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Com que idade gestacional é possível ver o sexo do bebê no ultrassom?

É natural que as gestantes tenham curiosidade de saber qual o sexo do bebê. Uma dúvida muito comum é quando seria possível ver o sexo fetal no ultrassom. Claro que o ultrassom tem como princípio avaliar o bem estar do bebê, mas quem não tem curiosidade de descobrir se será um menino ou uma menina? Descubra um pouco mais sobre esse assunto neste artigo ou veja o vídeo abaixo.

No Brasil é muito comum o desejo das gestantes em descobrir se o bebê é um menino ou uma menina. Assim todas querem saber quando é possível ver o sexo do bebê pelo ultrassom. Infelizmente não existe uma resposta para todas as gestantes. Identificar a genitália do bebê depende de uma série de fatores. Por exemplo, a posição fetal pode dificultar ou impedir a identificação do gênero do bebê em idades gestacionais onde normalmente seria fácil identificar a genitália. Atualmente sabemos que até a 12a semana de gestação o diagnóstico do sexo é impreciso e após a 13a semana de gestação ele pode atingir de 99 a praticamente 100% de acerto.

Obviamente que as tabelas de idade gestacional variam de população para população. Dessa forma, é preferível utilizar o tamanho do feto (e não a idade gestacional) para dizer quando é possível dizer se é um menino ou uma menina. Fetos com mais de 72 mm que estão numa posição boa e quando a imagem é clara permitem identificar o sexo fetal com chance de acerto próxima a 100%.

Como o médico sabe o sexo do bebê?

Com 13 semanas é possível identificar a posição do tubérculo genital. O tubérculo genital é a estrutura que dará origem ao pênis nos meninos e ao clitóris nas meninas. A posição do tubérculo nas meninas é bem horizontal (paralelo com a coluna) enquanto nos meninos ela é vertical (perpendicular a coluna), conforme a imagem abaixo.

Sexo do Bebê - Posição do Tubérculo Genital

Logo abaixo uma imagem um pouco mais trabalhada da genitália fetal para evidenciar a diferença entre meninos e meninas (nem sempre é assim claro no ultrassom!). E não se deixe enganar, a frequência cardíaca do feto não permite determinar o sexo.

Viu só? Não precisa comer chocolate para o bebê saber se é um menino ou menina.

O que pode dificultar a descoberta do sexo do bebê?

Lembre-se entretanto, que o tamanho do feto não é o único fator que define a identificação do sexo. Outros fatores podem atrapalhar, como por exemplo:

  • Obesidade materna
  • Cirurgias abdominais prévias
  • Posição uterina
  • Posição fetal
  • Qualidade do aparelho de ultrassom utilizado

Resumindo, situações que deixam a imagem ruim podem induzir ao erro. Assim sendo, não exija de seu médico uma resposta caso ele esteja com dificuldades. Pode estar difícil e uma resposta precipitada pode levar a sérios problemas no futuro. Como precisar que trocar o enxoval do bebê e ter que explicar para todos que o sexo estava errado.

Marque o exame na época correta

Lembre-se que você irá realizar um exame de ultrassom entre 11 e 14 semanas para fazer a medida da translucência nucal. Dessa forma você poderá agendar este exame para quando estiver com 13 semanas. Assim você poderá medir a translucência nucal e ter (pelo menos uma boa ideia) do sexo fetal. Se o médico não conseguir ver o sexo do bebê neste exame, você não pode perder o interesse em realizá-lo! Informações importantes sobre o bem estar do seu bebê serão obtidas durante o exame.

CUIDADO: não marque o exame para o dia em que você completa 14 semanas pois a época da translucência nucal é determinada, mais precisamente, pelo comprimento do bebê. A época correta para medir a translucência nucal é quando o feto tem entre 45 e 84 mm de comprimento cabeça-nádega. Assim, não deixe para o último dia pois quando você for fazer o exame o feto poderá ter passado da medida adequada. Para mais informações veja nosso post sobre como é feita a translucência nucal.

Como faço para saber a época certa pra ver o sexo do bebê?

Lembre-se de olhar no calendário pra contar a idade gestacional. Observe que o mês não tem 4 semanas (que seriam 28 dias). Como o intervalo entre 13 semanas e 14 semanas é muito curto, essa pequena diferença poderá fazer com que você perca a época de medir a translucência nucal. Se você está em dúvida use nossa calculadora de idade gestacional. Veja também o artigo sobre a conversão de meses em semanas.

Além disso, precaução nunca é exagero. Independentemente da época em que você descobriu o sexo, quando for comprar o enxoval não tire logo a etiqueta. Aguarde um segundo exame para confirmar o gênero do bebê. Você deverá fazer um entre 20 e 24 semanas, chamado de morfológico. Depois do exame morfológico você terá uma confirmação do sexo do bebê e ainda terá bastante tempo para lavar as roupinhas do bebê. Poderá inclusive, caso o seu médico concorde, fazer uma viagem de avião para comprar o enxoval do bebê. Dá tempo até de ir aos Estados Unidos fazer o enxoval, como algumas mamães estão fazendo atualmente! Caso queira saber mais sobre viagens de avião na gestação temos um post sobre o assunto.

Além do ultrassom é possível saber se é menino ou menina por um exame de urina ou por meio da sexagem fetal.

Existe algum truque pra escolher o sexo do bebê antes de engravidar?

