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O Ovário Policístico e a Síndrome do Ovário Policístico

Sim, por incrível que pareça são duas coisas diferentes. O ovário policístico se refere ao aspecto ultrassonográfico do ovário. Apesar de existirem milhares de óvulos nos ovários, durante o exame de ultrassom enxergamos apenas alguns. Eles são pequenas “bolinhas” pretas. O líquido no ultrassom fica preto e estas pequenas imagens representam os folículos ovarianos, que são circundados por líquido. Essa imagem é normal. Por outro lado, em até cerca de 20% das mulheres, ao invés de ver alguns cistos no ovário, identificamos uma quantidade muito grande. Nestes casos dizemos que o ovário tem um apecto policístico – o famoso ovário policístico. O ovário policístico também pode ser chamado de ovário micropolicístico pois são diversos cistos pequenos. Isto é bem diferente dos cistos de ovário que geralmente são únicos e grandes.

Ovário Policístico - Ultrassom

Imagem ultrassonográfica comparando um ovário normal com um ovário policístico.

Já a Síndrome do Ovário Policístico (ou SOP) é algo um pouco mais complexo. Dizemos que uma paciente possui esta síndrome quando pelo menos duas das seguintes características estão presentes: (1) ciclos menstruais irregulares (anovulatórios); (2) aumento de andrógenos (hormônio masculino) e (3) presença de ovários policísticos. Portanto para ter a síndrome do ovário policístico não basta ter apenas a alteração no ovário, precisa ter pelo menos mais uma das outras características. E por outro lado é possível ter a Síndrome do Ovário Policístico sem ter os ovários policísticos… confuso não é?

O que o ovário policístico pode causar?

Quando temos apenas o ovário com aspecto policístico geralmente não temos outros sintomas associados. Já na síndrome do ovário policístico, por ser uma doença metabólica, podemos ter diversos diferentes sintomas. Os sintomas mais comuns são:

  • Irregularidade menstrual – como a ovulação geralmente não acontece, o ciclo menstrual fica bastante irregular e algumas mulheres ficam até meses sem menstrual;
  • Menstruação abundante – como o endométrio (camada do útero que descama na menstruação) cresce muito, durante o período menstrual o sangramento pode estar aumentado;
  • Acne – o excesso de andrógenos (hormônios masculinos) aumentam a oleosidade da pele, levando ao aparecimento de acne na face, no tórax e nas costas;
  • Crescimento de pelos – cerca de 70% das mulheres com a síndrome tem um aumento no crescimento de pelos. Este excesso de pelos é chamado de hirsutismo;
  • Obesidade – mais de 80% das mulheres com síndrome de ovário policístico são obesas, portanto é um dos principais fatores de risco para a doença;
  • Escurecimento da pele – algumas áreas como a virilha, pescoço e em baixo das mamas pode ocorrer um escurecimento da pele;
  • Calvice – algumas mulheres podem ficar com os cabelos mais finos e apresentar uma calvice semelhante ao que ocorre em homens.

O que causa a síndrome dos ovários policísticos?

Não existe uma causa exata para este problema. Acredita-se que os altos níveis de hormônios masculinos (andrógenos) fazem com que os ovários produzam menos hormônios e que a ovulação não aconteça. Possivelmente a associação entre uma predisposição genética, o aumento da resistência periférica a insulina e o excesso de andrógenos fazem o problema acontecer.

A insulina é um hormônio secretado pelo pâncreas e ela ajuda o seu corpo a metabolizar os açucares das comidas. Quando as células não conseguem usar a insulina corretamente o pâncreas produz mais insulina para tentar compensar esse problema. O excesso de insulina faz com que os ovários produzam hormônios masculinos – piorando o problema.

A obesidade é a principal causa da resistência a insulina. Ou seja, a obesidade faz com que as células não consigam usar a insulina adequadamente. Assim o pâncreas secreta mais insulina para compensar o problema. Por isso a forte relação entre o ganho de peso pode estar associado a doença. Desta forma a mudança de estilo de vida e perda de peso fazem parte importante do tratamento da doença.

Tanto a obesidade quanto a síndrome dos ovários policísticos aumentam o risco de níveis elevados de açúcar no sangue, hipertensão, colesterol HDL (“bom”) baixo e colesterol LDL (“ruim”) alto.

Juntos, esses fatores são chamados de síndrome metabólica e aumentam o risco de doenças cardíacas, diabetes e derrame.

Como é feito o diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos?

Para o diagnóstico é preciso apresentar pelo menos dois dos três critérios abaixo, após a exclusão de outras patologias que poderiam causar sintomas semelhantes.

  1. Hiperandrogenismo clínico e / ou laboratorial;
  2. Irregularidade menstrual / anovulação;
  3. Aumento volume ovariano / alteração na morfologia dos ovários com a presença de cistos.

O hiperandrogenismo é o excesso de hormônios masculinos que podem ser identificados em exames laboratoriais de sangue ou por características clínicas como o hirsutismo. A menstruação desregulada é um sintoma comum quando a paciente possui ciclos anovulatórios, o que pode causar a infertilidade. Já a análise do volume ovariano e a presença de cistos serão avaliados durante um exame de ultrassom transvaginal.

Como é a menstruação de quem tem a síndrome do ovário policístico?

A dificuldade em ovular faz com que os ciclos sejam bastante irregulares. É comum que algumas mulheres com a síndrome do ovário policístico fiquem vários meses sem menstruar. E quando vem a menstruação podem ter sangramentos mais abundantes e que duram vários dias.

O ovário policístico faz a mulher engordar?

Apesar da forte associação entre a obesidade e a síndrome do ovário policístico a teoria mais provável é que a obesidade cause a síndrome e não o contrário. A obesidade faz com que as células do corpo tenham dificuldade em utilizar a insulina para metabolizar açúcar – o que chamamos de resistência à insulina. A resistência a insulina está associada com o aumento de produção de andrógenos pelos ovários. Justamente causando assim algumas das alterações vistas nas pacientes com a síndrome dos ovários policísticos.

É possível engravidar com o ovário policístico?

Sim, apesar de comumente as pacientes apresentarem ciclos anovulatórios, o tratamento adequado poderá fazer com que a ovulação aconteça e a paciente engravide. Em casos mais extremos poderá ser necessário um tratamento para infertilidade com a fertilização in vitro.

Qual é o tratamento da síndrome dos ovários policísticos?

A dieta alimentar e a prática de atividade física representam a primeira linha de tratamento da doença. Isso melhora a sensibilidade à insulina, regula a ovulação e aumenta a fertilidade. Em alguns casos poderá ser prescrito anticoncepcionais orais para ajudar a regular a menstruação. Por ser uma síndrome, com vários sintomas, o tratamento pode englobar diversos medicamentos como hipoglicemiantes orais ( como a metformina nos casos de resistência à insulina); medicamento para reverter o quadro de infertilidade, cosméticos conta a acne e terapias para o controle do estresse e da ansiedade.

Gravidez Silenciosa: é possível estar grávida e não sentir nada?

O fenômeno da gravidez silenciosa está sendo cada vez mais comentado. São casos aonde mulheres descobrem que estavam grávidas dias antes do parto. Mas será que isso é realmente possível? Será que é possível descobrir a gravidez no dia do parto?

Apesar de ser algo incomum, isso de fato acontece. Assim como existe a pseudociese (gravidez psicológica), também existe a gravidez silenciosa aonde a gestante não percebe que está grávida antes do terceiro trimestre. Ou seja, a gravidez só é percebida um pouco antes de dar a luz ou até mesmo no momento parto.

