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Quando o bebê vai encaixar?

Uma dúvida frequênte das gestantes no terceiro trimestre e com relação ao bebê estar ou não encaixado. Para podermos explicar um pouco sobre este assunto, vamos primeiro definir algumas questões com relação a nomenclatura dos termos médicos pois, o que vemos ocorrer no dia-a-dia é uma confusão com relação ao termo “apresentação” e “insinuação” (ou encaixamento).

Estática Fetal

O termo estática fetal é usado para descrever como o feto se encontra dentro do ventre materno. As relações do feto com a bacia e com o útero constituem a estática fetal. Seu estudo permite o conhecimento da nomenclatura obstétrica. Não vamos entrar em muitos detalhes, mas é necessário que se entenda pelo menos 2 conceitos com relação a estática fetal

  • SITUAÇÃO: é a relação entre o maior eixo da mãe e do feto. Chamamos de SITUAÇÃO LONGITUDINAL quando os eixos coincidem (por exemplo, quando a cabeça está para baixo e a nádega para cima) e SITUAÇÃO TRANSVERSAL quando os eixos não coincidem (por exemplo, quando o feto está “atravessado”)
  • APRESENTAÇÃO: é a região fetal que se encontra mais próxima da bacia materna (parte do corpo que irá nascer primeiro). Por exemplo, chamamos de APRESENTAÇÃO CEFÁLICA quando o feto está com a cabeça para baixo e APRESENTAÇÃO PÉLVICA quando o feto está com a cabeça para cima e portanto irá nascer de nádegas.

Vamos tentar entender isso observando a figura abaixo, onde podemos observar o feto e a bacia óssea materna:

Apresentação Fetal

As diferentes apresentações fetais.

Com relação a SITUAÇÃO, nas figuras A e B a situação é longitudinal, pois o maior eixo do feto coincide com o maior eixo materno. Na figura C a situação é transversal, pois o feto está “atravessado”.

Se formos determinar a APRESENTAÇÃO, na figura A a apresentação é cefálica, pois a cabeça irá nascer primeiro. Na figura B a apresentação é pélvica, pois as nádegas irão nascer primeiro. A apresentação na figura C é chamada de córmica (quando o feto está atravessado e neste caso ele não passa normalmente pela bacia materna).

É possível virar o bebê de pélvico para cefálico?

Quando falamos sobre apresentação fetal, estamos nos referindo à posição em que o bebê se encontra no útero nas últimas semanas de gestação. Na maioria dos casos, o bebê se posiciona com a cabeça para baixo, pronta para o nascimento – é a chamada apresentação cefálica. No entanto, em algumas situações, o feto pode se posicionar com os pés ou o bumbum para baixo – é a chamada apresentação pélvica.

É importante saber que, mesmo se o bebê estiver em apresentação pélvica, existem técnicas médicas que podem ajudar a virá-lo para a posição cefálica. Uma dessas técnicas é a Versão Cefálica Externa (VEC). Este procedimento não cirúrgico é realizado por um profissional de saúde treinado e envolve a aplicação de pressão externa no abdômen da mãe para virar o bebê no útero.

Insinuação Fetal (O “Encaixar”)

Muito bem, agora que entendemos um pouco sobre a apresentação e situação fetal, poderemos definir o que é a insinuação (também conhecido por encaixe ou encaixamento). A insinuação fetal nada tem haver com a parte do feto que está para baixo (lembre, isso é a apresentação fetal). A insinuação ou encaixe é a ALTURA DA APRESENTAÇÃO, com relação a bacia materna.

Imagine que durante a gestação o feto está bem acima da bacia, o que chamamos de feto alto. Quando chega o fim da gestação e o trabalho de parto está próximo a apresentação fetal (e aí pode ser a cabeça ou a nádega fetal) se insinuam para dentro da bacia óssea materna. Este processo sim é chamado de insinuação. Veja a figura abaixo:

Feto Encaixar

Na figura acima podemos observar o (A) feto alto (ainda acima da pelve) e (B) feto encaixado (dentro da pelve óssea).

Compare a figura A com a figura B. Na figura A o feto está alto e na figura B o feto está insinuado ou “encaixado”. A insinuação fetal ocorre geralmente cerca de 2 semanas antes do parto nas primigestas (mulheres que estão grávidas pela primeira vez). E cerca de 2 a 5 dias antes do parto nas multíparas (mulheres com vários partos anteriores). Mas lembre que estes números não são uma regra, e podem variar.

A mãe normalmente sente uma pressão maior na vagina e a barriga “baixar”. O feto tem menos espaço para se movimentar e portanto a percepção de movimentos fetais diminui, isso é normal. Quando o médico for medir a altura uterina (medida da pube até o fundo do útero), irá perceber uma redução desta medida em relação a consulta anterior. Esta redução pode chegar até 4 cm.

