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DIU – Dispositivo Intrauterino

DIU (Dispositivo Intrauterino) é um artefato de plástico ou outro material em forma de T. Quando inserido dentro da cavidade uterina atua como contraceptivo, evitando a gravidez. A eficácia do DIU é superior a pílula anticoncepcional (em especial pelo fato de não haver “esquecimento” no uso). Sua eficácia é estimada em torno de 99% e ele é pequeno, cabendo na palma da mão.

Tamanho DIU

O DIU é um dispositivo seguro, sendo que complicações são raras, geralmente acontecendo nos primeiros dias após a colocação. Ele pode ser usando inclusive por pacientes que nunca estiveram grávidas anteriormente. É importante salientar que o uso do DIU não evita as doenças sexualmente transmissíveis.

Como o DIU é Colocado?

DIU - Dispositivo Intrauterino

Para colocação do DIU a usualmente a paciente deverá estar menstruada, o que facilita a colocação e garante que a paciente não está grávida. Após a colocação de um espéculo vaginal (o mesmo aparelho usado para colher o preventivo), o DIU é então inserido dentro da cavidade uterina. O procedimento leva cerca de 15 minutos e a paciente habitualmente tem um pouco de cólica no primeiro dia e eventualmente um sangramento um pouco maior.

O DIU não causa infecções e as queixas relacionadas a ele (como cólica e sangramento) costumam passar com o tempo. Ele pode ser retirado a qualquer momento e o retorno da fertilidade é imediato.

Para verificar se o DIU ficou bem posicionada é importante realizar uma Ultrassonografia Transvaginal.

DIU Hormonal

O DIU que libera hormônio, também conhecido por Sistema intrauterino (SIU – também conhecido como DIU medicado ou DIU Hormonal) difere do DIU normal pois libera um hormônio dentro do útero. Além do efeito contraceptivo, o hormônio pode apresentar outros efeitos, como reduzir o fluxo menstrual.

Eles causam aborto?

Não. Os dois métodos impedem que o espermatozoide encontre o óvulo, portanto eles nem deixam a gravidez ocorrer.

Existe chance de falha?

Sim. Atualmente não existe nenhum método anticoncepcional que seja 100% eficaz. No entanto, a chance de falha dos dois métodos é extremamente baixa, sendo parecida com a dos métodos cirúrgicos, como a laqueadura ou vasectomia, o que os deixa entre os métodos mais eficazes que existem.

Uma vez que não dependem da correta administração pela usuária, o DIU e o SIU possuem eficácia superior quando comparados aos métodos de curto prazo, como as pílulas, injeções, anel e adesivo contraceptivo. Além disso retirar um DIU permite o retorno a fertilidade facilmente, já a reversão da laqueadura por exemplo é mais complexa.

E se eu engravidar com o DIU?

Apesar de as chances disso acontecer serem mínimas, ao engravidar com o DIU poderá eventualmente acontecer o aborto espontâneo ou a gestação poderá seguir a diante sem grandes problemas. Em geral os casos de gestação com DIU acontecem por um posicionamento inadequado do DIU. Outro fato importante é que como o DIU evita a gestação intra-uterina, existe a possibilidade de ocorrerem gestações fora do útero (chamadas de ectópicas). Durante a gestação o DIU não irá encostar no bebê pois ele ficará fora do saco gestacional. Não se preocupe, seu bebê não vai aparecer segurando do DIU na mão como na foto abaixo.

Bebe com DIU na mão

 

Referências

  1. Mulher engravida usando DIU e posta foto inusitada do bebê
  2. Manual de Planejamento Familiar – OMS

Por que não divulgamos valores no site ou em redes sociais?

É cada vez mais importante se comunicar bem com as pessoas. E na medicina não é diferente. Para que as informações sejam passadas de maneira correta e ética, foi criada a Resolução CFM 1974/11.

Normas Conselho Federal de Medicina Valores

Essa importante norma trata das regras da publicidade médica e visa impedir o sensacionalismo, a autopromoção e a mercantilização do ato médico. Também evita abusos em propagandas e publicidades, que podem levar a processos ético-disciplinares. Isso é bom para a medicina, para o paciente e para toda a sociedade.

De modo geral, na propaganda ou publicidade de serviços médicos é vedado divulgar preços de procedimentos, conforme o inciso XIV das proibições contidas no manual de publicidade médica do Conselho Federal de Medicina.

