Sinéquia uterina é uma “cicatriz” que ocorre no revestimento interno do útero. De tal sorte que podem causar uma sintomatologia variada, podendo ser desde assintomáticas até causa infertilidade ou ausência de menstruação (Síndrome de Asherman). As sinéquias são “pontes” de tecido cicatricial que conectam paredes uterinas opostas. Assim sendo tais pontes podem envolver apenas endométrio, camada basal ou miométrio, com repercussões distintas e complexidade terapêutica diferente. Podem aparecer em lugares diferentes e ocorrer em qualquer área do canal cervical ou cavidade uterina.
Imagem ultrassonográfica e histeroscópica de sinéquia uterina.
Causas
A principal causa da formação de sinequia uterina é a curetagem uterina realizada imediatamente após parto ou aborto. A camada basal do endométrio, ou até mesmo o miométrio uterino, é exposta e, quando em contato com a parede oposta, formará uma reação de cicatrização anexando uma parede à outra. Outras causas menos comuns são a infecção e cirurgias uterinas como a remoção de pólipos ou mesmo uma operação cesariana.
Sinéquia Uterina e Gravidez
Em princípio, a sinéquia uterina não causa complicações na gestação. Muitas vezes, durante o exame de ultrassom pode ser confundida com uma banda amniótica. Às vezes uma sinéquia uterina pode causar uma apresentação fetal anômala por dificultar a movimentação do feto na cavidade uterina. Mais raramente pode causar um parto prematuro ou um abortamento.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito por meio da histeroscopia – técnica complementar de diagnóstico que serve para observar os tecidos da parte interna do útero (endocolo e endométrio) bem como as características da cavidade uterina. Neste exame uma pequena câmera de vídeo é inserida na cavidade uterina através do colo uterino para identificar problemas e eventualmente já realizar o tratamento. O diagnóstico também pode ser feito por ultrassom, entretanto muitas vezes uma sinéquia uterina não será vista ao ultrassom. Idealmente, para identificar uma sinéquia uterina ao ultrassom precisamos colocar líquido na cavidade uterina e este exame é chamado histerosonografia.
Tratamento
O tratamento de uma sinéquia uterina é feito durante a histeroscopia com a lise (quebra) das aderências. Eventualmente pode ser feito também por uma curetagem uterina. Em seguida é colocado um dispositivo intrauterino para evitar que volte a ocorrer seguido de terapêutica com doses elevadas de estrogénio durante dois a três meses para estimular o pleno desenvolvimento do revestimento do útero nas zonas de ferida cirúrgica.
Comer chocolate antes do exame de ultrassom vai fazer as imagens ficarem melhores ou vai fazer o bebê mostrar o sexo? Essa é uma dúvida comum entre as grávidas e não passa de um mito. Entretanto toda gestante já ouviu alguém fazer a recomendação de comer um pouco de chocolate antes do exame de ultrassom.
Mas não se iluda. De fato comer chocolate faz o bebê se movimentar mais, mas isto não significa que a imagem será melhor ou que será possível ver o sexo do bebê. Para produzir imagens boas é necessário que o bebê esteja em uma boa posição e que as características do tecido materno sejam favoráveis. Caso você queira saber nossas recomendações para conseguir imagens em 3D bonitas, leia nosso post sobre este assunto.
Já para saber o sexo do bebê, além de uma condição favorável é preciso ter no mínimo 13 semanas de gestação. Também temos um post sobre quando é possível ver o sexo do bebê.
É importante salientar que não existe relação da qualidade da imagem com a movimentação excessiva do bebê. Na verdade se ele movimenta muito a tendência é que a imagem fique pior. Dessa forma o médico tem inclusive maior dificuldade para realizar o exame.
Há algum problema em consumir chocolate na gestação?
O chocolate é perfeitamente seguro para a maioria das gestantes. Desde que consumido com moderação. De fato, há algumas evidências de que comer chocolate durante a gravidez pode inclusive reduzir o risco de pré-eclâmpsia.
Mas você não deve exagerar por dois motivos. Número um é que comer muito chocolate fará com que você tenha menos fome de outros alimentos saudáveis que você precisa para uma dieta equilibrada. Ele também tende a ser rico em calorias e pode contribuir para um ganho de peso.
A segunda razão é que o chocolate contém cafeína. O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas recomenda que as mulheres grávidas mantenham sua ingestão de cafeína abaixo de 200 miligramas (mg) por dia.
