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Líquido Amniótico: tudo que você sempre quis saber!

O líquido amniótico é o fluido que envolve o bebê em desenvolvimento e preenche a bolsa e cavidade uterina. Quando a bolsa rompe é esse líquido que escoa pelas pernas. Ele começa a ser produzido já no 12º dia após a concepção e possui algumas funções muito importantes para que a gestação transcorra sem problemas e para o desenvolvimento do bebê

Líquido Amniótico

Bolsa contendo o feto e o preenchida por líquido amniótico.

O que é o líquido amniótico?

Enquanto o bebê ainda está dentro do útero, a bolsa amniótica envolve ele. Esta bolsa é formada por duas finas membranas, chamadas córion e âmnion. A olho nú as membranas parecem ser uma só pois estão bastantes aderidas e são muito finas. Nas gestações gemelares podemos ter uma ou duas bolsas.

Além do bebê, a bolsa contém também uma boa quantidade de líquido. Inicialmente este líquido é um transudato (líquido semelhante ao plasma sanguíneo). Como nas primeiras semanas da gestação a pele do bebê não é queratinizada, esse líquido passa através da pele do bebê para a bolsa.

Já na segunda metade da gravidez a pele do bebê se torna queratinizada e o líquido não consegue mais passar através da pele. Entretanto com o início do funcionamento dos rins, a urina do feto passa a ser o principal componente do líquido amniótico. Isso mesmo, a maior parte do líquido amniótico é a urina do bebê.

O líquido amniótico contém diversos componentes vitais, como nutrientes, hormônios e citocinas que protegem o bebê contra infecções. Porém, como o líquido é eminentemente urina fetal, 99% dele é simplesmente água.

O líquido amniótico tem um odor bastante característico de água sanitária. Isso permite identificar por exemplo quando ocorre a rotura da bolsa pois você poderá perceber um corrimento com este odor. Além disso existe alguma evidência de que a dieta da mãe pode influenciar o sabor do líquido amniótico e moldar os gostos e preferências do bebê no futuro. 

Onde o líquido amniótico é produzido?

Além da urina, que é a principal fonte do líquido amniótico, ele também é composto pela secreção pulmonar do feto. Uma pequena parte de líquido passa da mãe para a bolsa (chamada via transmenbranosa) e outra parte do líquido vem diretamente da placenta (via intramenbranosa).

Assim como o líquido é constantemente produzido, ele também é absorvido, fazendo com que todo o líquido da bolsa seja trocado a cada 24 a 48 horas. A principal via de reabsorção do líquido é a deglutição fetal porém uma pequena parte também pode passar para a mãe ou para a placenta (as vias transmenbranosa e intramembranosa respectivamente). Para evitar o acúmulo ou falta de líquido este transporte por meio das membranas é regulado por proteínas presentes na membrana chamadas de aquaporinas.

Produção e Reabsorção do Líquido Amniótico

Principais locais de produção e reabsorção do líquido amniótico.

Qual é a função do líquido amniótico?

O líquido amniótico tem várias funções importantes para o desenvolvimento fetal. Atualmente existem importantes evidências de que o líquido amniótico não apenas protege o feto, mas também atua na sua nutrição e maturação. As suas principais funções são:

  • Protege o feto contra traumas externos, distribuindo o impacto em toda a cavidade uterina;
  • Evita a compressão do cordão umbilical;
  • Permite o crescimento simétrico do feto;
  • Protege contra bactérias;
  • Confere estabilidade térmica;
  • Permite a movimentação fetal, auxiliando no desenvolvimento muscular;
  • Auxilia o desenvolvimento pulmonar;
  • É capaz de nutrir o feto;
  • Auxilia na maturação do trato gastrointestinal;
  • Auxilia o desenvolvimento e maturação pulmonar;

Como saber se o volume de líquido amniótico está normal?

O volume de líquido varia durante a gestação. No começo o volume é relativamente pequeno (pois o bebê também é pequeno). Esse volume aumenta atingindo o seu máximo por volta de 34 semanas de gestação. Depois ocorre uma pequena redução no seu volume até o parto.

Volume de Líquido Amniótico

Volume de líquido amniótico ao longo da gestação.

Não é possível medir esse volume de líquido durante a gestação, nem mesmo com o ultrassom. Isto ocorre por dois motivos. Em primeiro lugar porque o ultrassom produz imagens bidimensionais e medidas de volume são feitas tridimensionalmente. Em segundo lugar o ultrassom produz imagens de partes da cavidade uterina e não dela como um todo. Dessa forma nem mesmo o ultrassom 3D pode medir o volume de líquido amniótico dentro da cavidade uterina.

Então com essa avaliação é feita?

O médico que realiza o exame de ultrassom irá medir um número chamado Índice de Líquido Amniótico (ou ILA). Calculamos esse índice dividindo a cavidade em quatro quadrantes e medindo o maior bolsão de líquido em cada um destes quadrantes. A soma dos quatro quadrantes é o Índice de Líquido Amniótico. Portanto este índice não tem um valor fixo para a normalidade, os limites mínimo e máximo variam durante a gravidez (veja uma tabela com esses valores).

Os maiores problemas relacionados a quantidade de líquido amniótico são o seu excesso (tecnicamente chamado de polidrâmnio ou polihidrâmnio) e a sua falta (oligoâmnio ou oligohidrâmnio).

Banco de Leite: o que é e como funciona?

