As imagens ultra-sonográficas dos plexos coróides consistem em estruturas hiperecogênicas, intra-ventriculares ao nível do corpo, trígono e corno inferior. A presença de estrutura cística no interior dos plexos, é facilmente visibilizada, particularmente entre a 16ª e 20ª semana de gestação.
O cisto de plexo coróide é considerado um marcador menor para aneuploidias, principalmente para trissomia do cromossomo 18, é rara a presença isolada do cisto como a única característica desta aneuploidia. Habitualmente associa-se a outras alterações anatômicas fetais identificadas ecograficamente. A incidência de cisto de plexo coróide em fetos normais variou de 0,4 a 2,8%, e em fetos com alterações cromossômicas de 0,5 e 7%.
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O que é o plexo coróide e por que ele aparece no ultrassom?
O plexo coróide é uma estrutura altamente vascularizada, localizada no interior dos ventrículos laterais do cérebro fetal. Sua função principal é produzir o líquido cefalorraquidiano (LCR) — o fluido que envolve e protege o cérebro e a medula espinhal ao longo de toda a vida.
Ao ultrassom, os plexos coróides aparecem como estruturas hiperecogênicas (brilhantes, de alta refletividade) no interior dos ventrículos, visíveis bilateralmente a partir do primeiro trimestre. São uma referência anatômica importante na avaliação fetal entre 16 e 22 semanas de gestação.
Um cisto de plexo coróide se forma quando uma pequena quantidade de líquido fica aprisionada dentro do parênquima do plexo durante seu desenvolvimento. Ao ultrassom, aparece como uma área anecoica (escura, sem ecos) bem delimitada, com paredes finas e regulares, no interior da estrutura hiperecogênica do plexo.
Em que semana o cisto de plexo coróide é detectado?
A janela de detecção mais frequente é entre a 16ª e a 22ª semana de gestação, período correspondente ao ultrassom morfológico de segundo trimestre. Nessa fase, o plexo coróide ocupa praticamente todo o ventrículo lateral, tornando os cistos facilmente visíveis.
É importante saber que:
- A maioria dos cistos de plexo coróide regride espontaneamente antes de 26–28 semanas de gestação
- Cistos que persistem após 28 semanas são mais incomuns e merecem avaliação complementar
- O desaparecimento do cisto não altera a conduta clínica — o que importa é a presença ou ausência de outros achados associados no momento do diagnóstico
Cisto de plexo coróide isolado: qual o risco real?
Esse é o ponto que mais gera ansiedade nas gestantes — e é fundamental esclarecer com precisão.
O cisto de plexo coróide é considerado um marcador menor (soft marker) para aneuploidias, com associação conhecida principalmente à Trissomia do Cromossomo 18 (Síndrome de Edwards). Estudos populacionais mostram que cerca de 30 a 50% dos fetos com Síndrome de Edwards apresentam cistos de plexo coróide ao ultrassom.
No entanto, a relação inversa é muito diferente:
- A prevalência de cisto de plexo coróide em fetos normais é de 1 a 3%
- Quando o cisto é um achado isolado — sem nenhuma outra alteração ultrassonográfica — o risco de anomalia cromossômica é muito baixo (em torno de 0,5% em gestantes de baixo risco)
- As características do cisto (tamanho, se é uni ou bilateral, se persiste ou regride) não modificam o risco de aneuploidia
- O cisto de plexo coróide isolado não está associado à Trissomia 21 (Síndrome de Down) e não deve ser usado para modificar o risco de T21
Quando o cisto de plexo coróide realmente preocupa?
O cisto de plexo coróide ganha relevância clínica quando está associado a outros achados ultrassonográficos. Fetos com Síndrome de Edwards raramente apresentam apenas o cisto — na grande maioria dos casos há outras anomalias estruturais identificáveis ao morfológico detalhado.