Em gestações concebidas naturalmente isso não é possível. Não há nenhuma evidência científica que a alimentação, a posição sexual sobre o sexo do bebê. De tempos em tempos escutamos que existe uma diferença na velocidade do espermatozóide que carrega o cromossomo X e do espermatozoide que carrega o cromossomo Y. Isso, em tese, poderia dar uma chance diferente de engravidar de menina ou menino. Entretanto não existe evidência científica para suportar essa afirmação. Portanto fazer sexo mais longe ou mais perto da ovulação não irá definir o sexo do bebê. Se você quiser outras dicas veja nosso post com 6 métodos naturais para ajudar a escolher o sexo do bebê!

Referências

  1. Identificação Ultra-Sonográfica do Sexo Fetal entre a 11ª e a 14ª Semana de Gestação

Teste da Fibronectina Fetal

A fibronectina fetal é uma proteína produzida durante a gestação e que funciona como um adesivo entre as membranas fetais e o útero.

O que é o teste da fibronectina fetal?

A fibronectina pode ser detectada através de um teste simples, indolor e não invasivo, na vagina ou no colo do útero. Em condições normais, após 22 semanas de gestação não se detecta a fibronectina. Quando a gestante apresenta sintomas de ameaça de trabalho de parto prematuro (contrações, sensação de peso em baixo ventre, sangramento ou perda de líquido pela vagina e dores tipo cólica menstrual e sem dilatação significativa do colo do útero), o teste para detecção da fibronectina fetal nas secreções vaginais e do colo do útero ajuda a identificar a mulher que tem maior risco de dar à luz prematuramente.

Como é feito o teste?

O teste é realizado através da introdução de um cotonete na vagina para coletar a secreção cérvico-vaginal. Esta secreção é analisada para presença ou ausência de fibronectina e o resultado é conhecido em poucos instantes.

Para serve o teste?

Nas mulheres com sintomas com teste positivo, o risco de parto prematuro é maior e nas mulheres com teste negativo esse risco é muito menor e com grande probabilidade a gravidez vai durar pelo menos mais uma ou duas semanas. Ou seja, a realização do teste permite tranquilizar as mulheres com sintomas de ameaça de parto prematuro e evitar internações e medicações desnecessárias.

Como fazer o teste passo a passo:

fibronectina-modo-de-fazer

O que é ultrassonografia morfológica?

Ultrassonografia Obstétrica e Ultrassonografia Morfológica Fetal: Qual é a diferença? Uma grande dúvida das gestantes é a diferença entre os diversos exames de ultrassom que são realizados na gestação. Queremos aqui mostrar quais são as diferenças entre o exame obstétrico comum e o exame morfológico. O exame morfológico deve ser realizado preferencialmente com o especialista em medicina fetal e com aparelhagem apropriada.


Característica Obstétrica Morfológica
Requisito do Profissional Conhecimentos básicos de Obstetrícia e Ultrassonografia Conhecimentos profundos de Obstetrícia, Fisiopatologia Materno-Fetal, Diagnóstico Sindrômico Fetal, Infecções Congênitas e Teratogênese
Indicação Para todas as gestantes, em diversas fases da gestação Para todas as gestantes (como triagem) e para fetos com alto risco para malformação
Objetivos Biometria fetal, localização de placenta, quantidade de líquido amniótico e crescimento fetal Avaliação pormenorizada da Anatomia Fetal e Marcadores para doenças genéticas, Biometria fetal complementar e descrição detalhada de toda morfologia fetal
Número de Exames Quantas forem necessárias Dois, nos períodos acima. Em fetos malformados todos os exames devem ser morfológicos.
Sinônimos Ultrassonografia Obstétrica, Eco Obstétrica Rastreamento de I e II trimestres, Ecografia Morfológica Fetal, Pesquisa de Malformações
Período Ideal Toda a Gestação 11 a 14 semanas e de 20 a 24 semanas
Tipo de Laudo Resumido, objetivo Descritivo
Aparelho Necessário Ultrassom Ultrassom de alta resolução
Onde fazer Clínicas de Imagem Com profissionais dedicados à Medicina Fetal
Tempo de Exame 10 a 20 minutos 20 a 40 minutos
Documentação de Imagens 4 a 8 imagens 10 a 30 imagens

Portanto e exame que avalia de forma mais completa a anatomia do bebê é o exame morfológico. Durante os exames morfológicos de 1º. e 2º. trimestre é o momento onde o médico poderá avaliar de forma detalhada a formação do bebê.

É possível ver tudo no na Ultrassonografia Morfológica?

Entretanto, mesmo o exame morfológico detalhado realizado por um profissional extremamente qualificado não é capaz de detectar 100% dos problemas que o bebê pode ter. Isto acontece porque alguns problemas só se tornam evidentes com o desenvolvimento e crescimento fetal. A posição do feto e a condução da do ultrassom nos tecidos maternos também pode dificultar a visualização de algumas anomalias fetais. A próxima tabela exemplifica qual a chance de detecção de algumas anomalias que o bebê pode apresentar:


Problema O que é? Chance de ser visto?
Mielomeningocele Defeito de fechamento da coluna 90%
Anencefalia Ausência de formação do topo da calota craniana e parte do cérebro 99%
Hidrocefalia Excesso de líquido no cérebro 60%
Hérnia Diafragmática Defeito do músculo que separa o abdômen do tórax 60%
Malformações renais Ausência ou malformação nos rins 85%
Anormalidades dos membros Ossos faltando ou encurtados 90%
Paralisia Cerebral Problemas motores que resultam da lesões do sistema nervoso central Nunca é visto
Autismo Transtorno de desenvolvimento grave que prejudica a capacidade de se comunicar e interagir Nunca é visto
Síndrome de Down Doença genética do cromossomo 21 que causa atrasos de desenvolvimento e intelectuais Cerca de 80%

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Obs: os dados acima citados são adaptados do Royal College of Obstetricians and Gynaecologists Working Party on Ultrasound Screening for Fetal Abnormalities.