O problema é que algumas mulheres podem ter sangramentos durante a gravidez ou alguma irregularidade menstrual. Isto certamente contribui para dificultar a identificação da gravidez. Lembre que o primeiro sinal de gravidez é relacionado sempre ao atraso menstrual. Outras mulheres podem ter algum problema psicológico que dificulta o reconhecimento ou mesmo a aceitação da gravidez.

Como saber se estou grávida se não tenho sintomas?

Pode ser difícil diagnosticar se você tem uma gravidez silenciosa. Afinal de contas se fosse sempre fácil isso não aconteceria, não é verdade? Entretanto, se você acha que pode estar grávida mas com dificuldade de identificar alguns dos principais sinais e sintomas como o ganho de peso ou o atraso menstrual, você pode ficar atenta a outros sintomas como:

  • Seios doloridos e inchados;
  • Urinar com maior freqüência;
  • Cansaço;
  • Náuse e vômitos;
  • Não tolerar algumas comidas ou cheiros.

E claro, nada melhor do que consultar o seu médico de confiança! Ele poderá fazer um exame clínico em você e solicitar exames complementares com um teste de gravidez. Assim saberá com certeza se você está grávida ou não. Lembre-se que as mulheres devem consultar seu ginecologista pelo menos uma vez por ano.

É possível estar grávida e não sentir nada?

Geralmente o principal sintoma de gravidez é a menstruação atrasada. Claro que para uma mulher que menstrua todo o mês, sempre na mesma época, é relativamente fácil perceber que existe algo de diferente quando a menstruação atrasa. Entretanto é preciso considerar que estes casos de gravidez silenciosa geralmente acontecem com pacientes que possuem ciclos irregulares, e geralmente longos.

Algumas mulheres, por exemplo as que tem ovários policísticos, podem ficar vários meses sem menstruar. Além disso os ovários policísticos geralmente dificultam a gestação. Então, por exemplo para uma mulher com ovários policísticos a gravidez pode ser uma surpresa.

Outras mulheres podem ter sangramentos recorrentes durante a gestação e confundir isso com a menstruação. Nos casos por exemplo aonde a placenta está inserida muito próxima ao colo do útero, durante toda a gestação podem acontecer sangramentos que são confundidos com a menstruação.

Por vezes também os sintomas como aumento da frequência urinária, sensibilidade nas mamas e enjôos podem passar desapercebidos por serem muito sutis.

O uso do anticoncepcional também pode ajudar a esconder a gravidez. Principalmente para as mulheres que usam o anticoncepcional de forma contínua. Ao esquecer de tomar o anticoncepcional a paciente pode engravidar e não se dar conta pois ela normalmente não menstrua. E, como você sabe, não há método anticoncepcional infalível. Portanto mesmo tomando anticoncepcional pode engravidar!

Também é mais comum a gravidez silenciosa em mulheres obesas. Nestes casos o aumento da barriga pode não ser tão evidente pois o acúmulo de gordura no abdômen pode “disfarçar” o aumento do útero até o momento do parto.

E os outros sintomas de gravidez?

Os outros sintomas comuns da gravidez como enjôos, dores nas costas, sonolência ou dores nas mamas são bastantes inespecíficos. Isto significa que podem acontecer em diversas situação e não apenas na gravidez. Nos casos de gravidez silenciosa estes sintomas podem passar desapercebidos pois o enjôo pode ser atribuído a alimentação, o sono a um dia um pouco mais exaustivo e assim por diante.

A ausência completa de sintomas é incomum. Algumas mudanças no corpo sempre acabam acontecendo, o problema é que podem passar desapercebidas até chegar a hora de ir para o hospital.

Como posso saber se estou grávida tocando a barriga?

Durante os exames de pré-natal o obstetra palpa o abdômen materno para identificar a posição do bebê. Ele também mede a altura uterina para avaliar se o crescimento do bebê está adequado. Palpar o abdômen para identificar o útero ou o bebê exige treinamento. Talvez seja difícil ou quase impossível para alguém sem treinamento tocar a sua barriga e saber se o que está sendo palpado é o útero ou apenas o intestino. Por isso não queira tentar saber se está grávida tocando a barriga, você pode errar feio.

Talvez a melhor maneira de saber se você está grávida ou não será colocando a mão sobre o abdômen para tentar perceber os movimentos fetais. Eles geralmente podem ser percebidos a partir da 20 semana de gestação. Sentir o bebê mexendo pode ajudar a identificar se você está grávida. Principalmente se não tiver outros sintomas ou se a barriga não estiver aumentando a ponto de tornar evidente a gestação.

Quais são os riscos de uma gravidez sem acompanhamento pré-natal?

Dar a luz sem fazer o pré-natal pode ser perigoso para a futura mamãe e para o bebê. O pré-natal tem como princípio fundamental identificar situações que colocam em risco a mamãe e o bebê. Após a identificação destes problemas um tratamento é instituído para que a gestação transcorra sem problemas.

Um exemplo são os exames de sangue. No pré-natal é realizada uma triagem para anemia, diabetes, algumas infecções e se esses problemas forem descobertos é importante iniciar o tratamento adequado o quanto antes. Os exames de urina também são importantes pois as infecções urinárias, muito comuns na gestação, são a principal causa de parto prematuro.

Outro dado importante do pré-natal é a pressão arterial da futura mamãe que deve ser aferida em todas as consultas pois existe uma doença, chamada pré-eclâmpsia, que faz a pressão aumentar especificamente na gravidez. E claro, não podemos nos esquecer de citar também os exames de ultrassom que são fundamentais para acompanhar o desenvolvimento do bebê.

Algumas dores não são normais na gravidez e se você não sabe que está grávida, poderá não tomar o cuidado necessário! Para saber quais são essas dores leia nosso artigo sobre 6 dores que não são normais na gravidez.

Tive uma gravidez silenciosa, será que serei uma boa mãe?

Claro que sim! Apesar de dar a luz sem perceber que estava grávida, isso não impede essas mulheres de serem serem excelentes mães. Na maioria das vezes quando as mulheres descobrem a gravidez elas compreendem e aceitam seu filho muito bem.

Entretanto é recomendável, se você teve uma gravidez silenciosa, fazer uma avaliação mental para tentar descobrir o que a levou a negar a gravidez. Isso é importante para previnir o abuso infantil e a negligência, que são mais comuns em mulheres que negaram a gravidez.

Aplicativo Gravidez

Como a tecnologia pode ajudar a futura mamãe e o desenvolvimento do bebê? Hoje para diversas tarefas do dia a dia utilizamos um aplicativo. Desde pedir um almoço, um transporte para fazer transações bancárias utilizamos um aplicativo. A gestação é um momento de descoberta para a futura mamãe. E porque não usar um aplicativo de gravidez para saber mais sobre o seu pré-natal e informações sobre o que está acontecendo com o seu bebê?

Aplicativo Gravidez

Hoje vários aplicativos de gravidez estão disponíveis na App Store e no Google Play, iremos analisar aqui alguns destes aplicativos para que você possa fazer o melhor uso possível de informações disponíveis online! Confira as melhores opções para acompanhar o desenvolvimento do seu bebê semana a semana.

App Gestantes Fetalmed

Preço: gratuito

Um aplicativo produzido por nossos médicos da Fetalmed para que você possa acompanhar passo a passo o que está acontecendo com a sua gestação! Informações precisas e voltadas para as nossas gestantes.

