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Dado Dolabella assume namoro com prima: qual o risco se decidirem ter filhos?

Quando duas pessoas que são parentes (possuindo a mesma ascendência) e se unem, chamamos essa união de consanguínea. Logo a consanguinidade é a afinidade por laços de sangue.

Recentemente o ator Dado Dolabella virou notícia ao anunciar que está namorando sua prima, Marina Dolabella. Ela é filha de Luiz Fernando Dolabella, irmão do pai de Dado, Carlos Eduardo Dolabella. Portanto Dado e Marina são primos de primeiro grau, caracterizando uma união consaguínea.

Dado e Prima - união consanguinea

Dado e Prima. Fonte: reprodução Instagram.

Qual o risco da consanguinidade?

Lembrando um pouco das aulas de biologia na escola, você irá recordar que as doenças genéticas podem ser dominantes ou recessivas. Existem outros padrões de herança mas vamos manter as coisas simplificadas. Quando uma doença é dominante, com apenas um dos genes alterados o indivíduo manifesta a doença. Por outro lado quando a doença é recessiva é necessário que dois genes mutados (um do pai e outro da mãe) estejam presentes para manifestar a doença.

No caso da doença recessiva, a pessoa que só tem um gene mutado não manifesta a doença. Então, por exemplo, quando nasce uma criança com fibrose cística, ela provavelmente herdou um gene mutado da mãe e outro do pai. Entretanto, os pais, apesar de serem portadores dos genes mutados não manifestam a doença.

Agora imagine que todos nós temos alguns problemas em nosso código genético. Alguns pequenos erros espalhados aleatoriamente no nosso DNA. Como a maioria das doenças é recessiva, não manifestamos nenhum problema pois só temos um gene alterado. Quando casamos com alguém de outra família, essa pessoa também terá mutações. Entretanto como o material genético é bastante extenso a chance da mutação ser exatamente no mesmo lugar é muito pequena.

Já quando casamos com alguém da mesma família, a chance de dois genes alterados no mesmo ponto aumentam!

De um modo geral, o risco de algum erro genético na população, aonde a união acontece ao acaso, fica em torno dos 2% ou 3%. Mas, entre parentes, esse risco pode chegar a 12%.

O namoro entre primos é proibido?

Não, não há “proibição” neste sentido. Entretanto é importante fazer uma avaliação genética adequada para identificar se existe algum risco específico. Idealmente deve-se consultar um médico geneticista para que ele possa levantar o histórico da família e eventualmente solicitar algum exame genético. Além disso durante a gestação é importante fazer os exames de ultrassom como o ultrassom morfológico.

O estimga da consanguinidade

No mundo, cerca de 8,5% das crianças têm pais consanguíneos e 20% da população humana vive em comunidades que praticam endogamia (união entre indivíduos aparentados). Portanto em algumas comunidades o casamento consanguíneo é mais comum do que se pode imaginar.

Existe gravidez psicológica?

Sim, este é um problema real! É possível que alguém esteja vivenciando uma gravidez psicológica. Uma gestação imaginária aonde inclusive as transformações esperadas no corpo da gestante acontecem. Estima-se que uma em cada 22 mil gestações não seja real. Estamos falando da pseudociese, o nome científico para a gravidez psicológica.

gravidez psicológica ou pseudociese

Gravidez Psicológica: A doença é verdadeira, o bebê não é!

O problema era mais comum no passado, segundo registros históricos. O caso mais famoso foi o da primeira rainha da Inglaterra, Maria Tudor, que em duas ocasiões declarou-se grávida e apresentou sinais de gestação, inclusive com o crescimento da barriga e das mamas, mas sem que fosse possível detectar o batimento cardíaco fetal. Chegou inclusive a apresentar um falso trabalho de parto.

A gravidez psicológica ocorre com mais frequência em algumas situações especiais. Mulheres com maior risco para pseudociese são aquelas que:

  • Tiverem várias perdas gestacionais
  • Possuem um quadro de infertilidade
  • Perderam um filho
  • Apresentam outros problemas psicológicos (como depressão)

Como saber se eu tenho uma gravidez psicológica?

Os sinais e sintomas de uma gravidez psicológica são semelhantes aos de uma gravidez real. O primeiro sinal é ausência de menstruação. Em seguida surgem outros sintomas que incluem enjôo matinal, aumento e sensibilidade dos seios, ganho de peso. Os seios podem inclusive produzir leite e em alguns casos podem surgir dores semelhantes a um trabalho de parto. Existe inclusive relatos de mulheres submetidas a cesárea com gravidez psicológica.

