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Translucência intracraniana: Uma análise crucial

Queridas leitoras e futuras mamães, hoje vamos discutir um termo médico muito importante na gestação: a translucência intracraniana. Se você já realizou exames de ultrassonografia, certamente ouviu falar de “translucência nucal” e possivelmente de “translucência intracraniana”. Ambos são parâmetros valiosos para avaliar a saúde do seu bebê. Vamos decifrar esses termos juntas?

A translucência intracraniana se refere a um espaço preenchido por fluido localizado no cérebro do feto, identificado por meio de ultrassom durante a gestação. Nós médicos monitoramos cuidadosamente esta região para identificar potenciais problemas de saúde com o seu bebê.

O exame é feito junto com a translucência nucal

Assim como medimos a translucência nucal na região da nuca do bebê, também avaliamos a translucência intracraniana, que desempenha um papel fundamental na detecção de anomalias cromossômicas e defeitos do tubo neural, como a mielomeningocele, um tipo de espinha bífida.

Outro marco importante na avaliação do bem-estar do bebê é a presença do “osso nasal” no ultrassom. A ausência ou subdesenvolvimento deste pequeno osso pode indicar um risco maior de síndrome de Down. Além disso, a avaliação do “ducto venoso” e da “regurgitação tricúspide” são medidas cruciais para rastrear possíveis problemas cardíacos.

Por que a translucência intracraniana é importante?

Nos anos 80, o principal método de rastreamento para espinha bífida aberta era por meio de α-fetoproteína sérica materna por volta da 16ª semana de gestação. O diagnóstico era feito por meio de amniocentese e a medida da α-fetoproteína no líquido amniótico. Embora fosse possível diagnosticar a condição por exame ultrassonográfico da coluna vertebral, a sensibilidade deste teste era baixa.

Com a utilização mais frequente do ultrassom entre 11 e 14 semanas observou-se que esse exame pode identificar a maioria de todas as principais anomalias fetais. No entanto, no caso de espinha bífida, o diagnóstico geralmente não é realizado nesta fase ainda.

Desenho esquemático da Mielomeningocele

A mielomeningocele é um defeito no fechamento da coluna.

Na mesma imagem onde avaliamos a translucência nucal é possível analisar a translucência intracraniana. Ela permite a identificação de condições como a mielomeningocele, uma forma grave de espinha bífida, onde uma falha no tubo neural resulta em uma abertura na coluna vertebral. A detecção precoce dessas condições permite que a equipe médica se prepare para proporcionar o melhor cuidado ao bebê após o nascimento.

Portanto a análise da translucência intracraniana permite o diagnóstico mais precoce dos defeitos abertos do tubo neural, como a mielomeningocele. Isto permite um maior tempo para avaliar se o caso poderá ou não se beneficiar da cirurgia fetal para a correção deste defeito.

Diagnóstico de Defeitos do Tubo Neural no Ultrassom Durante o Pré-natal

Os defeitos do tubo neural (DTN) representam algumas das malformações congênitas mais comuns que afetam o sistema nervoso central. Eles ocorrem como resultado de um desenvolvimento anormal do tubo neural durante as primeiras etapas da gravidez. As duas formas mais comuns de DTN são a anencefalia e a espinha bífida.

O diagnóstico pré-natal de DTN é um aspecto crucial do cuidado obstétrico, permitindo uma gestão apropriada e preparação para o nascimento e pós-natal. O ultrassom desempenha um papel vital neste processo, oferecendo uma visão detalhada do feto em desenvolvimento.

Ela auxilia o diagnóstico pré-natal de espinha bífida

A espinha bífida é uma malformação congênita que acontece quando a coluna vertebral e a medula espinhal do bebê não se formam adequadamente durante o desenvolvimento inicial da gravidez, geralmente nas primeiras quatro a seis semanas de gestação. Essa condição pertence a um grupo de defeitos do tubo neural e resulta em uma abertura na coluna do bebê.

Como é feita a avaliação da translucência intracraniana?

O procedimento é indolor e não invasivo. Realizamos o ultrassom entre a 11ª e 14ª semana de gestação, com foco na região da cabeça do bebê. Medimos a área escura que aparece no ultrassom, representando o fluido no cérebro. 

É importante lembrar que um valor anormal na medida da translucência intracraniana não implica necessariamente a existência de um problema. Fatores como o ângulo do ultrassom podem influenciar a medida. Portanto, se a translucência intracraniana estiver fora do normal, seu médico pode solicitar exames adicionais para uma avaliação mais precisa.

Existe ainda a possibilidade da avaliação subjetiva da translucência intracraniana. Uma técnica muito utilizada é conhecida como “sinal do polvo“. Na avaliação subjetiva a medida não é realizada, apenas uma análise da forma e proporção da translucência intracraniana.

O principal objetivo de monitorar a translucência intracraniana, bem como a translucência nucal, o osso nasal, a regurgitação tricúspide e o ducto venoso, é garantir a saúde do seu bebê. Acima de tudo, seu médico tem as ferramentas e o conhecimento para auxiliá-la durante esta jornada emocionante que é a maternidade.

Enfim lembre-se: a maternidade é uma jornada repleta de expectativas e descobertas. Manter-se bem informada e em comunicação aberta com sua equipe médica é o melhor caminho para garantir que você e seu bebê estejam seguros e saudáveis. Como sempre, estamos aqui para apoiá-la. Fique atenta aos nossos próximos posts!

Descolamento Prematuro de Placenta

O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é classicamente definido como a separação abrupta e inopinada da placenta normalmente inserida antes do parto. É uma das causas de sangramento vaginal na segunda metade da gravidez.

Por sorte é um evento raro pois acontece em apenas 0,5 a 1% das gestações. Infelizmente é uma das principais causas de morbidade materna e de mortalidade perinatal. Os principais riscos incluem sangramentos abundantes, necessidade de transfusões sanguíneas, histerectomia de emergência, coagulação vascular disseminada e falência renal.

Descolamento Prematuro de Placenta

Imagem comparando a placenta normalmente inserida (esquerda) e um descolamento prematuro de placenta com hematoma retroplacentário (direita).

O principal diagnóstico diferencial do Descolamento Prematuro de Placenta é a Placenta Prévia. As principais complicações para o concepto são o óbito, a prematuridade, a asfixia perinatal. Apesar de diversos fatores de risco conhecidos, a etiologia do DPP ainda não é bem compreendida.

