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Hiperêmese Gravídica

Hiperêmese gravidica é a ocorrência de vômitos incontroláveis durante a gravidez, resultando em desidratação, perda de peso e cetose. A cetose é um processo natural do organismo que tem como objetivo a produção de energia a partir de gordura quando não há quantidade suficiente de glicose disponível.

Tatá Werneck com Hiperêmese Gravídica

Tatá Werneck e seu amigo, o balde (Foto: Reprodução/Instagram)

Cerca de 2% das gestantes terão hiperêmese gravídica que é um quadro mais extremo e grave do que os enjôos matinais (êmese gravídica), sintoma comum na gestação. Ela é mais comum no primeiro trimestre da gravidez e costuma melhorar por volta de 16 a 20 semanas.

Causa da Hiperêmese Gravídica

Tanto a êmese quanto a hiperêmese estão associadas ao níveis do hormônio hCG que é produzido pela placenta. Quanto mais alto o nível deste hormônio maior a chance de êmese ou hiperêmese. Entretanto essa associação nem sempre é verdadeira. Algumas mulheres com níveis baixos de hCG podem ter hiperêmese assim como mulheres com níveis altos também podem não ter. Além da associação com os níveis de hCG, a hiperêmese gravídica é mais comum em mulheres com algum distúrbio psicológico, como depressão.

Tratamento da Hiperêmese Gravídica

Uma vez que os vômitos são incontroláveis no caso da hiperêmese e alterações metabólicas como a cetose e desidratação se fazem presentes é necessário que o tratamento seja hospitalar. Realiza-se a hidratação da paciente por via endovenosa e a administração de medicamentos também pela via endovenosa. É importante salientar que com a evolução da gestação é esperado que ocorra uma melhora natural.

Não existe maneira de prevenir a hiperêmese gravídica. Recomenda-se durante o pré-natal que a dieta seja fracionada (ou seja, comer pouco e várias vezes). Também deve-se evitar alimentos muito gordurosas ou condimentados. Veja nosso post sobre como evitar os enjoos matinais.

O exame de ultrassom pode fazer mal para o bebê?

Uma pergunta frequente das futuras mamães é se os exames de ultrassom realizados no pré-natal poderiam fazer algum mal para o bebê. O ultrassom é um dos exames mais solicitados durante o pré-natal e ele permite acompanhar as condições de saúda da mãe e do bebê, contribuindo para diagnósticos de alta qualidade e precisão.

O ultrassom utiliza ondas sonoras, como um radar, para produzir imagens do bebê. De uma maneira geral, as ondas sonoras produzem energia e portanto possuem um certo efeito biológico, como por exemplo, o aumento da temperatura. Em fisioterapia, por exemplo, o ultrassom é utilizado para o tratamento da dor lombar, uma vez que aumenta o fluxo sanguíneo local e favorece a cascata inflamatória.

Entretanto, em doses extremamente baixas, o som não produz nenhum efeito biológico significativo. É como escutar uma música ou conversar. A única diferença é que quando estamos falando em ultrassom a frequência é acima da faixa que os seres humanos escutam. Nós ouvimos os sons com frequência entre 20 Hz e 20.000 Hz. Os aparelhos de ultrassom para diagnóstico geralmente usam uma frequência acima de 2 MHz (2 mega Hertz, ou seja 2.000.000 Hertz).

Como o médico sabe se não estamos exagerando na quantidade de ultrassom durante o exame?

Por uma questão de segurança, todos os aparelhos de ultrassom apresentam em usa tela dois índices para monitorar a quantidade de energia que está sendo aplicada aos tecidos do paciente. Estes índices são:

  • Índice Mecânico (MI) – este índice refere-se a capacidade do ultrassom ter causado cavitação (formação de cavidades). A recomendação é que o índice mecânico não ultrapasse 1.9.
  • Índice Térmico (TIs) – este número refere-se a quantidade, em graus Celsius, que a temperatura do tecido insonado poderia aumentar. Na figura abaixo o TIs é 0,2 então a temperatura pode ter aumentado até 0,2 graus Celsius 
ultrassom pode fazer mal para o bebe

Índice Térmico (TIs) e Índice Mecânico (MI).