Resolução CFM 1974/11

cfm1974_11

Mobilograma

O mobilograma ou teste de movimentação fetal é um instrumento para registro dos movimentos fetais, permite avaliar o bem-estar fetal na gravidez a partir da 34ª semana de gestação. A presença de pelo menos seis movimentos fetais em uma hora representa uma situação tranquilizadora.

mobilograma e movimento fetal

Imagem de ressonância mostrando os movimentos fetais no terceiro trimestre da gestação.

É uma maneira prática, barata e fácil para avaliar o bem estar fetal. Em situações aonde a função da placenta está comprometida e a oxigenação fetal é reduzida os movimentos fetais também diminuem. A movimentação reduzida é uma forma do feto economizar energia em situações aonde a função placentária não está ideal. Esta metodologia pode ser utilizada por qualquer gestante, porém tem maior aplicação nas gestações de alto risco.

A movimentação fetal pode variar de 4 a 100 movimentos por hora, a depender do horário do dia e das condições intra-uterinas. Eventualmente os movimentos fetais podem estar reduzidos pelo fato do bebê estar  simplesmente dormindo. Outras situações que podem reduzir a movimentação do bebê são o uso de drogas ou medicações pela mãe, a redução do líquido amniótico ou o sofrimento fetal. Os padrões de atividade fetal também mudam durante a evolução da gravidez.

Os movimentos iniciam-se já na fase embrionária, com cerca de 7 a 8 semanas de gestação. Entretanto a gestante só irá perceber os movimentos por volta da 20ª semana de gestação. A gestante uma vez instruída capta 70 a 80% dos movimentos maiores do feto. Entretanto, movimentos mais delicados (abrir e fechar os olhos e dedos), não são perceptíveis. Se você tem curiosidade de ler sobre a movimentação do bebê no útero, leia nosso post explicando com quantas semanas o bebê começa a mexer.

Quando é que o bebê movimenta mais?

Cada bebê se movimenta de uma maneira diferente. Por isso não espere que o seu segundo bebê se movimento com o primeiro movimentava. Além disso, você pode notar que seu bebê está mais ativo em determinados momentos do dia. É comum que as pessoas grávidas percebam mais movimento depois de comer uma refeição. Isto é devido ao aumento do açúcar (glicose) no sangue. Por isso que existe aquele mito de comer chocolate antes do exame de ultrassom, mas nós já desmitificamos isso em outro aqui no site!

Outros gestantes notam mais movimento à noite, quando vão para a cama. Isso provavelmente acontece pois nesse momento não há outra coisa tirando a atenção da gestante. Dessa forma, naturalmente ela percebe mais movimentos, mesmo que o bebê esteja mexendo até menos do que mexia durante o dia. Também pode acontecer de você simplesmente não sentir seu bebê se mexendo durante o dia porque está ocupada, no trabalho ou cuidando de seus outros filhos.

De uma maneira geral, sabemos que os bebês costumam mexer mais à noite. Isso acontece provavelmente porque durante o dia os movimentos do corpo da mamãe acabam embalando o bebê. Por isso ele acaba dormindo mais durante o dia.

Os bebês mexem menos no fim da gestação

Sim, isso é verdade. Com o fim da gestação o bebê acaba encaixando. Além disso o espaço para que ele possa se movimentar é menor. Em função destas duas situações é comum que a mamãe perceba menos movimentos fetais no fim da gestação. Portanto se você está preocupada que o bebê está mexendo menos, faça um mobilograma! Dessa forma você poderá controlar exatamente se ele está movimentando de maneira adequada ou não.

Como fazer o mobilograma?

Para realizar o mobilograma a gestante deve inicialmente se alimentar (o jejum prolongado reduz a movimentação fetal). Depois é importante que a atenção da gestante esteja voltada para a captação dos movimentos, então é recomendado deitar-se do lado esquerdo ou sentar-se em um local calmo, colocando sem a mão sobre o abdômen. Depois é só ficar contando por uma hora quantas vezes o bebê mexeu e anotar em um papel ou aplicativo. Sempre que o bebê mexer menos de 6 vezes por hora é importante procurar a maternidade ou conversar com o seu médico para verificar se existe necessidade de mais alguma forma de avaliar o bem estar do bebê. Alguns exames como a cardiotocografia, perfil biofísico fetal ou Dopplervelocimetria poderão ser solicitados.

Você pode baixar aqui nosso modelo de mobilograma abaixo para controlar a movimentação do seu bebê.

MOBILOGRAMA

Referências

  1. Ministério da Saúde

Achei a imagem do meu exame ruim, o que aconteceu?

Muitas mães ficam emocionas e por que não impressionadas com as imagens obtidas no ultrassom. Por outro lado algumas podem achar a imagem ruim. Isso acontece por uma série de fatores. Claro que o aparelho de ultrassom influencia, entretanto nos últimos anos, assim como nos computadores, a qualidade e velocidade dos equipamentos melhorou muito.

