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Exposição em útero a antibióticos e risco de malformações congênitas: um estudo de base populacional

Introdução

Antibióticos são comumente prescritos durante a gravidez. Embora a segurança da maioria das penicilinas esteja bem estabelecida, alguma controvérsia e incerteza estão associadas ao uso de outros antibióticos comumente prescritos.

Objetivo

Determinar o risco de malformações congênitas após a exposição no primeiro trimestre de vida intra-úterina a 10 antibióticos comumente prescritos na Dinamarca.

Antibióticos e Gravidez

Materiais e métodos

Este foi um estudo de coorte que incluiu todos os recém-nascidos de gestação única na Dinamarca entre 2000 e 2015. Os dados de malformações foram coletados até 2016. Mesclando registros médicos e cívicos dinamarqueses válidos e abrangentes em toda a população, cruzando dados sobre gravidez, compra de medicamentos controlados durante o primeiro trimestre e malformações congênitas. Usando regressão logística, calculamos o odds ratio para malformações congênitas (qualquer), malformações congênitas maiores e malformações cardíacas congênitas para os 10 antibióticos mais comumente prescritos (excluindo 4 penicilinas que serviam como controle). Na análise primária, a coorte exposta foi comparada a uma das quatro penicilinas consideradas seguras durante a gravidez (ampicilina, pivampicilina, benzilpenicilina e fenoximetilpenicilina). Na análise de sensibilidade, a coorte exposta foi comparada a uma coorte não exposta. Ajustes covariados foram feitos para a idade materna no parto, ano do parto, paridade, índice de massa corporal pré-gestacional, tabagismo, escolaridade, emprego e renda pessoal anual.

Resultados

Não encontramos risco aumentado de malformações congênitas relacionadas à exposição uterina no primeiro trimestre aos 10 antibióticos mais comumente prescritos na Dinamarca, em comparação com uma coorte de mulheres grávidas expostas a penicilinas consideradas seguras durante a gravidez.

Resultado Antibióticos e Gravidez

Em comparação com as gestações não expostas, um pequeno aumento de risco para malformações maiores e cardíacas foram aparentes para a pivampicilina (odds ratio, 1,13; intervalo de confiança de 1,06 a 1,19; e odds ratio, 1,15; intervalo de confiança de 1,04 a 1,28, respectivamente), sulfametizol (odds ratio de 1,15; intervalo de confiança de 1,07 a 1,24; e odds ratio de 1,22; intervalo de confiança de 1,07 a 1,39, respectivamente) e azitromicina (razão de chances de 1,19, intervalo de confiança de 1,03 a 1,38; e razão de chances de 1,29; intervalo de confiança , 0,99-1,67, respectivamente).

Conclusão

Neste grande estudo de coorte em toda a população, não identificamos, com um alto grau de precisão, nenhum risco aumentado de malformações congênitas após a exposição no primeiro trimestre a 10 antibióticos sistêmicos comumente prescritos.

Artigo original: Damkier et al. Antibiotics in pregnancy and risk of congenital malformations. Am J Obstet Gynecol 2019.

WhatsApp sobre ondansetrona e defeitos orofaciais – o fim do seu uso em gestantes?

Ondansetrona é uma substância ativa de medicamentos, que possui atividade antiemética. É utilizada para controlar as náuseas e vômitos provocados por quimioterapia e radioterapia, assim como em pós-operatórios, pelo mesmo motivo. Também é utilizada para tratar náuseas e vômitos na gestação.

Recentemente circula no WhatsApp de grupos médicos a seguinte mensagem informando sobre o risco de defeitos orofaciais em filhos de gestantes que utilizaram a medicação durante a gestação:

WhatsApp Ondasetrona

Imagem que circula no WhatsApp

Os defeitos orofaciais, como o lábio leporino podem ser vistos no ultrassom a partir de 11 semanas. Entretanto a maioria dos diagnósticos será realizada apenas no exame morfológico de segundo trimestre, por volta de 20 semanas de gestação.

Após uma revisão do Comitê de Farmacovigilância Europeu, a Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde emitiu uma nota informativa recomendando a não administração da ondansetrona na gestação, especialmente no primeiro trimestre.