Apesar destes sintomas estarem presentes, o teste de gravidez estará negativo. O hormônio beta-hCG, secretado pela placenta não pode ser detectado no sangue e durante um exame de ultrassom de rotina o útero está vazio. Portanto, para verificar se é uma gravidez verdadeira ou psicológica o seu médico poderá solicitar um teste de gravidez e/ou um exame de ultrassonografia.

É interessante comentar que assim como existe a gravidez psicológica também existe a gravidez silenciosa que é aquela em que a mulher não sabia que estava grávida até o finzinho da gestação!

Qual é a causa da gravidez psicológica?

Embora os pesquisadores não tenham sido capazes de identificar a causa exata da pseudociese, existem motivos para acreditar que a razão poderia ser física ou psicológica. Razões físicas podem ser cistos ou tumores ovarianos. A maioria das evidências mostra que a pseudociese é comum em mulheres que desejam intensamente ser mães. De alguma maneira o cérebro faz o corpo acreditar na gravidez. O corpo recebe sinais hormonais e é solicitado a se comportar como faria se houvesse realmente uma gestação. As funções endócrinas, corticais, hipotalâmicas e psicológicas trabalham juntas de maneira complexa. O estresse no eixo “hipotálamo-hipófise-adrenal” é o que leva a uma gravidez psicológica.

Entretanto não basta apenas querer muito engravidar. Para passar pelo quadro é preciso ter tendências a alguma psicopatia que suporte esse delírio e negação da realidade. Por outro lado, a frustração por não conseguir engravidar – e muitas vezes, por não atender pressões externas – podem criar um caldeirão emocional que culmine na pseudociese.

É importante ressaltar que a gravidez psicológica não é uma invenção ou mentira da mulher. Ela de fato sente os sintomas da gravidez e acredita estar grávida. O corpo também produz hormônios típicos do período, como o estrógeno e a prolactina.

O que faz a barriga crescer na gravidez psicológica?

Cerca de 60 a 90% das mulheres com pseudociese podem apresentar um aumento do volume abdominal. Tanto pelo acúmulo de gordura por causa do aumento de peso quanto pela distensão abdominal. Sim, o acúmulo de gases nos intestinos é uma das principais causa para o aumento do volume abdominal nos quadros de gravidez psicológica.

Qual o tratamento da gravidez psicológica?

O tratamento de uma gravidez psicológica não é simples, pois é uma situação delicada, não é necessariamente um problema médico, mas mais psicológico, onde os sintomas podem durar de algumas semanas a 9 meses. Em alguns casos podem até durar anos.

Depois que um médico fazer exames para comprovar que é realmente uma pseudociese, deve-se realizar uma avaliação psicológica. Isto visa garantir que não exista nenhuma condição psicológica ou neurológica subjacente. Depois disso, o tratamento usual é psicoterapia e apoio emocional, pois são as únicas maneiras de tratar a pseudociese.

De onde vem a dor no umbigo durante a gravidez?

Sentir dor no umbigo ou dor na virilha durante a gestação são sintomas muito comuns. Podem ocorrer em qualquer fase da gestação mas é mais comum quando o útero está um pouco maior. Ocorre principalmente devido às alterações no corpo para se adaptar ao crescimento do bebê.

dor no umbigo

O umbigo (como é conhecido popularmente) é tecnicamente uma cicatriz. Após o parto o cordão umbilical “perde a utilidade”, então ele é cortado e ligado. Com o tempo o coto do cordão fica ressecado e cai, deixando uma pequena cicatriz que chamamos de umbigo.

coto cordão umbilical

Imagem mostrando o coto do cordão umbilical de um recém nascido. Note que por transparência é possível ver os vasos sanguíneos que existem no cordão.

Assim como existem vasos sanguíneos no cordão na parte externa ao corpo, existem vasos sanguíneos que percorrem a parte interna do nosso corpo durante a nossa vida fetal. Quando nascemos e o cordão é cortado, esses vasos não “desaparecem”. Como eles não terão mais fluxo eles obliteram e se tornam ligamentos. A veia umbilical vira o ligamento falciforme enquanto as artérias umbilicais passam a ser os ligamentos umbilicais mediais. Existe ainda no cordão uma outra estrutura chamada alantóide que irá formar o ligamento umbilical mediano, ligando o topo da bexiga a cicatriz umbilical.

vasos do cordão umbilical

Ultrassom mostrando os vasos do cordão umbilical na parte externa do feto e continuando na parte interna do feto.