Além do equipamento, outros fatores tem uma influencia muito maior na obtenção das imagens de ultrassom. Já comentamos sobre o assunto no post sobre ultrassom 3D, mas vamos dar aqui maiores detalhes sobre os fatores que podem comprometer a qualidade da imagem.

Fatores que comprometem a qualidade da imagem

  • A espessura da parede abdominal – uma característica do som é o fato de que sua energia se dissipa ao longo do trajeto que ele percorre. Quando uma pessoa fala algo muito longe, temos dificuldade em ouvir. Assim, quanto mais profundo estiver o bebê maior será a dificuldade do aparelho em gerar uma imagem bonita. Além da espessura, algumas características da barriga de grávida e seus tecidos também podem interferir. Portanto em pacientes com o panículo adiposo avantajado ou com cicatriz no tecido da parede abdominal (como cesáreas anteriores) produzem imagens piores que as pacientes com pouco tecido adiposo e sem cicatrizes. Estudos científicos já identificaram que a obesidade materna pode comprometer a qualidade do exame de ultrassom.
  •  Idade gestacional – a imagem muda bastante com a idade gestacional. Não podemos esperar que um bebê de 15 semanas produza imagens semelhantes a um de 27 semanas pois são muito diferentes em tamanho e composição corporal. Enquanto um bebê de 15 semanas pesa cerca de 120 gramas (quase só pele e osso) um bebê de 27 semanas pesa cerca de 1 Kg, ou seja 10x mais! 
  • Posição do bebê – uma posição adequada é fundamental. Quando o bebê está olhando para o umbigo da mãe as imagens da face são muito boas. Por um outro lado se o bebê estiver olhando “para dentro” é impossível obter imagens bonitas da face. Isso acontece pois os ossos do crânio não permitem a passagem adequada do som para termos imagem da face fetal nestes casos.
  • Quantidade de líquido amniótico na frente do rosto do bebê – outro detalhe de extrema importância é quanto líquido tem na frente do rosto do bebê. O líquido amniótico é escuro, enquanto a pele e outros tecidos possuem diferentes tons de cinza. Quando temos líquido em volta do rosto, a pele (branca) fica cercada por imagens em preto, o que fica muito bonito. Por um outro lado quando o rosto está encostado na placenta ou na parede do útero é mais difícil de identificarmos a face do bebê.
  • Posição da placenta – a posição da placenta também pode interferir. Quando ela é “anterior” ela fica entre o transdutor de ultrassom e a face do bebê, aumentando a distância que o som precisa recorrer para formar a face fetal. E assim, como já comentados, quanto maior a distância pior a imagem.
  • Presença de membros na frente da face – a presença de membros compromete bastante a imagem do que se encontra atrás do mesmos. Os ossos são “inimigos” do ultrassom e impedem a passagem dele para formar imagens do que se encontra atrás do membros.

E só pra lembrar, comer chocolate não faz a imagem ficar melhor, apesar de aumentar a quantidade de movimentos que o bebê faz. Para ficar mais fácil de entender alguns fatores limitantes traduzimos um pôster para ajudar a compreender quando a imagem do ultrassom não é boa.

Veja com a imagem pode ficar diferente no mesmo aparelho

Selecionamos abaixo algumas imagens, feitas no mesmo aparelho, por vezes durante o mesmo exame. Entretanto o resultado é completamente diferente, quando não havia condição ideal para a formação de uma imagem.

Exemplo Imagem Ruim 1

Na imagem acima estamos vendo o mesmo feto. Feitas no mesmo dia e durante o mesmo exame, com cerca de 1 minuto de diferença. Note que a imagem do perfil no lado direito é bem melhor que no lado esquerdo. O que aconteceu? O feto estava com um membro na frente da face e movimentou ele, deixando a imagem bem melhor.

Exemplo Imagem Ruim 2

Neste segundo exemplo novamente estamos vendo o mesmo bebê com apenas um minuto de diferença. O que mudou? O bebê estendeu um pouco mais a cabeça. Isso fez com que a face ficasse encostada na parede do útero.

Exemplo Imagem Ruim 3

Aqui novamente a face do bebê encontrava-se completamente encostada na parede do útero, sem líquido na sua frente. Isso fez com que a imagem do perfil do bebê ficasse bastante comprometida e de difícil compreensão.