Os Estudos Considerados

A revisão do Comitê de Farmacovigilância Europeu considerou que os resultados de 2 estudos recentes indicavam um aumento de risco de malformações, em especial de defeitos orofaciais. Estes estudos são:

  • Huybrechts et al: estudo de coorte retrospectivo que incluiu 88.467 mulheres expostas a ondansetrona durante o primeiro trimestre da gravidez, em comparação com 1.727.947 mulheres não expostas. Três casos adicionais (14 versus 11) de defeitos de fechamento orofacial foram identificados para cada 10.000 nascimentos de filhos de mulheres expostas, principalmente relacionados à ocorrência de casos de fissura palatina. Não foi observado risco aumentado de malformações cardíacas.
  • Zambelli et al: estudo retrospectivo de caso-controle aninhado, realizado em 864.083 casais formados por mães e filhos, dos quais 76.330 mulheres receberam ondansetrona durante o primeiro trimestre de gravidez. O risco de anormalidades cardíacas, principalmente defeitos septais, foi maior no grupo de filhos de mães que receberam ondansetrona durante o primeiro trimestre. Não foi observado aumento no risco de defeitos orofaciais.

Estudos anteriores sobre a segurança fetal da ondansetrona produziram resultados variados, refletindo heterogeneidade nas populações estudadas, limitações metodológicas e pequenas amostras. Inclusive recentemente fizemos um post em nosso blog sobre um artigo que não mostrava aumento de risco para malformações com o uso da ondansetrona.

O que aconteceu na verdade?

Em agosto de 2019, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) publicou as atas de uma reunião do Comitê de Avaliação de Risco de Farmacovigilância (PRAC), onde foi recomendado que todos os titulares de autorizações de comercialização de medicamentos contendo ondansetrona atualizassem a bula de seus produtos com a seguinte informação:

  • Com base na experiência humana de estudos epidemiológicos, suspeita-se que a ondansetrona cause malformações orofaciais quando administrada durante o primeiro trimestre da gravidez
  • Os estudos epidemiológicos disponíveis sobre malformações cardíacas mostram resultados conflitantes
  • Medicamentos que contém ondansetrona não devem ser utilizados no primeiro trimestre da gestação
  • Mulheres que utilizam a medicação e podem engravidar durante o seu uso devem usar um método anticoncepcional efetivo

A controvérsia sobre o assunto

Apesar dessa recomendação, o assunto continua controverso. Até mesmo os dois artigos citados são controversos: enquanto um relata aumento de risco para malformações cardíacas e não identifica aumento de malformações orofaciais o outro observa exatamente o contrário.

Embora os achados do estudo que identificou associações com fissura labial e / ou palatina pareçam robustos, o aumento absoluto do risco de fissura orofacial após o uso de ondansetrona pela gestante no primeiro trimestre foi muito pequeno, afetando aproximadamente 14 por 10.000 nascimentos, em comparação com uma taxa de 11 por 10.000 nas gestações não expostas.

Isso equivale a três casos adicionais de fenda orofacial por 10.000 gestantes que usam ondansetrona durante o primeiro trimestre. Além disso, o mesmo estudo (Huybrechts et al), que representa a melhor evidência disponível até o momento, não encontrou um aumento estatisticamente significativo do risco de defeitos cardíacos em geral, após ajustar os resultados para um grande número de covariáveis relevantes (aRR 1,01, IC 95%; 0,92 a 1,12 ).

Em função dessa controvérsia e dados conflitantes, a Rede Europeia de Serviços de Informação em Teratologia emitiu um posicionamento para que a ondansetrona não seja abandonada. Entretanto recomenda que a mesma seja reservada como agente de segunda linha para o tratamento de náuseas e vômitos durante a gravidez.

O uso da ondansetrona no tratamento de náuseas e vômitos durante a gravidez é comum (até 15% em alguns estudos) e aumentou nos últimos anos. Isso possivelmente ocorre em função da eficácia aprimorada e ao perfil de efeitos colaterais menos problemático da ondansetrona em comparação com outros medicamentos antieméticos, como a metoclopramida.

Também há muito mais informações disponíveis agora sobre a segurança durante a gravidez da ondansetrona do que outros antieméticos, com dados de mais de 168.000 mulheres tratadas durante o primeiro trimestre. Isto permite um aconselhamento mais adequado para mulheres que necessitem da ondansetrona para tratamento das náuseas e vômitos durante a gravidez.