 

Existem exames que produzem mais energia?

Sim, quanto mais tempo o transdutor ficar parado no mesmo local, mais energia será concentrada. Além disso a função de Doppler utiliza mais energia do que as ondas utilizadas para produzir as imagens bidimensionais. O exame transvaginal também costuma produzir mais energia que o exame pela via abdominal. Dessa forma, manter o exame o mais breve possível e movimentar o transdutor ajudam evitar o excesso de energia além de dissipar a energia em uma área maior.

O que dizem os estudos sobre o assunto?

Uma revisão sistemática foi realizada pela Organização Mundial de Saúde e publicada em 2009 sobre o assunto. Mais de 60 publicações foram aguardas para verificar a associação da ultrassonografia pré-natal com problemas para o bebê. A ultrassonografia NÃO foi associada com nenhum desfecho desfavorável para os seguintes problemas:

  • Complicações maternas;
  • Complicações perinatais;
  • Atraso de desenvolvimento neurológico ou motor;
  • Risco para câncer na infância;
  • Performance intelectual;
  • Doenças mentais

Veja o estudo: Safety of ultrasonography in pregnancy: WHO systematic review of the literature and meta-analysis. Ultrasound Obstet Gynecol. 2009 

Em resumo…

1. O exame de ultrassom é seguro?

Sim, é um exame seguro, não existe evidência de que a exposição ao ultrassom, dentro dos limites recomendados, possa causar algum dano a mãe ou ao bebê. Tão seguro que você já pode fazer o seu primeiro ultrassom com apenas 4 semanas!

2. O barulho do ultrassom pode incomodar o bebê?

Não, o bebê não pode ouvir o ultrassom pois a frequência está acima da nossa capacidade de audição.

3. Existe um número de ultrassonografias recomendado para a gestação?

A maioria dos protocolos recomenda 3 exames de rotina, entretanto exames adicionais poderão ser solicitados conforme a necessidade de cada caso.

4. E o Raio-x, pode fazer mal?

Em baixas quantidades não, veja nosso post sobre o Raio-X na gestação.

Grávida pode viajar de avião?

No mundo de hoje as viagens de avião são cada vez mais comuns. Assim, cada vez mais encontramos gestantes se perguntando se é seguro fazer viagens de avião. Em geral, viagens aéreas comerciais em cabines pressurizadas, são bastante seguras até a 36ª semana de gestação. Se você estiver em dúvida de qual semana de gestação você está, utilize nossa calculadora de idade gestacional.

avião e gravidez

Mesmo assim, é importante conversar com o seu obstetra antes de viajar de avião. Algumas situações, especialmente em gestações complicadas por outras doenças, podem ser agravadas pela viagem aérea e exigir cuidados de emergência. Viagens para grandes altitudes (acima de 3600 m), áreas com surtos de doenças ou locais que exijam vacinação para vírus podem ser desencorajadas por seu médico.

A duração do voo também deve ser levada em consideração. Em geral voos de curta duração são mais seguros do que voos com longa duração. Se o seu obstetra concordar com a viagem aérea considere programar ela para o segundo trimestre (aproximadamente entre 13 e 26 semanas). Nesta fase os riscos de emergências são menores. No primeiro trimestre a preocupação maior é com as ameaças de aborto e no terceiro trimestre com o trabalho de parto prematuro. Por isso também é que viagens mais curtas são mais seguras. Caso ocorra uma dessas complicações você chegará mais rapidamente ao aeroporto para ser atendida. Imagine começar a ter contrações no meio do oceano atlântico!

Se o seu profissional de saúde aprovar viagens aéreas e seus planos forem flexíveis, o melhor momento para voar pode ser durante o segundo trimestre. É quando os riscos de emergências comuns da gravidez são mais baixos.