Exemplo Imagem Ruim 4

Aqui podemos observar a diferença quando o feto está voltado para cima (A) e com o rosto para baixo (B). Por ser um feto de 12 semanas e portanto com pouca ossificação ainda é possível observar a face. Porém com uma qualidade bastante inferior. Já em um feto de cerca de 20 semanas ou mais na mesma situação seria impossível identificar a face.

Todas as imagens usadas neste artigo foram produzidas no mesmo aparelho WS-80 Elite, atualmente um dos aparelhos High-End da Samsung.

Altura Uterina: Por que meu médico mede minha barriga toda consulta?

A altura uterina, ou regra do McDonald’s, é uma medida do tamanho do útero usado para avaliar o crescimento (ganho de peso) fetal durante a gravidez. Em síntese, é medida desde a sínfise púbica (osso da púbis) até o fundo (topo) do útero.

Como é Feita a Medida da Altura Uterina

A altura uterina consiste na medida da distância da borda superior da sínfise púbica até o fundo do útero.

Numa gestação inicial, até cerca de 12 semanas, o útero é pequeno e fica dentro dos ossos da pelve. Portanto não é possível palpar o útero no abdômen da mãe até esta idade gestacional. Inclusive é por isso que o seu obstetra não consegue ouvir o coração do bebê até 12 semanas. Afinal, como ele está atrás dos ossos da bacia, o som não consegue se captado.

Da mesma forma, por volta da 13ª semana o útero atinge a sínfise púbica e começa a ser palpado no abdômen. Então, a partir desta época que seu médico irá medir a altura uterina. Também é possível ouvir o coração do bebê já que o útero cresceu o suficiente para chegar no abdômen.

De fato, esta medida nada mais é do que a distância entre o osso da bacia (pube) e o fundo uterina. Afinal, por volta da 17ª semana de idade gestacional o útero encontra-se aproximadamente na metade do caminho entre a sínfise púbica e a cicatriz umbilical. Já com 20 semanas de gestação o útero atinge aproximadamente a cicatriz umbilical. É nesse momento que a a mãe irá perceber o bebê mexer na barriga!

Altura Uterina após 20 semanas

Após 20 semanas de gravidez, a medida da altura uterina frequentemente coincide com o número de semanas de gestação. Por exemplo, se você está grávida de 27 semanas, seu médico espera que sua altura do fundo seja de aproximadamente 27 centímetros.

Tamanho do Útero no Abdômen Materno

Relação entre o tamanho do útero e o abdômen materno.

Na verdade como podemos ver na tabela abaixo o esperado é um pouco a menos, mas para fins práticos consideramos que a altura uterina é igual a idade gestacional.


Idade Gestacional Mínimo Média Máximo
41 32 34,5 38,5
40 31 33,5 34,5
39 30,5 33,5 34
38 29,5 33 34
37 28,5 31,5 34
36 28 31 33
35 26,5 30,5 33
34 26 29,5 32
33 25,5 29 31
32 25 28 30
31 24 27 29,5
30 23,5 26,5 29
29 22,5 25,5 28
28 21 25 27
27 20,5 23,5 26,5
26 20 23 26,5
25 19,5 22,5 25,5
24 18,5 22 24
23 17,5 21 23
22 16,5 20 22,5
21 15,5 19 21,5
20 15 18 21
19 14 17,5 19,5
18 13,5 16,5 19
17 12,5 15 18
16 11,5 14 18
15 9,5 12,5 15
14 8,5 12 14,5
13 8 10,8 12

Já no fim da gestação, a altura uterina pode diminuir à medida que o bebê se encaixa, o que ocorre próximo ao trabalho de parto. Cerca de uma hora após o parto, com a saída do bebê, o útero retornará para onde estava com 20 semanas. Ou seja, o fundo uterino estará próximo do seu umbigo.

E quando a altura uterina não é o esperado?

Como falamos, a medida da altura uterina é um parâmetro importante para avaliar o crescimento do bebê. Diversas situações podem afetar o crescimento fetal e fazer com que o bebê cresça muito rápido ou mais lentamente. Por isso utilizamos curvas de crescimento que nos mostram a faixa de tamanho esperado para a altura uterina. A grande maioria das carteiras de pré-natal terá um gráfico mais ou menos assim:

Em algumas situações, a medida da altura uterina pode ser menos precisa, especialmente se você:

  • É obesa, pois a gordura abdominal pode dificultar a palpação do útero ou mesmo super-estimar a medida;
  • Da mesma forma, se você tem miomas, eles podem fazer com que o útero fique maior do que o esperado;
  • Além disso, se sua gestação é gemelar também irá alterar a altura uterina (pois dois bebês fazem o útero ficar maior mais rápido…. para gestações gemelares deve-se usar a tabela de altura uterina para gêmeos).

