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O que é o Surfactante Pulmonar?

Em nossos pulmões existem pequenas estruturas arredondadas e ocas que ficam próximas a áreas bastante vascularizadas. Estas estruturas são chamadas de alvéolos pulmonares e são responsáveis pelas trocas gasosas que nossos pulmões fazem com o nosso sangue.

Alvéolo Pulmonar - Surfactante

Esquema de um alvéolo pulmonar fazendo troca gasosa com um vaso sanguíneo.

Para que o gás entre e saia do alvéolo é importante que ele esteja aberto. Se ele estiver “fechado” (colabado) será necessário uma maior pressão para fazer com que ele abra. No interior do alvéolo existe uma fina camada de água que faz uma interface com o ar.

Se você lembra das aulas de física, deve recordar do termo tensão superficial. A tensão superficial faz com que a camada superficial do líquido veja a se comportar como uma membrana elástica. As moléculas da superfície do líquido são atraídas apenas lateralmente e internamente enquanto as moléculas do interior são atraídas em todas as direções. O melhor exemplo da tensão superficial é quando um inseto pousa sobre a água e não afunda.

Tensão Superficial

Exemplo de tensão superficial: a coesão entre as moléculas da superfície da água impedem o inseto de afundar.

Quanto temos um alvéolo muito pequeno a tensão superficial pode ser tão grande que faz com que ele colasse (feche). Isso dificulta a respiração pois a força necessária para fazer o ar circular nesse alvéolo colapsado precisa ser muito grande.

O surfactante é uma substância que é capaz de reduzir essa tensão superficial. Exemplos de surfactantes de água são os sabões e os detergentes. Quando misturados na água diminuem a tensão superficial e ajudam a água a penetrar em pequenos espaços, auxiliando a limpeza.

O surfactante produzido em nossos pulmões é uma lipoproteína que tem a capacidade de aumentar a estabilidade do alvéolo. Para o bebê o surfactante é importante pois ele reduz a tensão superficial do alvéolo impedindo que ele colabe, em especial os alvéolos menores. Isso permite com que o pulmão ventile melhor, otimizando as trocas gasosas entre o pulmão e o sangue.

Surfactante Pulmonar

Efeito do surfactante reduzindo a tensão superficial do alvéolo pequeno.

Aonde é produzido o surfactante pulmonar?

Quem secreta o surfactante é uma célula chamada pneumócito tipo II. A produção se inicia por volta da 20ª semana de gestação, mas é em pequena quantidade e tem baixa qualidade. Por volta da 34ª semana de gestação estima-se que ocorra o pico da produção de surfactante e que a qualidade seja ideal para garantir a vida extra-uterina.

O que acontece caso o bebê não tenha surfactante?

Caso ocorra um parto prematuro eventualmente o bebê poderá ter dificuldade de respirar em função de ter pouco surfactante. Nestes casos o médico poderá administrar surfactante exógeno. Nos casos aonde podemos antecipar que o nascimento irá ocorrer em uma idade gestacional precoce é possível administrar para mãe doses de corticóides. Os corticóides administrados ainda durante a gestação aceleram a maturidade pulmonar, fazendo com que o pulmão do bebê aumente a produção de surfactante.

O que é o corrimento esverdeado?

Todas as mulheres possuem, em maior ou menor quantidade, alguma secreção vaginal. Esse fluxo é uma característica normal entretanto ele é de pequeno volume e usualmente não possui nenhum odor forte ou desagradável. Essa secreção é produzida pela mucosa da vagina e do útero, o volume produzido diariamente é de 5 a 10 ml.

Em algumas situações esse corrimento pode aumentar de volume, de cor ou de odor. Neste artigo iremos falar especificamente do corrimento esverdeado, ou amarelo esverdeado. Se o seu corrimento é branco e coça, veja este post sobre a candidíase.

O que a cor da secreção pode indicar?

Para o médico ginecologista, saber o aspecto do corrimento e o seu cheiro é muito importante. Geralmente os corrimentos esverdeados estão associados a um protozoário chamado Trichomonas vaginalis.

Corrimento Esverdeado - Trichomonas vaginalis

Trichomonas vaginalis

O Trichomonas vaginalis é responsável por uma doença chamada tricomoníase. Embora os sintomas da tricomoníase variem, muitas pessoas não conseguem saber se estão infectadas pois a infecção pode ser assintomática. Apenas cerca de 30% das pessoas infectadas possuem sintomas.

Nas mulheres o principal sintoma é o corrimento amarelo-esverdeado com odor fétido. O parasita passa de uma pessoa infectada para outra não infectada durante a relação sexual. Por isso é considerada uma infecção sexualmente transmissível. Nas mulheres a parte do corpo mais comumente infectada é o trato genital inferior (vulva, vagina, colo do útero ou uretra).

Nos homens a parte mais comumente infectada é o canal por onde passa a urina (uretra). Durante o ato sexual o protozoário passa do pênis para a vagina ou vice-versa. Ele também pode se espalhar de uma vagina para outra caso exista contado íntimo entre duas mulheres.

corrimento esverdeado da tricomoníase

Imagem de exame ginecologico mostrando o colo do útero e o corrimento amarelo esverdeado com bolhas característico da tricomoníase.