Dicas para uma viagem de avião segura na gestação

avião e gestação

Como afivelar o cinto abaixo da barriga.

  1. Converse com seu obstetra antes de uma viagem de avião. Lembre-se de questionar sobre os pontos abaixo:
    • Meias de compressão – veja se existe necessidade de utilizar este tipo de meia no seu caso
    • Medicação para náuseas – se você tem propensão para náuseas lembre-se de levar medicação no avião caso seja necessário
    • Medicação para gases e diarréia –  o aumento da altitude nos voos pode fazer com que o gás intestinal se expanda e cause desconforto. Evite comidas gasosas antes do seu voo. As viagens internacionais podem expô-la a bactérias que podem levar à diarréia. Pergunte sobre um remédio para diarréia.
    • Cuidados de pré-natal – dependendo da duração da sua viagem será necessário fazer consultas de pré-natal ou exames. Verifique esta questão com seu obstetra, peça sugestões de nomes ou serviços para atendimento caso seja necessário.
    • Vacina da Gripe – pergunte se é necessário você tomar a vacina da gripe ou alguma outra vacina antes da viagem.
  2. Verifique as regras da companhia aérea que você irá utilizar. As regras podem variar de acordo com a companhia e com o destino.
  3. Dieta pré-viagem:  evite alimentos que produzem gases (feijão, couve, brócolis) e bebidas gaseificadas. Eles podem deixá-lo mais desconfortável no voo.
  4. Durante o voo mantenha o cinto afivelado abaixo da barriga.
  5. Beba bastante líquido durante a viagem e considere um assento no corredor (assim fica mais fácil para ir ao banheiro).
  6. Uma pequena caminhada pelo avião a cada 30 minutos é interessante para manter a circulação ativa. Movimente as pernas enquanto estiver sentada.

Surto de Sarampo: o que as gestantes e tentantes precisam saber?

O sarampo é uma doença causada por um vírus, tem alto contágio e acomete principalmente crianças de até 5 anos de idade. Apesar de ser mais comum em crianças os adultos também podem contrair a doença. O sarampo na gravidez é particularmente grave pois poderá trazer riscos para a saúde da gestante e do bebê.

Embora exista uma vacina para a doença, em 2017 houve ainda 110 mil mortes por sarampo no mundo. A vacina, disponível desde 1963, foi aplicada em cerca de 85% das crianças no mundo no ano de 2017. Apesar desse número de crianças imunizadas ser alto, estima-se que 92 a 95% dos indivíduos de uma comunidade devem estar imunizados para evitar a transmissão da doença. Imunizar uma criança contra o sarampo custa menos de US$ 1,00!

Surto de Sarampo no Brasil

De 2015 a 2017 o Brasil não registrou nenhum caso da doença. Recentemente houve um fluxo intenso de imigrantes vindos da Venezuela para regiões da Amazônia e Roraima. De acordo com o Informe 36 do Ministério da Saúde, cerca de 10 mil casos já foram confirmados no Brasil.

Sarampo no Brasil

Em 2019, a cidade São Paulo virou um dos grandes focos de surto. Tem-se investido em uma grande campanha de vacinação e ampliado a indicação da imunização para pessoas de 15 a 29 anos, independentemente de elas já terem sido vacinadas. Bebês também podem ser vacinados a partir de 6 meses de idade. Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), o avanço do sarampo é um fenômeno global, e nos últimos dois anos houve um aumento de 300% nos casos, comparados ao mesmo período em 2018.

O Brasil está na lista dos países mais afetados. A causa dessa mudança varia de acordo com cada nação, mas todas elas têm um ponto em comum: as pessoas estão deixando de se vacinar, apesar de a vacina ser a melhor forma de prevenir a doença. No início de agosto já tivemos o casos confirmados da doença em Curitiba.

Infograma Sarampo

Gestantes podem tomar a vacina contra o sarampo?