Por quê ocorre a dor no umbigo?

Durante a gestação o útero aumenta de tamanho (por isso seu obstetra mede o tamanho da barriga em cada consulta). Com o crescimento do útero durante a gestação estes ligamentos serão progressivamente estirados (alongados) e isso poderá causar dor em volta do umbigo. No entanto, essa dor não é constante, e aparece principalmente quando a mulher curva o corpo, faz esforço ou pressiona o local. Algumas pacientes poderão também se queixar de inchaço ou de sentirem “puxões” quando o bebê se movimenta.

Mudança da Altura Uterina durante a gravidez

Crescimento uterino durante a gestação. Os números correspondem aos meses de gestação.

Entretanto, se a dor surgir no final da gravidez, se espalhar pelo abdômen e for acompanhada de contrações uterinas, pode ser sinal de trabalho de parto, por isso é importante saber identificar quais os sinais do trabalho de parto e as contrações de treinamento.

Gostou deste post? Então leia também sobre 6 Dores que NÃO são normais na Gravidez – E o que fazer com elas!

Desvendando o grau da placenta

Em 1979 um médico chamado Peter A.T. Grannum publicou o artigo The ultrasonic changes in the maturing placenta and their relation to fetal pulmonic maturity. Neste artigo propôs  uma maneira de classificar o aspecto ultrassonográfico da placenta. Durante a gestação a placenta tem aspecto ultrassonográfico homogêneo. Ou seja, a imagem produzida pela placenta tem aproximadamente o mesmo tom de cinza em toda a sua extensão.

Com o passar do tempo e evolução da gravidez, algumas áreas da placenta recebem uma pequena deposição de sais de cálcio, formando pequenas calcificações. Essas calcificações (dependendo do seu tamanho) podem ser vistas no exame de ultrassom, formando pequenos pontos brancos na placenta. A classificação criada por Grannum foi a seguinte:

  • Grau 0 – placenta homogênea, sem calcificações.
  • Grau I – placenta heterogênea, apresenta pontos brancos (ecogênicos) dispersos pela placenta.
  • Grau II – placenta heterogênea, apresenta agrupamentos de calcificações que formam imagens que parecem uma vírgula
  • Grau III – placenta heterogênea, apresentando calcificações circulares que contornam os cotilédones placentários
Grau da Placenta - Classificação de Grannum

Classificação do Aspecto Ultrassonográfico da Placenta publicado por Peter Grannum

Em uma época aonde o ultrassom estava iniciando e muitas vezes havia dúvida sobre a idade gestacional, o grau da placenta foi utilizado pra tentar “ajudar” a dizer se a gestação era mais precoce ou mais avançada. Atualmente com a difusão do ultrassom temos métodos mais precisos para datar a gestação. Um exame realizado no primeiro trimestre da gravidez tem uma margem de erro muito pequena para datar a gravidez. Dessa forma o grau placentário perdeu progressivamente a sua relevância no sentido de tentar determinar a idade gestacional.

Veja no gráfico abaixo a prevalência de cada grau placentário de acordo com a idade gestacional.

idade gestacional e grau da placenta

Grau placentário de acordo com a idade gestacional. Reproduzido de Petrucha RA, Platt LD. Relationship of placental grade to gestational age. Am J Obstet Gynecol. 1982.

O grau da placenta interfere no parto?

De maneira nenhuma. O grau da placenta não irá fazer com que o parto aconteça mais cedo ou mais tarde. Ocorre que como o grau de maturação placentária avança conforme a idade gestacional aumenta, em idades gestacionais mais avançadas a placenta está geralmente mais amadurecida. Assim, próximo ao parto, no ultrassom de terceiro trimestre, geralmente temos uma placenta grau II ou III. Entretanto não é necessário que a placenta esteja grau II para fazer o parto. Muitos partos ocorrem mesmo com uma placenta grau 0 ou I.

Então como o médico sabe que dá pra fazer a cesárea?

Caso você opte por uma cesárea eletiva, o seu obstetra irá marcar ela para próximo da 39ª semana. Nesta época temos os melhores desfechos conforme já comprovado em alguns estudos (veja Idade Gestacional da Cesárea Eletiva e Desfecho Perinatal). Se você tem dúvidas de como calcular a idade gestacional você pode usar a nossa calculadora de idade gestacional.

Devo me preocupar com o grau da placenta?