O exame pode identificar desde pequenas alterações que não terão repercussão para a vida do bebê, como dilatações do rim do bebê, até síndromes malformativas graves.

Caso seja identificado um problema durante o seu exame será realizada uma breve explanação sobre o problema e o prognóstico. Para uma discussão detalhada será necessário agendar uma próxima consulta de aconselhamento em medicina fetal.

Como são as imagens do Exame?

As imagens do exame são semelhantes as imagens do exame obstétrico simples, entretanto o médico irá avaliar um número maior de imagens permitindo uma avaliação mais detalhada da anatomia fetal. Não é necessário o uso do ultrassom 3D ou 4D para a realização do estudo morfológico.

Exames que podem ser associados a morfológica

Em alguns casos o seu médico poderá solicitar junto com o exame morfológico outros exames, como por exemplo a Dopplervelocimetria ou o ultrassom transvaginal. A Dopplervelocimetria será utilizada para avaliar a circulação de sangue para o bebê e isso é importante nos casos aonde o crescimento do feto está alterado ou para avaliar o seu risco de pré-eclâmpsia. Já a medida do colo ajuda a determinar e prevenir casos de trabalho de parto prematuro.

Referências

  1. Estudo sobre a Padronização do Exame Morfológico
  2. Ultrassonografia obstétrica no Brasil: um apelo à padronização

O que é ultrassom 3D ou 4D?

O método de ultrassonografia 3D (três dimensões) é uma inovação do método 2D, transforma as imagens convencionais em imagens tridimensionais, permitindo que a mamãe consiga visualizar uma imagem mais realista do seu bebê. Essas imagens obtêm uma qualidade quase fotográfica. Aliás hoje temos até aplicativo para aprimorar as imagens 3D obtidas pelo ultrassom! Além disso hoje em dia é possível até fazer a impressão das imagens 3D!

A ultrasonografia 3D/4D pode ser realizada em qualquer fase da gestação. Entretanto é importante informar que, dependendo da idade gestacional, a imagem que iremos obter é diferente. Por exemplo, imagens em fases iniciais da gestação irão mostrar o corpo do feto inteiro, mas não conseguirão ver pequenos detalhes pois o bebê ainda é extremamente pequeno. Próximo a 20 semanas de gestação já é possível conseguir algumas imagens da face, entretanto elas ainda não são muito bonitas pois nesta fase o feto ainda tem pouco tecido gorduroso, portanto a imagem é praticamente o esqueleto do feto.

As melhores imagens da face são obtidas entre 26 a 29 semanas de gestação, pois neste período o feto já tem uma boa quantidade de tecido gorduroso em baixo da pele e ainda tem bastante líquido (o que é extremamente necessário para formação de imagens nítidas). Após 30 semanas podemos eventualmente obter imagens boas, entretanto isto torna-se muito difícil pois o espaço dentro do útero acaba tornando-se reduzido e o rosto fica a maior parte do tempo encoberto. Por isso nós recomendamos que você planeje a realização do exame entre 26 a 29 semanas de gestação.

Quando o exame fica bom?

É impossível dizer com certeza quando o seu exame de 3D ficará bom. Em alguns pessoas existe chance maior de dar certo e em outras é mais difícil. Além disso o bebê poderá estar numa posição ruim e, mesmo tendo uma condição técnica boa, fica impossível conseguir uma imagem legal.

Para ajudar você a saber se o exame de ultrassom 3D irá ficar bom, desenvolvemos uma ferramenta de Teste Online do Ultrassom 3D. Nela você poderá ter uma idéia se a sua chance de conseguir boas imagens é grande ou é pequena.

Devo realizar algum preparo especial?

Nenhum preparo especial é necessário. Entretanto evitar de usar cremes no abdome e ingerir bastante líquido nas 24 horas que antecedem o exame pode ajudar a obter imagens melhores.

Como se realiza uma ultrassonografia tridimensional?

A forma que o exame é realizado não difere muito da ultrassonografia comum. A grande diferença está no pós-processamento de imagens, realizado pelo aparelho de ultrassonografia. Vários cortes bidimensionais são obtidos por um sensor apropriado e o aparelho de ultrassonografia faz a reconstrução destes cortes para gerar a imagem em 3D/4D.

Existem casos onde a imagem não fica boa?