O que pode provocar alteração na medida da altura uterina?

Eventualmente diversas situações podem fazer com que a medida da altura uterina seja maior ou menor do que o esperado.

Da mesma forma, muitas vezes no exame de terceiro trimestre de rotina observa-se o crescimento restrito. Ou seja, dependendo das circunstâncias, o seu médico poderá recomendar um exame de ultrassom extra. Assim poderá determinar o que está causando a altura uterina incompatível e monitorar mais de perto a sua gravidez. Igualmente, se você quiser saber o intervalo de peso esperado para o seu bebê consulte nossa tabela de referência.

Por fim, esta medida é uma maneira segura de avaliar o crescimento um bebê. De fato não há nenhum risco para a mamãe ou para o bebê de se fazer esta avaliação. Portanto ela deve ser fita em todas as consultas de pré-natal e registrada na sua carteirinha de gestante. Por outro lado, se você estiver preocupada com a medida da altura uterina converse com seu médico.

Referências

  1. Fetal growth screening by fundal height measurement
  2. Altura Uterina – O Que Significa na Gravidez

Síndrome de Aspiração de Mecônio

A Síndrome de Aspiração de Mecônio (SAM) ocorre quando um recém-nascido inala mecônio espesso e particulado. O mecônio é uma substância escura, de tom esverdeado, viscosa. Constitui-se nas primeiras fezes eliminadas por um recém nascido ou mesmo pelo feto ainda dentro do útero. Sua eliminação pelo recém-nascido é creditada ao estímulo provocado pela ingestão do colostro. Isto ocorre em razão do seu elevado índice de colesterol, ao qual se atribui propriedades laxantes.

Líquido Amniótico com Mecônio

Líquido amniótico esverdeado em função da presença de mecônio.

Quando eliminado pelo feto (ainda dentro do útero), isso geralmente é secundário à hipóxia fetal que causa aumento do peristaltismo, relaxamento dos esfíncteres anais e respiração agônica (gasping).

A maioria dos partos com mecônio envolve alguma coloração meconial do líquido. Entretanto os bebês são vigorosos e não precisam de maiores intervenções (veja nosso post Meu bebê engoliu líquido na hora do parto e agora?). O líquido amniótico manchado de mecônio pode ser aspirado antes ou durante o trabalho de parto e o parto.

Como o mecônio raramente é encontrado no líquido amniótico antes de 34 semanas de gestação, a aspiração de mecônio geralmente afeta bebês nascidos a termo e pós-termo. Existem vários mecanismos patogênicos que participam da SAM, particularmente obstrução das vias aéreas, disfunção do surfactante, inflamação, edema pulmonar, vasoconstrição pulmonar e broncoconstrição.

Epidemiologia da Síndrome de Aspiração de Mecônio

A prevalência para bebês nascidos com líquido mecônial no mundo industrializado é 8-25% dos nascimentos após 34 semanas de gestação. A SAM ocorre em cerca de 1-3% dos nascidos vivos.

Fatores como insuficiência placentária, hipertensão materna, pré-eclâmpsia, oligodrâmnio ou abuso de drogas maternas (tabaco, cocaína) aumentam a passagem in utero do mecônio. A aspiração de mecônio pode ocorrer no útero com os movimentos respiratórios fetais ou após o nascimento. A SAM é definida como um desconforto respiratório que se desenvolve logo após o nascimento, com evidência radiográfica de pneumonite por aspiração e presença de líquido amniótico meconial. Sofrimento fetal e asfixia estão associados à SAM grave.

Referência

  1. Meconium Aspiration. About Meconium Aspiration syndrome

Síndrome do Desconforto Respiratório Neonatal

Uma gestação a termo (completa) dura entre 37 e 42 semanas. Isso dá tempo para o feto para crescer e se desenvolver. No termo os órgãos geralmente estão totalmente desenvolvidos e o bebê está pronto para nascer. Se um bebê nasce cedo demais (prematuro), os pulmões podem não estar totalmente desenvolvidos e podem não funcionar adequadamente.

A síndrome do desconforto respiratório neonatal, ou SDR neonatal, pode ocorrer se os pulmões não estiverem completamente desenvolvidos. Geralmente ocorre em bebês prematuros. Bebês com SDR neonatal têm dificuldade em respirar normalmente.

A SDR neonatal também é conhecida como doença da membrana hialina e síndrome do desconforto respiratório infantil. Para estimar o risco de desenvolver a doença da membrana hialina você pode usar nossa calculadora de morbidade neonatal.

O que causa a síndrome do desconforto respiratório neonatal?