Existem também situações aonde o saco gestacional se descola da parede uterina. Esta é uma situação bem distinta, que ocorre nos primeiros meses de gravidez e é chamado descolamento do saco gestacional. Muitas vezes erroneamente algumas pessoas se referem ao descolamento do saco gestacional como descolamento da placenta. Entretanto são coisas bem distintas e com prognóstico bastante diferente.

Qual a causa do Descolamento Prematuro de Placenta?

A principal causa do descolamento prematuro de placenta é a ruptura de vasos maternos na decídua basal. Decídua é o nome dado a camada mais interna do útero durante a gestação. O sangue eliminado pelos vasos maternos se acumula formando um hematoma que separa a placenta da decídua.

Essa separação da placenta faz com que as trocas entre a mãe e o feto sejam interrompidas. Portanto o pedaço da placenta que descola da decídua não é mais funcional e não leva mais oxigênio e nutrientes para o bebê. Isso se torna um problema pois durante a gestação a placenta é responsável por levar oxigênio para o feto. A separação da placenta da decídua antes do nascimento pode ser letal para o concepto.

O sangramento da decídua pode se exteriorizar pelo colo uterino. Neste caso a paciente irá perceber um sangramento vaginal que é um dos sintomas mais comuns. Eventualmente o hematoma pode ficar confinado a região retro-placentária e neste caso não ocorre sangramento vaginal.

Ultrassom de Descolamento Prematuro de Placenta

Ultrassom mostrando área anecóica (escura) atrás da placenta, compatível com um hematoma em função do descolamento prematuro de placenta.

Quais são os sintomas do Descolamento Prematuro de Placenta?

No DPP o principal sintoma é o sangramento vaginal. Entretanto, em alguns casos o hematoma pode ficar confinado atrás da placenta e nestes casos o descolamento não provoca sangramento vaginal.

Além do sangramento vaginal, que ocorre de maneira abrupta e sem dar aviso prévio, é comum a dor em função do aumento do tônus uterino. O útero fica endurecido, quase que como uma pedra em função de uma forte e duradoura contração.

Como o sangramento geralmente é bastante volumoso podemos ver sinais de choque materno ou eventualmente o óbito fetal em função da separação da placenta.

Nos casos de sangramento na segunda metade da gestação é sempre importante fazer o diagnóstico diferencial com a placenta prévia, que é outra causa de hemorragia vaginal em gestantes.

Quais são os fatores de risco para um DPP?

O principal fator de risco é a hipertensão arterial. A maioria das pacientes que fazer um quadro de descolamento prematuro de placenta são hipertensas prévias ou possuem um quadro de pré-eclâmpsia.

O trauma direto sobre o útero também é um fator de risco importante para o acontecimento do descolamento da placenta. Nesse sentido é importante investigar quadros de violência doméstica, quedas ou acidentes de carro.

O uso de algumas drogas como a cocaína, crack e a metanfetamina também podem provocar quadros de descolamento prematuro de placenta. 

Como é classificado o Descolamento Prematuro de Placenta?

O DPP é classificado em três graus, levando-se em conta os achados clínicos e laboratoriais, de acordo com classificação de Sher no quadro abaixo:


Grau Características
I Assintomático ou apresenta sangramento genital discreto sem hipertonia uterina significativa, com vitalidade fetal preservada. Sem repercussões hemodinâmicas e coagulopatias materna. O diagnóstico é realizado após o nascimento por presença de coágulo retroplacentário.
II Sangramento genital moderado com hipertonia uterina. Repercussões hemodinâmicas na mãe com aumento de frequência cardíaca, alterações posturais da pressão arterial e queda do nível de fibrinogênio. Feto vivo, porém com vitalidade fetal prejudicada.
III Caracteriza-se por óbito fetal. Hipotensão arterial materna e hipertonia uterina importante. Divide-se em: IIIA Sem coagulopatia instalada; IIIB Com coagulopatia instalada.

Qual a diferença entre Descolamento Prematuro de Placenta e Placenta Prévia?

As principais características que diferenciam o DPP da PP são:


Característica Placenta Prévia Descolamento Prematuro de Placenta
Inserção da Placenta Em local anômalo (prévia) Normalmente inserida
Sangramento Vaginal Incidioso, ocorre várias vezes durante a segunda metade da gravidez e geralmente em pequena quantidade Abrupto, ocorre de uma hora pra outra, geralmente em grande volume entretanto pode ser oculto
Dor Indolor Bastante doloroso
Tônus uterino Normal Bastante Aumentado
Vitalidade Fetal Normal Geralmente comprometida
Coagulopatia Ausente Presente

Qual é o tratamento para o Descolamento Prematuro de Placenta?

Na maioria das vezes, quando o feto estiver vivo será o parto pela via mais rápida e segura. Além disso a reposição de volume e sangue para a gestante é extremamente importante. Abaixo temos o fluxograma do Ministério da Saúde que detalha o tratamento conforme o grau do DPP.

Fluxograma para Tratamento do Descolamento Prematuro de Placenta

Fluxograma para Tratamento do Descolamento Prematuro de Placenta

O que é o corpo lúteo?

O corpo lúteo é uma estrutura que é formada nos ovários logo após a ovulação. Os ovários são duas estruturas arredondadas que ficam ao lado do útero e são responsáveis por liberar os óvulos durante o o ciclo menstrual. Todos os meses os ovários são estimulados durante o ciclo menstrual e um folículo amadurece, liberando um óvulo. O óvulo quando fecundado irá ser captado pelas trompas por onde seguirá até o útero para formar o embrião.

Corpo Lúteo

Esquema do Ciclo Ovulatório mostrando um ovário e todas as fases de um folículo até a ovulação e formação do corpo lúteo.

Após a liberação do óvulo, forma-se o corpo lúteo. Ele nada mais é do que uma cicatriz que se forma no local onde o óvulo foi liberado. Durante o ciclo menstrual e caso ocorra uma gravidez o corpo lúteo é responsável pela produção de progesterona. Nas gestantes a progesterona é um hormônio importante para a manutenção da gravidez, sendo produzido inicialmente pelo corpo lúteo e após 12 semanas pela placenta.

Como o corpo lúteo é formado?

Dentro dos ovários, os óvulos são armazenados dentro de estruturas chamadas folículos primários. Ao nascer uma mulher possui milhões de folículos primários em cada ovário. Um folículo primário nada mais é do que um óvulo envolvido por uma camada de células chamada de granulosa. Durante cada ciclo menstrual um folículo primário é recrutado. Isto significa que ele é escolhido como folículo do mês para ser amadurecido e ovular. Durante o processo de amadurecimento do folículo a camada de células da granulosa fica mais espessada.