Sim. Os principais fatores para a qualidade da imagem são:

  • A posição fetal – quando o feto está com a face voltada para as costas da mãe torna-se impossível de gerar uma imagem do rosto;
  • As características do líquido amniótico – o líquido amniótico provém para o aparelho o contraste necessário para a formação de uma boa imagem. O líquido escuro e a superfície da pele branca produzem as condições técnicas necessárias para a reconstrução da imagem. Quando o volume de líquido está diminuído ou se ele fica muito ecogênico (branco) isso pode impossibilitar a aquisição de uma boa imagem;
  • A atenuação do som nos tecidos maternos – a qualidade da imagem está diretamente ligada a passagem do som pelos tecidos maternos. Em situações onde o som tem dificuldade de passar (como pacientes com fibrose por cirurgias prévias ou pacientes com tecido adiposo espesso) a imagem poderá ficar ruim.
  • A idade gestacional em que está sendo feito o exame.
  • Além disso, todas as situações que deixam a imagem bidimensional ruim irão também piorar a imagem no 3D.

Obtendo uma boa imagem no 3D

Para obtermos uma imagem 3D/4D boa, inicialmete devemos ter uma imagem boa no exame de 2D. É importante frisar que o 3D não melhora a imagem do 2D, se a imagem estiver ruim no 2D provavelmente você não verá nada no 3D/4D. Para entender como deve estar a imagem veja as figuras abaixo. Na primeira imagem estamos vendo como idealmente seria a imagem em 2D para obtermos boas imagens 3D/4D. Observe três coisas importantes: (1) existe uma boa quantidade de líquido na frente da face fetal; (2) existe um bom contraste entre o líquido (preto) e a pele fetal (cinza); (3) não existem estruturas na frente da face (como membros fetais, cordão ou placenta).

Quando captamos a imagem 3D, o aparelho mostra inicialmente uma tela com 3 planos (horizontal, vertical e coronal) e a reconstrução 3D. Observe a área livre (escuro do líquido amniótico) diante da face fetal. Veja ainda que parte da face está bloqueada pela placenta (cinza) e a placenta é observada também na reconstrução 3D. É importante notar também que, mesmo que não identifiquemos nada na imagem do perfil, no momento que montamos a imagem 3D/4D poderemos observar alguma estrutura que não foi identificada na linha média.

reconstrução 3D

Quanto tempo dura o exame?

A duração do exame depende muito da qualidade das imagens obtidas. Em condições favoráveis pode ser fácil e rápido obter imagens bonitas. Em situações desfavoráveis tenta-se obter imagens até o límite máximo de 20 minutos. Além deste tempo torna-se inútil continuar tentando pois com o passar do tempo o feto acaba percebendo a movimentação sobre o abdome e instintivamente protege a face, cobrindo-a com os membros ou virando o rosto para o lado da coluna materna.

É possível fazer imagens das mãos, pés e genitália?

Sim, entretanto as extremidades geralmente estão em contato com a parede do útero e portanto não estão envoltas em líquido amniótico. Assim sendo torna-se muito difícil a obtenção de imagens nítidas das extremidades. O convênio cobre o exame de 3D/4D? Não, este exame não é coberto pelos convênios.

Qual é a diferença do 3D para o 4D?

A função 3D do aparelho produz imagens estáticas, porém com melhor qualidade. O ultrassom 4D permite visualizar imagens com movimento, com qualidade um pouco inferior pois a coleta de imagens é feita de forma rápida e contínua. Para entender um pouco mais sobre o assunto recomendamos o pequeno vídeo do Dr. Sebastião Zanforlin, disponível no YouTube.

Síndrome da Transfusão Feto-Fetal

Síndrome da Transfusão Feto-Fetal (STFF) é uma complicação que pode ocorrer nas gestações de gêmeos quando os dois fetos (bebês) estão dividindo a mesma placenta porém estão em bolsas diferentes (são as chamadas gestações monocoriônicas e diamnióiticas). A Síndrome da Transfusão Feto-Fetal ocorre em aproximadamente 5 a 20% das gestações monocoriônicas (uma placenta). Sabemos que esta Síndrome é resultado do desequilíbrio no fluxo de sangue entre os dois bebês. Por certo existem anastomoses (ligações vasculares) entre a circulação dos dois bebês existem na superfície da placenta. Em virtude deste desequilíbrio, um dos bebês irá receber mais sangue do que o outro. Dessa maneira um feto é classificado como doador de sangue e o outro como receptor. Além disso ao exame de ultrassom observa-se bebês de tamanhos desproporcionais, onde o doador é normalmente um bebê pequeno (restrição de crescimento) e o receptor um bebê grande. A melhor forma de tratamento é a terapia intra-uterina com laser.

Diagnóstico da Síndrome da Transfusão Feto-Fetal

O sinal mais precoce da Síndrome de Transfusão Feto-Feto é quando no exame morfológico de primeiro trimestre temos um feto com translucência nucal normal e outro com translucência nucal aumentada.O diagnóstico é feito o exame de ultrassom por um Especialista em Medicina Fetal. A princípio observa-se a presença de polidramnia (líquido amniótico aumentado) em uma das bolsas. Além disso a outra bolsa apresenta oligodramnia (líquido amniótico reduzido) na outra. Na bolsa com o líquido amniótico aumentado encontra-se um feto maior e com bexiga aumentada (muito cheia). Ao mesmo tempo na outra bolsa o líquido está diminuído, e a bexiga é difícil de ser visualizada (está vazia). Em contraste com gestações únicas, o critério utilizado para classificar o volume de líquido é um pouco diferente.

Muitas vezes o diagnóstico pode ser clínico, quando a altura uterina está muito aumentada. Para gestações gemelares deve-se usar uma tabela de altura uterina para gestações gemelares.