Para iniciar o uso do aplicativo basta informar de quanto tempo você está grávida. O aplicativo irá trazer informações semana a semana com todas as dúvidas mais imoportantes do seu dia a dia. Dicas, idéias, informações e todo o conteúdo produzido e supervisionado por médicos. O aplicativo ajuda os pais a se sentirem mais preparados e confiantes para enfrentar tudo o que vem pela frente.

Ferramentas importantes como o mobilograma, que conta quantas vezes o bebê está mexendo, ou o contador de contrações uterinas para identificar se você está em trabalho de parto estão disponíveis para todas as grávidas. Além de milhares de artigos sobre tudo que você está sentindo nessa semana.

Destaques

  • Calendário da gravidez – Saiba exatamente em que semana da gestação você está, quando mede e pesa o seu bebê e quais são os principais sintomas e alterações do organismo que você pode esperar nesta semana.
  • Calculadora de idade gestacional- Calcule a sua idade gestacional com diferentes parâmetros, como a data da última menstruação ou a data provável do parto.
  • Mobilograma – Avalie a vitalidade do seu bebê pelo número de vezes que ele movimenta. Está é uma ferramenta bastante útil para a gestante.

Disponível para iPhone (iOS) e para dispositivos Android.

Disponível na App Store

Disponível no Google Play

 

Meu Pré-natal

Preço: gratuito

Aplicativo Meu Pré-natal foi desenvolvido por uma equipe coordenada pelo Centro de Informática em Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG. É gratuito e sem fins lucrativos. O aplicativo inicia por um gestograma que é uma representação gráfica das semanas de idade gestacional. Você pode informar a sua idade gestacional com base no primeiro dia da última menstruação ou por um exame de ultrassom.

Além do gestograma o aplicativo também permite ao usuário montar um plano de parto, anotando todas as suas preferências. Um álbum do fotos da gestação do do bebê ao nascer também pode ser criado no aplicativo. Como utilitários o aplicativo apresenta um contador de contrações e uma lista do que levar para a maternidade. Os dados do bebê no nascimento também são registrados.

App Gravidez Meu Pré-Natal

Sprout

Preço: gratuito (algumas funções são pagas R$ 18,90).

Com bonitos gráficos em 3D o aplicativo mostra como está a formação do bebê dentro da sua barriga. Permite que você monte um álbum com anotações dos eventos mais importantes da sua gestação e tenha informações semanais em um interessante calendário de gestação. Um excelente aplicativo, permite ainda anotar as próximas consultas ao médico e manter uma lista de coisas para fazer enquanto você espera o bebê. Possui ainda uma ferramenta para controle de peso, um contador de chutes do bebê e um contador de contrações para ver se já está na hora de ir para o hospital.

Sprout Aplicativo Gestação

iPregnant Lite

Preço: gratuito.

Apesar de não estar disponível em português, este é um aplicativo bastante interessante. Ainda que gratuito o aplicativo possui uma série de funções interessantes. Na tela inicial é possível ver à direita uma barra que mostra o quanto da gestação você já completou. É possível adicionar eventos em um calendário, ter acesso a informações da gestação, como o comprimento do bebê e seu desenvolvimento. Como a maioria dos aplicativos da categoria é possível criar um álbum de imagens da gestação. O plano de parto, organizadores e lembretes também estão disponíveis para o usuário.

Aplicativo Gestação iPregnant Lite

BabyCenter Aplicativo Gravidez

Preço: gratuito (anúncios no aplicativo).

Este é um dos aplicativos mais utilizados no Brasil. É muito rico em informações como leituras diárias sobre a gestação e fórum de gestantes para discussão de temas relacionados a gestação. Todos estes temas e discussões fazem parte do conteúdo da página do BabyCenter no seu site. Como ferramentas disponíveis temos um álbum de fotos da barriga, um dicionário de significados de nomes dos bebês e um contador de contrações. O aplicativo carece de um organizador de consultas, duvidas e outras funções disponíveis nos aplicativos desta categoria.

BabyCenter Aplicativo Gravidez

O que é o corpo lúteo?

O corpo lúteo é uma estrutura que é formada nos ovários logo após a ovulação. Os ovários são duas estruturas arredondadas que ficam ao lado do útero e são responsáveis por liberar os óvulos durante o o ciclo menstrual. Todos os meses os ovários são estimulados durante o ciclo menstrual e um folículo amadurece, liberando um óvulo. O óvulo quando fecundado irá ser captado pelas trompas por onde seguirá até o útero para formar o embrião.

Corpo Lúteo

Esquema do Ciclo Ovulatório mostrando um ovário e todas as fases de um folículo até a ovulação e formação do corpo lúteo.

Após a liberação do óvulo, forma-se o corpo lúteo. Ele nada mais é do que uma cicatriz que se forma no local onde o óvulo foi liberado. Durante o ciclo menstrual e caso ocorra uma gravidez o corpo lúteo é responsável pela produção de progesterona. Nas gestantes a progesterona é um hormônio importante para a manutenção da gravidez, sendo produzido inicialmente pelo corpo lúteo e após 12 semanas pela placenta.

Como o corpo lúteo é formado?

Dentro dos ovários, os óvulos são armazenados dentro de estruturas chamadas folículos primários. Ao nascer uma mulher possui milhões de folículos primários em cada ovário. Um folículo primário nada mais é do que um óvulo envolvido por uma camada de células chamada de granulosa. Durante cada ciclo menstrual um folículo primário é recrutado. Isto significa que ele é escolhido como folículo do mês para ser amadurecido e ovular. Durante o processo de amadurecimento do folículo a camada de células da granulosa fica mais espessada.

As células da granulosa produzem líquido formando um pequeno cisto que cresce progressivamente. Ao ultrassom é possível ver os folículos estimulados como pequenos cistos que medem cerca de 10 mm ou mais. A medida que o ciclo ovariano progride, as células da granulosa se multiplicam cada vez mais e produzem mais e mais líquido, fazendo o folículo crescer cerca de 3 mm por dia.

Folículo Ovariano

Na imagem podemos ver um ovário com um folículo estimulado (imagem grande em preto arredondada) e outros folículos menores e não estimulados (pequenas imagens arredondadas na periferia do ovário).

Como ocorre a ovulação?

Quando o folículo atinge 24-25 mm de diâmetro ele rompe, como um balão que ficou muito cheio. Neste momento o óvulo que estava dentro do folículo é jogado pra fora do ovário.

Momento da Ovulação Humana

Momento da ovulação visto durante um exame de videolaparoscopia. O óvulo que está sendo liberado está marcado pela seta.

Logo após a ovulação ocorre um pequeno sangramento geralmente auto-limitado o que forma o corpo hemorrágico que em seguida se torna amarelo, dando origem ao corpo lúteo (do latim corpo amarelo). O corpo lúteo é formado pelas células da granulosa e tem grande importância no ciclo menstrual pois secreta um hormônio chamado progesterona. Ele possui colocação amarela em função da luteína que é o hormônio presente nele.

Corte macroscópico de um ovário mostrando o corpo lúteo

Corte de um ovário mostrando o corpo lúteo na parte superior.

O corpo lúteo é relativamente grande em relação ao ovário, tendo cerca de 2 a 5 cm. A função do corpo lúteo é preparar o útero e manter a gravidez até que a placenta comece a secretar a progesterona. Caso não ocorra a fecundação o corpo lúteo vira uma pequena cicatriz esbranquiçada chamada corpo albicans.

Todo este ciclo é possível de ser estudado e acompanhado ao ultrassom com o exame chamado controle de ovulação.

Qual é a função do corpo lúteo?