O Banco de Leite ou Banco de Leite Humano (BLH) é o local responsável pela coleta, processamento e armazenamento de leite. Nos primeiros meses de vida não há alimento melhor para o recém-nascido do que o leite materno. O leite materno é capaz de suprir todas as necessidades nutricionais do bebê, além de melhorar o sistema imunológico, previnir alergias e melhorar a ligação entre o bebê e a mamãe durante a amamentação.

Os Bancos de Leite Humano são iniciativas públicas vinculadas a hospitais infantis e maternidades, responsáveis por promover o aleitamento materno e executar as atividades de coleta, controle de qualidade, pasteurização e distribuição do leite pasteurizado

Infelizmente em algumas situações a mamãe pode ter algum problema e não conseguir amamentar e aí que entram os bancos de leite humano. Pouca gente sabe, mas o Brasil possui uma das maiores redes de bancos de leite humano do mundo, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Quem pode doar leite materno?

Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite humano. Para doar basta atender aos seguintes critérios:

  • Ter feito pré-natal;
  • Ser saudável;
  • Não fumar;
  • Ter as vacinas em dia;
  • Não tomar nenhum medicamento que interfira na amamentação;
  • Ter leite suficiente para o seu próprio bebê e para o do próximo. Isso é avaliado pelo vazamento espontâneo de leite nos intervalos ou mesmo durante a mamada. Ou, também, ter as mamas “pesadas”, doloridas e quentes.

Qualquer quantidade de leite pode ajudar. 1 ml já é suficiente para nutrir um recém-nascido a cada refeição, dependendo do peso. O pote não precisa estar cheio para doar e fazer a diferença.

Como faço para doar leite materno?

Basta entrar em contato com um Banco de Leite Humano. Para saber qual é o mais próximo da sua casa basta visitar a página da Rede Global de Bancos de Leite Humano.

Banco de Leite Humano - Veja como Doar

Banco de Leite em Curitiba e Região Metropolitana

Bancos de Leite

Banco de Leite Humano do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná
Rua General Carneiro, 181 Centro
80060-900 CURITIBA , PR
Telefone: 41-3360-1867

Banco de Leite Humano do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie
Alameda Augusto Stellfeld , 1.908 Bigorrilho
80730-150 CURITIBA , PR
Telefone: 41-3240-5117

Banco de Leite Humano do Hospital e Maternidade São José dos Pinhais
Rua Coronel Luiz Victorino Ordine , 1747 São Pedro
83005-040 SAO JOSE DOS PINHAIS , PR
Telefone: 41-3283-5280

Postos de Coleta

PCLH – Vila Leonice
Rua Anita Garibaldi, 1.070 Cachoeira
82220-000 CURITIBA , PR
Telefone: 41-3355-2670

Posto de coleta do Hospital Pequeno Principe
Av. Desembargador Motta, 1.070 centro
80250-060 CURITIBA , PR
Telefone: 41-3310-1174

As seguintes unidades municipais de saúde também possuem postos de coleta: Taiz Viviane Machado, Eucaliptos, Irmã Tereza Araújo Solitude, Vila Leonice, Umbará e Mãe Curitibana.

Quem reside fora da área de abrangência dessas unidades de saúde e também deseja colaborar, pode se informar no Programa do Aleitamento Materno (Proama), que funciona junto à Unidade Mãe Curitibana. Os telefones do Proama são 41 3225-6407 e 41 9951-3987. O endereço é Rua Jaime Reis, 331, ao lado da Cúria Metropolitana.

Referência

  1. Doação de Leite Materno – Campanha Nacional – Ministério da Saúde
  2. Curitiba tem seis postos de coleta para os bancos de leite materno

O que é a pré-eclâmpsia e como ela pode ser evitada?

A palavra “eclâmpsia” é derivada do grego eklampsis que significa brilho ou explosão. Eclâmpsia é a presença de convulsões na gravidez induzidas por hipertensão arterial. A primeira descrição médica de um caso de eclâmpsia foi feita por Hipócrates no século 5 antes de cristo.

A pré-eclâmpsia é o quadro clínico que costuma anteceder a eclâmpsia. Ele é caracterizado pela tríade de hipertensão, edema e proteinúria. Geralmente a pré-eclâmpsia se manifesta após a 20ª semana de gestação. Nas formas graves da doença podem haver alterações sanguíneas como a destruição de hemácias e plaquetas. Também pode ocorrer insuficiência hepática e renal.

pré-eclâmpsia e eclâmpsia são caracterizadas pela pressão alta na gravidez

A avaliação da pressão arterial deve ser realizada em todas as consultas do pré-natal.

A pré-eclâmpsia aumenta o risco de desfechos desfavoráveis para a mamãe e para o bebê. Se não tratada de forma adequada pode resultar em convulsões, que é o quadro de eclâmpsia. Mas não se preocupe, apenas 1 em cada 200 pacientes com pré-eclâmpsia chegam no quadro de eclâmpsia.

Quais são os sintomas da pré-eclâmpsia?

Como a pré-eclâmpsia pode levar à eclâmpsia, você pode ter sintomas de ambas as condições. Como a principal característica da doença é a pressão alta, você pode ter pré-eclâmpsia e não apresentar sintoma nenhum. Mas não se preocupe, em todas as consultas do pré-natal o seu médico irá medir a pressão para verificar se você tem algum sinal da doença.