Achados que aumentam a suspeita de aneuploidia quando associados ao cisto de plexo coróide:
- Mãos fechadas em posição anômala (punho cerrado com sobreposição de dedos)
- Cardiopatia congênita estrutural
- Anomalias do sistema nervoso central
- Onfalocele ou outras malformações abdominais
- Crescimento fetal restrito
- Polihidrâmnio ou oligoâmnio
- Pé torto congênito (pé equinovaro)
Quando há dois ou mais marcadores associados, ou quando a gestante já apresenta risco elevado por outros critérios (idade materna avançada, teste bioquímico alterado, translucência nucal aumentada no primeiro trimestre), a investigação com amniocentese ou biópsia de vilo corial pode ser indicada.
Conduta recomendada diante do cisto de plexo coróide
A avaliação deve ser sempre individualizada, levando em conta o contexto clínico completo da gestante. De forma geral:
- Cisto isolado + gestante de baixo risco: nenhuma investigação adicional é necessária além do morfológico completo. Seguimento pré-natal habitual.
- Cisto isolado + gestante de risco intermediário ou elevado: discutir com especialista em medicina fetal a necessidade de rastreio adicional (p.ex. DNA fetal livre no sangue materno, ecocardiograma fetal).
- Cisto + outros achados ultrassonográficos: encaminhamento para avaliação com especialista em medicina fetal e discussão sobre investigação invasiva.
Em qualquer cenário, o achado de um cisto de plexo coróide deve motivar a realização de um ultrassom morfológico completo com especialista em medicina fetal — não pelo cisto em si, mas para garantir uma avaliação anatômica fetal detalhada e afastar outros marcadores que poderiam alterar a conduta.
O cisto de plexo coróide prejudica o desenvolvimento do bebê?
Não. O plexo coróide não está envolvido nas funções cognitivas, no raciocínio ou na inteligência. Um cisto nessa estrutura não causa retardo mental, distúrbios de aprendizagem, autismo ou qualquer comprometimento neurológico. Estudos de acompanhamento de crianças que apresentaram cistos de plexo coróide confirmam desenvolvimento cognitivo e neuromotor normal.
O cisto em si não requer tratamento. Ele é um achado de imagem — não uma doença — e sua importância clínica reside exclusivamente no rastreio de aneuploidias associadas.
Perguntas frequentes sobre cisto de plexo coróide
O cisto de plexo coróide desaparece sozinho?
Sim. A grande maioria dos cistos de plexo coróide regride espontaneamente antes de 26 a 28 semanas de gestação. O desaparecimento do cisto, porém, não altera a interpretação clínica — o que definiu a conduta foi o contexto ao momento do diagnóstico, não a persistência do achado.
Cisto de plexo coróide bilateral é mais perigoso?
Não. A lateralidade do cisto — unilateral ou bilateral — não modifica o risco de aneuploidia. Da mesma forma, o tamanho e o número de cistos também não alteram o risco. O fator determinante é a presença ou ausência de outros achados associados no ultrassom.
Preciso fazer amniocentese por causa do cisto de plexo coróide?
Na maioria dos casos, não. Quando o cisto é um achado isolado e a gestante apresenta baixo risco para cromossomopatias, a investigação invasiva não é indicada de rotina. A decisão deve ser individualizada em conjunto com um especialista em medicina fetal, considerando todos os fatores de risco presentes.
O cisto de plexo coróide causa problemas para o bebê após o nascimento?
Não. Cistos de plexo coróide isolados não têm impacto no desenvolvimento neurológico, cognitivo ou físico do bebê. Não causam retardo mental, autismo, epilepsia ou qualquer outra condição. Estudos de longo prazo em crianças confirmam desenvolvimento normal.
Em que semana o cisto de plexo coróide some?
A maioria regride entre 24 e 28 semanas de gestação. Alguns podem persistir por mais tempo, mas isso não tem significado clínico adicional quando avaliados no contexto de um morfológico normal e sem outros marcadores.