Síndrome do Alcoolismo Fetal (SAF)

Síndrome do alcoolismo fetal ocorre quando a mulher ingere álcool na gravidez. O consumo de álcool durante a gestação, não é novidade, traz inúmeros riscos – já comprovados cientificamente – para o bebê. Por isso, a maioria dos obstetras é totalmente contra, independentemente da quantia ou do trimestre em que a grávida está. Além do álcool outras substâncias não devem ser utlilizadas durante a gravidez.

A SAF é o transtorno mais grave do espectro de desordens fetais alcoólicas (fetal alcohol spectrum disorders – FASD) e constitui um complexo quadro clínico de manifestações diversas que podem ocorrer em quem cuja mãe consumiu bebida alcoólica durante a gestação. Os efeitos decorrem da interferência na formação cerebral, em especial na proliferação normal e migração dos neurônios que não se desenvolvem completamente em certas estruturas e podem acarretar alterações congênitas, anomalias do sistema nervoso central, retardo no crescimento e prejuízos no desenvolvimento cognitivo e comportamental.

De fato, o consumo de álcool por gestantes pode provocar desde disfunções mais sutis até o quadro completo da SAF, passando por parto prematuro, aborto, morte fetal e uma série de deficiências físicas, comportamentais, cognitivas, sociais e motoras, além de outras dificuldades ao longo da vida. Entretanto, por motivos ainda desconhecidos pela ciência, nem todas as crianças nascidas de mães que consumiram álcool no período gestacional desenvolvem os seus efeitos deletérios.

Prevalência

Acredita-se que a prevalência seja em torno de 1 a 2 casos para cada 1.000 nascidos vivos, sendo mais frequente por exemplo que outros distúrbios como a Síndrome de Down e a Mielomeningocele. Com essa prevalência, espera-se no Brasil o nascimento de 1.500 a 3.000 novos casos por ano.

Para prevenção basta evitar o consumo de álcool no período peri-concepcional e durante a gestação.

Quadro Clínico de Síndrome do Alcoolismo Fetal (SAF)

Para a identificação e diagnóstico da SAF é necessário a presença de achados em 3 categorias primárias: (1) Alterações Faciais; (2) Restrição de Crescimento Intrauterino ou pós-natal e (3) alterações do Sistema Nervoso Central.

síndrome do alcoolismo fetal

Quadro Clínico SAF

Tratamento

Não existe tratamento específico. Entretanto os cuidados gerais tomados com crianças apresentando SAF são capazes de minimizar os danos da doença. O diagnóstico precoce é de extrema importância para que melhores resultados sejam obtidos.

Referências

  1. SBP divulga vídeos de alerta contra a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF)
  2. Manual MSD – Síndrome alcoólica fetal

Laudo Online – Médicos

Quando a sua paciente realiza exames na Fetalmed você pode ter acesso ao laudo assim que ele é liberado para a paciente. Para isso você irá necessitar de uma senha que é fornecida por nossa equipe. Se você ainda não tem senha entre em contato pelo telefone (41) 3087-7500 e solicite a sua.

Os laudos ficam disponíveis por 30 dias e você poderá baixar ele e as imagens e arquivar também em seu computador.

Preparamos um pequeno tutorial (que você pode baixar clicando aqui), caso prefira ler as instruções. Se você prefere assistir um pequeno vídeo de demonstração basta clicar no vídeo abaixo!

O uso do Microarranjo de DNA em Medicina Fetal

O diagnóstico pré-natal e a avaliação pós-natal das perdas gestacionais freqüentemente envolve a análise citogenética de amniócitos, vilosidades coriônicas ou células fetais. Embora o cariótipo, realizado com badeamento convencional de cromossomos metafásicos com Giemsa (G), detecte aneuploidias e grandes mudanças estruturais (por exemplo, translocações balanceadas ou desequilibradas, inversões), essa abordagem também tem limitações. Esta técnica não identifica consistentemente submicroscópica (isto é, menor do que é visível sob uma microscópio de luz) defeitos genômicos (<3 a 10 milhões de pares de bases [Mb]) e requer cultura de células, que leva um mínimo de sete dias para se obter um número adequado de células em divisão. O uso da hibridização fluorescente in situ (FISH) reduz o tempo para obter um resultado e é menos trabalhoso, mas só pode detectar um número limitado de alvos pré-especificados.