Os principais sintomas da pré-eclâmpsia são:

  • Pressão arterial elevada (acima de 140/90 mmHg)
  • Inchaço nas pernas, mãos e rosto
  • Ganho de peso excessivo (em função da retenção de líquido do inchaço)
  • Dores de cabeça
  • Náuseas e vômitos
  • Alterações na visão (visão turva, escura, perda visual ou enxergar pontos brilhantes)
  • Urinar pouco
  • Dor abdominal, principalmente do lado direito na porção mais superior do abdômen
  • Dificuldade para respirar

Algumas alterações normais da gravidez podem produzir sintomas semelhantes (como inchaços, náuseas e dores). Portanto sempre que tiver estes sintomas converse com o seu médico para que ele possa fazer a orientação adequada. A pré-eclâmpsia pode ter diversas apresentações clínicas e nem sempre o diagnóstico é simples.

Já os principais sintomas da eclâmpsia são:

  • Convulsões
  • Perda da consciência
  • Agitação

O que causa a pré-eclâmpsia?

Embora a causa exata da pré-eclâmpsia permanece incerta, existem fortes evidências de que uma das principais causas seja uma implantação deficiente da placenta. Essa placenta anormalmente implantada pode resultar em uma má perfusão placentária, produzindo um estado de hipóxia e aumento de estresse oxidativo com consequente liberação de proteínas anti-angiogênicas juntamente com mediadores inflamatórios no plasma materno. Como a placenta é o órgão que leva nutrientes e oxigênio para o bebê, na pré-eclâmpsia é relativamente comum termos associado a restrição de crescimento fetal.

Outras doenças também como problemas renais ou hepáticos (como o Fígado Gorduroso Agudo) podem causar sintomas semelhantes a pré-eclâmpsia. Por isso é sempre importante consultar o seu médico.

Como evitar a pré-eclâmpsia?

Apesar da manifestação da pré-eclâmpsia iniciar apenas após a 20ª semana de gestação a doença provavelmente começa quando a placenta implanta no útero, ou seja, logo no começo da gravidez. Na época do exame de ultrassom da translucência nucal é possível utilizar o ultrassom para avaliar a implantação da placenta. Para isto o seu médico deve solicitar o exame de Dopplervelocimetria.

Por meio do exame de Dopplervelocimetria podemos avaliar o fluxo de sangue para o útero e determinar se o risco para desenvolver pré-eclampsia nesta gestação é maior ou menor. Para as pacientes com risco alto é possível tomar a aspirina. Um estudo chamado ASPRE publicado em 2017 demonstrou que a aspirina, quando administrada antes de 16 semanas, pode reduzir a chance de pré-eclâmpsia, principalmente das formas graves.

Portanto para evitar que a doença ocorra e importante realizar o rastreamento precoce (entre 11 e 14 semanas de gestação) e iniciar muito precocemente o uso da aspirina. Tomar a aspirina depois que os sintomas já apareceram (depois de 20 semanas) não irá melhorar a doença.

Como é tratada a pré-eclâmpsia?

Não existe um tratamento eficaz para a pré-eclâmpsia. Tratamos a pressão alta com anti-hipertensivos. A única forma de curar a doença é realizando o parto. Por isso em casos mais graves o médico poderá antecipar o seu parto.

Referência

  1. Um bate papo sobre Hipertensão Gestacional

 

Qual a influência da lua no parto?

Todo mundo já ouviu que a mudança na fase da lua tem alguma influência sobre o parto, mas será que isso é verdade ou é um mito?

fases da lua

Existe no folclore a crença de que existe uma associação entre a fase da lua e a quantidade de partos. Nos EUA acredita-se que a lua cheia seja associada com o maior número de partos. Já na Índia é a lua nova a responsável pelo aumento no número de partos. Já no Brasil costuma-se acreditar que a mudança da lua provoque, de alguma forma, um aumento no número de mulheres que entram em trabalho de parto.

Existe alguma evidência científica sobre a influência da lua no número de partos?

A relação entre as fases da lua e a obstetrícia (principalmente a taxa de natalidade) já foi o foco de diversas pesquisas. Muitos pesquisadores, tanto no passado quanto mais recentemente, estudaram a possível influência das fases da lua na frequência e no tempo do parto. A relação da tua cheia com as taxas de natalidade foi o foco de muitos desses estudos, porque ainda persiste a superstição de que a incidência de partos aumenta significativamente durante essa fase da lua.

Um estudo realizado na Alemanha coletou dados de mais de 6.000 partos realizados entre os anos de 2000 e 2006 e correlacionou a ocorrência dos mesmos com a fase da lua. A análise dos dados não identificou nenhuma correlação relevante entre a fase da lua e a ocorrência dos partos.

Fase da Lua e Incidência de partos

Relação entre a fase da lua e o número de partos, segundo estudo publicado por Staboulidou e colaboradores Acta Obstetricia et Gynecologica. 2008. Em rosa o número total de partos, em azul o número de partos sem considerar cesáreas eletivas e em verde o número de parto sem considerar induções ou cesáreas eletivas.

Como podemos notar no gráfico acima e também foi demonstrado pela análise estatística do trabalho, não existe correlação com a fase da lua e o aumento no número de partos. Neste mesmo estudo foram analisadas também a presença ou não de complicações do parto – como o parto prematuro –  com a fase da lua, e novamente nenhuma correlação foi identificada.

Um outro estudo publicado em 2005 no American Journal of Obstetrics and Gynecology avaliou a relação de mais de meio milhão de partos com o ciclo lunar. Os partos realizados na Carolina do Norte entre os anos de 1997 e 2001 foram correlacionados com 62 ciclos lunares e a análise estatística também não conseguiu demonstrar correlação entre a fase da lua e o número de partos.

Afinal de onde vem esse mito então?