O surfactante é uma substância que permite que os pulmões se expandam e contraiam. Também mantém os pequenos sacos de ar nos pulmões, conhecidos como alvéolos, abertos. Bebês prematuros não têm surfactante. Isso pode causar problemas nos pulmões e problemas para respirar. A SDR também pode ocorrer devido a um problema de desenvolvimento ligado à genética.

Quem tem maior risco para desenvolver a síndrome do desconforto respiratório neonatal?

Os pulmões e a função pulmonar se desenvolvem ainda no útero. Quanto mais cedo um bebê nascer, maior o risco de SDR. Bebês nascidos antes das 28 semanas de gestação estão especialmente em risco. Outros fatores de risco incluem:

  • um irmão com SDR
  • gravidez múltipla (gêmeos, trigêmeos)
  • fluxo sanguíneo prejudicado para o bebê durante o parto
  • parto por cesárea
  • diabetes materno

Quais são os sintomas da síndrome do desconforto respiratório neonatal?

Uma criança geralmente exibe sinais de SDR logo após o nascimento. No entanto, às vezes, os sintomas se desenvolvem nas primeiras 24 horas após o nascimento. Os sintomas a serem observados incluem:

  • tom azulado para a pele
  • batimento da asa do nariz
  • respiração rápida ou superficial
  • redução da produção de urina
  • grunhindo enquanto respira

Como é diagnosticada a síndrome do desconforto respiratório neonatal?

Se um médico suspeitar de SDR, ele solicitará exames laboratoriais para descartar infecções que possam causar problemas respiratórios. Também pode ser solicitada uma radiografia de tórax para examinar os pulmões. Uma análise de gases do sangue irá verificar os níveis de oxigênio no sangue.

Síndrome do Desconforto Respiratório

Quais são os tratamentos para a síndrome do desconforto respiratório neonatal?

Quando uma criança nasce com RDS e os sintomas são imediatamente aparentes, a criança é geralmente internada em uma unidade de terapia intensiva neonatal (UTI neonatal).

Os três principais tratamentos para o RDS são:

  • terapia de reposição de surfactante
  • um ventilador ou máquina de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) nasal
  • oxigenoterapia

A terapia de reposição do surfactante dá ao recém nascido o surfactante que falta. O surfactante é administrado através de um tubo de respiração. Isso garante que ele entre nos pulmões. Depois de receber o surfactante, o médico conectará a criança a um ventilador. Isso fornece suporte respiratório extra. Eles podem precisar desse procedimento várias vezes, dependendo da gravidade da condição.

A criança também pode receber tratamento exclusivo com ventilador para suporte respiratório. Um ventilador envolve colocar um tubo na traquéia. O ventilador então respira para o bebê. Uma opção de suporte respiratório menos invasiva é uma máquina nasal de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP). Isso administra oxigênio através das narinas por uma pequena máscara.

A oxigenoterapia fornece oxigênio para os órgãos do bebê através dos pulmões. Sem oxigênio adequado, os órgãos não funcionam adequadamente. Um ventilador ou CPAP pode administrar oxigênio. Nos casos mais leves, o oxigênio pode ser administrado sem um ventilador ou uma máquina de CPAP nasal.

Como posso prevenir a síndrome do desconforto respiratório neonatal?

Impedir o parto prematuro reduz o risco de RDS neonatal. Para reduzir o risco de parto prematuro, obtenha cuidados pré-natais consistentes durante toda a gravidez e evite fumar, drogas ilícitas e álcool.

Se um parto prematuro é provável, a mãe pode receber corticosteroides. Essas drogas promovem o desenvolvimento pulmonar mais rápido e a produção de surfactante, o que é muito importante para a função pulmonar fetal.

Quais são as complicações associadas à síndrome do desconforto respiratório neonatal?

A SDR neonatal pode piorar nos primeiros dias de vida do bebê, podendo ser fatal. Também pode haver complicações a longo prazo devido ao excesso de oxigênio ou à falta de oxigênio nos órgãos. As complicações podem incluir:

  • acúmulo de ar no saco ao redor do coração ou ao redor dos pulmões
  • dificuldades intelectuais
  • cegueira
  • coágulos de sangue
  • sangramento no cérebro ou nos pulmões
  • displasia broncopulmonar (um distúrbio respiratório)
  • pulmão colapsado (pneumotórax)
  • infecção no sangue (sépsis)
  • insuficiência renal (em SDR grave)

Referências

  1. Diagnosis of respiratory distress syndrome in premature babies
  2. Neonatal Respiratory Distress Syndrome

Injeções de Corticoide para Amadurecer o Pulmão do Bebê

Caso exista o risco eminente de um parto prematuro, o seu médico poderá prescrever injeções de corticoide. Dessa forma irá amadurecer o pulmão do bebê mais rapidamente. Corticoide ou corticosteroide é o nome dado a um grupo de hormônios esteróides produzidos pelas glândulas suprarrenais, ou a derivados sintéticos destes. Os corticosteroides possuem diversas ações importantes no corpo humano. Dessa forma possuindo um papel de relevo no balanço eletrolítico, e na regulação do metabolismo.