Um pouco de chocolate não faz mal a ninguém. Entretanto, se você também gosta de alguma bebida com cafeína, tenha cuidado para não acabar ultrapassando o limite.
O consumo deve ser evitado nas situações abaixo:
Se você está tendo problemas para controlar seu nível de açúcar no sangue
Se você foi diagnosticado com diabetes gestacional
Ou se você está ganhando muito peso
Efeitos do chocolate sobre o feto
Do ponto de vista técnico, a sua ingestão pela gestante tem efeitos estimulantes agudos sobre a reatividade fetal e o efeito de redução da pressão arterial nas mães. Em resumo, ele basicamente faz com que o bebê se movimente mais. Ele não é teratogênico e não altera a fertilidade. Distúrbios metabólicos em recém-nascidos de mães alimentadas com chocolate foram relatados, mas não são significativos.
Interessantemente a resposta dos fetos do sexo feminino é muito mais exacerbada que nos fetos do sexo masculino. Esse achado suporta a existência de uma diferença de inata de gênero para os efeitos do chocolate, presente mesmo no período fetal.
Mas de onde vem este mito?
Algumas vezes, durante o exame de ultrassom o feto pode estar parado em uma posição que dificulta o exame, por exemplo, do coração ou da face. Diante deste tipo de situação o médico poderá necessitar que o feto se mova. Para isso ele pode chacoalhar o seu útero para estimular o bebê. Se isto não tiver o efeito desejado o médico poderá solicitar que você caminhe um pouco ou coma um pedaço de chocolate para que o feto se movimente. Mas atenção, ele só irá solicitar isso se julgar necessário. Não há necessidade de comer uma barra de chocolate antes de vir para o exame!
A Restrição de Crescimento Intra-Uterino (RCIU) é uma condição em que o feto tem peso menor do que deveria, porque não está crescendo conforme deveria dentro do útero.
Frequentemente o atraso no crescimento coloca o bebê em risco de certos problemas de saúde durante a gravidez, parto e após o nascimento. Eles incluem:
Baixo peso ao nascer
Sofrimento fetal durante o trabalho de parto e parto vaginal
Diminuição dos níveis de oxigênio
Hipoglicemia (baixa de açúcar no sangue)
Baixa resistência à infecção
Baixos escores de Apgar (avaliação aplicada imediatamente após o nascimento para avaliar a condição física do recém-nascido e determinar a necessidade de cuidados médicos especiais)
Aspiração de mecônio (material evacuado pelo feto), que pode levar a problemas respiratórios
Problema na manutenção da temperatura corporal
Contagem anormalmente alta de glóbulos vermelhos (policitemia)
Nos casos mais graves, a RCIU pode levar ao óbito.
Da mesma forma, a restrição de crescimento intra-uterino também pode causar problemas de crescimento a longo prazo.
Causas da restrição de crescimento intra-uterino
A restrição de crescimento intra-uterino tem várias causas diferentes. Uma causa comum é a insuficiência placentária. Uma vez que a placenta é o tecido que une a mãe e o feto, ela transporta oxigênio e nutrientes para o bebê e permite também a passagem de resíduos do bebê para a circulação da mãe.
Além disso, a RCIU também pode ocorrer como resultado de certos problemas de saúde na mãe, como:
Diabetes avançado
Pressão alta ou doença cardíaca
Infecções como rubéola, citomegalovírus, toxoplasmose e sífilis
Doença renal ou doença pulmonar
Desnutrição ou anemia
Anemia falciforme
Fumar, beber álcool ou abusar de drogas
Outras possíveis causas fetais incluem defeitos cromossômicos no bebê ou gestação múltipla (gêmeos, trigêmeos ou mais).
Sintomas da Restrição de Crescimento Intra-Uterino
A principal manifestação da RCIU é um feto pequeno para a idade gestacional. Às vezes isto pode ser identificado na consulta de pré-natal, simplesmente por meio da medida da altura uterina, ou durante um exame de ultrassom quando o peso estimado do feto está abaixo do percentil 10. Leia o post “O que é o percentil fetal” para entender tudo sobre como o percentil é utilizado para dizer se o bebê é pequeno.
Dependendo da causa da RCIU, o bebê pode ficar pequeno em todo o corpo proporcionalmente ou apresentar uma redução maior do abdômen, parecendo mais desnutrido. Dessa forma ele pode ser magro e pálido e ter pele seca e solta. Igualmente o cordão umbilical é muitas vezes fino e opaco, em vez de espesso e brilhante como normalmente se espera.