A crença popular de que a fase do ciclo lunar afeta a taxa de natalidade tem base no passado distante. À medida que as civilizações se desenvolviam, a lua ganhava importância e influência crescentes em relação à vida humana. No mundo antigo, os romanos acreditavam que a lua tinha influência enorme na mente das pessoas. Para o povo babilônico, a lua era um símbolo da vida através de mudanças regulares na aparência. Devido à correlação com o ciclo menstrual feminino (o ciclo menstrual tem 28 dias e o mês lunar também), eles associaram o ciclo lunar à fertilidade das mulheres.

Outra tentativa de correlacionar a lua com o trabalho de parto é em função da influência da lua sobre as marés. A maré sobe mais na lua cheia e de maneira semelhante a lua poderia, de alguma forma interferir nos líquidos corporais. Entretanto, como vimos isso é apenas um mito!

Referências

  1. Staboulidou I, Soergel P, Vaske B, Hillemanns P. The influence of lunar cycle on frequency of birth, birth complications, neonatal outcome and the gender: a retrospective analysis. Acta Obstet Gynecol Scand. 2008;87(8):875-9.
  2. Arliss JM, Kaplan EN, Galvin SL. The effect of the lunar cycle on frequency of births and birth complications. Am J Obstet Gynecol. 2005 May;192(5):1462-4.

Como saber que estou em trabalho de parto?

Muitas gestantes se perguntam como será o trabalho de parto, quanto tempo levará e como saber se realmente é trabalho de parto ou apenas um alarme falso. É difícil responder todas essas perguntas, já que cada parto é diferente. Entretanto, conhecer os sinais de trabalho de parto, vai dar alguma pista de que está quase na hora de conhecer seu bebê!

Quais os sinais de trabalho de parto?

Desde a metade da gravidez, o útero apresenta algumas contrações irregulares, que são as contrações de treinamento, conhecidas como contrações de Braxton-Hicks. Quando a gestação chega próxima ao seu fim, essas contrações ficam progressivamente mais longas e tem um intervalo mais curto. Num primeiro momento existe uma fase conhecida como pródromos do trabalho de parto. A fase dos pródromos pode começar alguns dias ou até semanas antes do trabalho de parto propriamente dito.

Durante o verdadeiro trabalho de parto as contrações são bastante rítmicas. Elas ocorrem a cada 3 ou 4 minutos e duram no mínimo 30 segundos cada uma. Então para saber se o verdadeiro trabalho de parto está começando, basta deitar, relaxar e colocar a mão sobre o abdome, próximo ao fundo uterino. Quando a contração iniciar o útero ira vir um pouco pra frente e ficar mais duro, como uma pedra. Ao perceber que a contração começou, utilize um relógio para contar a duração da contração. As contrações podem ou não estar associadas a dor, vai depender da intensidade da contração e da sensibilidade da mamãe. Estas dores geralmente estão localizadas na parte baixa do ventre mas podem irradiar para as costas. Faça isso por cerca de 10 minutos, se ocorrerem 3 contrações isso pode ser um sinal, talvez o mais importante, de que você está em trabalho de parto.

Sinais de Trabalho de Parto - Avaliação da Dinâmica Uterina

Como avaliar as contrações uterinas para identificar o trabalho de parto.

Atente que em algumas situações o útero pode ser estimulado e ter algumas contrações seguidas, entretanto depois de um tempo de repouso elas cessam. É o que acontece, por exemplo, quando a paciente caminha um pouco ou quando está muito estressada. Esse é o falso trabalho de parto.

Como ter certeza de que começou?

Para ter certeza se você está em trabalho de parto o ideal é fazer uma avaliação mais prolongada que 10 minutos. Nossa dica é, se você teve 3 contrações em 10 minutos, espere mais uma meia hora e faça uma nova avaliação. Se as contrações persistirem é o momento de você ir até o hospital para que possa ser avaliada pelo médico.

Além das contrações uterinas, alguns outros sinais podem ajudar a indicar que o momento do parto está se aproximando, veja abaixo alguns destes sinais:

  • O útero diminui de tamanho – próximo ao parto (alguns dias ou até semanas), o bebê encaixa. Neste momento a altura uterina diminui e parece que a “barriga caiu”;
  •  O colo do útero dilata – esse sinal você não irá ver pois é necessário um exame vaginal para avaliar a dilatação do colo uterino
  • Ocorre a perda do tampão mucoso – uma substância que parece um “catarro” e veda a cavidade uterina acaba saindo quando o colo começa a dilatar. O tampão mucoso geralmente é perdido alguns dias ou semanas antes do trabalho de parto
  • A bolsa rompe – você irá perder um volume considerável de líquido amniótico pela vagina

E se eu tiver dúvidas?

Não esqueça, o diagnóstico de trabalho de parto é difícil. Se estiver em dúvidas vá ao hospital para que um obstetra possa avaliar e dizer o que está acontecendo. Principalmente se você tem menos de 37 semanas pois eventualmente você pode estar em trabalho de parto prematuro. O trabalho de parto prematuro é aquele que acontece antes de 37 semanas e talvez você tenha feito um exame para avaliar o risco de trabalho de parto prematuro junto com o exame morfológico de segundo trimestre.

Na eventualidade de um trabalho de parto prematuro é interessante chegar o quanto antes ao hospital para que o médico possa tomar alguma conduta no sentido de inibir as contrações ou fazer uma medicação para amadurecer mais precocemente os pulmões do bebê.

Quanto tempo pode durar?

O tempo de duração do trabalho de parto é bastante variável, mas geralmente é de 12 a 24 horas. Se considerarmos a fase dos pródromos do trabalho de parto (aquela aonde as contrações estão bem no começo), a duração pode ser até de alguns dias.