Por que é importante diferenciar isto?

É muito comum que a grávida queira entender o que está acontecendo com ela, e por isso procura em livros, revistas e internet toda a informação disponível sobre o assunto. Muitas vezes ela poderá encontrar a informação de que quando o feto “encaixa” o parto está próximo. Pois bem, aqui está o problema.

Depois de 28 semanas de gestação a grande maioria dos fetos está em apresentação cefálica. Quando a mamãe descobre que o bebê está com a cabeça para baixo poderá ficar preocupada com a proximidade do parto, uma vez que o bebê ainda não está pronto para nascer. Entenda que a apresentação cefálica não significa que o feto está encaixado e também não quer dizer que o parto está próximo. Portanto é importante não confundir estes dois termos.

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O Bebê está com o Cordão Enrolado no Pescoço? Não tem Problema!

Uma dúvida freqüente das gestantes é com respeito as circulares de cordão, em especial as da região cervical (“cordão enrolado no pescoço“). As circulares de cordão umbilical estão presentes em 20-40% de todas as gestações. Trata-se de fenômeno natural que ocorre durante a gestação no qual o cordão umbilical envolve o pescoço do concepto. De um modo geral são consideradas condições benignas e excepcionalmente relacionadas a complicações perinatais.

Cordão Enrolado no Pescoço - Circular de Cordão e Alça de Cordão

O cordão umbilical é uma estrutura não inervada composta de duas artérias e uma veia. Circundando estes vasos existe uma substância mucóide, chamada de Gelatina de Wharton, que é constituída principalmente de mucopolissacarídeo. A função desta gelatina é de sustentação e proteção dos vasos contra compressões e possíveis roturas.

Ultimamente tem sido cada vez mais freqüente o diagnóstico ultrassonográfico de circular de cordão umbilical, isto decorre basicamente de dois fatores:

  • Sistematização pelo profissional que realiza o exame de ultrassom;
  • Maior disponibilidade de aparelhos com recursos técnicos avançados.

Qual o risco do cordão umbilical enrolado no pescoço?

Até o momento a literatura apresenta relatos de complicações perinatais sem significância estatística. Miser, 1992 relata que os efeitos da circular cervical sobre a evolução da gestação e do parto são ainda controversas. Não encontrou associação entre circular cervical e aumento da morbidade e mortalidade neonatal. Larson e cols, 1995 em seus estudos concluíram que não existe aumento importante dos riscos de um resultado neonatal adverso associados à presença de múltiplas circulares cervicais de cordão.

Em um grupo de 70 recém natos que cursavam com circular cervical durante a gestação, Strong, 1992 observou que somente naquelas gestações que apresentavam oligodrâmnio (redução do volume de líquido amniótico) intraparto, houve aumento significativo de incidência de líquido amniótico meconial, desacelerações variáveis graves e bradicardia fetal (sinais de sofrimento fetal). Sadovsky 1997, documentou sofrimento fetal intra-parto em 17% das parturientes que apresentavam fetos com circulares cervicais ao passo que 83% dos fetos com a mesma situação foram assintomáticos, concluindo que o sofrimento fetal foi achado incidental no parto.

O que significa nascer com o cordão umbilical enrolado no pescoço?

Na ausência de alteração da freqüência cardíaca fetal intraparto, a circular cervical não está diretamente associada aos aumentos das taxas de morbiletalidade perinatal, assim como com o comprometimento neurológico tardio ou as seqüelas no seu desenvolvimento (Sherer & Manning, 1999).

Com relação a via de parto, Feisntein e col. não consideram que a circular cervical por si só, justifique a indicação de cesárea. Em nosso meio Barini acredita que a circular cervical não é razão suficiente para indicação de parto cesarea considerando conduta desnecessária e incorreta, pelo menos até que estudos prospectivos possam concluir em contrário.

O Professor Ricardo Barini (Unicamp) relata: ” … no momento onde a comunidade médica e de um modo geral, os profissionais envolvidos com a área de saúde tentam unir esforços para reduzir o número de cesareanas desnecessárias no Brasil, é preocupante esta nova informação presente nos laudos de ultrassonografia obstétrica, e principalmente sua utilização como JUSTIFICATIVA para intervenções obstétricas extemporâneas. Inegavelmente, este diagnóstico, mesmo sem ter o objetivo de determinar condutas, cria no mínimo uma sensação de insegurança entre as gestantes e seus familiares, e até provavelmente entre os próprios obstetras, frente ao trabalho de parto, ao parto via vaginal e até à continuidade da gestação. É perfeitamente compreensível que este fato possa gerar indicações de cesareanas de maneira precipitada ou até desnecessárias.”