Entretanto, nem todos os bebês que nascem pequenos têm restrição de crescimento intra-uterino. Em contrapartida uma parte da população é naturalmente pequena sem que nenhum problema esteja impedindo o seu crescimento.
Diagnóstico de Restrição de Crescimento Intra-Uterino
Os médicos têm muitas maneiras de estimar o tamanho dos bebês durante a gravidez. Um dos mais simples e comuns é medir a distância do fundo do útero da mãe até a pube. Após a 20ª semana de gestação, a medida em centímetros geralmente corresponde ao número de semanas de gestação. Logo uma medida abaixo do esperado pode indicar que o bebê não está crescendo como deveria.
Outro método para verificar o crescimento fetal é a ultrassonografia. Com o intuito de teimar o peso fetal, o ultrassom pode ser usado para medir a cabeça, o abdome e o fêmur do bebê. Com estas medidas o médico pode estimar o peso do bebê e comparar o valor encontrado com curvas de referência. O ultrassom também pode ser usado para determinar a quantidade de líquido amniótico que está no útero. Uma baixa quantidade de líquido amniótico poderia sugerir uma restrição de crescimento intra-uterino.
Além do exame de ultrassom de rotina, o seu médico poderá também solicitar uma avaliação dopplerfluxométrica. O fluxo Doppler é uma técnica que utiliza ondas sonoras para medir a quantidade e a velocidade do fluxo sanguíneo dentro dos vasos sanguíneos. Os médicos podem usar este teste para verificar o fluxo de sangue no cordão umbilical e vasos no cérebro do bebê.
Existe inclusive uma classificação com diferentes estágios da restrição de crescimento. Essa classificação é utilizada por alguns médicos inclusive para determinar a conduta de acordo com cada caso.
Tratamento da Restrição de Crescimento Intra-Uterino
Não existe tratamento específico para a restrição de crescimento intra-uterino. Algumas drogas já foram avaliadas como um possível método de tratamento mas estudos não conseguiram mostrar vantagem na sua utilização.
O manejo desta condição é feito por meio da escolha do melhor momento para realizar o parto. O seu médico terá que avaliar o risco de continuar a gestação versus o risco de um parto prematuro. Além disso terá que decidir se é necessário usar corticóides para amadurecer os pulmões do bebê.
Embora a RCIU possa ocorrer mesmo quando a mãe está perfeitamente saudável, há coisas que as mães podem fazer para reduzir o risco de RCIU e aumentar as chances de uma gravidez saudável.
Compareça a todas as consultas de pré-natal. Se acaso um problema for detectado, quanto antes você os trate melhor.
Igualmente controle os movimentos do seu bebê. Visto que um bebê que não se move com frequência ou que pára de se movimentar pode ter algum problema. Se você notar alterações no movimento do seu bebê, informe o seu médico.
Verifique se medicamentos que você usa são adequados para mulheres grávidas. Às vezes, uma medicação que uma mãe está tomando para outro problema de saúde pode levar a problemas com o feto.
Tenha uma alimentação adequada. Certamente alimentos saudáveis e calorias adequadas ajudam a manter seu bebê bem nutrido.
Descanse bastante. O descanso irá ajudá-la a se sentir melhor e pode até ajudar seu bebê a crescer. Em princípio tente dormir oito horas (ou mais) a cada noite. Da mesma forma, uma hora ou duas de descanso à tarde também é bom para você.
Em síntese pratique hábitos de vida saudáveis.
Se você bebe álcool, toma drogas ou fuma, pare antes de engravidar.
A mielomeningocele é um tipo de espinha bífida. Espinha bífida é um defeito congênito que ocorre quando os ossos da coluna não se formam completamente. Primordialmente isto ocorre no início da gravidez. Como resultado observamos uma abertura da coluna nas costas, geralmente no fim da coluna (região sacral).
A espinha bífida pode ser leve a grave. Assim sendo, a forma mais branda, chamada espinha bífida oculta, geralmente não causa problemas de saúde.
Tipos de Espinha Bífida
Os tipos mais graves de espinha bífida incluem mielomeningoceles, meningoceles, lipomielomeningoceles e outras lesões menos comuns.
A mielomeningocele, é um tipo de espinha bífida aberta. Logo é a forma mais grave da doença. Na mielomeningocele, uma porção da medula espinhal do bebê e dos nervos adjacentes se projetam através de uma abertura na coluna vertebral. Um disco ou bolsa exposta e plana é visível nas costas. Isso expõe a medula espinhal do bebê ao líquido amniótico no útero da mãe e pode ser prejudicial ao desenvolvimento do bebê. Portanto a mielomeningocele é o único tipo de espinha bífida que expõe a medula espinhal do bebê ao líquido amniótico.