Quando as contrações efetivas começarem é importante que você procure seu obstetra ou maternidade para o acompanhamento adequado. Essa é a fase mais importante para preservar a saúde de seu bebê em especial se você estiver planejando parto normal de gêmeos! Nestes casos algumas complicações podem acontecer e será importante estar assistida por uma equipe especializada.

O que fazer para ajudar a entrar em trabalho de parto?

Apesar da medicina ter evoluído bastante, não está completamente esclarecido o mecanismo pelo qual o trabalho de parto se inicia. Na maioria das vezes é difícil determinar quando a natureza irá fazer com que o bebê venha a nascer. Apesar de ouvirmos com frequência que a lua influencia o parto isto não é verdade! Na maioria das vezes, quando o bebê estiver pronto a mãe irá entrar em trabalho de parto! Mas será que existe alguma maneira de dar uma ajudinha para a natureza? Algumas situações, podem ajudar a desencadear o trabalho de parto, são elas:

  • Exercícios físicos leves como pequenas caminhadas ou o Yoga;
  • Relações sexuais fazem o útero contrair por 3 mecanismos distintos: pelo orgasmo, pela liberação de ocitocina (hormônio que faz o útero contrair) e por meio do sêmen que também pode provocar contrações;
  • Estimulação dos mamilos – pequenos beliscões também ajudam a liberar ocitocina! Se você já amamentou deve lembrar que durante a amamentação é comum sentir cólicas. Isso ocorre em função da liberação de ocitocina desencadeada pelo estímulo no mamilo durante a amamentação;

Muito legal não é? Agora que você já sabe identificar se está em trabalho de parto, aproveite para ler nosso post sobre a diferença entre um parto normal e um parto humanizado.

 

Existe gravidez psicológica?

Sim, este é um problema real! É possível que alguém esteja vivenciando uma gravidez psicológica. Uma gestação imaginária aonde inclusive as transformações esperadas no corpo da gestante acontecem. Estima-se que uma em cada 22 mil gestações não seja real. Estamos falando da pseudociese, o nome científico para a gravidez psicológica.

gravidez psicológica ou pseudociese

Gravidez Psicológica: A doença é verdadeira, o bebê não é!

O problema era mais comum no passado, segundo registros históricos. O caso mais famoso foi o da primeira rainha da Inglaterra, Maria Tudor, que em duas ocasiões declarou-se grávida e apresentou sinais de gestação, inclusive com o crescimento da barriga e das mamas, mas sem que fosse possível detectar o batimento cardíaco fetal. Chegou inclusive a apresentar um falso trabalho de parto.

A gravidez psicológica ocorre com mais frequência em algumas situações especiais. Mulheres com maior risco para pseudociese são aquelas que:

  • Tiverem várias perdas gestacionais
  • Possuem um quadro de infertilidade
  • Perderam um filho
  • Apresentam outros problemas psicológicos (como depressão)

Como saber se eu tenho uma gravidez psicológica?

Os sinais e sintomas de uma gravidez psicológica são semelhantes aos de uma gravidez real. O primeiro sinal é ausência de menstruação. Em seguida surgem outros sintomas que incluem enjôo matinal, aumento e sensibilidade dos seios, ganho de peso. Os seios podem inclusive produzir leite e em alguns casos podem surgir dores semelhantes a um trabalho de parto. Existe inclusive relatos de mulheres submetidas a cesárea com gravidez psicológica.

Apesar destes sintomas estarem presentes, o teste de gravidez estará negativo. O hormônio beta-hCG, secretado pela placenta não pode ser detectado no sangue e durante um exame de ultrassom de rotina o útero está vazio. Portanto, para verificar se é uma gravidez verdadeira ou psicológica o seu médico poderá solicitar um teste de gravidez e/ou um exame de ultrassonografia.

É interessante comentar que assim como existe a gravidez psicológica também existe a gravidez silenciosa que é aquela em que a mulher não sabia que estava grávida até o finzinho da gestação!

Qual é a causa da gravidez psicológica?

Embora os pesquisadores não tenham sido capazes de identificar a causa exata da pseudociese, existem motivos para acreditar que a razão poderia ser física ou psicológica. Razões físicas podem ser cistos ou tumores ovarianos. A maioria das evidências mostra que a pseudociese é comum em mulheres que desejam intensamente ser mães. De alguma maneira o cérebro faz o corpo acreditar na gravidez. O corpo recebe sinais hormonais e é solicitado a se comportar como faria se houvesse realmente uma gestação. As funções endócrinas, corticais, hipotalâmicas e psicológicas trabalham juntas de maneira complexa. O estresse no eixo “hipotálamo-hipófise-adrenal” é o que leva a uma gravidez psicológica.

Entretanto não basta apenas querer muito engravidar. Para passar pelo quadro é preciso ter tendências a alguma psicopatia que suporte esse delírio e negação da realidade. Por outro lado, a frustração por não conseguir engravidar – e muitas vezes, por não atender pressões externas – podem criar um caldeirão emocional que culmine na pseudociese.

É importante ressaltar que a gravidez psicológica não é uma invenção ou mentira da mulher. Ela de fato sente os sintomas da gravidez e acredita estar grávida. O corpo também produz hormônios típicos do período, como o estrógeno e a prolactina.

O que faz a barriga crescer na gravidez psicológica?