Não, se o feto está com crescimento adequado e o líquido amniótico está normal, não há motivo para se preocupar com o grau da placenta. O aspecto da placenta não interfere na sua função. Podemos ter uma placenta grau III que funciona muito bem e uma placenta grau 0 que não está muito boa.

E o que é a placenta grau 2A e 2B?

Além da classificação de Grannum, existe uma classificação do grau placentário que foi publicada pelo professor Hamilton Júlio, da Universidade Federal do Paraná (Graduaçäo placentária simplificada). A classificação de Hamilton Júlio divide o grau 2 em a e b, dependendo da profundidade atingida pela calcificação. Essa classificação é mais utilizada em Curitiba.

Grau Placentário - Hamilton Júlio

Classificação Placentária Simplificada de Hamilton Júlio.

O grau da placenta pode “diminuir”?

Não é incomum que em um exame a placenta esteja grau II e num exame subsequente ela esteja grau I. Apesar de isso não parecer fazer sentido, a classificação da placenta em graus é uma análise subjetiva e não é mensurável. Ou seja, uma pessoa pode classificar uma placenta como grau II e outra pessoa poderia classificar como grau I. Já tivemos a oportunidade de publicar um artigo sobre esse assunto (Reproducibility of placental maturity grade classification using a dynamic ultrasonography). 

 

Depressão durante a gravidez: mais comum do que você imagina!

Pesquisas sugerem que 1 em cada 7 mulheres sofrem de depressão durante a gravidez – você é uma delas?

É bastante comum falar em depressão puerperal, mas você sabia que a depressão pode ocorrer ainda durante a gravidez? A gravidez é idealizada como um dos momentos mais felizes da vida e uma mulher, entretanto, para algumas mulheres é um momento de confusão, medo, estresse e até depressão. A depressão é um transtorno do humor caracterizado por um sentimento persistente de tristeza e perda de interesse pelas coisas. Ela é mais frequente em mulheres do que em homens (2:1) e é mais comum durante a idade reprodutiva da mulher.

Depressão na Gravidez

Por que é difícil diagnosticar a depressão durante a gravidez?

Alguns sintomas da depressão, como alterações do sono, disposição, apetite e libido são sintomas comuns durante a gravidez. Por vezes você ou o seu médico poderão atribuir estas alterações a sintomas da gravidez e o quadro de depressão pode ficar sem diagnóstico.

Algumas mulheres também não se sentem à vontade para discutir estes sintomas em profundidade com o seu médico as alterações de humor que ocorrem durante a gravidez, em especial por conta do estigma associado a depressão. Obviamente há também uma tendência a se concentrar mais na saúde física durante a gravidez do que na saúde mental.

Quais são os principais fatores de risco para a depressão durante a gravidez?

Os principais fatores de risco associados a depressão na gravidez são:

  • Ansiedade
  • Estresse
  • História de depressão
  • Apoio social deficiente
  • Gravidez indesejada
  • Problemas conjugais
  • Complicações da gestação
  • História de abuso ou trauma

Observe que a dupla gravidez indesejada e problemas conjugais são fatores de risco importantes. O apoio do parceiro durante a gravidez pode ser um bálsamo, oferecendo conforto emocional e físico, bem como auxiliando nas questões práticas da gestação. A presença e a participação ativa do parceiro podem proporcionar uma experiência de gravidez mais serena e compartilhada.

Entretanto, na jornada da mãe solo, o cenário é diferente. Nesta situação, a gestante assume sozinha todas as decisões, encargos e cuidados. Neste ponto, a resiliência se torna uma competência vital. A resiliência capacita a mãe solo a lidar com obstáculos, adaptar-se a mudanças, extrair aprendizados de desafios e, sobretudo, seguir adiante, intensificando o vínculo único com o seu bebê. A maternidade solo pode ser um desafio, porém, também é uma aventura de descoberta pessoal, fortaleza e devoção sem limites.

É possível previnir a depressão?

Para muitas pessoas, o exercício regular ajuda a criar sentimentos positivos e melhorar o humor. Obter um sono de qualidade regularmente, manter uma dieta saudável e evitar o álcool (um depressivo) também pode ajudar a reduzir os sintomas da depressão. O álcool deve ser evitado na gestação pois também pode provocar a síndrome alcoólica fetal.

Como saber se estou com depressão durante a gravidez?