Depois da contaminação os sintomas levam de 5 a 28 dias para aparecer. Em alguns indivíduos este tempo pode ser bem maior. 

Não é comum o parasita infectar outras partes do corpo como mãos, boca ou ânus. A contaminação também não ocorre em contatos como abraços, beijos ou pelo uso compartilhado do vaso sanitário. Ainda também não se sabe explicar muito bem por que algumas pessoas apresentam sintomas enquanto outras são assintomáticas. Pessoas infectadas, mesmo que sem sintomas, transmitem a doença.

Qual o remédio para o corrimento esverdeado?

Antes de iniciar o tratamento é importante consultar o seu ginecologista para que ele possa durante o exame ginecológico confirmar se o corrimento é compatível com tricomoníase ou não. Outras doenças também podem provocar corrimentos semelhantes. 

O tratamento é realizado com antibióticos administrados por via oral ou na forma de creme vaginal. Também é possível combinar a via oral com a via vaginal. Idealmente o parceiro sexual também deve ser tratado, mesmo que não tenha sintomas. Isso é importante pois ele pode ser um portador assintomático da doença. Com o tratamento adequado a doença pode ser curada em uma semana.

O que fazer para acabar com o corrimento?

Caso você tenha episódios recorrentes de corrimento é importante conversar com o seu ginecologista e verificar se o tratamento foi feito de maneira adequada. Cerca de 17% das mulheres também podem se re-infectar logo após o tratamento. O uso de uma proteção de barreira (camisinha) também poderá ajudar a evitar novas contaminações.

Os principais fatores de risco para a tricomoníase são:

  • Múltiplos parceiros sexuais
  • História de doenças sexualmente transmissíveis
  • Infecção prévia por tricomoníase
  • Relação sexual sem método de barreira (camisinha)

Existe remédio caseiro para o corrimento esverdeado?

Apesar de estudos sobre o fitoquímico da goiaba (Psidium guajava L.) investigarem o seu uso para o tratamento de doenças causadas por protozoários como a tricomoníase, ela não é rotineiramente prescrita para a tricomoníase. O tratamento mais amplamente aceito é feito com antibióticos.

A tricomoníase pode acontecer na gravidez?

A tricomoníase pode causar complicações na mulheres grávidas. Existe um risco maior de parto prematuro e do bebê nascer com baixo peso. Embora isso seja incomum, a doença também pode ser transmitida para o bebê durante o parto.

Os antibióticos usados para tratar a tricomoníase são seguros para o uso durante a gestação. Se você está grávida e suspeita que tem tricomoníase ou qualquer outra DST, converse com seu médico o mais rápido possível para evitar complicações para você e seu filho.

O que é a nidação?

A nidação ou implantação é o momento em que o óvulo fecundado (agora chamado de zigoto) penetra completamente no revestimento interno do útero. Isto costuma ocorrer a partir do 7º dia após a fertilização. Nesse processo de fixação pode ocorrer um leve sangramento, com duração média de três dias.

Nidação ou Implantação do Embrião na Decídua

Após a ovulação o óvulo é capturado por uma das tubas uterinas, sendo levado em direção ao útero.

Neste trajeto, ainda na tuba uterina, o espermatozóide encontra o óvulo e ocorre a fecundação. O óvulo fecundado vai da tuba uterina para a cavidade uterina, implantando no seu revestimento interno, chamado de decídua. Este processo de implantação recebe o nome de nidação.

Portanto o sangramento de nidação nada mais é do que um sintoma normal do processo de reprodução humana. Ele pode ocorrer em gestações concebidas naturalmente e em casos onde a fecundação ocorreu por alguma técnica de reprodução humana assistida.

Quais são os sintomas da nidação?

Após a fecundação em cerca de uma a duas semanas irão aparecer os sintomas da nidação, caso tudo esteja ocorrendo bem. Geralmente eles são tão leves e sutis que você poderá não perceber nada de diferente. Em algumas mulheres pode surgir um pequeno sangramento que dura até no máximo 3 dias. Algumas mulheres inclusive podem confundir este sangramento com a menstruação. Eventualmente poderá sentir também um pouco de dor abdominal, algumas cólicas ou pontadas no pé da barriga também. Se você tem dores abdominais não deixe de ler nosso post 6 Dores que NÃO são normais na Gravidez – E o que fazer com elas!

Nidação, níveis de hCG e sintomas de gravidez

Embora muitos dos sintomas sejam atribuídos a nidação, na verdade eles ocorrem pela impregnação hormonal que é essencial para que a gestação seja bem sucedida. Durante os primeiros dias de gestação os principais hormônios produzidos são os seguintes:

  • PROGESTERONA: produzida em grande quantidade pelo corpo lúteo (a cicatriz que fica no ovário depois de ovular). Ela impede o útero de contrair e contribui para o aumento da sua vascularização.
  • hCG: esse hormônio, a gonadotrofina coriônica humana, é secretado pelo trofoblasto para manter a atividade do corpo lúteo. Ele é o hormônio que é dosado no teste de gravidez. Alguns dos principais sintomas da gestação estão associados aos níveis de hCG.

Como é o sangramento de nidação?