Cerca de 60 a 90% das mulheres com pseudociese podem apresentar um aumento do volume abdominal. Tanto pelo acúmulo de gordura por causa do aumento de peso quanto pela distensão abdominal. Sim, o acúmulo de gases nos intestinos é uma das principais causa para o aumento do volume abdominal nos quadros de gravidez psicológica.

Qual o tratamento da gravidez psicológica?

O tratamento de uma gravidez psicológica não é simples, pois é uma situação delicada, não é necessariamente um problema médico, mas mais psicológico, onde os sintomas podem durar de algumas semanas a 9 meses. Em alguns casos podem até durar anos.

Depois que um médico fazer exames para comprovar que é realmente uma pseudociese, deve-se realizar uma avaliação psicológica. Isto visa garantir que não exista nenhuma condição psicológica ou neurológica subjacente. Depois disso, o tratamento usual é psicoterapia e apoio emocional, pois são as únicas maneiras de tratar a pseudociese.

De onde vem a dor no umbigo durante a gravidez?

Sentir dor no umbigo ou dor na virilha durante a gestação são sintomas muito comuns. Podem ocorrer em qualquer fase da gestação mas é mais comum quando o útero está um pouco maior. Ocorre principalmente devido às alterações no corpo para se adaptar ao crescimento do bebê.

dor no umbigo

O umbigo (como é conhecido popularmente) é tecnicamente uma cicatriz. Após o parto o cordão umbilical “perde a utilidade”, então ele é cortado e ligado. Com o tempo o coto do cordão fica ressecado e cai, deixando uma pequena cicatriz que chamamos de umbigo.

coto cordão umbilical

Imagem mostrando o coto do cordão umbilical de um recém nascido. Note que por transparência é possível ver os vasos sanguíneos que existem no cordão.

Assim como existem vasos sanguíneos no cordão na parte externa ao corpo, existem vasos sanguíneos que percorrem a parte interna do nosso corpo durante a nossa vida fetal. Quando nascemos e o cordão é cortado, esses vasos não “desaparecem”. Como eles não terão mais fluxo eles obliteram e se tornam ligamentos. A veia umbilical vira o ligamento falciforme enquanto as artérias umbilicais passam a ser os ligamentos umbilicais mediais. Existe ainda no cordão uma outra estrutura chamada alantóide que irá formar o ligamento umbilical mediano, ligando o topo da bexiga a cicatriz umbilical.

vasos do cordão umbilical

Ultrassom mostrando os vasos do cordão umbilical na parte externa do feto e continuando na parte interna do feto.

Por quê ocorre a dor no umbigo?

Durante a gestação o útero aumenta de tamanho (por isso seu obstetra mede o tamanho da barriga em cada consulta). Com o crescimento do útero durante a gestação estes ligamentos serão progressivamente estirados (alongados) e isso poderá causar dor em volta do umbigo. No entanto, essa dor não é constante, e aparece principalmente quando a mulher curva o corpo, faz esforço ou pressiona o local. Algumas pacientes poderão também se queixar de inchaço ou de sentirem “puxões” quando o bebê se movimenta.

Mudança da Altura Uterina durante a gravidez

Crescimento uterino durante a gestação. Os números correspondem aos meses de gestação.

Entretanto, se a dor surgir no final da gravidez, se espalhar pelo abdômen e for acompanhada de contrações uterinas, pode ser sinal de trabalho de parto, por isso é importante saber identificar quais os sinais do trabalho de parto e as contrações de treinamento.

Gostou deste post? Então leia também sobre 6 Dores que NÃO são normais na Gravidez – E o que fazer com elas!

Desvendando o grau da placenta

Em 1979 um médico chamado Peter A.T. Grannum publicou o artigo The ultrasonic changes in the maturing placenta and their relation to fetal pulmonic maturity. Neste artigo propôs  uma maneira de classificar o aspecto ultrassonográfico da placenta. Durante a gestação a placenta tem aspecto ultrassonográfico homogêneo. Ou seja, a imagem produzida pela placenta tem aproximadamente o mesmo tom de cinza em toda a sua extensão.

Com o passar do tempo e evolução da gravidez, algumas áreas da placenta recebem uma pequena deposição de sais de cálcio, formando pequenas calcificações. Essas calcificações (dependendo do seu tamanho) podem ser vistas no exame de ultrassom, formando pequenos pontos brancos na placenta. A classificação criada por Grannum foi a seguinte:

  • Grau 0 – placenta homogênea, sem calcificações.
  • Grau I – placenta heterogênea, apresenta pontos brancos (ecogênicos) dispersos pela placenta.
  • Grau II – placenta heterogênea, apresenta agrupamentos de calcificações que formam imagens que parecem uma vírgula
  • Grau III – placenta heterogênea, apresentando calcificações circulares que contornam os cotilédones placentários
Grau da Placenta - Classificação de Grannum

Classificação do Aspecto Ultrassonográfico da Placenta publicado por Peter Grannum

Em uma época aonde o ultrassom estava iniciando e muitas vezes havia dúvida sobre a idade gestacional, o grau da placenta foi utilizado pra tentar “ajudar” a dizer se a gestação era mais precoce ou mais avançada. Atualmente com a difusão do ultrassom temos métodos mais precisos para datar a gestação. Um exame realizado no primeiro trimestre da gravidez tem uma margem de erro muito pequena para datar a gravidez. Dessa forma o grau placentário perdeu progressivamente a sua relevância no sentido de tentar determinar a idade gestacional.

Veja no gráfico abaixo a prevalência de cada grau placentário de acordo com a idade gestacional.

idade gestacional e grau da placenta

Grau placentário de acordo com a idade gestacional. Reproduzido de Petrucha RA, Platt LD. Relationship of placental grade to gestational age. Am J Obstet Gynecol. 1982.