É normal e comum passar por momentos de tristeza. Na depressão geralmente estes momentos são persistentes, durando por pelo menos duas semanas. Mulheres com depressão geralmente apresentam alguns dos seguintes sintomas por 2 semanas ou mais:

  • Tristeza persistente
  • Dificuldade de concentração
  • Dormir muito pouco ou demais
  • Perda de interesse em atividades que você geralmente gosta
  • Pensamentos recorrentes de morte, suicídio ou tristeza
  • Ansiedade
  • Sentimentos de culpa ou inutilidade
  • Mudança nos hábitos alimentares

Algumas pessoas podem ter poucos sintomas e outras podem ter muitos. Com que frequência os sintomas ocorrem, quanto tempo duram e com que intensidade pode ser diferente para cada pessoa.

Se você apresenta estes sintomas converse com seu médico sobre isso. Talvez seja importante procurar um médico psiquiatra. Não se deixe abater pelo estigma associado as médico psiquiatra e as doenças mentais.

Para ajudar a identificar a depressão puerperal, também é possível utilizar nossa ferramenta para diagnóstico de depressão puerperal. Ela utiliza a chamada escala de Edimburgo para identificar as puérperas de risco para depressão.

A depressão durante a gravidez pode prejudicar o bebê?

A depressão não tratada pode potencialmente trazer riscos para a mãe e para o bebê. A depressão não tratada pode levar a quadros de desnutrição, alcoolismo, fumo, uso de drogas ilícitas, comportamento suicida, etc. Todos estes problemas podem desencadear um parto prematuro, ou restrição de crescimento do bebê.

Além disso, os bebês nascidos de mães com depressão podem ser menos ativos, apresentar menor atenção ou ser mais agitados que os bebês nascidos de mães não deprimidas. É por isso que obter a ajuda certa é importante para a mamãe e para o bebê.

Qual é o tratamento para a depressão durante a gravidez?

Se você sentir que pode estar sofrendo de depressão, o passo mais importante é procurar ajuda. É importante conversar com o seu médico, mesmo que você ache que está passando por parte dos altos e baixos normais durante a gravidez e, principalmente, se os sintomas persistirem por duas semanas ou mais. E se você está pensando em morte ou suicídio, deve procurar ajuda imediatamente. Caso você seja diagnosticada com depressão o seu médico poderá prescrever psicoterapia isolada ou associada com antidepressivos. Não se preocupe, existem medicações seguras para serem usadas durante a gravidez.

A depressão termina quando o bebê nasce?

Depressão na gravidez normalmente não resolve com o parto, um quadro de depressão puerperal pode agravar a depressão da gravidez. É provável que a depressão piore após o parto, necessitando de tratamento mais agressivo. Por isso que é tão importante procurar tratamento o mais breve possível.

A dor da Endometriose Ilustrada

Endometriose é uma doença aonde células semelhantes ao endométrio (camada interna do útero) crescem em locais diferentes da pelve. A endometriose frequentemente acomete os ovários, trompas e o tecido que envolve o útero (peritônio). Os principais sintomas causados pela endometriose são a dor pélvica (inclusive a dispareunia) e a infertilidade. A maquiadora Andrea Baines, 34 anos, tentou ilustrar as cicatrizes que a doença deixaria caso marcasse o corpo externamente.

Só porque você não vê, não significa que não exista. #endometriose

Depois de décadas vivendo com uma doença invisível e insuportável, a maquiadora Andrea Baines estava determinada a conscientizar sobre a verdadeira dor da endometriose. Então Andrea ilustrou lesões de endometriose na modelo Rachel Berwick que também sobre da doença.

“É muito importante que doenças invisíveis sejam reconhecidas, ” ela informou ao Kidspot.

“Já é traumático o suficiente para o doente lidar com a dor, sem sentir que está mentindo sobre sua condição”.

“Pode ser extremamente isolado viver com uma condição que ninguém pode ver. E é muito importante que as mulheres levem essa dor a sério – porque não é normal viver com dor crônica. Não se trata simplesmente em ‘ser mulher’

Rachel e Andrea se preparando para a sessão de fotos.

O problema da Endometriose

A endometriose acomete 175 milhões de mulheres em todo o mundo, incluindo 1,5 milhão no Reino Unido e 16,5 milhões nos EUA. No Brasil estima-se que cerca de 6 milhões de mulheres tenham a doença. De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose, 15% das mulheres em idade reprodutiva (13 a 45 anos) têm a doença. Antigamente, considerava- se que a maior frequência de endometriose ocorria após os 30 anos. Mas, com a evolução dos exames de imagem, observa-se a presença da doença entre mulheres mais jovens, inclusive adolescentes. Em 5% dos casos o problema pode ocorrer ou persistir após a menopausa.