O sangramento de nidação geralmente é mais escurecido que o da menstruação e menos volumoso. Eventualmente ele pode até ser um pouco mais avermelhado, mas sempre terá um volume menor que o sangramento da menstruação. Além disso o sangramento da nidação não costuma durar mais de 2 ou 3 dias.

Por conhecidência o sangramento de nidação ocorre aproximadamente na época em que era esperado um novo período menstrual. Por isso muitas vezes este sangramento de nidação pode ser confundido com uma menstruação e o diagnóstico de gravidez demorar um pouco mais para ser feito.

Sangramento da Nidação

Sangramento da nidação é um pouco mais escuro e em menor quantidade que a menstruação.

É perigoso sangrar na nidação?

Não, ter um pequeno sangramento na nidação não irá trazer nenhum prejuízo para a sua gravidez. Não existe diferença na incidência de aborto espontâneo quando comparamos gestações com e sem o sangramento de nidação. Apesar de nem todas as mulheres sangrarem, as que sangram não estão em maior risco.

O que acontece durante a nidação?

Costumamos fazer um atalho entre a fecundação e a gravidez. No entanto, os primeiros dias da gravidez são bastante ricos em eventos essenciais para o desenvolvimento adequado do embrião.

Todo o processo que tem como resultado a gravidez começa no início do ciclo menstrual. Quando a menstruação inicia o endométrio (a camada mais interna do útero) é descascada. Depois por cerca de duas semanas do ciclo menstrual um hormônio chamado estrogênio provoca a proliferação de uma nova camada endometrial. Neste estágio, próximo a ovulação, caso a mulher tenha relação sexual o espermatozoide irá ascender pela cavidade uterina até a trompa de falópio. Para que ocorra a gravidez é necessário que o espermatozoide penetre na parede do óvulo. Neste momento ocorre a fertilização.

Agora, na segunda fase do ciclo menstrual a cicatriz que ficou no ovário após a ovulação se torna o corpo lúteo. Ele é responsável por produzir o hormônio luteinizante. Essa fase é chamada de fase lútea.

Entre 7 a 10 dias após a fertilização o embrião faz seu “ninho” no endométrio (revestimento interno do útero). No sétimo dia o trofoblasto que é a camada de células mais externa do blastocisto produz enzimas que permitem que ele se infiltre gradualmente na mucosa do útero.

Esse período de fixação costuma durar até o nono dia após a fertilização, quando o blastocisto penetra completamente na mucosa. Por fim, no décimo dia um tampão de fibrina obstrui o pequeno buraco deixado pela passagem do blastocisto.

Implantação do ovo

O que acontece com o corpo depois da nidação?

Bom, depois da nidação teremos todas as mudanças que ocorrem na gestação. Seu útero irá crescer para acomodar o bebê e o bebê irá se desenvolver. As mamas irão crescer preparando-se para a amamentação. Ocorreram alterações hormonais envolvendo principalmente o hCG, progesterona e estrogênio. A glândula tireóide também irá crescer em função da maior secreção de hormônios tireoidianos. 

A frequência respiratória materna também irá se elevar em função da compressão do diafragma pelo útero. O volume sanguíneo aumenta em cerca de 40 a 50% durante a gestação, aumentando também o débito e frequência cardíacas.

Enfim, parabéns! Se a nidação deu certo você está grávida e poderá desfrutar desse maravilhoso período que é o ciclo gestacional.

Como saber se é nidação ou um período menstrual?

Na verdade muitas vezes pode ser difícil diferenciar o sangramento de nidação de uma menstruação. Caso a mulher tenha dúvida se aquele corrimento marrom foi um escape menstrual ou o sangramento provocado pela implantação do óvulo fecundado na parede do útero deverá realizar um exame laboratorial. O teste de beta hcg poderá ser realizado alguns dias após o sangramento.

A nidação e o hCG

A implantação é o primeiro gatilho para o corpo começar a produzir hCG (gonadotrofina coriônica humana, também conhecida como hormônio da gravidez). Testes de gravidez (testes de urina vendidos em farmácias e exames de sangue) procuram a presença de hCG para confirmar uma gravidez. A nidação deve ocorrer para que esse hormônio seja produzido.

O que ocorre se eu fizer o teste de gravidez muito cedo?

Como falamos anteriormente, o hCG é produzido apenas após a nidação. Se você fizer um teste de gravidez antes da nidação ele irá informar que você não está grávida, mesmo que a fecundação tenha acontecido. Por isso não é possível fazer o teste de gravidez imediatamente após a fecundação. É necessário esperar a implantação do óvulo fecundado após as relações sexuais onde ocorreu a concepção.

O que pode atrapalhar a nidação?

Em algumas situações a nidação pode ser dificultada ou mesmo evoluir para um leve sangramento que algumas mulheres irão inicialmente interpretar como um corrimento marrom. Eventualmente esse sangramento aumenta, sua cor passa a ser mais avermelhada e o volume progressivamente aumenta, aparecendo as cólicas e evoluindo para um aborto espontâneo. Esta situação é mais frequente nos seguintes casos:

Alteração genética do Embrião

A causa mais frequente de abortamentos no começo da gravidez são as alterações genéticas do embrião. Por exemplo, quando o embrião tem um cromossomo a mais, mesmo que o processo de nidação tenha sido bem sucedido a chance de abortamento é bastante alta. Nestes casos geralmente a alteração genética ocorre em função do óvulo ter recebido um cromossomo a mais na divisão celular.