Não, a vacina do sarampo é contra-indicada para gestantes pois é produzida com o vírus vivo atenuado. A recomendação é que a vacinação seja feita ANTES da gestação. Portanto se você está planejando engravidar, verifique no seu cartão de vacinas se você já se vacinou.

A vacina triplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) é disponibilizada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adultos. Quem já teve a doença na infância está imune e não corre o risco de contrair novamente a doença.

Depois de receber a vacina, as mulheres devem esperar 4 semanas antes de tentar a gravidez, dado os riscos teóricos para o feto com vacinas vivas. No entanto, a vacinação com a triplice viral inadvertida no período de periconcepcional ou no início da gravidez não deve ser considerada uma indicação para o término da gravidez.

Como o sarampo é transmitido?

A transmissão ocorre diretamente, de pessoa a pessoa, geralmente por tosse, espirros, fala ou respiração, por isso a facilidade de contágio da doença. Além de secreções respiratórias ou da boca, também é possível se contaminar através da dispersão de gotículas com partículas virais no ar, que podem perdurar por tempo relativamente longo no ambiente, especialmente em locais fechados como escolas e clínicas. A doença é transmitida na fase em que a pessoa apresenta febre alta, mal-estar, coriza, irritação ocular, tosse e falta de apetite e dura até quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas.

Quais são os principais sintomas?

Após a infecção, os primeiros sintomas parecem em 7 a 14 dias e são febre alta, tosse, coriza e conjuntivite. Cerca de 2 a 3 dias após o início dos sintomas é possível observar as manchas de Koplik que são pontos brancos na mucosa oral, mais comumente próximo aos molares, porém podem se estender por toda a mucosa oral. Essas manchas na boca costumam preceder o aparecimento dos exantemas (lesões de pele).

Manchas de Koplik

Manchas de Koplik

De 3 a 5 dias após o início dos sintomas, inicia o período exantemático da doença. Então as lesões da pele (exantemas) aparecem. São manchas avermelhadas que geralmente iniciam na cabeça (próximo ao cabelo) progredindo para face e pescoço. Em seguida descem pelo corpo em direção aos pés. Esta fase tem duração mínima de 3 dias.

Sarampo

Exantema do Sarampo

Quais os riscos para a gestante?

A infecção por sarampo em mulheres grávidas está associada a vários eventos adversos. Isto inclui aumento do risco de hospitalização e pneumonia. A infecção por sarampo durante a gravidez também está associada a riscos significativos para o feto, incluindo:

  • Aborto espontâneo
  • Óbito fetal
  • Baixo peso de nascimento
  • Aumento do risco de parto prematuro

Referências

  1. Folha informativa – Sarampo – OPAS
  2. Practice Advisory: Management of Pregnant and Reproductive-Aged Women during a Measles Outbreak
  3. Sarampo: sintomas, transmissão, como prevenir e tratar a doença

 

Marcadores Ultrassonográficos de Cromossomopatias

Desde a década de 80 vários achados ultrassonográficos foram correlacionados com alterações genéticas (cromossomopatias). Estes achados foram denominados “marcadores” e podem ser:

  1. Uma malformação fetal
  2. Um sinal fenotípico
  3. Sinal (achado) ultrassonográfico não enquadrado nos ítens anteriores

Deve-se lembrar sempre que apesar de marcadores aparecerem em fetos com alterações cromossômicas ele também aparecem em indivíduos normais. Os marcadores são divididos em marcadores maiores e menores.