A meningocele ocorre quando a medula espinhal e o tecido nervoso não se projetam para dentro do saco. Neste caso, a lesão é geralmente coberta pela pele.
A lipomielomeningocele é um tipo de espinha bífida em que a medula espinal no saco é coberta por gordura e pele.
As crianças que nascem com mielomeningocele podem ter sérios problemas de saúde, como hidrocefalia (acumulação excessiva de líquido no cérebro) e paralisia. A gravidade da paralisia depende de onde a abertura ocorre na coluna. Quanto mais alta a abertura geralmente pior é o prognóstico.
Causa e Prevenção da Mielomeningocele
A causa da espinha bífida não é completamente conhecida, entretanto algumas pesquisas sugerem que genes, diabetes materno, certos medicamentos e nutrição podem ter um papel importante. Desse modo, a espinha bífida ocorre em cerca de três a quatro bebês por 10.000 nascidos vivos. Entretanto é possível reduzir a incidência de espinha bífida e outros defeitos abertos do tubo neural com o uso do ácido fólico muito antes da barriga de grávida aparecer. Na verdade cerca de 3 meses antes mesmo de ficar grávida.
Diagnóstico da Mielomeningocele
Geralmente a mielomeningocele é detectada durante o exame de ultrassom realizado perto da 20ª. semana de gestação. A imagem da herniação, hidrocefalia, o sinal do limão ou o sinal da bana podem ser vistos no ultrassom. Entretanto, às vezes, já é possível suspeitar do defeito no exame realizado entre 11 e 14 semanas, especialmente se houver alteração na translucência intra-craniana. A translucência intra-craniana pode ser avaliada por medida ou de maneira subjetiva pelo Sinal do Polvo. A mielomeningocele pode ser tratada por cirurgia fetal ou pós-natal e sua identificação pode ocorrer no primeiro trimestre com avaliação da translucência intracraniana.
A cirurgia intra-uterina traz benefícios como menor necessidade de derivação ventrículo peritoneal e maior chance de deambular sozinho. Estes benefícios comprovadamente persistem até a idade escolar.
Como resultado, outros problemas ocasionalmente podem estar associados em crianças nascidas com mielomeningocele, como dificuldade para respirar ou engolir. Isso ocorre em função de uma alteração cerebral chamada de malformação de Chiari tipo II. Esta malformação ocorre em virtude de uma alteração (herniação) de uma parte do cérebro chamada tronco cerebral.
Em síntese, dificuldades de aprendizado, problemas com coordenação olho-mão, escoliose e disfunção sexual podem tornar-se perceptíveis à medida que a criança cresce.
Idade Gestacional em Meses
A idade gestacional em meses é utilizada por algumas pessoas. Entretanto, sempre sugerimos à gestante que se habitue a contar a idade gestacional em “semanas” e não em “meses”. Todas as condutas em obstetrícia, idade gestacional para realizar os exames são definidos de acordo com a semana que sua gestação se encontra. Se você está completamente perdida pode usar nossa calculadora de idade gestacional.
Porém, para os familiares e amigos, às vezes é muito complicado explicar com quanto tempo de gestação você está ou quanto tempo falta para o bebê nascer quando você fala sua idade gestacional em semanas. Por isso, fizemos essa tabela, que pode auxiliar na correlação aproximada de semanas x meses de gravidez.
* Lembre-se que para programar um parto eletivo é preferível que você esteja com NO MÍNIMO 39 semanas.
Tem um jeito mais fácil?
Sim! Se você ainda tem dificuldade preparamos um conversor de Semanas em Meses e assim você pode calcular o seu tempo de gravidez mais facilmente.
Quais são os tipos de Gestações Gemelares?
Todos sabem que os gêmeos podem ser idênticos ou não. Entretanto existem mais tipos de gestações gemelares. Os gêmeos idênticos são chamados de monozigóticos (por resultarem da fertilização de apenas um óvulo). Enquanto os gêmeos diferentes são conhecidos como dizigóticos (resultam da fertilização de dois óvulos por dois espermatozóides distintos).
Os gêmeos monozigóticos são geneticamente idênticos e possuem características físicas semelhantes. As pequenas diferenças dos gêmeos monozigóticos são produto da interferência do fator ambiental sobre o desenvolvimento dos mesmos. Já os gêmeos dizigóticos podem ter até sexo diferente e não são geneticamente iguais. Tanto os gêmeos monozigóticos como os dizigóticos pode ser concebidos naturalmente.