Presença de Miomas

Os miomas são pequenos nódulos do miométrio. Eles são comuns em mulheres acima dos 40 anos e muitas vezes podem estar na parede do útero mais interna do útero, deslocando o endométrio e causando sintomas como o sangramento. Caso o embrião, ao invés de lidar sobre o endométrio, faça a nidação sobre um mioma na parede uterina, isto poderá trazer algum problema com um risco maior para o abortamento.

Endometrite

A endometrite é um processo inflamatório do endométrio, local onde a nidação ocorre. Ela pode ocorrer na mulher que tem alguma infecção do endométrio, ou que fez alguma cirurgia sobre a cavidade uterina, como uma curetagem ou retirada de pólipo. Nestes casos o endométrio se torna hostil a nidação eventualmente ela não acontece. A saúde do endométrio é fundamental para uma nidação adequada.

Leitura Recomendada: A 5ª semana de gestação

 

Como é calculado o peso do bebê no ultrassom?

Certamente essa dúvida passa na cabeça de muitas gestantes: como o médico sabe o peso do bebê fazendo um ultrassom? Obviamente a única maneira de pesar o bebê é colocando ele em cima de uma balança. O ultrassom é apenas uma “foto” do bebê, e com o médico pode saber o peso do bebê pela foto?

Bom imagine que nós somos capazes de dizer se uma pessoa está magra ou acima do peso quando olhamos numa foto. Pois bem, quando fazemos isso o nosso cérebro compreende se rosto da foto está mais ou menos cheio, se a barriga é mais ou menos saliente e mais uma série de detalhes. E então, de uma maneira instintiva podemos dizer se a pessoa é mais gordinha ou mais magra.

Peso do Bebê - Como nosso cérebro é capaz de identificar quem é gordo e quem é magro.

Nessa imagem, sem saber o peso de cada um dos personagens, é possível dizer que é mais magro e quem é mais gordo. (Foto: reprodução da internet).

Pois bem, no exame de ultrassom é feito algo semelhante. O médico irá medir a cabeça do bebê, o abdômen e o comprimento do fêmur. Com essas medidas o aparelho traz uma série de fórmulas para calcular o peso do bebê. Desde o advento do ultrassom diversas fórmulas foram desenvolvidas, entretanto a mais usada é a fórmula de Hadlock. Essa fórmula utiliza o diâmetro biparietal, a circunferência craniana, a circunferência abdominal e o fêmur para estimar o peso.

Fórmula Hadlock Peso Fetal

Qual a margem de erro para o peso do bebê?

Em cerca de 80% dos casos a margem de erro esperada é de até 10%. Ou seja, na maioria das vezes o erro será de até 10% do peso estimado para mais ou para menos. Entretanto é importante ressaltar que em algumas situações esta margem de erro pode chegar até 30% ou mais. Quando as condições não são favoráveis, infelizmente a margem de erro pode ser maior. Situações que estão associadas a maior margem de erro são por exemplo a imagem ruim, o bebê numa posição desfavorável ou muito grande, como acontece no ultrassom do terceiro trimestre.

Qual é o peso normal para o bebê?

O peso sofre grande variação durante a gestação. Existem diversas tabelas disponíveis para a estimativa de peso fetal. A mais utilizada é a tabela de Hadlock para o peso fetal estimado. Dispomos também de uma tabela específica da nossa população de Curitiba, que é bastante semelhante.

É importante informar que as tabelas são apenas tabelas de referência (não de normalidade). Isto significa que estar com o peso um pouco abaixo ou acima do esperado nem sempre representam um problema. É importante que você esclareça com o seu médico o que é um peso adequado ou não para o seu bebê.

Quantos gramas o bebê ganha por dia dentro da barriga?

Isto depende um pouco da semana de idade gestacional. Existem períodos aonde o bebê ganha peso mais rapidamente e existem períodos aonde o bebê ganha peso de forma mais lenta. Na tabela abaixo podemos ver as diferentes fases de crescimento do bebê e o ganho de peso esperado por semana de gestação.


Idade Gestacional Fase Ganho de Peso Aproximado
Até 16 semanas Lenta 10 gramas por semana
De 16 a 26 semanas Acelerada 85 gramas por semana
De 26 a 38 semanas Máxima 200 gramas por semana
Acima de 38 semanas Lenta 70 gramas por semana

Note que o período de maior ganho de peso do bebê é entre 26 a 38 semanas. Após a 38° semana de gestação o crescimento é novamente lento, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa. Para se ter uma idéia, geralmente com 28 semanas o bebê atinge 1.000g e com 34 semanas cerca de 2.500g.

 

Regra de Naegele: Como fazer o cálculo para saber a Data Provável do Parto (DPP)

A regra de Naegele é uma forma padronizada de calcular a data provável do parto (conhecida como DPP). Com base na data da última menstruação é uma maneira relativamente simples e que é bastante utilizada para estimar o dia em que se irá completar 40 semanas de gestação.

O que diz a regra de Naegele?