Os sintomas mais comuns incluem sangramento menstrual aumentado, dor na região pélvica, dor durante o sexo e sangramento irregular.

Muitas mulheres não são diagnosticadas há anos porque apenas pensam que seu sangramento e dor são normais. Muitas vezes também é necessário uma cirurgia chamada videolaparoscopia para o diagnóstico definitivo.

Leva uma média de 7,5 anos entre as mulheres procurar um médico e o diagnóstico definitivo ser definido. Caso tenha sintomas de endometriose procura seu ginecologista e converse com ele sobre o exame de pesquisa de endometriose.

O que é hCG?

HCG (Human Chorionic Gonadotropin) refere-se ao hormônio gonadotrofina coriônica humana. Este hormônio é amplamente utilizado como um teste de gravidez. Ele é produzido por um grupo de células chamado trofoblasto que dá origem à placenta.

Trofoblasto (parte do Blastocisto) secreta o HCG

Quais são os valores de hCG na Gravidez?

Os testes atuais permitem detectar o hCG a partir da 3ª ou 4ª semanas de gestação contadas da última menstruação. Portanto logo que a menstruação atrasa já é possível utilizar a dosagem de hCG para o diagnóstico da gravidez. Os testes laboratoriais utilizam geralmente uma sub-unidade do hCG – a sua fração Beta. Por isso ouvimos falar em Beta-hCG (ou ß-hCG). Apesar de dispormos de tabelas de valores de referência não é possível calcular a idade gestacional pelos valores de hCG.


Idade Gestacional Valor Beta-HCG (em mUI/mL)
3 semanas 5,8 a 71,2
4 semanas 9,5 a 750,0
5 semanas 217,0 a 7.138,0
6 semanas 158,0 a 31.795,0
7 semanas 3.697,0 a 163.563,0
8 semanas 32.065,0 a 149.571,0
9 semanas 63.803,0 a 151.410,0
10 semanas 46.509,0 a 186.977,0
12 semanas 27.832,0 a 210.612,0
14 semanas 13.950,0 a 62.530,0
15 semanas 12.039,0 a 70.971,0
16 semanas 9.040,0 a 56.451,0
17 semanas 8.175,0 a 55.868,0
18 semanas 8.099,0 a 58.176,0

Se você quiser saber como a idade gestacional (tempo de gravidez) é estimado, leia nosso artigo sobre o assunto: Como se calcula a idade Gestacional? Se você souber a sua data da última menstruação poderá utiliza nossa Calculadora de Idade Gestacional para saber de quanto tempo está grávida.

Como interpretar os valores

A maior parte dos laboratórios utiliza os seguintes valores de referência:

  • ß-hCG abaixo de 5 mIU/ml: resultado negativo, não há gravidez em curso.
  • ß-hCG entre 5 e 25 mIU/ml: resultado indefinido, geralmente indica inexistência de gravidez em curso, mas pode ser o caso de gestação muito recente, quando ainda não houve tempo do hCG ser produzido em quantidades suficientes para ser detectado no sangue. Nesses casos, deve-se repetir o teste após três dias.
  • ß-hCG acima de 25 mIU/ml: resultado positivo, indica gravidez em curso.

É sempre importante prestar atenção aos valores de referência do laboratório. Na maioria dos casos, os laboratórios usam o valor de 25 mIU/ml como limiar. Porém, dependendo do método químico usado, o valor considerado positivo pode ser mais baixo ou mais alto.

Hiperêmese Gravídica

Hiperêmese gravidica é a ocorrência de vômitos incontroláveis durante a gravidez, resultando em desidratação, perda de peso e cetose. A cetose é um processo natural do organismo que tem como objetivo a produção de energia a partir de gordura quando não há quantidade suficiente de glicose disponível.

Tatá Werneck com Hiperêmese Gravídica

Tatá Werneck e seu amigo, o balde (Foto: Reprodução/Instagram)

Cerca de 2% das gestantes terão hiperêmese gravídica que é um quadro mais extremo e grave do que os enjôos matinais (êmese gravídica), sintoma comum na gestação. Ela é mais comum no primeiro trimestre da gravidez e costuma melhorar por volta de 16 a 20 semanas.