As células da granulosa produzem líquido formando um pequeno cisto que cresce progressivamente. Ao ultrassom é possível ver os folículos estimulados como pequenos cistos que medem cerca de 10 mm ou mais. A medida que o ciclo ovariano progride, as células da granulosa se multiplicam cada vez mais e produzem mais e mais líquido, fazendo o folículo crescer cerca de 3 mm por dia.

Folículo Ovariano

Na imagem podemos ver um ovário com um folículo estimulado (imagem grande em preto arredondada) e outros folículos menores e não estimulados (pequenas imagens arredondadas na periferia do ovário).

Como ocorre a ovulação?

Quando o folículo atinge 24-25 mm de diâmetro ele rompe, como um balão que ficou muito cheio. Neste momento o óvulo que estava dentro do folículo é jogado pra fora do ovário.

Momento da Ovulação Humana

Momento da ovulação visto durante um exame de videolaparoscopia. O óvulo que está sendo liberado está marcado pela seta.

Logo após a ovulação ocorre um pequeno sangramento geralmente auto-limitado o que forma o corpo hemorrágico que em seguida se torna amarelo, dando origem ao corpo lúteo (do latim corpo amarelo). O corpo lúteo é formado pelas células da granulosa e tem grande importância no ciclo menstrual pois secreta um hormônio chamado progesterona. Ele possui colocação amarela em função da luteína que é o hormônio presente nele.

Corte macroscópico de um ovário mostrando o corpo lúteo

Corte de um ovário mostrando o corpo lúteo na parte superior.

O corpo lúteo é relativamente grande em relação ao ovário, tendo cerca de 2 a 5 cm. A função do corpo lúteo é preparar o útero e manter a gravidez até que a placenta comece a secretar a progesterona. Caso não ocorra a fecundação o corpo lúteo vira uma pequena cicatriz esbranquiçada chamada corpo albicans.

Todo este ciclo é possível de ser estudado e acompanhado ao ultrassom com o exame chamado controle de ovulação.

Qual é a função do corpo lúteo?

O corpo lúteo tem a função de produzir a progesterona. Estrogênio e progesterona são os dois principais hormônios envolvidos na ovulação e no ciclo menstrual da mulher. Na primeira fase do ciclo, chamada de fase folicular, um hormônio chamado FSH (hormônio folículo estimulante) é secretado pela hipófise. Ele faz com que o folículo ovariano cresça e se desenvolva até o momento onde ocorre a ovulação. Nesta fase os ovários produzem o estrogênio que junto com a progesterona irá ajudar a preparar o útero para a gravidez. No fim desta fase do ciclo menstrual a hipófise começa a secretar menos FSH e mais LH (hormônio luteinizante). O LH irá ajudar no amadurecimento do folículo para que ocorra a ovulação.

Após a ovulação temos a segunda fase do ciclo, chamada de fase lútea, onde o principal hormônio envolvido é a progesterona. Ela agora é produzida pelo corpo lúteo e irá provocar um espessamento do endométrio, preparando o útero para a implantação do ovo (nome dado ao óvulo fecundado). Essa fase do ciclo tem uma duração de aproximadamente 14 dias e caso não ocorra a fecundação os níveis de progesterona irão diminuir o que irá provocar o descamamento do endométrio, causando a menstruação.

Por outro lado, caso a mulher tenha relações sexuais e ocorra a fecundação o ovário irá continuar a produção de progesterona. Ela será responsável por dar suporte a gravidez até que a formação da placenta esteja completa. Com cerca de 12 semanas de gravidez a placenta assume o papel do corpo lúteo e passa a produzir a progesterona que será fundamental na manutenção e suporte da gravidez.

Quanto tempo o corpo lúteo fica no ovário?

Caso não aconteça a gestação o corpo lúteo permanece por cerca de duas semanas até se tornar o corpo albicans (branco, do latim). Por outro lado, caso ocorra a gestação, o corpo lúteo irá produzir progesterona até aproximadamente a 12ª semana de gestação, quando então a placenta irá tomar essa função.

O que significa a progesterona baixa?

A produção de progesterona é fundamental para a regulação dos ciclos menstruais e para o desenvolvimento normal da gravidez. Mulheres que tem níveis baixos de progesterona podem ter menstruação irregular.

Além disso, quando a progesterona é muito baixa no início da gravidez isto pode causar uma perda gestacional. Esta situação é conhecida como insuficiência de corpo lúteo. Nos casos onde a produção de progesterona é insuficiente o seu médico poderá recomendar o uso de progesterona exógena para tratar a insuficiência de corpo lúteo.

O diagnóstico de insuficiência de corpo lúteo é difícil e deve ser feito pelo seu médico. Em casos de perdas gestacionais recorrentes o seu obstetra poderá prescrever progesterona para evitar uma perda gestacional.

Quando o corpo lúteo aparece no ultrassom?

Caso você faça um ultrassom logo após ter ovulado, o médico poderá ver um corpo lúteo. É uma imagem escura (chamada tecnicamente de anecóica), cercada por um halo mais esbranquiçado. Muitas vezes é possível ver também que o corpo lúteo possui rica vascularização, quando associamos o Doppler ao exame de ultrassom.

Corpo Lúteo no Ultrassom

Imagem de um corpo lúteo ao ultrassom.

Apesar desta ser a forma mais comum do corpo lúteo, ele ainda pode assumir outras formas. Por exemplo, quando existe um sangramento mais abundante durante a ovulação ele pode ter características semelhantes a um hematoma. Neste caso é chamado de corpo lúteo hemorrágico. Outras vezes o corpo lúteo pode formar um cisto de dimensões um pouco maiores. Nesta situação recebe o nome de corpo lúteo cístico.

Ter um corpo lúteo no ultrassom significa que estou grávida?

Não. Ter um corpo lúteo no ultrassom significa que você ovulou. Entretanto, apesar de ter ovulado isto não significa necessariamente que você está grávida. Se você deseja engravidar é interessante determinar o seu período fértil e para isso possuímos no site uma calculadora que te ajuda a determinar o seu período fértil. Portanto o corpo lúteo pode aparecer no ultrassom após a ovulação, mesmo que você não esteja grávida.

Qual a importância do corpo lúteo para a gravidez?

Num primeiro momento, ainda durante a fase lútea do ciclo menstrual, a formação do corpo lúteo é importante para a gravidez no sentido em que prepara o endométrio para receber o óvulo fecundado. Neste momento, o principal objetivo do corpo lúteo é liberar progesterona para esta preparação.