O texto original refere o seguinte:

Man rechnet von dem Tage an, wo die Frau ihre Reinigung zum letzten Male gehabt, 3 ganze Monate zurück und zählt dann 7 Tage hinzu; der so gefundene Tag ist alsdann derjenige, an welchem die Niederkunft zu erwarten ist. Hat eine Frau z. B. am 10ten Juni ihre Reinigung zum letzten Male gehabt, so zählt sie 3 ganze Monate zurück – also bis zum 10ten März –, rechnet dann 7 Tage hinzu, so findet sie den 17ten März, welches der Tag ist, an dem sie ihre Niederkunft zu erwarten hat

Entendeu? Não? Então vamos ajudar: você conta três meses pra trás na data da última menstruação e adiciona 7 dias, encontrando dessa forma a data provável do parto. Então se uma mulher teve a sua menstruação no dia 10 de junho, você conta 3 meses pra trás chegando em 10 de março e então soma 7 dias e o dia 17 de março se torna a data provável do parto.

Pra esclarecer um pouco mais vamos ver mais alguns exemplos:

Exemplo 1:

Data da Última Menstruação (DUM): 15/09/20
Data Provável do Parto (DPP): 22/06/21

Exemplo 2:

Data da Última Menstruação (DUM): 20/11/20
Data Provável do Parto (DPP): 27/09/21

Em algumas situações a regra pode ficar um pouco mais complexa e você teve ter um cuidado maior. Por exemplo, quando a menstruação ocorre nos 3 primeiros meses do ano você não consegue subtrair 3. Então você deve SOMAR 9 no mês. Nestes casos o ano permanece o mesmo.

Exemplo 3:

Data da Última Menstruação (DUM): 10/01/20
Data Provável do Parto (DPP): 17/10/20

Exemplo 4:

Data da última menstruação (DUM): 05/03/20
Data Provável do Parto (DPP): 12/12/20

Em algumas situações também precisaremos “virar” o mês. Nestes casos ao invés de subtrair 3 no mês, subtrai-se apenas 2. Nos primeiros meses do ano ao invés de somar 9, soma-se 10. Além disso deve-se lembrar que alguns meses tem 31 dias. Veja os exemplos abaixo:

Exemplo 5:

Data da Última Menstruação (DUM): 25/04/20
Data Provável do Parto (DPP): 02/02/21

Exemplo 6:

Data da Última Menstruação (DUM): 25/01/20
Data Provável do Parto (DPP): 01/11/20

A regra de Naegele funciona?

Sim, ela funciona razoavelmente bem. Hoje conceitualmente temos que a data provável do parto deve ser calculada somando-se 280 dias no primeiro dia da última menstruação. Isso fica muito fácil se tivermos um aplicativo para calcular a DPP, entretanto fazer isso manualmente é complicado e demorado. Por exemplo, você pode usar a nossa calculadora de idade gestacional para ver qual a sua data provável do parto.

Utilizando a regra de Naegele o resultado obtido é de aproximadamente 280 dias, variando alguns poucos dias para mais ou menos. Por isso em países aonde o acesso a tecnologia não é fácil a regra ainda pode ser bastante utilizada. Alguns obstetras mais antigos também a utilizam.

Quem criou a Regra de Naegle?

A regra para o cálculo da data provável do parto recebeu notoriedade após a sua publicação no livro de Franz Carl Naegele (1778-1851) publicado em 1812 Erfahrungen und Abhandlungen aus dem Gebiethe der Krankheiten des Weiblichen Geschlechtes. Nebst Grundzügen einer Methodenlehre der Geburtshüfe (Experiências e tratado no campo das doenças do sexo feminino. Além do básico de uma metodologia de obstetrícia).

Regra de Naegele

Página do Livro texto de Franz Carl Naegele.

Naegele foi um obstetra alemão que nasceu em 17 de julho de 1778 em Düsseldorf, Alemanha. Em 1806 ele se tornou professor e diretor da maternidade de Heidelberg. Seu livro foi publicado e reeditado diversas vezes.

Entretanto Naegele não inventou nem afirmou ter criado essa regra. Provavelmente quem criou a regra foi Hermann Boerhaave (1668-1738), professor de Botânica e Medicina da Universidade de Leyden. Entretanto essa informação não é simples de ser confirmada pois Boerhaave não permitiu durante a sua via a publicação das suas lições.

Referências

  1. T F Baskett, F Nagele. Naegele’s rule: a reappraisal. BJOG. 2000 Nov;107(11):1433-5.
  2. Loytved CA, Fleming V. Naegele’s rule revisited. Sex Reprod Healthc. 2016;8:100-101.

Pílula do Dia Seguinte: como funciona e principais dúvidas

A pílula de dia seguinte é um método de anticoncepção emergencial. Ou seja, jamais deve ser utilizada como sua principal escolha para evitar a gestação. Ela deve ser utilizada apenas em casos especiais aonde ocorreu uma relação sexual desprotegida. Como por exemplo quando rompe um preservativo ou você esquece de tomar uma pílula do seu anticoncepcional.

Como funciona a pílula do dia seguinte?

Os hormônios contidos na pílula do dia seguinte atuam atrasando ou impedindo a ovulação. Para que uma gravidez ocorra, é necessário que o ovário libere um óvulo, processo chamado de ovulação. Quando a mulher utiliza a pílula do dia seguinte a ovulação é retardada ou até mesmo pode não ocorrer.