O que fazer quando o bebê estiver enrolado no cordão umbilical?

A circular cervical de cordão umbilical é um dos achados mais comuns no ultrassom e discutido nos exames perinatais, causando ansiedade desnecessária na família e divergências na conduta médica. Na gestação de evolução normal, sem a existência de fatores de risco, a família pode ser tranqüilizada, pois a presença isolada de circular cervical não parece aumentar os riscos para os fetos, especialmente porque muitas dessas poderão desfazer-se espontaneamente. Ainda não existem evidências científicas sólidas que demonstrem riscos da presença de circular cervical diagnosticada durante a gravidez.

Referências:

  1. Benirschke K, Kaufmann P. Anatomy and pathology of the umbilical cord and major fetal vessels. In: Pathology of the Human Placenta, 3rd edition New York: Springer-Verlag; 1995. P. 319-65.
  2. Collins JH, Collins CL, Weckwerth SR, De Angelis L. Nuchal cords: timing of prenatal diagnosis and duration. Am J Obstet Gynecol 1995; 173:768.
  3. Collins JH. Nuchal cord type A and type B. Am J Obstet Gynecol 1997; 177:94.
  4. Jauniaux E, Mawissa C, Peerlaerts C, Rodesch F. Nuchal cord in normal third-trimester pregnancy: a color Doppler imaging study. Ultrasound Obstet Gynecol 1992; 2:417-19.
  5. Jauniaux E, Ramsay B, Peerlaerts C, Scholler Y. Perinatal features of pregnancies complicated by nuchal cord. Am J Perinatol 1995; 12:255-30.
  6. Larson JD, Rayburn WF, Harlan VL. Nuchal cord entanglements and gestational age. Am J Perinatol 1997; 14:555-7.
  7. Larson JD, Rayburn WF, Crosby S., Thurnau GR. Nuchal cord entanglements and intrapartum complications. Am J Obstet Gynecol 1995; 173:1228-31.
  8. Miser WF. Outcome of infants born with nuchal cords. J Fam Pract 1992; 34:441-5.
  9. Feinstein SJ, Lodeiro JG, Vintzileos AM, Weinbaum PJ, Campbell WA, Nochimson DJ. Intrapartum ultrasound diagnosis of nuchal cord as a decisive factor in managment. Am J Obstet Gynecol 1985; 153(3): 308-309.
  10. Sørnes T. Umbilical cord encirclements and fetal growth restriction. Obst Gynecol 1995; 86:725-8.
  11. Strong TH, Sarno A, Paul RH. Significance of intrapartum amniotic fluid volume in the presence of nuchal cords. J Reprod Med 1992; 37:718-20.

O que significa Cisto de Plexo Coróide

O termo cisto em medicina é usado para definir um pequeno acúmulo de líquido. Com uma certa freqüência um cisto (acúmulo de líquido) se desenvolve dentro do plexo coróide, sendo então chamado de cisto de plexo coróide. O plexo coróide é a área do cérebro que produz o líquido que banha o cérebro e a medula. O plexo coróide não está envolvido no processo do raciocínio. Estes cistos podem ser encontrados em um ou ambos os hemisférios cerebrais e podem ter diferentes tamanhos. Geralmente são identificados no exame de ultrassom.

Cisto de Plexo Coróide

Cisto de plexo coróide ao ultrassom.

O cisto de plexo coróide não causa distúrbios do aprendizado, não causa retardo mental nem câncer. Apesar de ser assustador encontrar as palavras “cisto” e “cérebro” na mesma frase, estes cistos não causam nenhum problema para o bebê.

Porque os cistos de plexo coróide são importantes?

Caso a mãe tenha outros fatores de risco associados, um cisto de plexo coróide pode sugerir que o bebê tenha uma doença cromossômica.  Nestes casos um teste como a amniocentese pode ser indicado para você pelo seu médico.

Como achados isolados, isto não tem grande importância clínica. A maioria dos cistos regride expontâneamente antes mesmo do nascimento do bebê. Não existe necessidade de nenhum acompanhamento diferenciado em relação aos exames de pré-natal para bebês que possuem isoladamente o cisto de plexo coróide.

O que deve ser feito se meu bebê tem um cisto de plexo coróide?

Recomendamos entretanto que TODAS as gestantes (independente do cisto de plexo coróide) façam pelo menos uma avaliação morfológica com um especialista em medicina fetal. A necessidade ou não de alguma alteração na rotina de pré-natal deverá ser discutida após a avaliação completa do feto.