Em um ensaio clínico realizado de 1969 a 1972, Sir Graham Collingwood Liggins e Ross Howie mostraram que, se os médicos administrarem corticoides para mulheres grávidas antes delas terem um parto prematuro, os bebês têm menos casos de síndrome do desconforto respiratório do que bebês nascidos prematuramente de forma semelhante sem o tratamento com corticoides.

Sir Graham Liggins - Injeções de Corticóide para Amadurecer o Pulmão do Bebê

Sir Graham Liggins (1926-2010)

Antes do estudo, bebês prematuros nascidos antes de 32 semanas de gestação freqüentemente morriam. Afinal apresentavam a síndrome do desconforto respiratório, que é a incapacidade de inflar os pulmões imaturos. Liggins e Howie, ambos na Universidade de Auckland, Auckland, Nova Zelândia, publicaram seus resultados em “A Controlled Trial of Antepartum Glucocorticoid Treatment for Prevention of the Respiratory Distress Syndrome in Premature Infants”, em 1972. O estudo baseou-se nos experimentos iniciais de Liggins com ovelhas. Os experimentos com corticosteroides de Liggins mudaram a forma como os médicos tratam as mulheres grávidas que vivenciam o trabalho de parto prematuro e melhora a expectativa de vida dos bebês nascidos prematuramente.

Hoje já sabemos que podemos prevenir o parto prematuro com a medida do colo uterino que deve ser realizada na época do exame morfológico e utilizando progesterona para as gestantes que tiverem colo curto.

Benefícios para o bebê prematuro

  • Os corticoides podem reduzir o risco de:
    • Doença pulmonar após o nascimento, chamada Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR).
    • Sangramento no cérebro, chamado hemorragia intraventricular (HIV).
    • Outros problemas que podem causar danos a bebês que nascem prematuros, como a morte de tecido intestinal, chamada enterocolite necrosante (ECN)
  • Efeitos colaterais
    • Para o bebê
      • Não afeta o crescimento físico e o desenvolvimento do bebê.
      • O bebê pode não ser tão ativo 2 a 5 dias após essas injeções.
    • Para a mãe
      • Leve risco de infecção se a bolsa de água ao redor do bebê estiver quebrada.
      • Dor no local da injeção.
      • Visão embaçada.
      • Cãibras musculares ou fraqueza.
      • Dificuldade para dormir, nervosismo, humor incomum.

Para saber o risco que o bebê tem de apresentar complicações de acordo com a idade gestacional você pode usar a calculadora de morbidade neonatal.

Quem deve utilizar corticoides?

Os benefícios da administração pré-natal de corticosteroides em fetos com risco de parto prematuro superam amplamente os riscos potenciais. Esses benefícios incluem não apenas uma redução no risco de RDS, mas também uma redução substancial na mortalidade e HIV.

Todos os fetos entre 24 e 34 semanas de gestação com risco de parto prematuro devem ser considerados candidatos ao tratamento pré-natal com corticosteroides. A decisão de usar corticosteroides antenatais não deve ser alterada por raça ou sexo fetal ou pela disponibilidade de terapia de reposição de surfactante.

Pacientes elegíveis para terapia com tocolíticos também devem ser elegíveis para tratamento com corticosteroides antenatais. O benefício começa 24 horas após o início da terapia e dura 7 dias.

Na ruptura prematura de membranas com menos de 30 a 32 semanas de gestação e na ausência de corioamnionite clínica (infecção das membranas), recomenda-se o uso de corticosteroide antenatal devido ao alto risco de HIV nestas idades gestacionais precoces.

Em gestações complicadas, onde o parto antes de 34 semanas de gestação é provável, recomenda-se o uso de corticosteróide antenatal, a menos que haja evidência de que os corticosteroides tenham um efeito adverso na mãe ou o parto seja iminente.