O grau da placenta interfere no parto?

De maneira nenhuma. O grau da placenta não irá fazer com que o parto aconteça mais cedo ou mais tarde. Ocorre que como o grau de maturação placentária avança conforme a idade gestacional aumenta, em idades gestacionais mais avançadas a placenta está geralmente mais amadurecida. Assim, próximo ao parto, no ultrassom de terceiro trimestre, geralmente temos uma placenta grau II ou III. Entretanto não é necessário que a placenta esteja grau II para fazer o parto. Muitos partos ocorrem mesmo com uma placenta grau 0 ou I.

Então como o médico sabe que dá pra fazer a cesárea?

Caso você opte por uma cesárea eletiva, o seu obstetra irá marcar ela para próximo da 39ª semana. Nesta época temos os melhores desfechos conforme já comprovado em alguns estudos (veja Idade Gestacional da Cesárea Eletiva e Desfecho Perinatal). Se você tem dúvidas de como calcular a idade gestacional você pode usar a nossa calculadora de idade gestacional.

Devo me preocupar com o grau da placenta?

Não, se o feto está com crescimento adequado e o líquido amniótico está normal, não há motivo para se preocupar com o grau da placenta. O aspecto da placenta não interfere na sua função. Podemos ter uma placenta grau III que funciona muito bem e uma placenta grau 0 que não está muito boa.

E o que é a placenta grau 2A e 2B?

Além da classificação de Grannum, existe uma classificação do grau placentário que foi publicada pelo professor Hamilton Júlio, da Universidade Federal do Paraná (Graduaçäo placentária simplificada). A classificação de Hamilton Júlio divide o grau 2 em a e b, dependendo da profundidade atingida pela calcificação. Essa classificação é mais utilizada em Curitiba.

Grau Placentário - Hamilton Júlio

Classificação Placentária Simplificada de Hamilton Júlio.

O grau da placenta pode “diminuir”?

Não é incomum que em um exame a placenta esteja grau II e num exame subsequente ela esteja grau I. Apesar de isso não parecer fazer sentido, a classificação da placenta em graus é uma análise subjetiva e não é mensurável. Ou seja, uma pessoa pode classificar uma placenta como grau II e outra pessoa poderia classificar como grau I. Já tivemos a oportunidade de publicar um artigo sobre esse assunto (Reproducibility of placental maturity grade classification using a dynamic ultrasonography). 

 

Depressão durante a gravidez: mais comum do que você imagina!

Pesquisas sugerem que 1 em cada 7 mulheres sofrem de depressão durante a gravidez – você é uma delas?

É bastante comum falar em depressão puerperal, mas você sabia que a depressão pode ocorrer ainda durante a gravidez? A gravidez é idealizada como um dos momentos mais felizes da vida e uma mulher, entretanto, para algumas mulheres é um momento de confusão, medo, estresse e até depressão. A depressão é um transtorno do humor caracterizado por um sentimento persistente de tristeza e perda de interesse pelas coisas. Ela é mais frequente em mulheres do que em homens (2:1) e é mais comum durante a idade reprodutiva da mulher.

Depressão na Gravidez

Por que é difícil diagnosticar a depressão durante a gravidez?

Alguns sintomas da depressão, como alterações do sono, disposição, apetite e libido são sintomas comuns durante a gravidez. Por vezes você ou o seu médico poderão atribuir estas alterações a sintomas da gravidez e o quadro de depressão pode ficar sem diagnóstico.

Algumas mulheres também não se sentem à vontade para discutir estes sintomas em profundidade com o seu médico as alterações de humor que ocorrem durante a gravidez, em especial por conta do estigma associado a depressão. Obviamente há também uma tendência a se concentrar mais na saúde física durante a gravidez do que na saúde mental.

Quais são os principais fatores de risco para a depressão durante a gravidez?

Os principais fatores de risco associados a depressão na gravidez são:

  • Ansiedade
  • Estresse
  • História de depressão
  • Apoio social deficiente
  • Gravidez indesejada
  • Problemas conjugais
  • Complicações da gestação
  • História de abuso ou trauma

Observe que a dupla gravidez indesejada e problemas conjugais são fatores de risco importantes. O apoio do parceiro durante a gravidez pode ser um bálsamo, oferecendo conforto emocional e físico, bem como auxiliando nas questões práticas da gestação. A presença e a participação ativa do parceiro podem proporcionar uma experiência de gravidez mais serena e compartilhada.

Entretanto, na jornada da mãe solo, o cenário é diferente. Nesta situação, a gestante assume sozinha todas as decisões, encargos e cuidados. Neste ponto, a resiliência se torna uma competência vital. A resiliência capacita a mãe solo a lidar com obstáculos, adaptar-se a mudanças, extrair aprendizados de desafios e, sobretudo, seguir adiante, intensificando o vínculo único com o seu bebê. A maternidade solo pode ser um desafio, porém, também é uma aventura de descoberta pessoal, fortaleza e devoção sem limites.

É possível previnir a depressão?

Para muitas pessoas, o exercício regular ajuda a criar sentimentos positivos e melhorar o humor. Obter um sono de qualidade regularmente, manter uma dieta saudável e evitar o álcool (um depressivo) também pode ajudar a reduzir os sintomas da depressão. O álcool deve ser evitado na gestação pois também pode provocar a síndrome alcoólica fetal.

Como saber se estou com depressão durante a gravidez?