O corpo lúteo tem a função de produzir a progesterona. Estrogênio e progesterona são os dois principais hormônios envolvidos na ovulação e no ciclo menstrual da mulher. Na primeira fase do ciclo, chamada de fase folicular, um hormônio chamado FSH (hormônio folículo estimulante) é secretado pela hipófise. Ele faz com que o folículo ovariano cresça e se desenvolva até o momento onde ocorre a ovulação. Nesta fase os ovários produzem o estrogênio que junto com a progesterona irá ajudar a preparar o útero para a gravidez. No fim desta fase do ciclo menstrual a hipófise começa a secretar menos FSH e mais LH (hormônio luteinizante). O LH irá ajudar no amadurecimento do folículo para que ocorra a ovulação.

Após a ovulação temos a segunda fase do ciclo, chamada de fase lútea, onde o principal hormônio envolvido é a progesterona. Ela agora é produzida pelo corpo lúteo e irá provocar um espessamento do endométrio, preparando o útero para a implantação do ovo (nome dado ao óvulo fecundado). Essa fase do ciclo tem uma duração de aproximadamente 14 dias e caso não ocorra a fecundação os níveis de progesterona irão diminuir o que irá provocar o descamamento do endométrio, causando a menstruação.

Por outro lado, caso a mulher tenha relações sexuais e ocorra a fecundação o ovário irá continuar a produção de progesterona. Ela será responsável por dar suporte a gravidez até que a formação da placenta esteja completa. Com cerca de 12 semanas de gravidez a placenta assume o papel do corpo lúteo e passa a produzir a progesterona que será fundamental na manutenção e suporte da gravidez.

Quanto tempo o corpo lúteo fica no ovário?

Caso não aconteça a gestação o corpo lúteo permanece por cerca de duas semanas até se tornar o corpo albicans (branco, do latim). Por outro lado, caso ocorra a gestação, o corpo lúteo irá produzir progesterona até aproximadamente a 12ª semana de gestação, quando então a placenta irá tomar essa função.

O que significa a progesterona baixa?

A produção de progesterona é fundamental para a regulação dos ciclos menstruais e para o desenvolvimento normal da gravidez. Mulheres que tem níveis baixos de progesterona podem ter menstruação irregular.

Além disso, quando a progesterona é muito baixa no início da gravidez isto pode causar uma perda gestacional. Esta situação é conhecida como insuficiência de corpo lúteo. Nos casos onde a produção de progesterona é insuficiente o seu médico poderá recomendar o uso de progesterona exógena para tratar a insuficiência de corpo lúteo.

O diagnóstico de insuficiência de corpo lúteo é difícil e deve ser feito pelo seu médico. Em casos de perdas gestacionais recorrentes o seu obstetra poderá prescrever progesterona para evitar uma perda gestacional.

Quando o corpo lúteo aparece no ultrassom?

Caso você faça um ultrassom logo após ter ovulado, o médico poderá ver um corpo lúteo. É uma imagem escura (chamada tecnicamente de anecóica), cercada por um halo mais esbranquiçado. Muitas vezes é possível ver também que o corpo lúteo possui rica vascularização, quando associamos o Doppler ao exame de ultrassom.

Corpo Lúteo no Ultrassom

Imagem de um corpo lúteo ao ultrassom.

Apesar desta ser a forma mais comum do corpo lúteo, ele ainda pode assumir outras formas. Por exemplo, quando existe um sangramento mais abundante durante a ovulação ele pode ter características semelhantes a um hematoma. Neste caso é chamado de corpo lúteo hemorrágico. Outras vezes o corpo lúteo pode formar um cisto de dimensões um pouco maiores. Nesta situação recebe o nome de corpo lúteo cístico.

Ter um corpo lúteo no ultrassom significa que estou grávida?

Não. Ter um corpo lúteo no ultrassom significa que você ovulou. Entretanto, apesar de ter ovulado isto não significa necessariamente que você está grávida. Se você deseja engravidar é interessante determinar o seu período fértil e para isso possuímos no site uma calculadora que te ajuda a determinar o seu período fértil. Portanto o corpo lúteo pode aparecer no ultrassom após a ovulação, mesmo que você não esteja grávida.

Qual a importância do corpo lúteo para a gravidez?

Num primeiro momento, ainda durante a fase lútea do ciclo menstrual, a formação do corpo lúteo é importante para a gravidez no sentido em que prepara o endométrio para receber o óvulo fecundado. Neste momento, o principal objetivo do corpo lúteo é liberar progesterona para esta preparação.

Caso ocorra a gravidez a progesterona terá papel fundamental na manutenção da gestação. A progesterona ajuda o útero a crescer para que possa acomodar o bebê. Além disso ela evita que ocorram contrações, o que ajuda a manter a gravidez. Quando o útero tem muitas contrações nas fases iniciais da gestação isto pode levar a uma perda gestacional.

Em algumas pacientes com risco aumentado para parto prematuro a progesterona também tem sido usada com sucesso para ajudar a extender o tempo de gravidez.

Coceira na Vagina? Pode ser Candidíase!

Uma queixa comum das mulheres quando visitam o seu ginecologista é o prurido (coceira) vaginal. Esse sintoma pode se tornar mais comum ainda durante a gravidez em função das próprias alterações fisiológicas causadas pela gestação.

A queixa de coceira vaginal é comumente causada por uma infecção fúngica do gênero Candida. Essa infecção recebe o nome de candidíase ou monilíase. Entre todas as espécies deste fungo, a Candida albicans é a mais comum, sendo responsável por até 90% dos casos. Antes de iniciar qualquer tratamento é importante que a paciente consulte o seu ginecologista para ele confirmar a infecção e prescrever o tratamento apropriado. Isso é especialmente importante em gestantes pois algumas medicações podem ter restrição de uso na gravidez.

Quais são os sintomas de candidíase vaginal?

Apesar do sintoma mais comum ser a coceira no canal vaginal, alguns outros sintomas também podem aparecer. Entre eles podemos destacar:

  • Coceira (prurido);
  • Dor para urinar;
  • Inchaço ou irritação da vulva;
  • Dor nas relações sexuais;
  • Vermelhidão na vulva;
  • Corrimento esbranquiçado e com grumos.
Corrimento da Candidíase Vaginal

Exame ginecológico evidenciando colo uterino recoberto por corrimento esbranquiçado e grumoso, compatível com candidíase vaginal.

Os sintomas da infecção vaginal por cândida podem ser semelhantes a diversas outras condições como uma infecção bacteriana (vaginose bacteriana), tricomoníase e dermatite. Para o diagnóstico adequado é importante consultar o seu ginecologista.

Como se pega a candidíase?

A Candida é um fungo que faz parte do trato gastrointestinal e muitas vezes da vagina. Em situações normais a Candida não causa nenhum sintoma. Em algumas situações, como por exemplo após o uso de algumas medicações ou alterações dos sistema imune, este fungo pode crescer de maneira exagerada. Nesta situação os sintomas acima podem aparecer.

Apesar da candidíase poder ser sexualmente transmissível, mas maioria das vezes não é. Geralmente a doença é causada por um simples desequilíbrio da flora vaginal. Muitas vezes alguns fatores de risco podem aumentar a chance de ter candidíase, como por exemplo o diabetes, a falta de higiene com as partes íntimas, o uso de roupas muito apertadas e que diminuem a aeração da região íntima.

Como a candidíase é tratada?

O tratamento para candidíase é feito com a administração de antifúngico. Para mulheres não grávidas a medicação pode ser via oral, mas para gestantes recomenda-se a aplicação de creme vaginal para minimizar a exposição do feto a medicação. Em algumas situações o tratamento também pode ser combinado, usando a medicação via oral e o creme vaginal. O tratamento dura entre 1 e 2 semanas, a depender de cada caso.