Marcadores Cromossomopatias

Marcadores Maiores

Os marcadores maiores são aqueles que possuem uma associação estatística bastante forte com as doenças genéticas. São exemplos de marcadores maiores:

Marcadores Menores

Já os marcadores menores possuem uma associação fraca com cromossomopatias. Quando isolados tem um valor preditivo positivo menor que 1%. Ou seja, menos de 1% dos fetos com marcadores menores possuem alterações genéticas. Exemplos de marcadores menores são:

A presença de um marcador maior ou dois marcadores menores no mesmo indivíduo devem ser considerados como achados suspeitos de cromossomopatias, podendo ser indicado a realização de cariótipo. Os achados ultrassonográficos no segundo trimestre da gestação também podem ser utilizados para determinar um aumento ou diminuição do risco determinado no primeiro trimestre. Isto se chama rastreamento sequencial

O que acontece com os marcadores ultrassonográficos?

Os marcadores ultrassonográficos pré-natais são achados ultrassonográficos que geralmente não são anormalidades, mas são indicativos de um risco aumentado de alterações cromossômicas (genéticas) ou algumas anormalidades não cromossômicas.

A maioria das características descritas não constitui um defeito estrutural e pode ser detectada na triagem pré-natal, normalmente durante um exame de ultrassom. Muitos são transitórios, isto é, eles geralmente desaparecem mais tarde na gravidez ou logo após nascer.

Por não serem malformações, também não necessitam de cirurgia ou tratamento após o nascimento, na grande maioria das vezes.

Referência:

  1. Pettersen, H; Faria, M. Marcadores ultrassonográficos de cromossomopatias durante o primeiro trimestre. RSBUS, N35 V9.

Geléia de Wharton

A geléia de Wharton é uma substância mucosa, presente no cordão umbilical. Ela envolve os vasos do cordão protegendo-os de traumatismos. Recebeu o nome do médico e anatomista inglês Thomas Wharton (1614-1673), que a descreveu pela primeira vez.

Geléia de Wharton

Como tecido mucoso, protege e isola os vasos sanguíneos do cordão umbilical. A geleia de Wharton, quando exposta a mudanças de temperatura, colapsa as estruturas no interior do cordão umbilical e, assim, proporciona um clampeamento (fechamento) fisiológico do cordão. Isto ocorre em média, cinco minutos após o nascimento.

Veja também:

Artéria Umbilical Única, o que significa isto para seu bebê?

O cordão umbilical conecta o feto à placenta e garante o transporte de nutrientes e trocas gasosas. No interior do cordão, observa-se normalmente a presença de duas artérias e uma veia que são protegidos pela Geléia de Wharton.  No entanto, a variante com uma única artéria umbilical é comum. Sendo que a artéria umbilical ausente mais frequente é a esquerda.

Cordão Umbilical Normal

Cordão Umbilical Normal

O cordão umbilical é uma estrutura importante que conecta o bebê em desenvolvimento à placenta. Ele mantém uma conexão vascular que permite que sangue rico em oxigênio chegue até o feto. Também permite que o sangue rico em gás carbônico seja retirado de seu corpo, além de fornecer os nutrientes necessários. No nascimento, o cordão umbilical apresenta geralmente 2 cm de diâmetro e de 50 cm de comprimento. Entretanto esses valores podem variar de indivíduo para indivíduo.

Em alguns casos o cordão apresenta penas 2 vasos: uma artéria e uma veia. A origem deste problema ainda não é completamente conhecida. Provavelmente é multifatorial, resultante tanto da agenesia (não formação) ou atrofia (formação com posterior desaparecimento) da segunda artéria umbilical ou da persistência da normalmente transitória AUU embrionária.

Artéria Umbilical Única

Artéria Umbilical Única (AUU) visto ao ultrassom, em comparação com o cordão normal.

É comum a artéria umbilical única?

A incidência de AUU tem sido relatada como variando de 0,2% a 1,6% entre fetos cromossomicamente normais (euplóides). E é de 9% a 11% entre fetos cromossomicamente alterados (aneuplóides). Este número varia muito na literatura médica, e se sabe que é encontrado mais frequentemente em natimortos (fetos que nascem mortos) do que em nascidos vivos.

O que deve ser feito quando a artéria umbilical única é encontrada?