Dessa forma caso a mulher tenha tido uma relação sexual desprotegida, a pílula poderá evitar a gravidez uma vez que o espermatozoide poderá não encontrar o óvulo para fecundar.

Tenha em mente entretanto que ela não é capaz de interromper uma gravidez em curso. Ou seja, caso você esteja grávida, utilizar esta medicação não irá provocar o abortamento.

As pílulas do dia seguinte podem ajudar a prevenir a gravidez se você teve relações sexuais desprotegidas – seja porque não usou anticoncepcional, esqueceu de tomar a sua pílula anticoncepcional, foi vítima de violência sexual ou seu método anticoncepcional falhou por algum motivo.

Quais são os tipos de pílula do dia seguinte?

As pílulas do dia seguinte podem ser compostas de levonorgestrel ou acetato de ulipristal. Enquanto o levonorgestrel é uma progesterona sintética o acetato de ulipristal é uma modulador dos receptores de progesterona que possui uma atividade predominantemente anti-progestogênica. As pílulas de levonorgestrel podem ser usadas até 3 dias depois da relação não protegida e as de acetato de ulipristal em até 5 dias. Entretanto quanto mais cedo forem usadas, melhor é a sua eficácia.

Pílula do Dia Seguinte - Estrutura química das duas drogas utilizadas Levonorgestre e Ulipristal

Estrutura química dos compostos utilizados na pílula do dia seguinte.

Como usar a pílula do dia seguinte?

A pílula do dia seguinte deve ser utilizada o mais rapidamente possível após a relação sexual desprotegida. Os comprimidos de levonorgestrel devem ser usados no máximo em 3 dias após a relação e os de acetato de ulipristal podem ser usados em até 5 dias.

Não é necessário receita médica para comprar a pílula do dia seguinte. O medicamento é vendido em comprimido único ou caixas com 2 comprimidos.

Se você tiver vômitos após ingerir a pílula procure o seu médico o quanto antes para discutir se é necessário tomar mais uma dose.

Não tenha relações sexuais desprotegidas novamente após utilizar a contracepção de emergência. A pílula do dia seguinte é um método contraceptivo de emergência e não oferece proteção duradoura contra a gravidez. Se você tiver relações sexuais desprotegidas nos dias ou semanas após tomar a pílula do dia seguinte, é possível engravidar.

Quantas vezes posso usar a pílula do dia seguinte?

Apesar de não haver limite para o seu uso, a pílula do dia seguinte deve ser usada apenas como anticoncepção de emergência. Para quem tem relações desprotegidas com frequência é importante buscar um outro método anticoncepcional.

A maioria dos métodos anticonceptivos atua de forma a prevenir a gravidez antes ou durante a relação sexual. A pílula do dia seguinte é um método anticonceptivo de emergência usado para evitar a gravidez após a relação sexual.

A recomendação de não se utilizar com frequência a anticoncepção de emergência é porquê a sua eficácia é baixa quando comparada aos outros métodos anticoncepcionais. Ou seja, você não está tão protegida assim quando usa a pílula do dia seguinte. Além disso ela é feita com hormônios o que poderá alterar o seu ciclo menstrual, principalmente se você utilizar ela com frequência. 

Como fica a menstruação após usar a pílula do dia seguinte?

A maioria das mulheres não irá notar nenhuma diferença na menstruação após o uso da pílula do dia seguinte. Não é esperado que você sangre (menstrue) após usar a pílula do dia seguinte. Em cerca de 15% das mulheres a menstruação poderá antecipar em até 7 dias. Aproximadamente 30% das mulheres terão um atraso menstrual que na metade dos casos não passa de 7 dias. Caso ocorra um atraso menstrual de mais de 10 dias recomendamos que consulte com seu médico para que possa ser feito um teste de gravidez.

É importante ressaltar que estes dados consideram apenas um uso ocasional da anticoncepção de emergência. Caso você utilize este método por mais vezes e com um intervalo curto de tempo poderão sim ocorrer alterações no ciclo menstrual. É muito importante que você conheça o seu ciclo menstrual para poder saber quando é a próxima menstruação.

Quais são os efeitos colaterais da pílula do dia seguinte?

Não existes efeitos colaterais graves. Se você engravidar ela não irá provocar malformações no bebê e também não irá provocar abortamento. Os efeitos colaterais mais comuns são:

  • Dor de cabeça
  • Dor abdominal leve ou cólicas
  • Alterações do ciclo menstrual ou sangramento menstrual mais intenso
  • Mal estar
  • Náusea ou vômito
  • Tontura
  • Fadiga
  • Mastalgia

Além disso é importante comentar que os efeitos do ulipristal em um bebê em desenvolvimento são desconhecidos. Portanto é importante certificar-se que você não está grávida antes de usar o ulipristal. Se estiver amamentando, o ulipristal também não é recomendado.

Qual a eficácia da pílula do dia seguinte?

Não se engane, é possível engravidar depois de tomar a pílula do dia seguinte se você teve relação no seu período fértil. Sua eficácia é de pelo menos 75%, podendo chegar a 98% quando utilizada nas primeiras 24 horas após a relação sexual desprotegia. Por isso quanto antes usar a pílula melhor será sua eficácia.

É importante informar que a obesidade reduz a eficácia da pílula. Em mulheres com peso acima de 75Kg a eficácia dela pode ser menor do que o esperado.