Em resumo considera-se como aumentado (polidramnia ou polidrâmnio) quando o maior bolsão vertical de líquido mede 8 cm ou mais. Por outro lado, oligodramnia (oligoâmnio ou oligodrâmnio) é quando o maior bolsão mede menos de 2 cm. A Síndrome da Transfusão Feto-Fetal pode ocorrer em gestações múltiplas com dois fetos ou mais, exemplo trigêmeos, quadrigêmeos, etc. Entretanto para isso ocorrer é necessário que dois fetos estejam compartilhando a mesma placenta.

Síndrome da Transfusão Feto-Fetal

Feto doador x feto receptor

Na Síndrome da Transfusão Feto-Fetal se for adotada uma conduta expectante (ou seja, não fazer nenhum tipo de tratamento) a mortalidade pode chegar a 100% para os dois bebês. Contudo, se for realizado um tratamento dentro do útero (as chamadas condutas invasivas), podemos conseguir uma redução desta mortalidade. Como terapias existentes nós poderíamos citar a amniocentese seriada (retirada de líquido da bolsa amniótica através de uma agulha) e o tratamento com laser (cauterização) dos vasos (artérias e veias) comunicantes.

Anastomoses Placentárias na Transfusão Feto-Feto

Ilustração das anastomoses (ligações) vasculares entre os fetos. O fluxo sangüíneo vai preferencialmente de um feto (doador) para o outro (receptor). Nesta ilustração a placenta, o cordão e alguns vasos estão apagados. As anastomoses (indicadas com a seta) estão em maior realçe.

Tratamento da Síndrome da Transfusão Feto-Fetal

A amniocentese seriada tem por objetivo diminuir o risco de parto prematuro através da redução do volume de líquido amniótico da maior bolsa amniótica (bebê receptor). Este procedimento é realizado tantas vezes quantas forem necessárias, e a freqüência com que será realizado depende da rapidez com que ocorra novamente o acúmulo do líquido na bolsa amniótica. Dessa forma, a amniocentese seriada está associada a taxas de sucesso de 66% (para 1 sobrevivente). Entretanto há um risco de paralisia cerebral de 15%.

Por outro lado, o tratamento com Laser tem por objetivo interromper a troca sangüínea entre os dois bebês. Esta terapia apresenta taxa de sucesso de 85% (sobrevivência de pelo menos um dos fetos) e em torno de 4% de paralisia cerebral.

As informações aqui apresentadas são de maneira resumida. Para maiores esclarecimentos sobre esta Síndrome é importante consultar um Especialista em Medicina Fetal.

Diagnósticos Diferenciais da Síndrome de Transfusão Feto-Fetal

Algumas complicações das gestações gemelares podem co-existir com a síndrome de transfusão feto-fetal ou mesmo se confundir com ela. Dois diagnósticos diferenciais são importantes de se ter em mente quando temos um caso de transfusão feto-fetal:

  • Restrição de Crescimento Seletiva – quando em uma gestação monocoriônica um feto cresce de maneira adequada e outro tem crescimento restrito;
  • Sequência de Anemia-Policitemia em Gêmeos – situação também caracterizada pela transfusão de sangue de um gêmeo para o outro, porém de forma crônica.

Referências

  1. Senat MV, Deprest J, Boulvain M, Paupe A, Winer N, Ville Y. Endoscopic laser surgery versus serial amnioreduction for severe twin-to-twin transfusion syndrome. N Engl J Med. 2004 Jul 8; 351(2): 136-44.
  2. Quintero RA. Treatment of previable premature ruptured membranes. Clin Perinatol. 2003 Sep; 30(3): 573-89.

O que significa BI-RADS®?

BI-RADS® é um acrônimo para Breast Imaging-Reporting and Data System®, uma classificação desenvolvida inicialmente para ser utilizada com a mamografia, que após 2003, quando publicada a sua quarta edição, incorporou também a avaliação ultrassonográfica e de ressonância magnética. No Brasil, o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) realizou adaptação do BI-RADS em 2005, de acordo com particularidades da língua portuguesa.

A classificação de BI-RADS® foi proposta pelo American College of Radiology (ACR) e é um produto da colaboração de vários comitês compostos por membros do American College of Radiology, National Cancer Institute, Centers for Disease Control and Prevention, Food and Drug Administration, American Medical Association, American College of Surgeons e College of American Pathologists.

A utilização do BI-RADS® ultrassonográfico deve melhorar a comunicação entre o clínico e o radiologista, diminuir o número de laudos inconclusivos, facilitar a auditoria dos serviços em geral e dos programas de rastreamento e incrementar a qualidade da assistência médica em diagnóstico mamário, diminuindo o caráter subjetivo da interpretação dos achados ultrassonográficos.

O BI-RADS® ultrassonográfico utiliza uma graduação em categorias idêntica à do BI-RADS® radiológico. Isto é uma vantagem, no sentido de que a comunidade médica envolvida em diagnóstico mamário já está acostumada a raciocinar dentro das faixas de risco estabelecidas pelo BI-RADS® radiológico.

Uma outra vantagem da utilização do sistema BI-RADS® é estimular pesquisas que determinem o valor preditivo positivo de vários tipos de lesões ultrassonográficas, trazendo dados que irão valorizar a capacidade de interpretação das lesões mamárias.