Além disso, as gestações gemelares são também classificadas de acordo com o número de placentas e bolsas. Os fetos podem ter bolsas e placentas independentes ou compartilhar a mesma bolsa e placenta. Para o obstetra é muito importante saber o número de placentas pois existem complicações com a Síndrome da Transfusão Feto-Fetal que ocorrem apenas em gestações monocoriônicas (com uma placenta apenas).
No caso de gemelaridade dizigótica teremos invariavelmente duas placentas, duas bolsas e dois fetos.
Já nas gestações gemelares monozigóticas poderemos ter: (a) uma placenta, uma bolsa ou; (b) uma placenta, duas bolsas ou; (c) duas placentas, duas bolsas.
O que significa “córion” e “amnio” em Gestações Gemelares?
Dessa forma, utilizamos o radical “córion” para designar o número de placentas e “amnio” para o número de bolsas. Assim sendo, as gestações gemelares poderão ser classificadas como monocoriônicas ou dicoriônicas com relação ao número de placentas e monoamnióticas ou diamnióticas de acordo com o número de bolsas (veja figura ilustrativa abaixo).
O fato de existirem gêmeos monozigóticos na família não aumenta a chance de uma gestação gemelar para a paciente. Já no caso de gêmeos dizigóticos existe um aumento de risco. Isto acontece pois para termos gêmeos dizigóticos a mulher precisa ovular mais de um óvulo num mesmo ciclo menstrual e isto não é o habitual. Esta característica de ovular mais de um óvulo em alguns ciclos pode ser geneticamente herdada e portanto passar para outros membros na família.
Portanto, a única situação que nos permite dizer, com certeza, que os gêmeos são diferentes é quando vemos no ultrassom que o sexo dos gêmeos é diferente (um menino e uma menina). Como é pouco comum que as gestações monozigóticas tenham duas placentas, quando vemos duplicidade de todas as estruturas existe uma chance maior de estarmos diante de uma gestação dizigótica. Imagem de capa: Studio Gaea
O parto das gestações gemelares
Agora que você já aprendeu sobre os tipos de gestações gemelares é importante saber que o momento adequado do parto também é definido pelo número de placentas e bolsas. As gestações gemelares dicoriônicas devem ter seu parto realizado preferencialmente entre 37 e 38 semanas.
Já as monocoriônicas diamnióticas devem ter o parto realizado um pouco mais cedo, entre 36 e 37 semanas. Quando os bebês dividem a mesma bolsa e placenta (monocoriônica monoamniótica) a chance de complicações são maiores e o parto deve ser consideravelmente mais cedo, entre 32 e 34 semanas.
Além disso é importante comentar também com relação a via de parto. Apesar de poder ser feito parto normal em gestações gemelares na maioria das vezes acaba-se optando pela realização de cesárea.
Qual é a frequência cardíaca normal do feto?
Esta é uma pergunta que você provavelmente tem. Certamente desde a primeira vez que você ouviu bater o seu coração do bebê. Em síntese a frequência cardíaca fetal varia durante as fases da gravidez.
Clique na barra abaixo para ouvir como é o batimento cardíaco de um feto.
Com cerca de 5 semanas de gestação, o coração do seu bebê começa a bater. Nesta fase, a frequência cardíaca fetal é um pouco maior que a da mãe: cerca de 100 batimentos por minuto (BPM). A partir deste ponto, a frequência vai aumentar cerca de 3 batimentos por minuto por dia durante esse primeiro mês. Isto é tão preciso que o seu médico poderia usar a freqüência cardíaca para ajudar a determinar a idade gestacional do seu bebê.
Até o início da 9ª semana de gravidez, a frequência cardíaca fetal normal é uma média de 175 BPM. Neste ponto, começa uma rápida desaceleração da freqüência cardíaca fetal passando para cerca de 110-160 BPM na metade da gestação. Há também uma lenta desaceleração da frequência cardíaca fetal nas últimas dez semanas de gravidez. É importante salientar que a frequência cardíaca de um bebê normal irá variar naturalmente, assim como sua freqüência cardíaca faz. Dormir, movimento e outras atividades podem causar uma variação normal um pouco acima ou um pouco abaixo da frequência esperada. Oriente-se com o seu médico.