Quanto tempo depois da relação sexual posso usar a pílula do dia seguinte?

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que a pílula do dia seguinte tenha uma taxa de falha de 2% quando usada entre 0 e 24 horas após a relação sexual, 4,1% entre 25 e 48 horas e 4,7% entre 49 e 72 horas. Cabe ainda informar que o uso rotineiro deste método poderá comprometer a sua eficácia.

Portanto, quanto antes você usar a pílula do dia seguinte maior será a sua eficácia.

Uso pílula anticoncepcional, posso usar a pílula do dia seguinte também?

Se você usa regularmente uma pílula anticoncepcional não é necessário utilizar a pílula do dia seguinte. O contraceptivo de emergência só precisa ser utilizado em situações onde o método contraceptivo pode ter falhado.

Então, por exemplo, se você esqueceu de tomar seu anticoncepcional hormonal oral poderá utilizar a anticoncepção de emergência.

Métodos Anticoncepcionais

Métodos Anticoncepcionais

Quais outros métodos contraceptivos existem no mercado?

Existem diversos outros métodos contraceptivos disponíveis no mercado. Os principais são:

  • Preservativo
  • Anticoncepcional hormonal oral
  • Anticoncepcional injetável
  • Anticoncepcional na forma de anel vaginal
  • Anticoncepcional adesivo
  • Implantes hormonais
  • Dispositivo Intra-Uterino

Converse com seu médico ginecologista para tirar suas dúvidas sobre a anticoncepção e escolher um método contraceptivo adequado para o seu caso.

Referências:

  1. ‘Morning after’ pill (emergency contraception pill)
  2. Emergency contraception (morning after pill, IUD)

 

Deu vontade de comer tijolo? Entenda o que é a Picamalácia!

Em alguns casos os desejos de grávida podem se tornar bastante estranhos. Quando a gestante começa a sentir vontade de ingerir “alimentos” sem valor nutricional isso se chama picamalácia, ou síndrome de pica. Para que tais hábitos sejam considerados pica, é preciso que persistam pelo menos um mês durante um período de vida.

A palavra pica deriva do nome em latim do pássaro pega (magpie, em inglês), que pertence ao gênero Pica. Notório pelo hábito de reunir objetos variados em seu ninho para saciar sua fome. Pássaro de hábitos alimentares peculiares, caracteriza-se por não discriminar substâncias nutritivas de não nutritivas. A pica tem sido relatada desde o século V a.C., quando Aristóteles e Hipócrates descreveram a pica e orientavam a respeito do suposto perigo em ingerir gelo.

O que causa a Pica?

A causa específica da picamalácia é desconhecida. Existem diversas teorias sobre como ela surge, entre elas considera-se o aspecto emocional, e deficiência de ferro e zinco. Na gestação, há aumento das necessidades nutricionais para suprir o crescimento e desenvolvimento do feto. Por isso, as gestantes têm maiores chances de apresentar deficiências, especialmente à deficiência de ferro.

Quais são os tipos de Pica?

A pagofagia (ingestão de gelo), geofagia (ingestão de terra ou barro) e as miscelâneas (combinações muito estranhas de alimentos) são as vontades mais comuns na picamalácia e não representam risco para a gestação. Mas se o desejo da gestante for de ingerir substâncias não alimentares, principalmente as tóxicas, é preciso ter cuidado, pois algumas substâncias podem ser muito perigosas para a saúde da mamãe e também do bebê. Outros tipos de pica são:

  • Acufagia – ingerir objetos pontiagudos
  • Amilofagia – comer amido (i.e. de milho ou mandioca)
  • Auto-canibalismo – comer partes do corpo (raridade)
  • Cautopireiofagia – ingerir palitos de fósforo apagados
  • Coniofagia – comer pó
  • Coprofagia – comer excremento
  • Emetofagia – comer vômito
  • Geomelofagia – comer (freqüentemente) batatas cruas
  • Geofagia – ingerir terra ou solo
  • Ctonofagia – ingerir terra ou argila (arcaísmo)
  • Hematofagia – comer sangue
  • Hialofagia -ingerir vidro
  • Lithofagia – comer pedras
  • Mucofagia – ingerir muco
  • Pagofagia – comer (patologicamente) gelo
  • Trichofagia – comer cabelo ou lã (fios ou tecido)
  • Urofagia – ingerir urina
  • Xilofagia – comer madeira

Qual é o tratamento para a Picamalácia?

Converse inicialmente com seu médico. Não tenha vergonha de contar a ele seus desejos estranhos – isso pode ser mais comum do que você imagina. Como durante a gestação é relativamente comum a pica associada a deficiência de ferro o seu médico irá investigar se você não está com anemia. Caso este seja o problema você poderá repor ferro por meio de comprimidos.

Nos casos mais complexos, aonde a causa não é clara, a abordagem deverá ser multiprofissionais atingindo as diversas facetas da etiologia do problema, incluindo tratamento psiquiátrico, psicológico e nutricional.

 

Desejos de grávida: por que a vontade de comer coisas surge?

Algumas combinações excêntricas como picles e sorvete pode não ser uma refeição gourmet, mas se você estiver grávida essa combinação pode parecer bastante interessante! O que está por trás destes estranhos desejos por algumas comidas específicas? Será que isso pode fazer algum mal?