O que fazer se você tem candidíase recorrente?

Algumas mulheres podem ter vários episódios de candidíase no ano. Nestes casos é importante conversar com o seu médico por ele irá pesquisar a causa dessas infecções de repetição. Você por exemplo pode estar com diabetes e não sabe.

Além da investigação habitual, algumas medidas comportamentais também podem ajudar a evitar a candidíase de repetição:

  • Diminuir o consumo de doces;
  • Evitar usar roupas apertadas;
  • Realizar a higiene íntima de maneira adequada;
  • Secar bem as partes íntimas após o banho;
  • Fazer atividade física e ter alimentação saudável.

Lembre-se: o estilo de vida e os hábitos de higiene podem evitar a candidíase!

A candidíase pode passar para o bebê?

Se no momento do parto vaginal houver uma infecção por Candida na vagina da paciente, a pele do bebê será contaminada por uma grande quantidade de fungos. Como o bebê não tem o sistema imunológico completamente desenvolvido, ele poderá desenvolver uma infecção de pele causada pela Candida.

Gostou desse conteúdo? Veja nossas dicas para evitar candidíase!

Eritroblastose Fetal: A Doença da Incompatibilidade Sanguínea entre Mãe e Feto

A eritroblastose fetal, também conhecida por doença hemolítica perinatal, ocorre quando existe uma incompatibilidade entre o sangue da mãe e do bebê. A incompatibilidade mais comum é a do fator Rh. Nos casos aonde a anemia fetal é muito grave pode ser necessário a realização de um procedimento de transfusão intrauterina de sangue para o bebê.

Como acontece a incompatibilidade sanguínea?

O nosso sistema imunológico tem o poder de reconhecer elementos (proteínas) que não fazem parte do nosso corpo, chamados de antígenos. Quando isso acontece produzimos anticorpos que se ligam nessas proteínas formando um complexo antígeno-anticorpo (ou complexo imune). Este complexo é então destruído pelo nosso sistema imune.

Quando a mãe é Rh negativo isso significa que na superfície da hemácia dela não existe uma determinada proteína (que atualmente é conhecida como antígeno D). Quando ela está gestando um bebê de Rh positivo, as hemácias do feto possuem este antígeno. Enquanto não houver passagem do sangue do bebê para a circulação materna nenhum problema ocorre pois o sistema imunológico da mãe não é “apresentado” a essa proteína estranha.

Caso ocorra algum sangramento aonde o sangue do bebê entra na circulação da mãe então sim ocorre a “apresentação” do antígeno D ao sistema imunológico da mãe. Depois que isso acontece o sistema imunológico da mãe começa a produzir anticorpos contra o antígeno D pois ele não sabe dizer que essa proteína é do bebê, ele age como se fosse por exemplo uma proteína de um vírus que estivesse tentando “atacar” a mãe.

Para a mãe, nenhum problema irá ocorrer pois em alguns dias o sangue fetal será retirado da circulação dela. Entretanto, uma vez que o sistema imunológico da mãe foi “apresentado” ao antígeno ele irá produzir anticorpos para o resto da vida. Essa “apresentação” do antígeno ao sistema imunológico é chamada de sensibilização.

Como os anticorpos da mãe causam a anemia fetal?

O problema então acontece pois os anticorpos da mãe atravessam a barreira placentária e se ligam nas hemácias do feto. Ao ver o complexo imune (complexo antígeno-anticorpo) o sistema imunológico do feto destrói ele (junto com a hemácia). A destruição progressiva das hemácias fetais irá provocar a anemia fetal. As hemácias também são chamadas de eritrócitos e por isso o nome eritroblastose fetal. Esta anemia pode ter maior ou menor gravidade, eventualmente necessitando de uma transfusão intrauterina para salvar a vida do bebê. Como a doença na maioria das vezes é causada pela incompatibilidade Rh ela também é conhecida como isominunização Rh.

Eritroblastose Fetal - Isoimunização Rh - Doença Hemolítica Perinatal

Esquema da Eritroblastose Fetal.

Apenas o fator Rh causa anemia no feto?

Não, o fator Rh é responsável por cerca de 95% das anemias por incompatibilidade sanguínea. Outros antígenos na superfície da hemácia também podem causar anemia, porém são mais raros. Um exemplo desses antígenos é o antígeno Kell.

Quais são os sintomas da eritroblastose fetal?

Geralmente para a gestante a doença é assintomática. Ou seja, dificilmente veremos alguma manifestação da doença na mãe. Para o feto iremos observar inicialmente um aumento da velocidade do sangue na circulação. Esse aumento de velocidade ocorre em função do sangue anêmico ser menos viscoso. Essa alteração pode ser usada para identificar a anemia fetal, entretanto para isso é necessário que seja realizado o exame de dopplervelocimetria pois o ultrassom obstétrico normal não é capaz de medir a velocidade do sangue nos vasos. Em quadros mais avançados da doença fetal poderemos ver que o feto fica inchado (hidrópico). Já o recém nascido irá apresentar anemia e icterícia (amarelão). Quadros mais graves para o recém nascido poderão cursar com danos cerebrais, insuficiência cardíaca ou hepática.

Pode haver incompatibilidade pelo sistema ABO?

Sim, a incompatibilidade pelo sistema ABO também pode acontecer, entretanto ela não costuma causar uma anemia grave. Isso ocorre porque os antígenos do sistema ABO estão presentes em diversos tecidos do corpo e possuem pouca expressão imunogênica nas hemácias (células do sangue). Já o antígeno do Rh (antígeno D) está presente apenas nas hemácias e com grande expressão imunogênica.

O que mais pode causar a anemia no feto?

A anemia fetal também pode ser causada por infecções como a Parvovirose e por algum distúrbios metabólicos como a doença de Niemann-Pick, doença de Gaucher, anemia de Fanconi, deficiência de G-6-PD e talassemia alfa. Além de distúrbios genéticos e metabólicos, algumas gestações gemelares também podem ocorrer devido ao compartilhamento da placenta (transfusão feto-fetal).

Como evitar a isoimunização Rh?

A isoimunização Rh pode ser evitada ao se impedir a sensibilização da mãe. O momento mais comum da sensibilização é a hora do parto. Por isso ouvimos dizer que na primeira gravidez não tem problema mas que o problema pode ocorrer em uma gravidez subsequente. É na na primeira gravidez tudo transcorre muito bem e a sensibilização ocorre apenas na hora do parto. Na gravidez seguinte infelizmente os problemas já acontecem desde o início da gestação pois a mãe já tem o sistema imunológico sensibilizado da gestação passada.

Para evitar a sensibilização pelo Rh devemos impedir a apresentação do sistema imunológico ao antígeno D. Para isso, quando o sangue fetal entra em contato com o sangue materno, é importante administrar o quanto antes a imunoglobulina anti-D. A imunoglobulina anti-D nada mais é que o próprio anticorpo. Quando administramos o anticorpo precocemente ele se liga no antígeno D e o sistema imunológico da mãe não “enxerga” mais essa proteína. É como uma brincadeira de esconde-esconde.

Apesar muitas vezes nos referirmos a imunoglobulina como “vacina”, ela tecnicamente não é uma vacina. Por ser cara, a imuglobulina na maioria das vezes só é administrada na hora do parto, momento aonde a maioria das sensibilizações acontece. Em alguns locais ela é administrada também na 28ª semana de gestação.

Posso ser senbilizada mesmo tomando a imunoglobulina?