Caso ocorra a gravidez a progesterona terá papel fundamental na manutenção da gestação. A progesterona ajuda o útero a crescer para que possa acomodar o bebê. Além disso ela evita que ocorram contrações, o que ajuda a manter a gravidez. Quando o útero tem muitas contrações nas fases iniciais da gestação isto pode levar a uma perda gestacional.

Em algumas pacientes com risco aumentado para parto prematuro a progesterona também tem sido usada com sucesso para ajudar a extender o tempo de gravidez.

Coceira na Vagina? Pode ser Candidíase!

Uma queixa comum das mulheres quando visitam o seu ginecologista é o prurido (coceira) vaginal. Esse sintoma pode se tornar mais comum ainda durante a gravidez em função das próprias alterações fisiológicas causadas pela gestação.

A queixa de coceira vaginal é comumente causada por uma infecção fúngica do gênero Candida. Essa infecção recebe o nome de candidíase ou monilíase. Entre todas as espécies deste fungo, a Candida albicans é a mais comum, sendo responsável por até 90% dos casos. Antes de iniciar qualquer tratamento é importante que a paciente consulte o seu ginecologista para ele confirmar a infecção e prescrever o tratamento apropriado. Isso é especialmente importante em gestantes pois algumas medicações podem ter restrição de uso na gravidez.

Quais são os sintomas de candidíase vaginal?

Apesar do sintoma mais comum ser a coceira no canal vaginal, alguns outros sintomas também podem aparecer. Entre eles podemos destacar:

  • Coceira (prurido);
  • Dor para urinar;
  • Inchaço ou irritação da vulva;
  • Dor nas relações sexuais;
  • Vermelhidão na vulva;
  • Corrimento esbranquiçado e com grumos.
Corrimento da Candidíase Vaginal

Exame ginecológico evidenciando colo uterino recoberto por corrimento esbranquiçado e grumoso, compatível com candidíase vaginal.

Os sintomas da infecção vaginal por cândida podem ser semelhantes a diversas outras condições como uma infecção bacteriana (vaginose bacteriana), tricomoníase e dermatite. Para o diagnóstico adequado é importante consultar o seu ginecologista.

Como se pega a candidíase?

A Candida é um fungo que faz parte do trato gastrointestinal e muitas vezes da vagina. Em situações normais a Candida não causa nenhum sintoma. Em algumas situações, como por exemplo após o uso de algumas medicações ou alterações dos sistema imune, este fungo pode crescer de maneira exagerada. Nesta situação os sintomas acima podem aparecer.

Apesar da candidíase poder ser sexualmente transmissível, mas maioria das vezes não é. Geralmente a doença é causada por um simples desequilíbrio da flora vaginal. Muitas vezes alguns fatores de risco podem aumentar a chance de ter candidíase, como por exemplo o diabetes, a falta de higiene com as partes íntimas, o uso de roupas muito apertadas e que diminuem a aeração da região íntima.

Como a candidíase é tratada?

O tratamento para candidíase é feito com a administração de antifúngico. Para mulheres não grávidas a medicação pode ser via oral, mas para gestantes recomenda-se a aplicação de creme vaginal para minimizar a exposição do feto a medicação. Em algumas situações o tratamento também pode ser combinado, usando a medicação via oral e o creme vaginal. O tratamento dura entre 1 e 2 semanas, a depender de cada caso.

O que fazer se você tem candidíase recorrente?

Algumas mulheres podem ter vários episódios de candidíase no ano. Nestes casos é importante conversar com o seu médico por ele irá pesquisar a causa dessas infecções de repetição. Você por exemplo pode estar com diabetes e não sabe.

Além da investigação habitual, algumas medidas comportamentais também podem ajudar a evitar a candidíase de repetição:

  • Diminuir o consumo de doces;
  • Evitar usar roupas apertadas;
  • Realizar a higiene íntima de maneira adequada;
  • Secar bem as partes íntimas após o banho;
  • Fazer atividade física e ter alimentação saudável.

Lembre-se: o estilo de vida e os hábitos de higiene podem evitar a candidíase!

A candidíase pode passar para o bebê?

Se no momento do parto vaginal houver uma infecção por Candida na vagina da paciente, a pele do bebê será contaminada por uma grande quantidade de fungos. Como o bebê não tem o sistema imunológico completamente desenvolvido, ele poderá desenvolver uma infecção de pele causada pela Candida.

Gostou desse conteúdo? Veja nossas dicas para evitar candidíase!

O que é a nidação?

A nidação ou implantação é o momento em que o óvulo fecundado (agora chamado de zigoto) penetra completamente no revestimento interno do útero. Isto costuma ocorrer a partir do 7º dia após a fertilização. Nesse processo de fixação pode ocorrer um leve sangramento, com duração média de três dias.

Nidação ou Implantação do Embrião na Decídua

Após a ovulação o óvulo é capturado por uma das tubas uterinas, sendo levado em direção ao útero.

Neste trajeto, ainda na tuba uterina, o espermatozóide encontra o óvulo e ocorre a fecundação. O óvulo fecundado vai da tuba uterina para a cavidade uterina, implantando no seu revestimento interno, chamado de decídua. Este processo de implantação recebe o nome de nidação.

Portanto o sangramento de nidação nada mais é do que um sintoma normal do processo de reprodução humana. Ele pode ocorrer em gestações concebidas naturalmente e em casos onde a fecundação ocorreu por alguma técnica de reprodução humana assistida.

Quais são os sintomas da nidação?

Após a fecundação em cerca de uma a duas semanas irão aparecer os sintomas da nidação, caso tudo esteja ocorrendo bem. Geralmente eles são tão leves e sutis que você poderá não perceber nada de diferente. Em algumas mulheres pode surgir um pequeno sangramento que dura até no máximo 3 dias. Algumas mulheres inclusive podem confundir este sangramento com a menstruação. Eventualmente poderá sentir também um pouco de dor abdominal, algumas cólicas ou pontadas no pé da barriga também. Se você tem dores abdominais não deixe de ler nosso post 6 Dores que NÃO são normais na Gravidez – E o que fazer com elas!

Nidação, níveis de hCG e sintomas de gravidez

Embora muitos dos sintomas sejam atribuídos a nidação, na verdade eles ocorrem pela impregnação hormonal que é essencial para que a gestação seja bem sucedida. Durante os primeiros dias de gestação os principais hormônios produzidos são os seguintes:

  • PROGESTERONA: produzida em grande quantidade pelo corpo lúteo (a cicatriz que fica no ovário depois de ovular). Ela impede o útero de contrair e contribui para o aumento da sua vascularização.
  • hCG: esse hormônio, a gonadotrofina coriônica humana, é secretado pelo trofoblasto para manter a atividade do corpo lúteo. Ele é o hormônio que é dosado no teste de gravidez. Alguns dos principais sintomas da gestação estão associados aos níveis de hCG.