Recomenda-se uma avaliação anatômica detalhada para identificar quaisquer outras anomalias fetais associadas uma vez que a AUU tenha sido diagnosticada. Em casos de AUU isolada, aparentemente não há evidência de risco aumentado de anormalidades cromossômicas, mas o achado de AUU deve alertar o ultrassonografista para procurar defeitos fetais, e um cariótipo (estudo genético), realizado através de amniocentese, deve ser oferecido se anomalias congênitas são encontradas em associação com AUU. Malformações congênitas em muitos sistemas têm sido relatadas em associação com a AUU, mas não há um padrão específico. As malformações geniturinárias e cardíacas parecem ser as mais prevalentes, e a percepção de que as anomalias renais são particularmente comuns, levou alguns a recomendar uma avaliação renal pós-natal para todas as crianças com AUU.

Um estudo para examinar a associação entre o achado pré-natal de AUU e defeitos cardíacos e verificar a necessidade de avaliação complementar com ecocardiografia fetal foi realizado recentemente e, embora a AUU esteja associada a um aumento da incidência de defeitos cardíacos, esta complementação não é necessária quando o exame morfológico de segundo trimestre é realizado por um ultrassonografista experiente em medicina fetal, porque os defeitos são detectados através da avaliação padrão, que deve incluir uma visão de quatro câmaras do coração, bem como das vias de saída. O risco de RCIU (restrição de crescimento intrauterino) é também apontado em alguns estudos e na ausência ainda de dados confiáveis para o contrário, parece prudente a obtenção de uma ultrassonografia no terceiro trimestre para a avaliação do crescimento fetal.

Prognóstico para Fetos com Artéria Umbilical Única

Será basicamente dependente das malformações estruturais e anomalias cromossomiais concomitantes, determinantes da natimortalidade perinatal.

Vários estudos têm mostrado que a ocorrência de artéria umbilical única, isolada, apresenta um bom prognóstico, com discreta redução no peso de nascimento, idade de nascimento e índices de Apgar, e sem afetar o bem-estar do recém-nato, que apresenta um risco um pouco aumentado para malformações menores do trato genitourinário, como um rim ectópico.

Logo, fetos sem anomalias associadas que apresentem uma propedêutica pré-natal sem alterações geralmente evoluem muito bem no período pós-natal.

E se durante o exame de ultrassonografia forem encontrados outras alterações no seu bebê?

Fique alerta! E considere a realização da amniocentese para o estudo genético, pois isto pode significar que o bebê tem problemas maiores do que somente a falta de uma artéria no cordão. A realização de ecocardiografia fetal também é importante. É um exame complementar inócuo para a mãe e o feto, podendo ser realizado se a equipe médica julgar prudente ou se ajudar a diminuir a ansiedade da futura mamãe. Depois, é sempre bom comentar o diagnóstico pré-natal de AUU com o seu pediatra que vai cuidar do bebê ao longo do seu desenvolvimento, assim ele pode dar mais uma olhada com atenção principalmente para os rins do pequeno e assegurar que esteja tudo bem após o nascimento.

Como se trata um pólipo endometrial?

Pólipo endometrial ou pólipo uterino é uma neoplasia benigna do epitélio do útero (endométrio). Eles são diagnosticados geralmente pelo ultrassom e podem ser assintomáticos ou causar sintomas como o sangramento uterino e a infertilidade.

Eles ocorrem mais comumente em mulheres que estão perto da menopausa, tendo seu pico de incidência entre 40 e 50 anos de idade.

 

pólipo uterino

Como se trata um pólipo endometrial?

O tratamento do pólipo endometrial pode ser feito por meio de cirurgia, como a curetagem uterina ou histeroscopia, com o objetivo de remoção do mesmo. Também é possível o tratamento hormonal com progestágenos.

Polipo Endometrial

Histerosonografia evidenciando pólipos endometriais (setas).