Tabela de Referência da Frequência Cardíaca Fetal
Idade Gestacional/Tamanho do Feto
Frequência Cardíaca Normal
Embrião de 2 mm
75 bpm
Embrião de 5 mm
100 bpm
Embrião de 10 mm
120 bpm
Embrião de 15 mm
130 bpm
5 Semanas
inicia com 80 e termina com 103 bpm
6 Semanas
inicia com 103 e termina com 126 bpm
7 Semanas
inicia com 126 e termina com 149 bpm
8 Semanas
inicia com 149 e termina com 172 bpm
9 Semanas
155-195 bpm (média 175 bpm)
12 Semanas
120-180 bpm (média 150 bpm)
Após 12 Semanas
110-160 bpm (média 140 bpm)
É possível dizer o sexo do bebê pela frequência cardíaca?
Diziam os antigos: se a frequência cardíaca do seu bebê for maior que 140 batimentos por minuto, o bebê é feminino. Freqüência cardíaca abaixo de 140 bpm significa que é um menino. É difícil resistir a um teste tão fácil. Contudo não alimente esperanças pois a frequência cardíaca do seu bebê não tem relação nenhuma com o que o bebê tem no meio das pernas. Este mito não se comprovou em um estudo científico realizado em 2006. Outro estudo realizado na década de 80 com mais de 10.000 bebês demonstrou que não existe relação com a frequência cardíaca fetal e o sexo do bebê.
Com que idade gestacional é possível ver o sexo do bebê no ultrassom?
É natural que as gestantes tenham curiosidade de saber qual o sexo do bebê. Uma dúvida muito comum é quando seria possível ver o sexo fetal no ultrassom. Claro que o ultrassom tem como princípio avaliar o bem estar do bebê, mas quem não tem curiosidade de descobrir se será um menino ou uma menina? Descubra um pouco mais sobre esse assunto neste artigo ou veja o vídeo abaixo.
No Brasil é muito comum o desejo das gestantes em descobrir se o bebê é um menino ou uma menina. Assim todas querem saber quando é possível ver o sexo do bebê pelo ultrassom. Infelizmente não existe uma resposta para todas as gestantes. Identificar a genitália do bebê depende de uma série de fatores. Por exemplo, a posição fetal pode dificultar ou impedir a identificação do gênero do bebê em idades gestacionais onde normalmente seria fácil identificar a genitália. Atualmente sabemos que até a 12a semana de gestação o diagnóstico do sexo é impreciso e após a 13a semana de gestação ele pode atingir de 99 a praticamente 100% de acerto.
Obviamente que as tabelas de idade gestacional variam de população para população. Dessa forma, é preferível utilizar o tamanho do feto (e não a idade gestacional) para dizer quando é possível dizer se é um menino ou uma menina. Fetos com mais de 72 mm que estão numa posição boa e quando a imagem é clara permitem identificar o sexo fetal com chance de acerto próxima a 100%.
Como o médico sabe o sexo do bebê?
Com 13 semanas é possível identificar a posição do tubérculo genital. O tubérculo genital é a estrutura que dará origem ao pênis nos meninos e ao clitóris nas meninas. A posição do tubérculo nas meninas é bem horizontal (paralelo com a coluna) enquanto nos meninos ela é vertical (perpendicular a coluna), conforme a imagem abaixo.
Logo abaixo uma imagem um pouco mais trabalhada da genitália fetal para evidenciar a diferença entre meninos e meninas (nem sempre é assim claro no ultrassom!). E não se deixe enganar, a frequência cardíaca do feto não permite determinar o sexo.
Viu só? Não precisa comer chocolate para o bebê saber se é um menino ou menina.
O que pode dificultar a descoberta do sexo do bebê?
Lembre-se entretanto, que o tamanho do feto não é o único fator que define a identificação do sexo. Outros fatores podem atrapalhar, como por exemplo:
Obesidade materna
Cirurgias abdominais prévias
Posição uterina
Posição fetal
Qualidade do aparelho de ultrassom utilizado
Resumindo, situações que deixam a imagem ruim podem induzir ao erro. Assim sendo, não exija de seu médico uma resposta caso ele esteja com dificuldades. Pode estar difícil e uma resposta precipitada pode levar a sérios problemas no futuro. Como precisar que trocar o enxoval do bebê e ter que explicar para todos que o sexo estava errado.
Marque o exame na época correta
Lembre-se que você irá realizar um exame de ultrassom entre 11 e 14 semanas para fazer a medida da translucência nucal. Dessa forma você poderá agendar este exame para quando estiver com 13 semanas. Assim você poderá medir a translucência nucal e ter (pelo menos uma boa ideia) do sexo fetal. Se o médico não conseguir ver o sexo do bebê neste exame, você não pode perder o interesse em realizá-lo! Informações importantes sobre o bem estar do seu bebê serão obtidas durante o exame.