Como é o sangramento de nidação?

O sangramento de nidação geralmente é mais escurecido que o da menstruação e menos volumoso. Eventualmente ele pode até ser um pouco mais avermelhado, mas sempre terá um volume menor que o sangramento da menstruação. Além disso o sangramento da nidação não costuma durar mais de 2 ou 3 dias.

Por conhecidência o sangramento de nidação ocorre aproximadamente na época em que era esperado um novo período menstrual. Por isso muitas vezes este sangramento de nidação pode ser confundido com uma menstruação e o diagnóstico de gravidez demorar um pouco mais para ser feito.

Sangramento da Nidação

Sangramento da nidação é um pouco mais escuro e em menor quantidade que a menstruação.

É perigoso sangrar na nidação?

Não, ter um pequeno sangramento na nidação não irá trazer nenhum prejuízo para a sua gravidez. Não existe diferença na incidência de aborto espontâneo quando comparamos gestações com e sem o sangramento de nidação. Apesar de nem todas as mulheres sangrarem, as que sangram não estão em maior risco.

O que acontece durante a nidação?

Costumamos fazer um atalho entre a fecundação e a gravidez. No entanto, os primeiros dias da gravidez são bastante ricos em eventos essenciais para o desenvolvimento adequado do embrião.

Todo o processo que tem como resultado a gravidez começa no início do ciclo menstrual. Quando a menstruação inicia o endométrio (a camada mais interna do útero) é descascada. Depois por cerca de duas semanas do ciclo menstrual um hormônio chamado estrogênio provoca a proliferação de uma nova camada endometrial. Neste estágio, próximo a ovulação, caso a mulher tenha relação sexual o espermatozoide irá ascender pela cavidade uterina até a trompa de falópio. Para que ocorra a gravidez é necessário que o espermatozoide penetre na parede do óvulo. Neste momento ocorre a fertilização.

Agora, na segunda fase do ciclo menstrual a cicatriz que ficou no ovário após a ovulação se torna o corpo lúteo. Ele é responsável por produzir o hormônio luteinizante. Essa fase é chamada de fase lútea.

Entre 7 a 10 dias após a fertilização o embrião faz seu “ninho” no endométrio (revestimento interno do útero). No sétimo dia o trofoblasto que é a camada de células mais externa do blastocisto produz enzimas que permitem que ele se infiltre gradualmente na mucosa do útero.

Esse período de fixação costuma durar até o nono dia após a fertilização, quando o blastocisto penetra completamente na mucosa. Por fim, no décimo dia um tampão de fibrina obstrui o pequeno buraco deixado pela passagem do blastocisto.

Implantação do ovo

O que acontece com o corpo depois da nidação?

Bom, depois da nidação teremos todas as mudanças que ocorrem na gestação. Seu útero irá crescer para acomodar o bebê e o bebê irá se desenvolver. As mamas irão crescer preparando-se para a amamentação. Ocorreram alterações hormonais envolvendo principalmente o hCG, progesterona e estrogênio. A glândula tireóide também irá crescer em função da maior secreção de hormônios tireoidianos. 

A frequência respiratória materna também irá se elevar em função da compressão do diafragma pelo útero. O volume sanguíneo aumenta em cerca de 40 a 50% durante a gestação, aumentando também o débito e frequência cardíacas.

Enfim, parabéns! Se a nidação deu certo você está grávida e poderá desfrutar desse maravilhoso período que é o ciclo gestacional.

Como saber se é nidação ou um período menstrual?

Na verdade muitas vezes pode ser difícil diferenciar o sangramento de nidação de uma menstruação. Caso a mulher tenha dúvida se aquele corrimento marrom foi um escape menstrual ou o sangramento provocado pela implantação do óvulo fecundado na parede do útero deverá realizar um exame laboratorial. O teste de beta hcg poderá ser realizado alguns dias após o sangramento.

A nidação e o hCG

A implantação é o primeiro gatilho para o corpo começar a produzir hCG (gonadotrofina coriônica humana, também conhecida como hormônio da gravidez). Testes de gravidez (testes de urina vendidos em farmácias e exames de sangue) procuram a presença de hCG para confirmar uma gravidez. A nidação deve ocorrer para que esse hormônio seja produzido.

O que ocorre se eu fizer o teste de gravidez muito cedo?

Como falamos anteriormente, o hCG é produzido apenas após a nidação. Se você fizer um teste de gravidez antes da nidação ele irá informar que você não está grávida, mesmo que a fecundação tenha acontecido. Por isso não é possível fazer o teste de gravidez imediatamente após a fecundação. É necessário esperar a implantação do óvulo fecundado após as relações sexuais onde ocorreu a concepção.

O que pode atrapalhar a nidação?

Em algumas situações a nidação pode ser dificultada ou mesmo evoluir para um leve sangramento que algumas mulheres irão inicialmente interpretar como um corrimento marrom. Eventualmente esse sangramento aumenta, sua cor passa a ser mais avermelhada e o volume progressivamente aumenta, aparecendo as cólicas e evoluindo para um aborto espontâneo. Esta situação é mais frequente nos seguintes casos:

Alteração genética do Embrião

A causa mais frequente de abortamentos no começo da gravidez são as alterações genéticas do embrião. Por exemplo, quando o embrião tem um cromossomo a mais, mesmo que o processo de nidação tenha sido bem sucedido a chance de abortamento é bastante alta. Nestes casos geralmente a alteração genética ocorre em função do óvulo ter recebido um cromossomo a mais na divisão celular.

Presença de Miomas

Os miomas são pequenos nódulos do miométrio. Eles são comuns em mulheres acima dos 40 anos e muitas vezes podem estar na parede do útero mais interna do útero, deslocando o endométrio e causando sintomas como o sangramento. Caso o embrião, ao invés de lidar sobre o endométrio, faça a nidação sobre um mioma na parede uterina, isto poderá trazer algum problema com um risco maior para o abortamento.

Endometrite

A endometrite é um processo inflamatório do endométrio, local onde a nidação ocorre. Ela pode ocorrer na mulher que tem alguma infecção do endométrio, ou que fez alguma cirurgia sobre a cavidade uterina, como uma curetagem ou retirada de pólipo. Nestes casos o endométrio se torna hostil a nidação eventualmente ela não acontece. A saúde do endométrio é fundamental para uma nidação adequada.