O microarranjo cromossômico é uma técnica citogenética molecular baseada em arranjos que pode superar algumas limitações de um cariótipo. É particularmente útil por sua capacidade de detectar ganhos e perdas submicroscópicas em cada cromossomo. Além disso fornece resultados de produtos da concepção quando as células não crescem em cultura.

Esta técnica compara o conteúdo genômico (DNA) de um paciente com o de um indivíduo controle normal (ou indivíduos). Ela detecta ganhos e perdas (duplicações e deleções) variando em tamanho de muito grande, incluindo aneuploidia de cromossomos inteiros, muito pequeno (geralmente tão pequeno quanto cerca de 200.000 pares de bases ou 0,2 Mb).

Como Funciona o Microarranjo

Ganhos e perdas podem corresponder a mudanças estruturais como translocações não balanceadas. Entretanto o microarranjo não pode detectar a localização física do material extra (como em uma translocação). Nem pode detectar mudanças cromossômicas estruturais que não resultam em deleções ou duplicações (por exemplo, translocações balanceadas ou inversões balanceadas). Diferentes laboratórios executam CMA usando diferentes plataformas de tecnologia e com design e conteúdo de matriz diferentes.

Como deve ser usado o microarranjo?

Com relação ao uso do microarranjo em medicina fetal a Society for Maternal-Fetal Medicine (SMFM) recomendamos o seguinte:

  1. Que a análise de microarranjo cromossômico seja oferecida quando a análise genética é realizada em casos com anomalias estruturais fetais e / ou natimortos. Nestes casos substitui a necessidade de cariótipo fetal;
  2. Que seja discutido os benefícios e limitações da análise cromossômica por microarranjo e cariótipo convencional com pacientes que estão considerando a amniocentese ou biópsia de vilo corial, e que ambas as opções devem estar disponíveis para as mulheres que escolhem se submeter a testes de diagnóstico;
  3. Que o aconselhamento pré e pós-teste deve ser realizado por indivíduos com experiência. Em função da complexidade da interpretação dos resultados da análise de microarranjo cromossômico;
  4. Que os pacientes devem ser informados que a análise cromossômica por microarranjo não detecta todas as doenças genéticas ou síndromes. Especificamente pode não detectar alterações autossômicas recessivas associadas com mutações pontuais de genes individuais. Assim como que a análise cromossômica por microarranjo pode detectar consanguinidade e não-paternidade em alguns casos;
  5. Que os pacientes nos quais uma variante fetal de significância incerta é detectada pelo diagnóstico pré-natal recebem aconselhamento por especialistas que têm acesso a bancos de dados que fornecem informações atualizadas sobre as correlações genótipo-fenótipo.

Ventriculomegalia fetal leve: diagnóstico, avaliação e conduta

A ventriculomegalia é definida como a dilatação dos ventrículos cerebrais fetais e é um achado relativamente comum na ultrassonografia pré-natal. O objetivo deste documento é revisar o diagnóstico, avaliação e a conduta em casos de ventriculomegalia fetal leve.

Quando o alargamento dos ventrículos laterais (≥ 10 mm) é identificado, uma avaliação completa deve ser realizada. Além da dilatação ventricular o plexo coróide fica “pendente” (veja também cisto de plexo coróide). Dessa forma deve-se realizar avaliação ultrassonográfica detalhada da anatomia fetal, amniocentese para cariótipo, além de uma investigação para infecções fetais. Em alguns casos é importante também o exame de microarray (teste genético mais apurado).

Em alguns casos, a ressonância magnética fetal pode identificar outras anormalidades do sistema nervoso central e deve ser considerada quando esta tecnologia, assim como a interpretação especializada, estiver disponível.

Exames de ultrassonografia seriada para acompanhamento devem ser realizados para avaliar a progressão da dilatação ventricular. Algumas alterações como a holoprosencefalia também podem ser confundidas com Ventriculomegalia e por isso a avaliação por especialista é essencial. No cenário de ventriculomegalia isolada de 10 a 12 mm, a probabilidade de sobrevivência com neurodesenvolvimento normal é mais 90%. Com ventriculomegalia moderada (13 a 15 mm), a probabilidade de neurodesenvolvimento normal é de 75 a 93%.