CUIDADO: não marque o exame para o dia em que você completa 14 semanas pois a época da translucência nucal é determinada, mais precisamente, pelo comprimento do bebê. A época correta para medir a translucência nucal é quando o feto tem entre 45 e 84 mm de comprimento cabeça-nádega. Assim, não deixe para o último dia pois quando você for fazer o exame o feto poderá ter passado da medida adequada. Para mais informações veja nosso post sobre como é feita a translucência nucal.
Como faço para saber a época certa pra ver o sexo do bebê?
Lembre-se de olhar no calendário pra contar a idade gestacional. Observe que o mês não tem 4 semanas (que seriam 28 dias). Como o intervalo entre 13 semanas e 14 semanas é muito curto, essa pequena diferença poderá fazer com que você perca a época de medir a translucência nucal. Se você está em dúvida use nossa calculadora de idade gestacional. Veja também o artigo sobre a conversão de meses em semanas.
Além disso, precaução nunca é exagero. Independentemente da época em que você descobriu o sexo, quando for comprar o enxoval não tire logo a etiqueta. Aguarde um segundo exame para confirmar o gênero do bebê. Você deverá fazer um entre 20 e 24 semanas, chamado de morfológico. Depois do exame morfológico você terá uma confirmação do sexo do bebê e ainda terá bastante tempo para lavar as roupinhas do bebê. Poderá inclusive, caso o seu médico concorde, fazer uma viagem de avião para comprar o enxoval do bebê. Dá tempo até de ir aos Estados Unidos fazer o enxoval, como algumas mamães estão fazendo atualmente! Caso queira saber mais sobre viagens de avião na gestação temos um post sobre o assunto.
Além do ultrassom é possível saber se é menino ou menina por um exame de urina ou por meio da sexagem fetal.
Existe algum truque pra escolher o sexo do bebê antes de engravidar?
Em gestações concebidas naturalmente isso não é possível. Não há nenhuma evidência científica que a alimentação, a posição sexual sobre o sexo do bebê. De tempos em tempos escutamos que existe uma diferença na velocidade do espermatozóide que carrega o cromossomo X e do espermatozoide que carrega o cromossomo Y. Isso, em tese, poderia dar uma chance diferente de engravidar de menina ou menino. Entretanto não existe evidência científica para suportar essa afirmação. Portanto fazer sexo mais longe ou mais perto da ovulação não irá definir o sexo do bebê. Se você quiser outras dicas veja nosso post com 6 métodos naturais para ajudar a escolher o sexo do bebê!
A fibronectina fetal é uma proteína produzida durante a gestação e que funciona como um adesivo entre as membranas fetais e o útero.
O que é o teste da fibronectina fetal?
A fibronectina pode ser detectada através de um teste simples, indolor e não invasivo, na vagina ou no colo do útero. Em condições normais, após 22 semanas de gestação não se detecta a fibronectina. Quando a gestante apresenta sintomas de ameaça de trabalho de parto prematuro (contrações, sensação de peso em baixo ventre, sangramento ou perda de líquido pela vagina e dores tipo cólica menstrual e sem dilatação significativa do colo do útero), o teste para detecção da fibronectina fetal nas secreções vaginais e do colo do útero ajuda a identificar a mulher que tem maior risco de dar à luz prematuramente.
Como é feito o teste?
O teste é realizado através da introdução de um cotonete na vagina para coletar a secreção cérvico-vaginal. Esta secreção é analisada para presença ou ausência de fibronectina e o resultado é conhecido em poucos instantes.
Para serve o teste?
Nas mulheres com sintomas com teste positivo, o risco de parto prematuro é maior e nas mulheres com teste negativo esse risco é muito menor e com grande probabilidade a gravidez vai durar pelo menos mais uma ou duas semanas. Ou seja, a realização do teste permite tranquilizar as mulheres com sintomas de ameaça de parto prematuro e evitar internações e medicações desnecessárias.
Como fazer o teste passo a passo:
O que é ultrassonografia morfológica?
Ultrassonografia Obstétrica e Ultrassonografia Morfológica Fetal: Qual é a diferença? Uma grande dúvida das gestantes é a diferença entre os diversos exames de ultrassom que são realizados na gestação. Queremos aqui mostrar quais são as diferenças entre o exame obstétrico comum e o exame morfológico. O exame morfológico deve ser realizado preferencialmente com o especialista em medicina fetal e com aparelhagem apropriada.