A classificação dos achados ultrassonográficos se enriqueceu, definindo apropriadamente as lesões de ecogenicidade complexa, os cistos complicados, a orientação da lesão, o halo ecogênico, a presença de achados associados.

O BI-RADS® ultrassonográfico trouxe, ainda, uma classificação da ecotextura de base da mama inédita, incluindo três categorias: mamas homogeneamente gordurosas, mamas homogeneamente fibroglandulares e mamas heterogêneas. A razão dessa classificação vem do fato de que determinados tipos de ecotextura de base poderiam favorecer, enquanto outros poderiam diminuir a sensibilidade da ultra-sonografia mamária.

Muitas questões, no entanto, ainda precisam ser respondidas para uma adoção completa e bem sucedida do BI-RADS® no laudo ultrassonográfico e uma nova edição, revisada, está sendo aguardada com provável publicação em 2011, conforme o site do The American College of Radiology, http://www.acr.org/.org

Referências

  1. American College of Radiology. Breast Imaging Reporting and Data System, atlas. 4th ed. Reston: American College of Radiology; 2003.
  2. Colégio Brasileiro de Radiologia. BI-RADS – Sistema de laudos e registro de dados de imagem da mama. São Paulo: Colégio Brasileiro de Radiologia; 2005.
  3. Nascimento JHR, Silva VD, Maciel AC. Acurácia dos achados ultrassonográficos do câncer de mama: correlação da classificação BI-RADS® e achados histológicos. Radiol Bras. 2009;42: 235–40.
  4. Roveda Jr D, Piato S, Oliveira VM, et al. Valores preditivos das categorias 3, 4 e 5 do sistema BI-RADS em lesões mamárias nodulares não-palpáveis avaliadas por mamografia, ultra-sonografia e ressonância magnética. Radiol Bras. 2007;40:93–8.
  5. Raza S, Chikarmane SA, Neilsen SS, et al. BI-RADS 3, 4, and 5 lesions: value of US in management – follow-up and outcome. Radiology. 2008;248:773–81.
  6. Lazarus E, Mainiero MB, Schepps B, et al. BI-RADS lexicon for US and mammography: interobserver variability and positive predictive value. Radiology. 2006;239:385–91.
  7. Levy L, Suissa M, Chiche JF, et al. BIRADS ultrasonography. Eur J Radiol. 2007;61:202–11.
  8. Calas MJG, Koch HA, Dutra MVP. Ultra-sonografia mamária: avaliação dos critérios ecográficos na diferenciação das lesões mamárias. Radiol Bras. 2007;40:1–7.
  9. Hong AS, Rosen EL, Soo MS, et al. BI-RADS for sonography: positive and negative predictive values of sonographic features. AJR Am J Roentgenol. 2005;184:1260–5.

Dificuldades para Engravidar

Por definição, considera-se infértil o casal quando, após cerca de um ano tendo relações freqüentes e desprotegidas, não ocorre gravidez. As causas de infertilidade são diversas e acometem tanto o homem quanto a mulher. Para os casais inférteis é sempre muito importante o acompanhamento com um especialista em reprodução humana.

dificuldade para engravidar - fertilização in vitro

Quais são as causas de infertilidade?

Existem diversas causas de infertilidade. Em primeiro lugar devemos ressaltar que nem sempre a causa é um problema com a mulher. Na verdade em 30% dos casos o problema é da mulher, em 30% é do homem e em 30% das vezes o problema está em ambos. Nos 10% restantes após uma ampla investigação não conseguimos detectar a causa e estes casos são chamados de infertilidade sem causa aparente.

Quais são as causas da infertilidade masculina?

Com o homem, geralmente o problema está no número (azoospermia) ou na mobilidade dos espermatozóides. Um número pequeno de espermatozóides ou espermatozóides que não de movem de maneira adequada reduzem em muito as chances de que o óvulo venha a ser fertilizado.

Quais são as causas da infertilidade feminina?

Na mulher, a causa mais frequente é a obstrução das trompas de falópio (levam o óvulo até o útero). A trompa pode estar obstruída por causa de endometriose ou por uma infecção do trato genital. Além do fator obstrutivo podemos ter a falta de ovulação (ciclos anovulatórios) e a alteração do muco cervical dificultando a passagem de espermatozóides. Eventualmente seu médico poderá solicitar um exame chamado videolaparoscopia para avaliar esta questão. É muito comum a associação de endometriose com infertilidade. A presença de pólipos endometriais ou sinéquias também podem ser causa de infertilidade feminina.

Qual o melhor tratamento para a infertilidade?

Inicialmente uma investigação completa do casal deve ser realizada. Lembre que em cerca de 30% dos casos o homem e a mulher tem um problema ao mesmo tempo. Depois da identificação do problema o tratamento estará direcionado para ele. Por exemplo, para a paciente que tem ciclos anovulatórios poderemos usar medicações que induzem a ovulação. Para o marido que tem poucos espermatozóides ou espermatozóides com motilidade ruim poderá ser feita uma coleta e capacitação do sêmem para futura inseminação. Uma outra modalidade de tratamento é a fertilização in vitro, onde o óvulo é fertilizado no laboratório e o embrião é posteriormente transferido para o útero da mãe.

Quais são as chances de sucesso?

