Artéria Umbilical Única, o que significa isto para seu bebê?

Categorias: Dúvidas, Gestantes
Data: 28/07/2019   464 Views  

O cordão umbilical conecta o feto à placenta e garante o transporte de nutrientes e trocas gasosas. No interior do cordão, observa-se normalmente a presença de duas artérias e uma veia que são protegidos pela Geléia de Wharton.  No entanto, a variante com uma única artéria umbilical é comum. Sendo que a artéria umbilical ausente mais frequente é a esquerda.

Cordão Umbilical Normal

Cordão Umbilical Normal

O cordão umbilical é uma estrutura importante que conecta o bebê em desenvolvimento à placenta. Ele mantém uma conexão vascular que permite que sangue rico em oxigênio chegue até o feto. Também permite que o sangue rico em gás carbônico seja retirado de seu corpo, além de fornecer os nutrientes necessários. No nascimento, o cordão umbilical apresenta geralmente 2 cm de diâmetro e de 50 cm de comprimento. Entretanto esses valores podem variar de indivíduo para indivíduo.

Em alguns casos o cordão apresenta penas 2 vasos: uma artéria e uma veia. A origem deste problema ainda não é completamente conhecida. Provavelmente é multifatorial, resultante tanto da agenesia (não formação) ou atrofia (formação com posterior desaparecimento) da segunda artéria umbilical ou da persistência da normalmente transitória AUU embrionária.

Artéria Umbilical Única

Artéria Umbilical Única (AUU) visto ao ultrassom, em comparação com o cordão normal.

É comum a artéria umbilical única?

A incidência de AUU tem sido relatada como variando de 0,2% a 1,6% entre fetos cromossomicamente normais (euplóides). E é de 9% a 11% entre fetos cromossomicamente alterados (aneuplóides). Este número varia muito na literatura médica, e se sabe que é encontrado mais frequentemente em natimortos (fetos que nascem mortos) do que em nascidos vivos.

O que deve ser feito quando a artéria umbilical única é encontrada?

Recomenda-se uma avaliação anatômica detalhada para identificar quaisquer outras anomalias fetais associadas uma vez que a AUU tenha sido diagnosticada. Em casos de AUU isolada, aparentemente não há evidência de risco aumentado de anormalidades cromossômicas, mas o achado de AUU deve alertar o ultrassonografista para procurar defeitos fetais, e um cariótipo (estudo genético), realizado através de amniocentese, deve ser oferecido se anomalias congênitas são encontradas em associação com AUU. Malformações congênitas em muitos sistemas têm sido relatadas em associação com a AUU, mas não há um padrão específico. As malformações geniturinárias e cardíacas parecem ser as mais prevalentes, e a percepção de que as anomalias renais são particularmente comuns, levou alguns a recomendar uma avaliação renal pós-natal para todas as crianças com AUU.

Um estudo para examinar a associação entre o achado pré-natal de AUU e defeitos cardíacos e verificar a necessidade de avaliação complementar com ecocardiografia fetal foi realizado recentemente e, embora a AUU esteja associada a um aumento da incidência de defeitos cardíacos, esta complementação não é necessária quando o exame morfológico de segundo trimestre é realizado por um ultrassonografista experiente em medicina fetal, porque os defeitos são detectados através da avaliação padrão, que deve incluir uma visão de quatro câmaras do coração, bem como das vias de saída. O risco de RCIU (restrição de crescimento intrauterino) é também apontado em alguns estudos e na ausência ainda de dados confiáveis para o contrário, parece prudente a obtenção de uma ultrassonografia no terceiro trimestre para a avaliação do crescimento fetal.

Prognóstico para Fetos com Artéria Umbilical Única

Será basicamente dependente das malformações estruturais e anomalias cromossomiais concomitantes, determinantes da natimortalidade perinatal.

Vários estudos têm mostrado que a ocorrência de artéria umbilical única, isolada, apresenta um bom prognóstico, com discreta redução no peso de nascimento, idade de nascimento e índices de Apgar, e sem afetar o bem-estar do recém-nato, que apresenta um risco um pouco aumentado para malformações menores do trato genitourinário, como um rim ectópico.

Logo, fetos sem anomalias associadas que apresentem uma propedêutica pré-natal sem alterações geralmente evoluem muito bem no período pós-natal.

E se durante o exame de ultrassonografia forem encontrados outras alterações no seu bebê?

Fique alerta! E considere a realização da amniocentese para o estudo genético, pois isto pode significar que o bebê tem problemas maiores do que somente a falta de uma artéria no cordão. A realização de ecocardiografia fetal também é importante. É um exame complementar inócuo para a mãe e o feto, podendo ser realizado se a equipe médica julgar prudente ou se ajudar a diminuir a ansiedade da futura mamãe. Depois, é sempre bom comentar o diagnóstico pré-natal de AUU com o seu pediatra que vai cuidar do bebê ao longo do seu desenvolvimento, assim ele pode dar mais uma olhada com atenção principalmente para os rins do pequeno e assegurar que esteja tudo bem após o nascimento.

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