Característica
Obstétrica
Morfológica
Requisito do Profissional
Conhecimentos básicos de Obstetrícia e Ultrassonografia
Conhecimentos profundos de Obstetrícia, Fisiopatologia Materno-Fetal, Diagnóstico Sindrômico Fetal, Infecções Congênitas e Teratogênese
Indicação
Para todas as gestantes, em diversas fases da gestação
Para todas as gestantes (como triagem) e para fetos com alto risco para malformação
Objetivos
Biometria fetal, localização de placenta, quantidade de líquido amniótico e crescimento fetal
Avaliação pormenorizada da Anatomia Fetal e Marcadores para doenças genéticas, Biometria fetal complementar e descrição detalhada de toda morfologia fetal
Número de Exames
Quantas forem necessárias
Dois, nos períodos acima. Em fetos malformados todos os exames devem ser morfológicos.
Sinônimos
Ultrassonografia Obstétrica, Eco Obstétrica
Rastreamento de I e II trimestres, Ecografia Morfológica Fetal, Pesquisa de Malformações
Período Ideal
Toda a Gestação
11 a 14 semanas e de 20 a 24 semanas
Tipo de Laudo
Resumido, objetivo
Descritivo
Aparelho Necessário
Ultrassom
Ultrassom de alta resolução
Onde fazer
Clínicas de Imagem
Com profissionais dedicados à Medicina Fetal
Tempo de Exame
10 a 20 minutos
20 a 40 minutos
Documentação de Imagens
4 a 8 imagens
10 a 30 imagens
Portanto e exame que avalia de forma mais completa a anatomia do bebê é o exame morfológico. Durante os exames morfológicos de 1º. e 2º. trimestre é o momento onde o médico poderá avaliar de forma detalhada a formação do bebê.
É possível ver tudo no na Ultrassonografia Morfológica?
Entretanto, mesmo o exame morfológico detalhado realizado por um profissional extremamente qualificado não é capaz de detectar 100% dos problemas que o bebê pode ter. Isto acontece porque alguns problemas só se tornam evidentes com o desenvolvimento e crescimento fetal. A posição do feto e a condução da do ultrassom nos tecidos maternos também pode dificultar a visualização de algumas anomalias fetais. A próxima tabela exemplifica qual a chance de detecção de algumas anomalias que o bebê pode apresentar:
Problema
O que é?
Chance de ser visto?
Mielomeningocele
Defeito de fechamento da coluna
90%
Anencefalia
Ausência de formação do topo da calota craniana e parte do cérebro
99%
Hidrocefalia
Excesso de líquido no cérebro
60%
Hérnia Diafragmática
Defeito do músculo que separa o abdômen do tórax
60%
Malformações renais
Ausência ou malformação nos rins
85%
Anormalidades dos membros
Ossos faltando ou encurtados
90%
Paralisia Cerebral
Problemas motores que resultam da lesões do sistema nervoso central
Nunca é visto
Autismo
Transtorno de desenvolvimento grave que prejudica a capacidade de se comunicar e interagir
Nunca é visto
Síndrome de Down
Doença genética do cromossomo 21 que causa atrasos de desenvolvimento e intelectuais
O exame pode identificar desde pequenas alterações que não terão repercussão para a vida do bebê, como dilatações do rim do bebê, até síndromes malformativas graves.
Caso seja identificado um problema durante o seu exame será realizada uma breve explanação sobre o problema e o prognóstico. Para uma discussão detalhada será necessário agendar uma próxima consulta de aconselhamento em medicina fetal.
Como são as imagens do Exame?
As imagens do exame são semelhantes as imagens do exame obstétrico simples, entretanto o médico irá avaliar um número maior de imagens permitindo uma avaliação mais detalhada da anatomia fetal. Não é necessário o uso do ultrassom 3D ou 4D para a realização do estudo morfológico.
Exames que podem ser associados a morfológica
Em alguns casos o seu médico poderá solicitar junto com o exame morfológico outros exames, como por exemplo a Dopplervelocimetria ou o ultrassom transvaginal. A Dopplervelocimetria será utilizada para avaliar a circulação de sangue para o bebê e isso é importante nos casos aonde o crescimento do feto está alterado ou para avaliar o seu risco de pré-eclâmpsia. Já a medida do colo ajuda a determinar e prevenir casos de trabalho de parto prematuro.