Recomendações de Conduta

As recomendações da Society for Maternal-Fetal Medicine são as seguintes:

  • Sugerimos que a ventriculomegalia seja caracterizada como leve (10–12 mm), moderada (13–15 mm) ou grave (> 15 mm) para fins de aconselhamento do paciente, uma vez que a chance de um resultado adverso e o potencial para outras anormalidades são maiores quando os ventrículos medem 13 a 15 mm versus 10 a 12 mm (GRAU 2B);
  • Recomendamos que o teste diagnóstico (amniocentese) com análise de microarray cromossômico seja oferecido quando a ventriculomegalia for detectada (GRAU 1B);
  • Recomendamos o teste de citomegalovírus e toxoplasmose quando a ventriculomegalia é detectada, independentemente da exposição ou sintomas conhecidos (GRAU 1B);
  • Sugerimos que a ressonância magnética seja considerada em casos de ventriculomegalia fetal leve ou moderada quando esta modalidade e interpretação radiológica especializada estiverem disponíveis. A ressonância magnética provavelmente será de menor valor se o paciente tiver feito uma ultrassonografia detalhada realizada por um indivíduo com experiência e habilidades específicas em imagens ultrassonográficas do cérebro fetal (GRAU 2B)
  • Recomendamos que o momento e o tipo de parto sejam baseados em indicações obstétricas padrão (GRADE 1C);
  • Recomendamos que, com ventriculomegalia leve isolada de 10 a 12 mm, após uma avaliação completa, as mulheres recebam orientação de que o desfecho é favorável e que a criança provavelmente será normal (GRAU 1B);
  • Recomendamos que, com a ventriculomegalia moderada isolada de 13 a 15 mm, após uma avaliação completa, as mulheres sejam informadas de que o desfecho provavelmente será favorável, mas que há um risco aumentado de alterações do desenvolvimento neurológico (GRAU 1B).

Referência

  1. Mild fetal ventriculomegaly: diagnosis, evaluation, and management

Ultrassonografia seriada de terceiro trimestre comparada com a rotina de cuidados pré-natais em gestações não complicadas: um estudo controlado randomizado

OBJETIVO: Em gestações não complicadas, os exames ultrassonográficos de terceiro trimestre identificaram significativamente mais casos de crescimento fetal ou anormalidades do líquido amniótico (27%) do que a medida da altura uterina (8%).

ultrassom seriado no terceiro trimestre

MÉTODOS: Mulheres sem complicações entre 24 0/7 e 30 6/7 semanas de gestação foram randomizados para conduta de rotina (grupo de controle) ou exame de ultrassom a cada 4 semanas (grupo de estudo). O desfecho primário foi um composto de anormalidades no volume de líquido amniótico: oligodrâmnio ou polidrâmnio; restrição do crescimento fetal; ou grande para a idade gestacional. O desfecho secundário foi a presença de morbidade materna ou neonatal composta entre os dois grupos. Um total de 206 participantes foi necessário para ter poder de 80% para detectar um aumento no resultado composto primário de 10% no controle para 25% no grupo de intervenção (taxa de base de 10%; bicaudal; α = 0,05; perda de seguimento de 5%). Todas as mulheres foram incluídas na análise da intenção de tratar. Os testes exato de Fisher, χ2 ou teste t de duas amostras foram usados para avaliar as diferenças entre os grupos.

RESULTADOS: De 11 de julho de 2016 a 24 de maio de 2017, 852 mulheres foram avaliadas para identificar os critérios de elegibilidade e 206 foram randomizados da seguinte forma: 102 em conduta de rotina e 104 em exames de ultrassonografia seriada. Os dois grupos foram semelhantes e comparáveis. O resultado primário composto foi significativamente maior entre as mulheres que estavam no grupo de exame de ultrassom do que o grupo de conduta de rotina (27% vs 8%; risco relativo 3,43, IC 95% 1,64-7,17); cinco mulheres (IC95% 3–11) foram necessárias para identificar pelo menos uma das anormalidades ultrassonográficas compostas. Embora tenhamos sido incapazes de detectar uma diferença significativa, os seguintes desfechos secundários ocorreram com frequência semelhante no grupo de exame ultrassonográfico e no grupo de conduta de rotina: indução resultante de exames ultrassonográficos anormais (14% vs 6%), parto cesáreo (5 % vs 6%) e morbidade materna composta pré-especificada (9% em ambos os grupos) e morbidade neonatal composta (1% vs 4%).