Referências

  1. Corticosteroids’ Effect on Fetal Lung Maturation (1972), by Sir Graham Collingwood Liggins and Ross Howie
  2. Obituary – Sir Graham Collingwood Liggins
  3. Corticosteroids for Fetal Lung Maturity

Ducto Venoso

Ducto venoso hepático (Arantius) é um vaso sanguíneo fetal. Ele é a continuação da veia umbilical com a veia cava inferior. Posteriormente ao nascimento, oblitera-se, formando o ligamento venoso. Por meio dele, o sangue rico em oxigênio, proveniente da veia umbilical, chega ao átrio direito. Em seguida, pelo forame oval, ganha o átrio esquerdo e a circulação sistêmica, favorecendo o fluxo para o cérebro fetal. Além disso, em obstetrícia, a ultrassonografia Doppler tem sido amplamente utilizada para se examinar o sistema arterial fetal.

Em resumo o ducto venoso é um vaso que leva sangue oxigenado da veia umbilical para o cérebro fetal.

ducto venoso

Ducto venoso (assinalado em amarelo). Abaixo seu traçado com as ondas S (sístole ventricular), D (diástole ventricular) e a (contração atrial).

Enquanto o ducto venoso é uma comunicação normal entre a veia umbilical e a veia cava inferior no período fetal, o seu fluxo reflete o que está acontecendo no compartimento cardíaco. Como grande parte dos fetos com síndrome de Down possui algum tipo de doença cardíaca, provavelmente a disfunção cardíaca nesses pacientes seria a responsável pela alteração no fluxo do ducto venoso.

Ducto Venoso no Rastreamento de Cromossomopatias

O aumento da impedância ao fluxo no ducto venoso fetal entre 11-13 semanas de gestação está associado a aneuploidias fetais, defeitos cardíacos e outros resultados adversos da gravidez. A maioria dos estudos que examinam o fluxo do ducto venoso classificou as formas de onda como normais, quando a onda a observada durante a contração atrial é positiva ou anormal, quando a onda a está ausente ou invertida. Entretanto a alternativa preferida na estimativa de riscos específicos do paciente para complicações na gravidez é a medida do índice de pulsatilidade para veias (PIV) como uma variável contínua.

A inclusão do fluxo sanguíneo do ducto venoso no rastreio combinado no primeiro trimestre melhora a taxa de detecção da trissomia 21 para cerca 90% a 95% para uma taxa de falsos positivos de 3%.

Veja também

Referências

  1. Ductus Venosus in the First Trimester: Contribution to Screening of Chromosomal, Cardiac Defects and Monochorionic Twin Complications
  2. The role of ductus venosus Doppler flow in the diagnosis of chromosomal abnormalities during the first trimester of pregnancy

 

Meu bebê engoliu líquido na hora do parto e agora?

Meu filho na hora de nascer engoliu líquido“, essa é uma frase relativamente comum de se ouvir.

Os fetos mostram movimentos de deglutição já na 11ª semana de gestação, enquanto movimentos de sucção mais complexos podem ser identificados após a 18ª semana.

No passado, o movimento relacionado à deglutição era geralmente considerado como uma mera aquisição de um mecanismo necessário para a vida pós-natal. Entretanto, recentemente foi comprovado que tal função é necessária para o desenvolvimento do trato gastrointestinal e para o crescimento fetal. Estudos experimentais, nos quais as ligaduras do esôfago de fetos de coelhos e ovelhas  foram realizados, confirmaram essas hipóteses documentando atrofia grave da mucosa gastroentérica.

A ultrassonografia permite a visualização direta das estruturas anatômicas envolvidas no processo de deglutição no feto. De acordo com a figura abaixo podemos ver o esôfago como uma linha preta (cheia de líquido amniótico) e ao Doppler observamos a presença de fluxo durante a deglutição.

engoliu liquido

É possível ver quando o feto engoliu líquido?

Sim, no ultrassom dinâmico é possível ver o momento em que o feto degluti. No vídeo abaixo o esôfago fica colorido quando existe fluxo no esôfago.

Conclusão

Engolir líquido amniótico é absolutamente normal e o feto faz isso durante toda a gestação. Portanto não é necessário ficar preocupada com engolir líquido amniótico. Por outro lado, existe a síndrome de aspiração de mecônio, que pode causar problemas para o bebê. O mecônio é a principal excreção intestinal do recém-nascido. Sobretudo, é composto por células epiteliais, cabelo fetal, muco e bile.

Em síntese, a síndrome de aspiração de mecônio é uma dificuldade respiratória em um recém-nascido que inalou (aspirou) mecônio para os pulmões antes ou perto da ocasião do parto.

Referências

  1. Fetal Esophagus
  2. Fetal oesophagus (normal ultrasound)
  3. Assessment of Fetal Swallowing with Gray-Scale and Color Doppler Sonography
  4. Quantification of fetal swallowing by ultrasound is impossible