É normal e comum passar por momentos de tristeza. Na depressão geralmente estes momentos são persistentes, durando por pelo menos duas semanas. Mulheres com depressão geralmente apresentam alguns dos seguintes sintomas por 2 semanas ou mais:

  • Tristeza persistente
  • Dificuldade de concentração
  • Dormir muito pouco ou demais
  • Perda de interesse em atividades que você geralmente gosta
  • Pensamentos recorrentes de morte, suicídio ou tristeza
  • Ansiedade
  • Sentimentos de culpa ou inutilidade
  • Mudança nos hábitos alimentares

Algumas pessoas podem ter poucos sintomas e outras podem ter muitos. Com que frequência os sintomas ocorrem, quanto tempo duram e com que intensidade pode ser diferente para cada pessoa.

Se você apresenta estes sintomas converse com seu médico sobre isso. Talvez seja importante procurar um médico psiquiatra. Não se deixe abater pelo estigma associado as médico psiquiatra e as doenças mentais.

Para ajudar a identificar a depressão puerperal, também é possível utilizar nossa ferramenta para diagnóstico de depressão puerperal. Ela utiliza a chamada escala de Edimburgo para identificar as puérperas de risco para depressão.

A depressão durante a gravidez pode prejudicar o bebê?

A depressão não tratada pode potencialmente trazer riscos para a mãe e para o bebê. A depressão não tratada pode levar a quadros de desnutrição, alcoolismo, fumo, uso de drogas ilícitas, comportamento suicida, etc. Todos estes problemas podem desencadear um parto prematuro, ou restrição de crescimento do bebê.

Além disso, os bebês nascidos de mães com depressão podem ser menos ativos, apresentar menor atenção ou ser mais agitados que os bebês nascidos de mães não deprimidas. É por isso que obter a ajuda certa é importante para a mamãe e para o bebê.

Qual é o tratamento para a depressão durante a gravidez?

Se você sentir que pode estar sofrendo de depressão, o passo mais importante é procurar ajuda. É importante conversar com o seu médico, mesmo que você ache que está passando por parte dos altos e baixos normais durante a gravidez e, principalmente, se os sintomas persistirem por duas semanas ou mais. E se você está pensando em morte ou suicídio, deve procurar ajuda imediatamente. Caso você seja diagnosticada com depressão o seu médico poderá prescrever psicoterapia isolada ou associada com antidepressivos. Não se preocupe, existem medicações seguras para serem usadas durante a gravidez.

A depressão termina quando o bebê nasce?

Depressão na gravidez normalmente não resolve com o parto, um quadro de depressão puerperal pode agravar a depressão da gravidez. É provável que a depressão piore após o parto, necessitando de tratamento mais agressivo. Por isso que é tão importante procurar tratamento o mais breve possível.

O que é hCG?

HCG (Human Chorionic Gonadotropin) refere-se ao hormônio gonadotrofina coriônica humana. Este hormônio é amplamente utilizado como um teste de gravidez. Ele é produzido por um grupo de células chamado trofoblasto que dá origem à placenta.

Trofoblasto (parte do Blastocisto) secreta o HCG

Quais são os valores de hCG na Gravidez?

Os testes atuais permitem detectar o hCG a partir da 3ª ou 4ª semanas de gestação contadas da última menstruação. Portanto logo que a menstruação atrasa já é possível utilizar a dosagem de hCG para o diagnóstico da gravidez. Os testes laboratoriais utilizam geralmente uma sub-unidade do hCG – a sua fração Beta. Por isso ouvimos falar em Beta-hCG (ou ß-hCG). Apesar de dispormos de tabelas de valores de referência não é possível calcular a idade gestacional pelos valores de hCG.


Idade Gestacional Valor Beta-HCG (em mUI/mL)
3 semanas 5,8 a 71,2
4 semanas 9,5 a 750,0
5 semanas 217,0 a 7.138,0
6 semanas 158,0 a 31.795,0
7 semanas 3.697,0 a 163.563,0
8 semanas 32.065,0 a 149.571,0
9 semanas 63.803,0 a 151.410,0
10 semanas 46.509,0 a 186.977,0
12 semanas 27.832,0 a 210.612,0
14 semanas 13.950,0 a 62.530,0
15 semanas 12.039,0 a 70.971,0
16 semanas 9.040,0 a 56.451,0
17 semanas 8.175,0 a 55.868,0
18 semanas 8.099,0 a 58.176,0

Se você quiser saber como a idade gestacional (tempo de gravidez) é estimado, leia nosso artigo sobre o assunto: Como se calcula a idade Gestacional? Se você souber a sua data da última menstruação poderá utiliza nossa Calculadora de Idade Gestacional para saber de quanto tempo está grávida.

Como interpretar os valores

A maior parte dos laboratórios utiliza os seguintes valores de referência:

  • ß-hCG abaixo de 5 mIU/ml: resultado negativo, não há gravidez em curso.
  • ß-hCG entre 5 e 25 mIU/ml: resultado indefinido, geralmente indica inexistência de gravidez em curso, mas pode ser o caso de gestação muito recente, quando ainda não houve tempo do hCG ser produzido em quantidades suficientes para ser detectado no sangue. Nesses casos, deve-se repetir o teste após três dias.
  • ß-hCG acima de 25 mIU/ml: resultado positivo, indica gravidez em curso.

É sempre importante prestar atenção aos valores de referência do laboratório. Na maioria dos casos, os laboratórios usam o valor de 25 mIU/ml como limiar. Porém, dependendo do método químico usado, o valor considerado positivo pode ser mais baixo ou mais alto.