia com tocolíticos também devem ser elegíveis para tratamento com corticosteroides antenatais. O benefício começa 24 horas após o início da terapia e dura 7 dias.

Na ruptura prematura de membranas com menos de 30 a 32 semanas de gestação e na ausência de corioamnionite clínica (infecção das membranas), recomenda-se o uso de corticosteroide antenatal devido ao alto risco de HIV nestas idades gestacionais precoces.

Em gestações complicadas, onde o parto antes de 34 semanas de gestação é provável, recomenda-se o uso de corticosteróide antenatal, a menos que haja evidência de que os corticosteroides tenham um efeito adverso na mãe ou o parto seja iminente.

Referências

  1. Corticosteroids’ Effect on Fetal Lung Maturation (1972), by Sir Graham Collingwood Liggins and Ross Howie
  2. Obituary – Sir Graham Collingwood Liggins
  3. Corticosteroids for Fetal Lung Maturity
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