CONCLUSÃO: Entre as gestações não complicadas com 24 0/7 a 30 6/7 semanas de gestação, exames ultrassonográficos de terceiro trimestre foram significativamente mais propensos a identificar anormalidades do crescimento fetal ou no líquido amniótico do que a medida dea altura uterina e ultrassom apenas quando indicado. Não foram observadas diferenças nos resultados maternos e neonatais, porém o estudo não foi planejado para indetificar estes parâmetros.

Referência

  1. Serial Third-Trimester Ultrasonography Compared With Routine Care in Uncomplicated Pregnancies: A Randomized Controlled Trial

Padrões de dilatação cervical em mulheres “de baixo risco” com trabalho de parto espontâneo e resultados perinatais normais: uma revisão sistemática

Cervical dilatation patterns of ‘low‐risk’ women with spontaneous labour and normal perinatal outcomes: a systematic review
OT Oladapo, V Diaz, M Bonet, E Abalos, SS Thwin, H Souza, G Perdoná, JP Souza, AM Gülmezoglu
BJOG Volume125, Issue 8 July 2018 Pages 944-954

Observou-se recentemente um apelo por abordagens centradas nas mulheres para reduzir intervenções no trabalho de parto, particularmente a cesariana. Portanto renovou-se o interesse em obter uma melhor compreensão da progressão natural do trabalho de parto.

O objetivo do presente estudo foi sintetizar os dados disponíveis sobre os padrões de dilatação cervical durante o trabalho de parto. Nesse sentido, mulheres de baixo risco em trabalho de parto espontâneo e com resultados perinatais normais foram estudadas.

Estudos observacionais e outros tipos de estudo foram procurados em bases de dados. A saber PubMed, EMBASE, CINAHL, POPLINE, Biblioteca Mundial da Saúde e listas de referência de estudos elegíveis.

Dois autores extraíram dados sobre: ​​características maternas; intervenções no trabalho de parto; a duração do trabalho de parto centímetro por centímetro; e a duração do trabalho de parto da dilatação na admissão até 10 cm.

Conclusões sobre a dilatação cervical

Sete estudos observacionais descrevendo os padrões de trabalho de parto para 99.971 mulheres preencheram os critérios de inclusão. O tempo médio para avançar 1 cm em mulheres nulíparas foi maior que 1 hora até que uma dilatação de 5 cm fosse alcançada. Em contrapartida, o progresso marcadamente rápido após 6 cm. Padrões similares de progressão do trabalho de parto foram observados em mulheres multíparas. Os percentis 95 para ambos os grupos de paridade sugerem que não é incomum que algumas mulheres atinjam 10 cm, apesar das taxas de dilatação serem muito mais lentas do que o limiar de 1 cm/hora durante a maior parte do primeiro estágio do trabalho de parto.

Padrões de Dilatação Cervica

Em suma, a expectativa de um limiar mínimo de dilatação cervical de 1 cm/hora durante o primeiro estágio do trabalho de parto é irreal. Dessa forma, os resultados questionam a aplicação universal de padrões clínicos que são conceitualmente baseados em uma expectativa de progresso linear do trabalho em todas as mulheres.

Padrões de Dilatação Cervical Agrupados por cm

Para gestantes: A partir da 37ª semana de gestação o bebê já está pronto pra nascer!

Ondansetrona para Tratamento de Náuseas e Vômitos da Gravidez e o Risco de Defeitos Congênitos Específicos

A ondansetrona é uma substância ativa de medicamentos, que possui atividade antiemética. É utilizada para controlar as náuseas e vômitos provocados por quimioterapia e radioterapia, assim como em pós-operatórios. Eventualmente é utilizada para tratamento dos enjôos que ocorrem na gestação e iniciam por volta da 6ª semana. O estudo teve como objetivo usar dados de dois grandes estudos sobre defeitos congênitos. Com isto, descreveu-se as tendências temporais do uso da ondansetrona no tratamento de náuseas e vômitos no primeiro trimestre da gestação. Além disso investigou-se associações, previamente relatadas ou não, entre o uso da ondansetrona no primeiro trimestre e defeitos congênitos.