Quando administramos a imunoglobulina apenas no parto cerca de 2% das gestantes ainda se sensibilizarão. Se administrarmos também na 28ª semana baixamos essa taxa para cerca de 0,5%.

A imunoglobulina também deve ser administrada em casos de sangramentos, abortos, gestação ectópica e procedimentos invasivos como a amniocentese e a biópsia de vila corial.

Uma vez administrada a imunoglobulina ela tem uma meia-vida de cerca de 12 semanas. ou seja, quando administramos com 28 semanas ela dura até próximo ao parto.

Como sei se já fui sensibilizada?

Para saber se você já foi sensibilizada o seu médico irá solicitar no pré-natal um exame chamado teste de Coombs Indireto ou Pesquisa de Anticorpos Irregulares (PAI). As pacientes não sensibilizadas terão estes testes negativos. Se os testes forem positivos significa que você já foi sensibilizada. Caso você tenha tomado a imunoglobulina é esperado que estes testes fiquem positivos por cerca de 12 semanas.

Como fazemos para saber se o bebê tem anemia?

Para saber se o bebê tem anemia utilizamos o ultrassom com dopplervelocimetria. A dopplervelocimetria permite medir a velocidade do pico sistólico da Artéria Cerebral Média. Com esse dado podemos inferir se o bebê está anêmico ou não. Em casos de anemia a viscosidade do sangue é menor e a velocidade fica maior. Dispomos em nosso site de uma calculadora para ajudar a dizer se o bebê tem anemia ou não: Calculadora Anemia Fetal.

Se você é médico e gostaria de saber sobre a conduta nos casos de isoimunização, leia nosso post sobre a conduta na isoimunização Rh.

Referência

  1. Isoimunização Rh materna. Profilaxia, diagnóstico e tratamento: Aspectos atuais.

 

Quando a cirurgia fetal pode ajudar?

A cirurgia fetal, também conhecida como cirurgia intrauterina ou pré-natal, é o ramo da medicina fetal que utiliza uma série de técnicas cirúrgicas para tratar defeitos congênitos e problemas enquanto o bebê ainda está na barriga da mamãe. Existem três tipos principais de cirurgia fetal: a cirurgia a céu aberto, a cirugia fetoscópica minimamente invasiva e as terapias percutâneas.

Cirurgia Fetal

Mão da Esperança. Foto tirada por Michael Clancy mostra Samuel Alexander Armas enquanto ainda um feto estendendo a sua mão pela abertura no útero de sua mãe e tocando o dedo do cirurgião durante uma cirurgia fetal aberta para mielomeningocele.

Os primórdios da cirurgia intrauterina

O procedimento chamado amniocentese foi o primeiro procedimento que abriu o caminho para a intervenção fetal. A amniocentese consiste basicamente da introdução de uma agulha dentro da cavidade uterina para retirar ou introduzir algum fluido. O primeiro relato de uma amniocentese foi em 1881 na Alemanha, onde foi usada para retirar líquido amniótico em um caso de polidrâmnio. Décadas depois a amniocentese foi utilizada como um método de diagnóstico para avaliar casos de isoimunização Rh, determinar o sexo fetal e algumas doenças hereditárias. Como principais benefícios da introdução deste procedimento no pré-natal podemos citar:

  • Permitiu o tratamento do excesso de líquido amniótico (chamado de polidrâmnio);
  • A possibilidade de analisar o líquido amniótico;
  • Abriu o caminho para transfusão sanguínea pré-natal.

Tudo isso permitiu um grande avanço para a medicina fetal. Em meados da década de 60 e com o advento do ultrassom na década de 70, a técnica evoluiu bastante. Inclusive desenvolveu-se o tratamento da anemia fetal. Usando a técnica da amniocentese para ter acesso ao feto e seu cordão umbilical, que agora podiam ser vistos pelo ultrassom, foi possível a realização de transfusões sanguíneas intra-uterinas.

Fetoscopia: uma janela para o claustro uterino

Já no fim da década de 70 houve o desenvolvimento da técnica de fetoscopia. A fetoscopia consiste na introdução de uma pequena câmera de vídeo na cavidade uterina para poder observar o feto. Além disso a fetoscopia permitiu a obtenção de amostras de pele fetal para estudos.

Fetoscopia

Imagem do feto ainda no útero da mãe, obtida em uma cirurgia por fetoscopia.

Inicialmente ela foi utilizada em fetos previamente a realização da interrupção da gravidez para estudo de factibilidade da técnica e era considerada um risco para o feto e para a mãe. A técnica e as indicações do procedimento evoluíram bastante em 1986, quando um artigo foi publicado detalhando os procedimentos para a obtenção de amostras de sangue fetal, pele, fígado, amostras de tumores e de vilosidades coriônicas.

As primeiras intervenções em seres humanos

Em 1981 o Dr. Michael Harrison realizou a primeira cirurgia fetal em seres humanos. Um problema chamado válvula de uretra posterior impedia o feto de urinar, promovendo dilatação da bexiga e rins fetais. Então como tentativa de tratamento para estes casos foi realizada uma derivação vésico-amniótica. Um pequeno cateter é colocado na bexiga e na bolsa amniótica. Como a urina não consegue sair pela uretra que está fechada, ela acaba saindo pelo cateter. Em 1987 uma série de 57 casos desse tipo de cirurgia foi publicada.

Em 1988 um artigo semelhante falando sobre o derivação ventrículo-amniótica foi publicado. Este procedimento foi utilizado em casos de hidrocefalia, colocando o cateter no ventrículo lateral e drenando o excesso de líquido para a cavidade amniótica.

Nos dois tipos de tratamento descritos acima houver casos de sucesso e complicações. Isto fez com que novos estudos fossem recomendados para melhor esclarecer sobre a eficácia destes tratamentos.

A cirurgia fetal endoscópica

Atualmente a cirurgia fetal endoscópica (fetoscopia) mais feita no mundo é para o tratamento da transfusão feto-fetal. A transfusão feto-fetal ocorre nas gestações gemelares quando os fetos dividem a placenta. Nestes casos pode haver uma anastomose artéria-venosa que “retira” sangue de um dos bebês e “leva” o sangue para o outro bebê. Esta doença é extremamente grave e possui uma mortalidade muito alta.

Em outubro de 1988, o Dr. Julian E. De Lia, realizou a primeira ablação fetoscópica a laser de anastomoses placentárias. Um procedimento aonde uma ótica de 3,5 mm identifica os vasos sanguíneos que fazem anstomoses entre os gêmeos e então realiza a ablação destas anastomoses por meio de um laser. O resultado é a separação do fluxo sanguíneo dos bebes. Mais um grande passo para a medicina fetal! Este procedimento deu uma nova esperança a inúmeras gestantes cujo pré-natal foi complicado por transfusão feto-fetal.

Cirurgia Fetal para Transfusão Feto-Fetal

Primeira Cirurgia Fetal para Transfusão Feto-Fetal realizada em 1988 na Universidade de Utah. Fonte: https://www.facebook.com/TTTSFoundationConference2012/

As primeiras cirurgias fetais por endoscopia para tratar a transfusão feto-fetal foram feitas no Brasil em 2001.

Além da cirurgia endoscópica para a transfusão feto-fetal, também é possível tratar a hérnia diafragmática congênita. Para isto um pequeno balão é colocado na traquéia do feto antes de 29 semanas. Este balão provoca a oclusão da traquéia fazendo com que o líquido secretado pelos pulmões se acumule. Isto faz com que os pulmões sejam expandidos. Antes do parto o balão é então retirado. A oclusão temporária provocada pelo balão faz com que os pulmões cresçam, melhorando a chance de sobrevida do concepto.