Causa da Hiperêmese Gravídica

Tanto a êmese quanto a hiperêmese estão associadas ao níveis do hormônio hCG que é produzido pela placenta. Quanto mais alto o nível deste hormônio maior a chance de êmese ou hiperêmese. Entretanto essa associação nem sempre é verdadeira. Algumas mulheres com níveis baixos de hCG podem ter hiperêmese assim como mulheres com níveis altos também podem não ter. Além da associação com os níveis de hCG, a hiperêmese gravídica é mais comum em mulheres com algum distúrbio psicológico, como depressão.

Tratamento da Hiperêmese Gravídica

Uma vez que os vômitos são incontroláveis no caso da hiperêmese e alterações metabólicas como a cetose e desidratação se fazem presentes é necessário que o tratamento seja hospitalar. Realiza-se a hidratação da paciente por via endovenosa e a administração de medicamentos também pela via endovenosa. É importante salientar que com a evolução da gestação é esperado que ocorra uma melhora natural.

Não existe maneira de prevenir a hiperêmese gravídica. Recomenda-se durante o pré-natal que a dieta seja fracionada (ou seja, comer pouco e várias vezes). Também deve-se evitar alimentos muito gordurosas ou condimentados. Veja nosso post sobre como evitar os enjoos matinais.

8 dicas para reduzir os enjoos na gravidez

O enjoo matinal é geralmente um dos primeiros sintomas da gestação. Podem começar já na 5ª semana da gravidez e geralmente melhoram em torno da 16ª semana. Eles são um dos sintomas clássicos da gestação, acometendo de 70% a 80% das gestantes, em diferentes graus de intensidade e duração. Podem ser um mal-estar leve ou vir acompanhados de vômitos e cansaço, tornando o período em que duram bem penoso.

Enjoo Matinal na Gravidez

O que causa o enjoo e os vômitos?

Durante a gestação uma séria de alterações ocorrem no organismo materno. O estômago produz mais ácido, a digestão se torna mais lenta, por exemplo. Além disso existe uma grande alteração hormonal. Acredita-se que os enjoos e vômitos tenham uma relação com os níveis do hormônio beta-hCG (o mesmo que o utilizado no teste de gravidez de sangue). Sabe-se que quanto maior o nível de bata-hCG maior a chance da ocorrência de náuseas e vômitos durante a gestação.

Os enjoos e vômitos podem ser um problema?

Geralmente não, apesar de comuns não costumam prejudicar a evolução da gravidez. Entretanto, caso a frequência dos vômitos seja muito alta, isso poderá caracterizar um problema chamado hiperêmese gravídica. A Hiperêmese gravídica é quando os vômitos se tornam tão frequentes que causam desidratação e alterações eletrolíticas. Eventualmente seu médico poderá prescrever medicações para a reduzir os sintomas.

Como evitar os enjoos?

Não existe nenhuma solução milagrosa, entretanto algumas atitudes podem reduzir os enjoos e deixar eles mais toleráveis. Seguem algumas dicas que você poderá seguir:

1. Evitar cheiros e comidas fortes ou que causem náusea.
Durante a gestação, as mulheres tendem a ficar mais sensíveis a sabores e odores, por isso, evite, na medida do possível, cheiros e comidas com odores muito fortes que possam ou que já causaram náusea.

2. Preferir o consumo de alimentos mais frios e menos temperados.
Opte por alimentos leves, não muito temperados e em temperatura ambiente, ou frios, assim eles exalam menos cheiro e causam menos mal estar.

3. Deixar uma bolacha, lanchinho ou água com sal sempre a mão para ingerir ao acordar.
Ao acordar pela manhã, ingerir algum alimento leve e aguardar uns 20 ou 30 minutos, para então se levantar da cama.

4. Fazer refeições pequenas de 3 em 3 horas.
O estômago vazio piora a náusea, por isso evite ficar muitas horas sem comer. Coma com intervalos curtos e regulares, nem que seja uma fruta ou uma barrinha de cereal.

5. Incluir gengibre na alimentação.
Comer um pedacinho de gengibre ou chupar balas de gengibre ajuda na hora da digestão, diminuindo a irritação da parede do estômago.

6. Manter-se hidratada.
Água é sempre o melhor remédio! Beba água de tempo em tempo, mas evite beber líquidos durante as refeições.

7. Praticar exercícios de acordo com a indicação médica.
Se movimentar é sempre bom, colaborando com a qualidade de vida e o bem estar. E isso não seria diferente durante a gestação. Mas vale lembrar que é importante consultar o seu médico, temos um post sobre isso também: Atividade Física na Gestação.