Leitura Recomendada: A 5ª semana de gestação

 

Regra de Naegele: Como fazer o cálculo para saber a Data Provável do Parto (DPP)

A regra de Naegele é uma forma padronizada de calcular a data provável do parto (conhecida como DPP). Com base na data da última menstruação é uma maneira relativamente simples e que é bastante utilizada para estimar o dia em que se irá completar 40 semanas de gestação.

O que diz a regra de Naegele?

O texto original refere o seguinte:

Man rechnet von dem Tage an, wo die Frau ihre Reinigung zum letzten Male gehabt, 3 ganze Monate zurück und zählt dann 7 Tage hinzu; der so gefundene Tag ist alsdann derjenige, an welchem die Niederkunft zu erwarten ist. Hat eine Frau z. B. am 10ten Juni ihre Reinigung zum letzten Male gehabt, so zählt sie 3 ganze Monate zurück – also bis zum 10ten März –, rechnet dann 7 Tage hinzu, so findet sie den 17ten März, welches der Tag ist, an dem sie ihre Niederkunft zu erwarten hat

Entendeu? Não? Então vamos ajudar: você conta três meses pra trás na data da última menstruação e adiciona 7 dias, encontrando dessa forma a data provável do parto. Então se uma mulher teve a sua menstruação no dia 10 de junho, você conta 3 meses pra trás chegando em 10 de março e então soma 7 dias e o dia 17 de março se torna a data provável do parto.

Pra esclarecer um pouco mais vamos ver mais alguns exemplos:

Exemplo 1:

Data da Última Menstruação (DUM): 15/09/20
Data Provável do Parto (DPP): 22/06/21

Exemplo 2:

Data da Última Menstruação (DUM): 20/11/20
Data Provável do Parto (DPP): 27/09/21

Em algumas situações a regra pode ficar um pouco mais complexa e você teve ter um cuidado maior. Por exemplo, quando a menstruação ocorre nos 3 primeiros meses do ano você não consegue subtrair 3. Então você deve SOMAR 9 no mês. Nestes casos o ano permanece o mesmo.

Exemplo 3:

Data da Última Menstruação (DUM): 10/01/20
Data Provável do Parto (DPP): 17/10/20

Exemplo 4:

Data da última menstruação (DUM): 05/03/20
Data Provável do Parto (DPP): 12/12/20

Em algumas situações também precisaremos “virar” o mês. Nestes casos ao invés de subtrair 3 no mês, subtrai-se apenas 2. Nos primeiros meses do ano ao invés de somar 9, soma-se 10. Além disso deve-se lembrar que alguns meses tem 31 dias. Veja os exemplos abaixo:

Exemplo 5:

Data da Última Menstruação (DUM): 25/04/20
Data Provável do Parto (DPP): 02/02/21

Exemplo 6:

Data da Última Menstruação (DUM): 25/01/20
Data Provável do Parto (DPP): 01/11/20

A regra de Naegele funciona?

Sim, ela funciona razoavelmente bem. Hoje conceitualmente temos que a data provável do parto deve ser calculada somando-se 280 dias no primeiro dia da última menstruação. Isso fica muito fácil se tivermos um aplicativo para calcular a DPP, entretanto fazer isso manualmente é complicado e demorado. Por exemplo, você pode usar a nossa calculadora de idade gestacional para ver qual a sua data provável do parto.

Utilizando a regra de Naegele o resultado obtido é de aproximadamente 280 dias, variando alguns poucos dias para mais ou menos. Por isso em países aonde o acesso a tecnologia não é fácil a regra ainda pode ser bastante utilizada. Alguns obstetras mais antigos também a utilizam.

Quem criou a Regra de Naegle?

A regra para o cálculo da data provável do parto recebeu notoriedade após a sua publicação no livro de Franz Carl Naegele (1778-1851) publicado em 1812 Erfahrungen und Abhandlungen aus dem Gebiethe der Krankheiten des Weiblichen Geschlechtes. Nebst Grundzügen einer Methodenlehre der Geburtshüfe (Experiências e tratado no campo das doenças do sexo feminino. Além do básico de uma metodologia de obstetrícia).

Regra de Naegele

Página do Livro texto de Franz Carl Naegele.

Naegele foi um obstetra alemão que nasceu em 17 de julho de 1778 em Düsseldorf, Alemanha. Em 1806 ele se tornou professor e diretor da maternidade de Heidelberg. Seu livro foi publicado e reeditado diversas vezes.

Entretanto Naegele não inventou nem afirmou ter criado essa regra. Provavelmente quem criou a regra foi Hermann Boerhaave (1668-1738), professor de Botânica e Medicina da Universidade de Leyden. Entretanto essa informação não é simples de ser confirmada pois Boerhaave não permitiu durante a sua via a publicação das suas lições.

Referências

  1. T F Baskett, F Nagele. Naegele’s rule: a reappraisal. BJOG. 2000 Nov;107(11):1433-5.
  2. Loytved CA, Fleming V. Naegele’s rule revisited. Sex Reprod Healthc. 2016;8:100-101.

Dispareunia: a dor na relação sexual aflige muitas mulheres

Chamamos de dispareunia a dor durante o ato sexual ou logo após a relação. Apesar desse nome pouco conhecido a dispareunia pode ocorrer em ambos os sexos. Entretanto é mais frequente nas mulheres, atingindo cerca de 20% da população feminina.

O que significa a dor durante a relação?

A dispareunia pode ser cauda por vários fatores físicos ou psicológicos. Como causas orgânicas podemos citar as infecções sexualmente transmissíveis, distúrbios hormonais, endometriose, diminuição da lubrificação. Além das causas orgânicas problemas psicológicos também podem ser a causa da dor durante o sexo.

A dor durante a relação sexual ou após dificulta o ato sexual e reduz a vontade de ter novas relações. Portanto a dor, coceira ou ardência pode ser um sinal de problema e é importante falar com seu ginecologista sobre isso. Não é normal sentir dor na hora da relação. Muitas vezes tão difícil quanto tratar a dispareunia é trazer esse assunto à tona durante a consulta ginecológica.

O que pode causar a dispareunia?

As causas da dispareunia são habitualmente divididas conforme o local aonde a dor ocorre, podendo ser superficial ou profunda. A dispareunia superficial (ou de entrada) é caracterizada pela dor no intróito vaginal. Por outro lado a dispareunia profunda é quando a dor ocorre no fundo da vaginal, sendo muito comum a endometriose.