A medicina fetal cresceu muito com os procedimentos invasivos. Esta especialidade deixou de ser um mero expectador dos problemas fetais e passou a cuidar de uma maneira muito mais abrangente da saúde do feto. O pré-natal feito pela medicina fetal deixou de ser apenas diagnóstico e passou para um momento de intervenção na saúde fetal.

A Cirurgia Fetal a Céu Aberto

Em 1991 a UCSF descreveu sua experiência de 8 anos com cirurgia fetal a céu aberto com 17 casos. As indicações incluíram hidronefrose bilateral grave, hérnia diafragmática congênita, teratoma sacrococcígeo e malformação adenomatóide cística congênita. Em todos estes casos a cirurgia fetal apenas era indicada quando o problema era extremamente grave e a chance de sobrevida do feto era virtualmente zero. Ou seja, a cirurgia era reservada para os casos aonde o prognóstico era muito ruim.

A mielomeningocele, apesar de ser um problema bastante grave, na maioria das vezes não é letal. A sua correção no pré-natal tinha potencial para melhorar o prognóstico, entretanto a tentativa de corrigir a mielomeningocele durante a gestação demorou um pouco mais, pelos grandes riscos impostos pela cirurgia.

O estudo sobre a cirurgia fetal para mielomeningocele

Em fevereiro de 2003, o National Institutes of Health iniciou o Management of Myelomeningocele Study (MOMS). Este estudo tinha como objetivo identificar se a cirurgia fetal para mielomeningocele trazia benefícios ou não. Três centros (Vanderbilt University, Children’s Hospital of Philadelphia e University of California at San Francisco) foram escolhidos para participar do estudo de 183 fetos que foram randomizados, 91 para reparo fetal e 92 para reparo pós-natal. O estudo levou 8 anos para ser concluído a um custo de US $ 22,5 milhões. Em 2011 o resultado do estudo foi publicado e o benefício foi tão evidente que o estudo foi interrompido antes de incluir o número da casos planejado.

No Brasil os primeiros casos de mielomeningocele foram operados em São Paulo pelo Prof. Moron no ano de 2004. Atualmente no Brasil existem diversas equipes que operam mielomeningocele no pré-natal por diferentes técnicas, a céu aberto e por endoscopia. Hoje está claro que o melhor momento para a correção deste problema é quando o feto ainda está no ventre da mãe. Isto permite que as lesões sobre a medula sejam menores no momento do nascimento.

Em que situações a cirurgia intrauterina é indicada?

Em que pese a história da cirurgia fetal ser cheia de percalços, hoje é uma área em bastante desenvolvimento. Algumas situações atualmente podem ser tratadas pela cirurgia fetal, vejamos algumas delas. Você pode clicar nos links abaixo para ver mais informações sobre estas doenças e como podem ser tratadas:

Além dessas doenças algumas outras situações mais raramente também podem receber algum tipo de abordagem intra-uterina ou na hora do parto. Se você tem alguma dúvida se a cirurgia fetal pode ser aplicada em um caso em particular converse com um especialista em medicina fetal.

Em 2020 a Netflix e a BBC lançaram uma série de documentários sobre cirurgiões que estão a frente de seu tempo. No primeiro episódio retrata-se a vida e o trabalho do Professor Kypros Nicolaides um dos pioneiros e mais renomados médicos que fazem cirurgia fetal. O nome do documentário é Cirurgiões Inovadores.

Referências

  1. Kowhler AM, Knezevich M, Wagner M. The Evolution of Fetal Surgery . Journal of Fetal Surgery – 1(1):07-23.

O que é o sequestro pulmonar?

O sequestro pulmonar é uma anomalia congênita rara aonde um segmento do pulmão não se conecta com a árvore brônquica ou com as artérias pulmonares, recebendo seu suprimento sanguíneo de um vaso anômalo, geralmente ramo da aorta. O sequestro pulmonar também é conhecido como pulmão acessório ou sequestro broncopulmonar.

Sequestro Pulmonar

Desenho esquemático de um sequestro pulmonar.

 

Quais são os tipos de sequestro pulmonar?

O s sequestros pulmonares podem ser divididos e classificados da seguinte forma:

  • Sequestro Pulmonar Intralobar – é o tipo mais comum, cerca de 75% dos sequestros pulmonares. Nesta forma a região pulmonar anômala está incorporada ao parênquima pulmonar normal.
  • Sequestro pulmonar Extralobar – perfaz cerca de 25% dos sequestros pulmonares. Apesar de geralmente estar em contato com o pulmão normal, possui envoltório pleural independente. Pode estar localizado no tórax (intra-torácico) ou mesmo abaixo do diafragma (subdiafragmático).

Como é feito o diagnóstico pré-natal de sequestro pulmonar?

Usualmente no exame de pré-natal o sequestro pulmonar pode ser identificado como uma massa ecogênica (esbranquiçada) na região do tórax. Dependendo do tamanho essa massa poderá desviar o coração mudando o seu eixo ou sua posição no tórax. Ao Doppler muitas vezes é possível identificar também o vaso anômalo que sai da aorta e faz a nutrição de “pulmão acessório”.

Ultrassom de sequestro pulmonar

Ultrassom de sequestro pulmonar (área delimitada em amarelo)

Usualmente o sequestro pulmonar é mais facilmente identificado no terceiro trimestre. No terceiro trimestre, em função da atenuação sonora produzida pelas costelas ele pode ser de difícil identificação. Algumas vezes também é possível observar a associação do sequestro pulmonar com o derrame pleural (acúmulo de líquido ao lado dos pulmões). O principal diagnóstico diferencial do sequestro pulmonar é a malformação adenomatóide cística de pulmão.

Quais são os sintomas do sequestro pulmonar?

Os sintomas mais comuns do sequestro pulmonar intralobar nos bebês incluem tosse, problemas respiratórios, dificuldades de alimentação e insuficiência cardíaca, embora muitos bebês sejam assintomáticos. Já os sequestros extralobares estão comumente associados a outros defeitos congênitos como a hérnia diafragmática, malformação adenomatóide cística, cistos de duplicação e outros problemas pulmonares.

Qual é o tratamento do sequestro pulmonar?

Os sequestros pulmonares geralmente permanecem do mesmo tamanho ou crescem com o feto. Usualmente não causam problemas graves pois na cavidade torácica há espaço suficiente para a parte normal do pulmão crescer sem comprimir o coração. Em alguns casos a massa pode até diminuir de tamanho.

As perspectivas para a vida pós-natal são excelentes. É importante acompanhar estes fetos realizando exames de ultrassom com maior frequência, sendo o parto realizado no termo e o sequestro pulmonar removido cirurgicamente após o nascimento. Essa remoção cirúrgica na maioria das vezes é eletiva.

Um pequeno número de casos poderá estar associado a um acúmulo de líquido ao lado do pulmão na vida fetal o que é chamado de derrame pleural. Dependendo da quantidade de derrame pleural poderá haver compressão do coração. Além disso caso o fluxo sanguíneo dentro do sequestro pulmonar seja muito grande poderá haver um quadro de insuficiência cardíaca. Estes são os únicos casos aonde pode ser necessária uma intervenção ou cirurgia fetal.

O que é o Surfactante Pulmonar?

Em nossos pulmões existem pequenas estruturas arredondadas e ocas que ficam próximas a áreas bastante vascularizadas. Estas estruturas são chamadas de alvéolos pulmonares e são responsáveis pelas trocas gasosas que nossos pulmões fazem com o nosso sangue.