A histeroscopia é o padrão ouro na avaliação da cavidade endometrial e no diagnóstico de lesões focais, e também deve ser considerada o método de eleição para realização de polipectomia, visto que permite a exérese da lesão e de sua base integralmente sob visualização direta, enquanto que outros métodos, às cegas, falham em grande parte das vezes

Para pacientes que apresentam sintomas, a cirurgia costuma ser a primeira opção. O tratamento cirúrgico mais eficaz nesses casos consiste na retirada do pólipo por histeroscopia (polipectomia histeroscópica).

A histeroscopia permite ao médico visualizar a cavidade uterina através de um instrumento que tem uma câmera na extremidade, semelhante ao endoscópio usado para ver o interior do estômago.

Esse exame serve tanto para diagnosticar como para tratar o pólipo endometrial. Dependendo do tipo de pólipo, o médico pode removê-lo completamente no momento da biópsia

Qual o risco para um bebê com Golf Ball

O “Golf Ball” é uma pequena imagem branca em forma de “bolinha” dentro do coração. Isto nada mais é do que uma pequena calcificação em um músculo, que prende a válvula cardíaca no coração. Portanto, dando sustentação a válvula. Este músculo é chamado de músculo papilar.

É um achado ultrassonográfico que foi descrito inicialmente na década de 80 e pode ser chamado também de “foco ecogênico” ou “hiperrefringência do músculo papilar”.

Golf Ball

Golf Ball no Ultrassom

Segundo a literatura disponível, sua etiologia é ainda desconhecida. Sua prevalência tem grande variação, oscilando entre 0,5 a 20%, com média de 5,6%. Antes de mais nada, o Golf Ball não é uma malformação cardíaca e não altera a função do coração, portanto não causa problema nenhum para o bebê. Em conclusão, este ponto branco nada mais é do que um pequeno depósito de cálcio e trata-se de um achado normal.

Ilustração Golf Ball

Ilustração de um Golf Ball

É um achado eventual em um exame ultrassonográfico do coração fetal. Podendo ser visto a partir de 13 semanas (já na época da translucência nucal). Cerca de 60% dos casos pode desaparecer já com 22 a 25 semanas. Já no terceiro trimestre espera-se que até 95% deles tenham desaparecido! Ele é geralmente único e sua localização mais freqüente é no ventrículo esquerdo, logo abaixo da valva mitral.

Considera-se que faz parte da cordoalha tendínea do ventrículo ou do músculo papilar. E que portanto se movimenta junto com estas estruturas. Geralmente desaparecem durante o terceiro trimestre.

A chance de um Golf Ball ser visto varia bastante, dependendo da habilidade e experiência do médico que realiza a ultrassonografia pré natal.

O que é o músculo papilar e qual sua função?

Os músculos papilares são fibras musculares que ajudam na abertura e fechamento das válvulas cardíacas que separam os átrios dos ventrículos. São encontrados no ventrículo esquerdo e direito do coração fetal e do adulto.

Qual a importância do Golf Ball?

Como achado isolado é considerado sem importância. Porém na literatura há dados que o associam a aneuploidias. Como por exemplo a trissomia do 21 (Síndrome de Down), trissomia do 13 (Síndrome de Patau), trissomia do 18 (Síndrome de Edwards), triploidias e síndrome de Turner. Apesar de no passado algumas publicações terem sugerido o aumento de risco para a Síndrome de Down, hoje sabemos que esse aumento de risco não existe.

A conduta do ultrassonografista diante do achado de foco hiperecogênico intracardíaco é avaliar cuidadosamente o feto, procurando outros marcadores de cromossomopatias.

A realização de cariótipo fetal estará condicionada a outros sinais e fatores como idade materna avançada, testes séricos alterados, medida da translucência nucal alterada, história familiar de aneuploidias e malformações fetais encontradas em um estudo morfológico mais detalhado.

Na ausência de alterações estruturais do feto, o achado de foco ecogênico intracardíaco no ventrículo esquerdo ou mesmo em ambos os ventrículos perde importância e possivelmente irá desaparecer. É semelhante ao que acontece com as dilatações do trato urinário.