Ondansetrona e Vômitos na Gestação

Utilizando dados de dois estudos de caso-controle, o Estudo Nacional de Prevenção de Defeitos Congênitos (1997-2011) e o Estudo de Defeitos Congênitos Slone (1997-2014). A prevalência do uso de ondansetrona entre pacientes-controle foi calculada em intervalos de dois anos. Usando mulheres não tratadas como referência, calculou-se o odds ratio ajustado e o IC95% para associações entre o uso de ondansetrona no primeiro trimestre para tratamento de náuseas e vômitos da gravidez e defeitos congênitos específicos. Bem como um grupo de exposição secundária a outros antieméticos foi usado para tratamento da confusão por indicação.

A Ondansetrona e Defeitos Congênitos

No Estudo Nacional de Prevenção de Defeitos Congênitos e Estudo de Defeitos Congênitos, respectivamente, 6.751 e 5.873 mães de controle e 14.667 e 8.533 mães de casos que relataram náuseas e vômitos na primeira gravidez foram incluídas na análise. Entre as mulheres do grupo controle, a exposição a ondansetrona aumentou de menos de 1% antes de 2000 para 13% em 2013-2014. Em síntese, o uso da ondansetrona não foi associado a um risco aumentado para a maioria dos defeitos analisados. Um Aumento modesto no risco para fissura de palato foi observado no Estudo Nacional de Prevenção de Defeitos Congênitos. Em contraste,  um aumento de agenesia/disgenesia renal (ajustado OR 1,8, IC 95% 1,1-3,0) foi identificado no Estudo de Defeitos Congênitos. Entretanto estes achados podem ser eventualmente ser atribuídos ao acaso. Em setembro de 2019 uma mensagem de WhatsApp em grupos médicos provocou a discussão sobre a associação de malformações com o uso da ondansetrona.

Conclusão

O uso off-label da ondansetrona para o tratamento de náuseas e vômitos da gravidez aumentou para 13%. Aparentemente, não houve aumento do risco associado ao uso de ondansetrona no primeiro trimestre da gestação. Entretanto associações modestas com fissura palatina e disgenesia renal foram identificadas e necessitam de mais estudos.

Veja o artigo na íntegra no Green Journal.

Sildenafil não deve ser prescrito para RCIU

O Sildenafil (Viagra) foi considerado como um candidato para tratamento da restrição de crescimento intra-uterino. Uma vez que não existe hoje terapia para restrição do crescimento fetal (RCIU) devido à insuficiência placentária. Assim sendo o manejo atualmente é definir o melhor momento para o parto. Para isso deve-se equilibrar os riscos de morte intra-uterina com os da prematuridade devido ao parto prematuro.

Sildenafil na Restrição de Crescimento Intra-Uterino

O Estudo Strider com Sildenafil

A intervenção farmacológica para melhorar a função placentária pode ser uma maneira de superar esse dilema. Com o intuito de explorar o uso do sildenafil para o tratamento da RCIU, o consórcio STRIDER (International Sildenafil TheRapy In Dismal prognosis Early-onset intrauterine growth Restriction) foi estabelecido em 2011. Dessa forma realizaram o primeiro estudo randomizado controlado por placebo em humanos.

Anteriormente, os estudos animais e pré-clínicos, bem como uma pequena série de casos-controle em humanos, apoiaram a hipótese de que esse vasodilatador seletivo poderia melhorar o fluxo sanguíneo uteroplacentário. Portanto poderia melhorar o crescimento o bem-estar fetal, permitindo o prolongamento seguro da gravidez.

O Consórcio estava realizando quatro estudos: no Reino Unido (publicado), Austrália / Nova Zelândia (finalizado e analisado);  Holanda e Canadá (em andamento). Entretanto durante a última semana, foi tomada a decisão de interromper o estudo na Holanda. Uma análise interina independente e planejada mostrou um sinal de dano potencial. Ocorreu um aumento na incidência de hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido e uma tendência não significativa de morte neonatal. Ao mesmo tempo que o benefício era improvável (uma alta chance de futilidade do estudo para mostrar um efeito benéfico significativo).

Os testes anteriores do Reino Unido e Austrália / Nova Zelândia não demonstraram benefício, mas também não demonstraram danos. Os resultados estão sendo levados muito a sério pelo Consórcio, e uma análise completa e detalhada dos dados está sendo realizada. Durante esse período e até que surja clareza sobre os efeitos do tratamento com sildenafil na RCIU, ele não deve ser prescrito para o RCIU fora do contexto de ensaios clínicos randomizados de alta qualidade.

Fonte: https://goo.gl/mPPYkU