8. Cheirar limão ou chupar um picolé de limão.
O limão pode ajudar a amenizar a náusea. Por isso, uma dica é tomar chá gelado com limão, colocar rodelas de limão na água com gás, chupar um picolé ou, até, cheirar o limão.

 

O exame de ultrassom pode fazer mal para o bebê?

Uma pergunta frequente das futuras mamães é se os exames de ultrassom realizados no pré-natal poderiam fazer algum mal para o bebê. O ultrassom é um dos exames mais solicitados durante o pré-natal e ele permite acompanhar as condições de saúda da mãe e do bebê, contribuindo para diagnósticos de alta qualidade e precisão.

O ultrassom utiliza ondas sonoras, como um radar, para produzir imagens do bebê. De uma maneira geral, as ondas sonoras produzem energia e portanto possuem um certo efeito biológico, como por exemplo, o aumento da temperatura. Em fisioterapia, por exemplo, o ultrassom é utilizado para o tratamento da dor lombar, uma vez que aumenta o fluxo sanguíneo local e favorece a cascata inflamatória.

Entretanto, em doses extremamente baixas, o som não produz nenhum efeito biológico significativo. É como escutar uma música ou conversar. A única diferença é que quando estamos falando em ultrassom a frequência é acima da faixa que os seres humanos escutam. Nós ouvimos os sons com frequência entre 20 Hz e 20.000 Hz. Os aparelhos de ultrassom para diagnóstico geralmente usam uma frequência acima de 2 MHz (2 mega Hertz, ou seja 2.000.000 Hertz).

Como o médico sabe se não estamos exagerando na quantidade de ultrassom durante o exame?

Por uma questão de segurança, todos os aparelhos de ultrassom apresentam em usa tela dois índices para monitorar a quantidade de energia que está sendo aplicada aos tecidos do paciente. Estes índices são:

  • Índice Mecânico (MI) – este índice refere-se a capacidade do ultrassom ter causado cavitação (formação de cavidades). A recomendação é que o índice mecânico não ultrapasse 1.9.
  • Índice Térmico (TIs) – este número refere-se a quantidade, em graus Celsius, que a temperatura do tecido insonado poderia aumentar. Na figura abaixo o TIs é 0,2 então a temperatura pode ter aumentado até 0,2 graus Celsius 
ultrassom pode fazer mal para o bebe

Índice Térmico (TIs) e Índice Mecânico (MI).

 

Existem exames que produzem mais energia?

Sim, quanto mais tempo o transdutor ficar parado no mesmo local, mais energia será concentrada. Além disso a função de Doppler utiliza mais energia do que as ondas utilizadas para produzir as imagens bidimensionais. O exame transvaginal também costuma produzir mais energia que o exame pela via abdominal. Dessa forma, manter o exame o mais breve possível e movimentar o transdutor ajudam evitar o excesso de energia além de dissipar a energia em uma área maior.

O que dizem os estudos sobre o assunto?

Uma revisão sistemática foi realizada pela Organização Mundial de Saúde e publicada em 2009 sobre o assunto. Mais de 60 publicações foram aguardas para verificar a associação da ultrassonografia pré-natal com problemas para o bebê. A ultrassonografia NÃO foi associada com nenhum desfecho desfavorável para os seguintes problemas:

  • Complicações maternas;
  • Complicações perinatais;
  • Atraso de desenvolvimento neurológico ou motor;
  • Risco para câncer na infância;
  • Performance intelectual;
  • Doenças mentais

Veja o estudo: Safety of ultrasonography in pregnancy: WHO systematic review of the literature and meta-analysis. Ultrasound Obstet Gynecol. 2009 

Em resumo…

1. O exame de ultrassom é seguro?

Sim, é um exame seguro, não existe evidência de que a exposição ao ultrassom, dentro dos limites recomendados, possa causar algum dano a mãe ou ao bebê. Tão seguro que você já pode fazer o seu primeiro ultrassom com apenas 4 semanas!

2. O barulho do ultrassom pode incomodar o bebê?

Não, o bebê não pode ouvir o ultrassom pois a frequência está acima da nossa capacidade de audição.

3. Existe um número de ultrassonografias recomendado para a gestação?

A maioria dos protocolos recomenda 3 exames de rotina, entretanto exames adicionais poderão ser solicitados conforme a necessidade de cada caso.

4. E o Raio-x, pode fazer mal?

Em baixas quantidades não, veja nosso post sobre o Raio-X na gestação.