As taxas de sucesso para os tratamentos de reprodução assistida variam de cerca de 30 a 50%.

É verdade que quem faz tratamento para infertilidade tem gêmeos?

Os tratamentos para infertilidade, na sua grande maioria, aumentam significativamente as chances de gestações múltiplas. Aproveite para entender os diferentes tipos de gêmeos!

Fiz um Raio X Grávida, e Agora?

Uma situação muito comum no dia a dia é encontrar pacientes que inadvertidamente foram expostas a raios X durante a gravidez. Este pequeno artigo tenta sanar algumas dúvidas importantes para aquelas pacientes que fizeram (ou precisam fazer) exames de raios X na gestação.

O que são os raios X?

Os raios X são emissões eletromagnéticas de natureza semelhante à luz visível. Este tipo de radiação é invisível. Os raios X são utilizados para tirar “fotografias”de ossos e de órgãos. Existe uma associação fraca com risco de câncer, particularmente de leucemia, quando o feto é irradiado.

É seguro fazer exames de raios X durante a gestação?

Sim, exames de raios X, quando necessários, poderão ser feitos na gravidez. Se o seu médico indicar o exame é porque a importância do exame para esclarecer a sua situação supera o pequeno risco para o feto.

Raio X gravidez

Exame de raio X realizado em uma gestante

Todos os tipos de raios X tem a mesma quantidade de radiação?

Não. Os diferentes tipos de raios X tem diferentes quantidades de irradiação. Os raios X médicos utilizam quantidades muito pequenas de radiação. Se você necessita de uma radiografia indicada por seu médico você deverá fazê-la. Se a região que irá ser irradiada não for o abdome, você poderá solicitar ao técnico que forneça um protetor (avental de chumbo) para o abdome.

Descobri que estou grávida depois de fazer o exame de raios X. O que devo fazer agora?

Não entre em pânico, você não precisa fazer nada. O risco para o seu bebê é tão pequeno que a maioria dos médicos vai tratar da sua gravidez como a de qualquer outra paciente. Se você estiver muito preocupada, solicite a clínica onde você fez o exame que faça uma estimativa da radiação que você receber. Usualmente recomenda-se que o feto não receba mais do que 5 rad. A maioria dos exames necessita de uma quantidade muito menor de radiação do que isto – veja a tabela abaixo:

Exame

Dose de radiação
fetal estimada (rad)
Número de Exames
para atingir 5 rad
Crânio 0,004 1.250
Tórax (duas incidências) 0,000007 71.429
Mamografia 0,020 250
Abdôme 1,398 3
Urografia contrastada 1,398 20
Pelve 0,40 125

Valores Aproximados
box_alertAlgumas mulheres tem tanto pânico de radiação que querem abortar a gestação depois de um exame de raios X. Isto não é necessário.

Se eu fizer um exame de raios X o meu bebê nascerá com alguma deformidade?

Os raios X usados em medicina não aumentam o número de bebês que nascem com deformidades ou anomalias congênitas. É importante saber que cerca de 3% dos bebês pode nascer com algum tipo de malformação. A maioria dessas malformações são classificadas como malformações menores e não causam nenhum prejuízo ao bebê. Como exemplo de malformação menor poderíamos citar um sexto dedo em um dos pés.

É possível substituir o raio X por algum outro exame?

Em algumas situações os exames de raios X podem ser substituídos por ultrassonografia ou ressonância nuclear magnética. Estes métodos de diagnóstico são considerados inócuos para o feto e para a mãe. Entretanto em algumas situações apenas o exame de raios X poderá auxiliar o seu médico no diagnóstico.

Como posso saber se meu bebê tem alguma deformidade?

Para isto você fará os exames de pré-natal, em especial a ultrassonografia. Dois exames são de extrema importância, o exame da Translucência Nucal e o Ultrassom Morfológico.

E o ultrassom, é seguro na gestação?

Sim, o exame de ultrassom é bastante seguro para realizar na gestação, já escrevemos sobre o assunto no post “O exame de ultrassom pode fazer mal para o bebê?“.

Referência

  1. Toppenberg KS, Hill DA, Miller DP. Safety of radiographic imaging during pregnancy. Am Fam Physician. 1999 Apr 1;59(7):1813-8, 1820.

O que é amniocentese?

A amniocentese é um procedimento médico realizado para obter uma amostra do líquido amniótico (o líquido da bolsa que banha o feto). O médico realiza o procedimento utilizando um aparelho de ultrassom para guiar uma agulha através do abdome materno até a cavidade amniótica. Quando a agulha chega na cavidade amniótica aspira-se cerca de 20 ml de líquido para análise. Uma das indicações da amniocentese é a translucência nucal aumentada.

Como o médico faz a amniocentese?

Por meio da ultrassonografia determina-se a posição do feto e localiza-se, no saco amniótico, uma área contendo líquido, onde o médico introduz uma agulha através do abdome da paciente. Então ele aspira uma pequena quantidade de líquido amniótico para análise. Depois disso retira-se a agulha. O médico usa o ultrassom para monitorar o exame. O tempo total do procedimento é de 10 a 15 minutos (porém pode demorar um pouco para localizar o ponto ideal da punção). Depois da coleta, o líquido é enviado para o laboratório para realização da análise do material.

amniocentese

É necessário algum preparo prévio?