Alvéolo Pulmonar - Surfactante

Esquema de um alvéolo pulmonar fazendo troca gasosa com um vaso sanguíneo.

Para que o gás entre e saia do alvéolo é importante que ele esteja aberto. Se ele estiver “fechado” (colabado) será necessário uma maior pressão para fazer com que ele abra. No interior do alvéolo existe uma fina camada de água que faz uma interface com o ar.

Se você lembra das aulas de física, deve recordar do termo tensão superficial. A tensão superficial faz com que a camada superficial do líquido veja a se comportar como uma membrana elástica. As moléculas da superfície do líquido são atraídas apenas lateralmente e internamente enquanto as moléculas do interior são atraídas em todas as direções. O melhor exemplo da tensão superficial é quando um inseto pousa sobre a água e não afunda.

Tensão Superficial

Exemplo de tensão superficial: a coesão entre as moléculas da superfície da água impedem o inseto de afundar.

Quanto temos um alvéolo muito pequeno a tensão superficial pode ser tão grande que faz com que ele colasse (feche). Isso dificulta a respiração pois a força necessária para fazer o ar circular nesse alvéolo colapsado precisa ser muito grande.

O surfactante é uma substância que é capaz de reduzir essa tensão superficial. Exemplos de surfactantes de água são os sabões e os detergentes. Quando misturados na água diminuem a tensão superficial e ajudam a água a penetrar em pequenos espaços, auxiliando a limpeza.

O surfactante produzido em nossos pulmões é uma lipoproteína que tem a capacidade de aumentar a estabilidade do alvéolo. Para o bebê o surfactante é importante pois ele reduz a tensão superficial do alvéolo impedindo que ele colabe, em especial os alvéolos menores. Isso permite com que o pulmão ventile melhor, otimizando as trocas gasosas entre o pulmão e o sangue.

Surfactante Pulmonar

Efeito do surfactante reduzindo a tensão superficial do alvéolo pequeno.

Aonde é produzido o surfactante pulmonar?

Quem secreta o surfactante é uma célula chamada pneumócito tipo II. A produção se inicia por volta da 20ª semana de gestação, mas é em pequena quantidade e tem baixa qualidade. Por volta da 34ª semana de gestação estima-se que ocorra o pico da produção de surfactante e que a qualidade seja ideal para garantir a vida extra-uterina.

O que acontece caso o bebê não tenha surfactante?

Caso ocorra um parto prematuro eventualmente o bebê poderá ter dificuldade de respirar em função de ter pouco surfactante. Nestes casos o médico poderá administrar surfactante exógeno. Nos casos aonde podemos antecipar que o nascimento irá ocorrer em uma idade gestacional precoce é possível administrar para mãe doses de corticóides. Os corticóides administrados ainda durante a gestação aceleram a maturidade pulmonar, fazendo com que o pulmão do bebê aumente a produção de surfactante.

O que é o corrimento esverdeado?

Todas as mulheres possuem, em maior ou menor quantidade, alguma secreção vaginal. Esse fluxo é uma característica normal entretanto ele é de pequeno volume e usualmente não possui nenhum odor forte ou desagradável. Essa secreção é produzida pela mucosa da vagina e do útero, o volume produzido diariamente é de 5 a 10 ml.

Em algumas situações esse corrimento pode aumentar de volume, de cor ou de odor. Neste artigo iremos falar especificamente do corrimento esverdeado, ou amarelo esverdeado. Se o seu corrimento é branco e coça, veja este post sobre a candidíase.

O que a cor da secreção pode indicar?

Para o médico ginecologista, saber o aspecto do corrimento e o seu cheiro é muito importante. Geralmente os corrimentos esverdeados estão associados a um protozoário chamado Trichomonas vaginalis.

Corrimento Esverdeado - Trichomonas vaginalis

Trichomonas vaginalis

O Trichomonas vaginalis é responsável por uma doença chamada tricomoníase. Embora os sintomas da tricomoníase variem, muitas pessoas não conseguem saber se estão infectadas pois a infecção pode ser assintomática. Apenas cerca de 30% das pessoas infectadas possuem sintomas.

Nas mulheres o principal sintoma é o corrimento amarelo-esverdeado com odor fétido. O parasita passa de uma pessoa infectada para outra não infectada durante a relação sexual. Por isso é considerada uma infecção sexualmente transmissível. Nas mulheres a parte do corpo mais comumente infectada é o trato genital inferior (vulva, vagina, colo do útero ou uretra).

Nos homens a parte mais comumente infectada é o canal por onde passa a urina (uretra). Durante o ato sexual o protozoário passa do pênis para a vagina ou vice-versa. Ele também pode se espalhar de uma vagina para outra caso exista contado íntimo entre duas mulheres.

corrimento esverdeado da tricomoníase

Imagem de exame ginecologico mostrando o colo do útero e o corrimento amarelo esverdeado com bolhas característico da tricomoníase.

Depois da contaminação os sintomas levam de 5 a 28 dias para aparecer. Em alguns indivíduos este tempo pode ser bem maior. 

Não é comum o parasita infectar outras partes do corpo como mãos, boca ou ânus. A contaminação também não ocorre em contatos como abraços, beijos ou pelo uso compartilhado do vaso sanitário. Ainda também não se sabe explicar muito bem por que algumas pessoas apresentam sintomas enquanto outras são assintomáticas. Pessoas infectadas, mesmo que sem sintomas, transmitem a doença.

Qual o remédio para o corrimento esverdeado?

Antes de iniciar o tratamento é importante consultar o seu ginecologista para que ele possa durante o exame ginecológico confirmar se o corrimento é compatível com tricomoníase ou não. Outras doenças também podem provocar corrimentos semelhantes. 

O tratamento é realizado com antibióticos administrados por via oral ou na forma de creme vaginal. Também é possível combinar a via oral com a via vaginal. Idealmente o parceiro sexual também deve ser tratado, mesmo que não tenha sintomas. Isso é importante pois ele pode ser um portador assintomático da doença. Com o tratamento adequado a doença pode ser curada em uma semana.

O que fazer para acabar com o corrimento?

Caso você tenha episódios recorrentes de corrimento é importante conversar com o seu ginecologista e verificar se o tratamento foi feito de maneira adequada. Cerca de 17% das mulheres também podem se re-infectar logo após o tratamento. O uso de uma proteção de barreira (camisinha) também poderá ajudar a evitar novas contaminações.

Os principais fatores de risco para a tricomoníase são:

  • Múltiplos parceiros sexuais
  • História de doenças sexualmente transmissíveis
  • Infecção prévia por tricomoníase
  • Relação sexual sem método de barreira (camisinha)

Existe remédio caseiro para o corrimento esverdeado?

Apesar de estudos sobre o fitoquímico da goiaba (Psidium guajava L.) investigarem o seu uso para o tratamento de doenças causadas por protozoários como a tricomoníase, ela não é rotineiramente prescrita para a tricomoníase. O tratamento mais amplamente aceito é feito com antibióticos.

A tricomoníase pode acontecer na gravidez?

A tricomoníase pode causar complicações na mulheres grávidas. Existe um risco maior de parto prematuro e do bebê nascer com baixo peso. Embora isso seja incomum, a doença também pode ser transmitida para o bebê durante o parto.

Os antibióticos usados para tratar a tricomoníase são seguros para o uso durante a gestação. Se você está grávida e suspeita que tem tricomoníase ou qualquer outra DST, converse com seu médico o mais rápido possível para evitar complicações para você e seu filho.