Dispareunia Superficial e Profunda

Tipos de dispareunia conforme a sua localização.

As principais causas de dispareunia superficial incluem:

  • Falta de lubrificação
  • Trauma, machucados e irritação da pele
  • Vaginismo
  • Anomalias congênitas

Por outro lado as causas de dispareunia profunda comumente podem ser:

  • Doença inflamatória pélvica
  • Endometriose
  • Cistite
  • Cistos de ovário
  • Prolapso uterino
  • Síndrome do Intestino Irritável
  • Cirurgias prévias (como cesárea, histerectomía ou outras cirurgias pélvicas)

Fatores emocionais também podem estar relacionadas com a dor na relação sexual. A queixa de dor durante o sexo comumente se relaciona com estresse, depressão, ansiedade e um histórico de abuso sexual.

A gravidez pode causar dispareunia?

A sexualidade durante a gravidez pode ser um assunto repleto de mitos e inseguranças. Enquanto algumas mulheres experimentam um aumento na libido devido às alterações hormonais, outras podem se sentir menos interessadas em atividades sexuais. Vale lembrar que a relação sexual na gravidez, na maioria dos casos, é segura e não prejudica o bebê, desde que não haja complicações médicas que indiquem o contrário. Entretanto, é importante estar atenta a eventuais desconfortos. A dispareunia, ou dor durante o sexo, é uma queixa comum durante a gravidez. Ela pode ser causada por alterações hormonais que aumentam a sensibilidade dos tecidos vaginais, aumento do fluxo sanguíneo na região pélvica, infecções do trato urinário, e até mesmo pelo crescimento do útero. Sempre converse com seu médico sobre qualquer desconforto persistente durante o sexo.

Já no puerpério, período que se estende desde o fim do parto até o retorno do corpo da mulher ao estado pré-gravidez, cerca de 6 a 8 semanas após o parto, a retomada da vida sexual pode vir acompanhada de algumas dificuldades. A principal delas é a dispareunia, que pode ocorrer devido à cicatrização de episiotomias ou lacerações, alterações hormonais decorrentes do parto e da amamentação, além do cansaço e do estresse com a nova rotina. É essencial lembrar que cada mulher tem seu tempo para retomar as atividades sexuais, e é fundamental o diálogo com o parceiro ou parceira para que haja entendimento e paciência nesse período. Caso a dor durante o sexo persista, procure um profissional de saúde para uma orientação adequada. A sexualidade é uma parte importante da vida e, tanto na gravidez quanto no puerpério, merece ser vivida de maneira prazerosa e sem dor.

O que fazer para acabar com a dor durante a relação sexual?

Nós devemos direcionar o tratamento da dispareunia para a sua causa. Por isso uma consulta ginecológica é importante. Caso a causa seja a secura vaginal pode-se usar lubrificante ou em alguns casos a utilização de hormônios podem ajudar a resolver o problema. Devemos também tratar adequadamente as infecções vaginais para eliminar o germe que causa a infecção.

Em alguns casos é difícil de identificar uma causa orgânica e então os fatores psicológicos devem ser considerados. Nestes casos o tratamento envolve a educação sexual, apoio emocional e, às vezes, medicamentos.

 

Líquido Amniótico aumentado (polidrâmnio): o que fazer?

O líquido amniótico desempenha uma série de funções importantes para o feto. Além de proteger o bebê contra traumatismos ele permite o desenvolvimento muscular o feto. Da mesma forma participa do amadurecimento de alguns órgãos e sistemas! Em algumas vezes pode haver um desequilíbrio entre a sua produção e absorção, levando a um aumento (excesso) de líquido amniótico. Isto é chamado tecnicamente de polidrâmnio.

O que causa excesso de líquido amniótico?

Existem diversas causas para o aumento de líquido amniótico ou polidrâmnio. Algumas delas são:

Em muitos casos não é possível identificar a causa do aumento de líquido. Se esse aumento não for muito significativo e nenhuma causa for encontrada é provável que não exista nada de errado com o seu bebê.

Como o médico sabe que o líquido está aumentado?

Seu obstetra pode desconfiar do aumento de líquido medindo a altura uterina. Quando o útero é maior do que o esperado isso pode ser uma manifestação do excesso de líquido. Outras vezes isso de deve ao tamanho do bebê ou algum mioma. Por isso sempre que o médico desconfiar que a altura uterina é muito grande ele pedirá um exame de ultrassom.

No ultrassom é possível avaliar a quantidade de líquido. Para isso usamos o Índice de Líquido Amniótico. Este índice é uma maneira semi-quantitativa de estimarmos a quantidade de líquido na cavidade uterina.

Existe tratamento para o polidrâmnio?

Na maioria dos casos o aumento de líquido não é muito significativo e nestes casos não há tratamento específico. Por outro lado, quando uma causa identificável, o tratamento será direcionado para a etiologia do polidrâmnio, por exemplo nos casos de transfusão feto-feto.

Às vezes o aumento é extremamente grande. Nesse sentido, isto pode  provocar dificuldade respiratória na mãe indicando-se então fazer um procedimento chamado amniodrenagem. A amniodrenagem é um procedimento semelhante a amniocentese. Ou seja, o médico irá introduzir uma agulha na cavidade amniótica e o líquido amniótico é  então retirado.

amniocentese amniodrenagem em casos de polidrâmnio

Este tratamento no entanto é paliativo e não tem efeito muito duradouro. O feto troca todo o líquido amniótico da cavidade uterina em 24 a 48 horas. Ou seja, se você tirar 1 ou 2 litros de líquido hoje o efeito de “melhora” irá durar apenas um a dois dias.

Algumas medicações também podem ser usadas para reduzir o volume de líquido como a indometacina. A indometacina é um anti-inflamatório que possui como um dos efeitos “colaterais” reduzir a diurese do feto. Esse efeito pode diminuir o volume de líquido amniótico. Entretanto esta droga tem outros efeitos colaterais. A indometacina pode provocar o fechamento do ducto arterioso e por isso é usada com muita restrição durante a gravidez.

O que é ciclo anovulatório?

O ciclo menstrual normal é caracterizado pela liberação de um folículo ovariano que quando fertilizado resulta em gravidez. Em algumas mulheres o ciclo menstrual pode ocorrer sem que se tenha ovulação. Essa situação é chamada de ciclo anovulatório ou anovulação.