Quando some o Golf Ball?

Apesar de ser comumente visível no segundo trimestre da gestação, o Golf Ball costuma sumir no terceiro trimestre da gestação. Portanto a presença do Golf Ball é transitória e essa área ecogênica na maioria das vezes já desapareceu quando chega o fim da gravidez.

Lembre que a presença deste sinal em fetos não indica uma malformação nem tão pouco tem relação comprovada com síndromes cromossômicas. Portanto não se preocupe pois ele baixo um problema para o coração do seu bebê.

O que fazer quando um Golf Ball é visto no exame de ultrassom?

Não é necessário nenhuma medida adicional. Se você estiver muito preocupada poderá realizar um exame mais detalhado do coração fetal, chamado de ecocardiografia fetal. Neste exame habitualmente um cardiologista pediátrico irá analisar a anatomia e função do coração fetal para assegurar que tudo está normal.

É possível engravidar com azoospermia?

Azoospermia é uma causa comum de infertilidade masculina, enquanto que nas mulheres uma das principais causas é a endometriose. Por definição a azoospermia é a ausência de espermatozoides no sêmen. Ela pode ocorrer  por obstrução dos canais (como na vasectomia), ou por redução drástica (ou mesmo falta) de produção dos espermatozoides. Além da azoospermia diversos outros fatores podem estar relacionados a infertilidade masculina, como os abaixo:

  • Estilo de vida
  • Presença de diabetes
  • Obesidade
  • Doenças hormonais
  • Trauma testicular
  • Criptorquidia
  • Varicocele
  • Infecções geniturinárias
  • Distúrbios ejaculatórios
  • Anteriores tratamentos de quimioterapia ou radioterapia
  • Terapias cirúrgicas
  • Idade avançada

Como é diagnosticada a azoospermia?

O diagnóstico é feito por meio de um exame chamado espermograma. Os principais parâmetros e os mais frequentemente observados na avaliação do espermograma são: o volume, a concentração de espermatozoides por mililitro, a mobilidade e o formato dos espermatozoides. O resultado do espermograma pode variar em diferentes momentos e por isso não pode ser considerado definitivo para definir a infertilidade masculina sem uma análise criteriosa de cada caso de forma individualizada. Os parâmetros analisados no espermograma podem ser vistos na tabela abaixo:

criterios OMS diagnostico de azoospermia

É importante saber que para a coleta do espermograma é recomendado permanecer de três a sete dias (cinco dias é considerado ideal) sem qualquer tipo de atividade sexual. A contagem desse período inicia-se no primeiro dia de abstinência sexual.

Como é feito o tratamento para azoospermia?

Os tratamentos têm como principal objetivo restabelecer a fertilidade e permitir que o casal consiga engravidar. A terapêutica varia de acordo com a causa da azoospermia.

No caso de paciente com obstrução, o tratamento a princípio é a desobstrução anatômica do bloqueio. No caso da vasectomia, existem cirurgias de reversão que restauram a anatomia do canal deferente, embora nem sempre ela seja o tratamento mais adequado.

Quando a reversão não obtém sucesso ou não é recomendada ou, ainda, quando o bloqueio não pôde ser desobstruído, é possível coletar os espermatozoides diretamente do epidídimo, local em que ficam armazenados os gametas masculinos. Em seguida, podem ser realizados métodos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).

Quando a causa não obstrutiva é identificada, o tratamento a princípio envolve sua correção, como reposição hormonal ou evitar o contato com substâncias tóxicas. Existe também a possibilidade de ser realizada a biopsia testicular para coleta direta de espermatozoides.

Em casos mais extremos de azoospermia, quando não são encontrados gametas na cirurgia, o casal pode considerar a possibilidade de um doador de sêmen. Devemos ter sempre em mente que alterações genéticas estão relacionadas com 15% a 20% dos casos de azoospermia.