Não. Antes de realizar o procedimento a paciente deverá esclarecer todas as suas dúvidas. Além disso é importante assinar um termo de consentimento. Todos os códigos de exame devem estar previamente liberados.

O exame é doloroso?

O sensibilidade de dor bem variável entre as pessoas. Em geral as pacientes queixam de um pouco de pressão e cólica, mas nada que seja muito forte. Se você sentir dores no umbigo após o procedimento é provável que essa dor tenha uma outra origem e coincidentemente apareceu após o procedimento.

Que tipo de análise pode ser feita?

Mais comumente utiliza-se o líquido para fazer um exame chamado cariótipo. Entretanto este mesmo líquido também pode ser utilizado para pesquisar anemia fetal, maturidade pulmonar fetal, doenças gênicas (como a doença de Tay-Sachs ou galactosemia) e para realizar testes de paternidade.

A amniocentese é um procedimento seguro?

Relativamente sim. Os médicos já realizavam a amniocentese mesmo antes de termos o ultrassom. Naquela época, os médicos usavam a palpação uterina para localizar o espaço contendo líquido e introduziam a agulha neste local. O ultrassom ajuda a achar o local mais adequado e a guiar a agulha para esta região. Entretanto, devemos lembrar que, para as mulheres que realizam o procedimento, a chance de romper a bolsa ou ter uma perda gestacional aumenta em cerca de 0,5 a 1%, por isso, devemos realizar o procedimento apenas com uma indicação precisa.

A agulha pode tocar o bebê?

Isto acontecia com muita freqüência quando o procedimento era feito sem o auxílio do ultrassom. Hoje com o ultrassom a chance de tocarmos o feto com a agulha diminuiu bastante. Eventualmente se isto acontecer não haverá grande problemas pois é o mesmo que acontece quando a sua pele é tocada com a agulha.

Existe algum risco para mãe?

Existem descrições na literatura de complicações maternas como hemorragias e infecção, mas são eventos extremamente raros e isolados.

Devo ter algum cuidado especial após o exame?

Solicitamos que a paciente faça um repouso relativo por 24 a 48 horas pois este é o período crítico para as complicações decorrentes do procedimento. A paciente deve evitar grandes esforços e não ter relações sexuais neste período. É comum sentir um pouco de cólica após o procedimento e para caso isso venha a acontecer recomendamos utilizar um analgésico, preferencialmente aquele prescrito pelo seu obstetra caso você tenha cólicas. É importante informar também caso você tenha o fator Rh negativo. Estas pacientes também devem tomar imunoglobulina (vacina) dentro das 72 horas que se seguem ao procedimento. Assim é possível evitar problemas de incompatibilidade sanguínea.

Não vai faltar líquido para o bebê?

O feto produz líquido amniótico constantemente pois a maior parte do líquido é formada pela urina fetal. Sabemos que em cerca de 24 a 48 horas o volume retirado será reposto.

E se o resultado do exame mostrar que o feto tem alguma doença genética?

Se o resultado mostrar que seu feto tem alguma doença genética o seu médico irá explicar-lhe como essa doença irá afetar o seu filho. Irá também discutir se a doença tem cura e quais são os tratamentos disponíveis. Eventualmente outros testes como a pesquisa por microarranjo de DNA poderá ser utilizada para complementar o estudo, mesmo quando o resultado do cariótipo for normal.

Cariótipo, como é esse exame?

Cariótipo é o nome dado ao conjunto de cromossomos em uma célula. O exame chamado cariótipo visa analisar a quantidade e a estrutura dos cromossomos em uma célula.

Nossas células são normalmente formadas por 23 pares de cromossomos (portanto 46 cromossomos).
Um cromossomo (português brasileiro) ou cromossoma (português europeu) é uma longa sequência de DNA, que contém vários genes, com informações sobre as funções específicas nas células dos seres vivos.

cariotipo

Como é feito o cariótipo?

Com uma amostra de células (que pode ser obtida de uma amostra de sangue, por amniocentese ou por biópsia de vilo corial) é realizada uma cultura celular. Esta cultura é interrompida numa fase da duplicação celular chamada de metáfase. Nesta fase o material cromossômico está condensado, formando os cromossomos. Os cromossomos são corados e algumas regiões ficam escuras e outras claras. Estas regiões são chamadas de “bandas” e são elas que permitem o estudo da estrutura dos cromossomos. Este material é então estudado em sua quantidade e formação estrutural.

cromosso

O cariótipo pode detectar todas as doenças genéticas?

Não, o cariótipo analisa apenas os cromossomos (número e formato). As doenças que estão localizadas nos genes fetais ou pequenos rearranjos e deleções não podem ser identificados no cariótipo. Para ficar um pouco mais fácil de entender vamos fazer uma comparação: imagine que nosso material genético é uma biblioteca, onde existem diversos livros (os cromossomos) e dentro destes livros nós temos os capítulos (que seriam as bandas dos cromossomos) e dentro dos capítulos nós temos o texto, que é formado por um conjunto de palavras (que seriam os genes). O exame do cariótipo irá contar o número de livros e verificar ainda o número e ordem dos capítulos. Portanto se estiver faltando um livro ou se houver uma alteração na ordem dos capítulos poderemos saber pelo cariótipo.

Entretanto o cariótipo não irá fazer uma análise de todas as palavras e portanto se houver uma palavra faltando ou escrita errada isto não será visto pelo cariótipo.