O corpo humano não é uma máquina perfeita. Apesar da expectativa de que em cada ciclo menstrual um óvulo seja liberado, eventualmente em um ciclo ou outro isso pode não acontecer. E isso não é nada de anormal. O problema é quando na maioria dos ciclos não ocorre a liberação do folículo, dificultando a ocorrência de gestação. 

ciclo anovulatório

É importante saber que as meninas que menstruaram recentemente podem ter ciclos anovulatórios. Para se ter uma idéia cerca de 50% dos ciclos nos dois primeiros anos após a menstruação são anovulatórios. Por isso é relativamente comum que estes ciclos não sejam regulares.

Quais são os sintomas da falta de ovulação?

O sintoma mais comum da anovulação é a irregularidade menstrual. Geralmente ciclos muito irregulares ou longos estão associados a anovulação. Eventualmente até a falta de menstruação (amenorréia) pode acontecer.

Além disso, como a principal causa de ciclo anovulatório são as alterações hormonais, situações que podem causar um desequilíbrio hormonal também podem estar associadas a anovulação. Alguns exemplos são:

  • Extremos do peso corporal (muito baixo ou muito alto);
  • Exercícios físicos muito extremos;
  • Desnutrição;
  • Períodos da vida de muito estresse

É possível ovular em ciclos muito curtos ou longos?

Sim, a ovulação pode ocorrer em ciclos curtos ou longos. Além disso mesmo quem tem ciclos anovulatórios pode, eventualmente, ter um ciclo ovulatório. Por isso, se alguma vez você foi diagnosticada com ciclos anovulatórios, isso não significa que você não possa engravidar. Talvez com um pouco de ajuda e com uma orientação sobre o seu período fértil você já possa engravidar.

O que pode impedir a ovulação?

Geralmente o que causa a anovulação são desequilíbrios hormonais que podem ter diferentes etiologias. As causas mais comuns para estes desequilíbrios hormonais são:

  • Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)
  • As alterações na função da glândula tireóide, tanto o hipotireoidismo com o hipertireoidismo
  • Pessoas com muito baixo peso ou obesidade
  • Tumores na glândula chamada hipófise que secretam um hormônio chamado prolactina

Ciclos anovulatório podem ser uma causa de infertilidade. Se você acredita que pode estar tendo ciclos anovulatórios é importante que consulte seu médico de confiança para uma avaliação clínica detalhada.

Quem tem ciclo anovulatório pode engravidar?

Sim, claro. Talvez seja necessária alguma ajuda mas você tem chance de engravidar sim. É importante procurar o seu médico de confiança para poder discutir esse assunto com mais detalhes.

Como se trata a anovulação crônica?

O seu médico precisará fazer alguns exames de sangue para saber como estão os seus hormônios e eventualmente algum exame de imagem como o controle de ovulação por ultrassom. Caso algum problema seja identificado o tratamento inicial é voltado para a correção do problema específico.

Se nenhum problema for encontrado e você quiser engravidar o seu médico poderá utilizar alguma medicação para ajudar o seu ovário a ovular.

Pouco líquido amniótico (oligodrâmnio), o que fazer?

O líquido amniótico faz parte de todo um sistema que dá suporte ao feto em desenvolvimento. Ele protege o bebê e ajuda o desenvolvimento muscular e respiratório. Além disso também ajuda os pulmões e o trato gastrointestinal a amadurecer. O nome técnico para pouco líquido amniótico na bolsa é oligodrâmnio (algumas pessoas preferem oligoâmnio ou mesmo oligohidrâmnio – mas todos estes termos querem dizer a mesma coisa).

Qual a causa do pouco líquido na bolsa?

O oligodrâmnio pode ter várias causas distintas. A causa mais comum é a rotura da bolsa amniótica. Quando a bolsa rompe é como um balão furado, mesmo que mais líquido seja produzido ele escoa pelo buraco na bolsa. Dessa forma a quantidade de líquido dentro da bolsa dica diminuída. Outras causas para a redução no volume de líquido podem ser:

  • Desidratação, que reduz a quantidade de líquidos em todo o corpo da mulher;
  • Alterações na placenta que prejudicam a nutrição do bebê e provocam uma redução na produção de urina;
  • Malformações renais que impedem a produção de urina;
  • Síndrome da transfusão feto-fetal no caso de gravidez de gêmeos não-idênticos em que um dos bebês recebe menos sangue do que outro e se desenvolve menos, produzindo menos urina e, consequentemente, menos líquido amniótico;
  • Alguns medicamentos anti-hipertensivos e anti-inflamatórios também diminuem a produção de líquido amniótico.

Oligodrâmnio - pouco líquido amniótico

Como identificar a perda de líquido amniótico?

Caso tenha ocorrido a rotura da bolsa amniótica, o sintoma mais comum é a perda de líquido pela vagina. A calcinha fica o tempo inteiro umedecida. O líquido amniótico é transparente e tem cheiro bem característico de água sanitária. Então é relativamente fácil de identificar se a bolsa rompeu pelas características do líquido.

Caro o motivo do pouco líquido não seja a rotura das membranas, o diagnóstico pode ser um pouco mais difícil. Seu médico pode suspeitar do pouco líquido pela altura uterina, mas o diagnóstico definitivo será dado apenas pelo ultrassom.

Como o oligodrâmnio é diagnosticado?

O diagnóstico definitivo da redução de líquido amniótico poderá ser feito pelo ultrassom. Apesar de não ser um método perfeito ele é a melhor forma disponível no momento para avaliar a quantidade de líquido amniótico dentro da bolsa. Para avaliação do volume de líquido o seu médico irá medir o Índice de Líquido Amniótico que é uma maneira semi-quantitativa para determinar a quantidade de líquido. Os limites de normalidade deste índice geralmente estão entre 80 e 240 mm. Eventualmente o bebê pode se mexer menos quando há pouco líquido amniótico.

O que fazer se estou com pouco líquido na bolsa?

Não existe um tratamento específico para o pouco líquido. Seu médico pode recomendar uma boa ingesta de líquidos e repouso, mas não existe uma evidência clara de que isso possa aumentar o volume de líquido amniótico. Certamente os esforços serão feitos no sentido de identificar se existe algum problema causando essa redução de líquido. Se nada for encontrado e você tiver uma redução pequena do líquido amniótico é muito provável que sua gestação transcorre sem maiores complicações.

Referências

  1. Diagnóstico do Oligoâmnio pela Ultra-Sonografia: Uso de Diferentes Medidas do Maior Bolsão Comparadas ao ILA
  2. What Does Low Amniotic Fluid Really Mean