Cerca de 50 a 90% das gestantes terão desejo por alguma comida específica. Outras mulheres irão perder a vontade de comer algo que sempre gostaram. Ninguém sabe exatamente o motivo pelo qual estes desejos estranhos acontecem. Alguns acreditam que sejam o corpo materno “avisando” sobre algum nutriente que está faltando. O que se sabe é que no primeiro trimestre da gestação diversas mudanças hormonais provocam alteração no olfato e no paladar das mulheres.

desejos de grávida - cachorro quente de banana

Desejos de grávida: cachorro quente de banana com salada!

Quando surgem os desejos na gravidez?

Geralmente estes desejos costumam surgir já no primeiro trimestre da gravidez. Por isso que toda vez que uma mulher comenta que está com vontade de comer algo específico alguém já brinca que ela deve estar grávida. No primeiro trimestre é bastante comum o desejo por comidas ácidas, como picles e sucos de frutas cítricas. Interessantemente estas comidas ajudam a combater os enjoos! As mudanças hormonais também diminuem o pH da boca e podem provocar salivação excessiva.

No segundo trimestre as coisas começam a se intensificar e aparece uma vontade impulsiva, incontrolável de comer um alimento com sabor ou textura específicos. Eventualmente existe o desejo de combinar alimentos que habitualmente não são consumidos juntos. No terceiro trimestre este desejo costuma diminuir novamente. 

O que acontece se a grávida “passa vontade”?

Apesar da teoria de que a vontade de comer algo específico seja uma maneira do corpo “comunicar” que está faltando algum nutriente específico isso não passa de uma teoria. Caso algum desejo da grávida não possa ser atendido não se preocupe, isso certamente não irá trazer nenhum problema para a gestação. E não se preocupe, o bebê não irá nascer com cara de pepino se você não conseguiu comer pepino na hora que deu vontade. É importante ressaltar que nenhum alimento interfere nas feições ou características da pele do bebê.

Entretanto, se surgirem alguns desejos estranhos como vontade de comer tijolo, gelo ou barro isso pode ser um problema chamado picamalácia (ou síndrome de pica). 

É interessante observar que algumas vezes o desejo pode fazer parte de uma carência emocional da gestante. Acatar essa vontade pode ser importante emocionalmente para que a gestante se sinta amparada.

Como lidar com os desejos de grávida?

Apesar de ninguém saber ao certo o motivo pelo qual estes desejos acontece, é um consenso que não há problema nenhum em atender estes desejos. Claro, desde que não haja nenhum excesso – você não pode comer só picles com sorvete!

A maioria dos desejos é por alimentos que possuem valor nutricional e por isso não há problema em ingeri-los, mesmo que pareçam uma combinação muito estranha. O ideal é equilibrar uma dieta saudável com os seus desejos específicos.

Evite ficar muito tempo sem se alimentar ou pular refeições pois isso pode reforçar o desejo por coisas estranhas. O ideal é comer alguma coisa a cada 3 ou 4 horas, fazendo cerca de 5 ou 6 refeições durante o dia. Lembre-se que a ingestão de algumas substâncias não alimentares pode causar problemas e por isso é importante relatar este tipo de situação o mais breve possível para o seu obstetra.

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Minha bolsa rompeu! Entenda o que é a Amniorrexe Prematura

Durante a gestação, dentro do útero, o bebê fica em uma bolsa de líquido. Essa bolsa se forma logo no começo da gestação e o líquido que está dentro dela é o líquido amniótico. Por toda a gestação esse líquido da bolsa protege o bebê e permite o seu desenvolvimento. Veja nesse vídeo abaixo um bebê que nasceu com a bolsa íntegra. Em uma operação cesariana muitas vezes é possível expor o bebê para fora do útero ainda com a bolsa íntegra.

Normalmente, durante o trabalho de parto, enquanto acontecem as contrações, a pressão sobre essa bolsa aumenta e eventualmente ela acaba rompendo. Na maioria das gestações é isso que acontece, a bolsa rompe apenas durante o trabalho de parto.

É comum romper a bolsa antes do trabalho de parto?

Em cerca de 10% das gestações a bolsa pode romper espontâneamente antes do trabalho de parto iniciar. Esta situação é chamada de amniorrexe prematura ou rutura prematura de membranas (RUPREME). É importante saber que prematura nesses casos significa que foi antes do trabalho de parto iniciar . Portanto não tem nenhuma relação com a idade gestacional. Essa situação também é referida como “romper a bolsa” ou “estourar a bolsa” e pode acontecer subitamente (veja o vídeo abaixo aonde a bolsa rompe enquanto uma gestante dança).

Quais são os sinais de que a bolsa pode romper?

Não existem sinais prévios a rutura da bolsa. Ela ocorre sem dar nenhum aviso prévio. Eventualmente situações que aumentam a pressão abdominal (como tossir ou dançar) podem fazer com que ela rompa.

Como saber se a bolsa rompeu?

Quando a bolsa rompe você sente uma quantidade relativamente grande de líquido vazando pela vagina. Esse líquido é incolor e tem um cheiro que lembra água sanitária. É importante saber que algumas vezes no terceiro trimestre a gestante pode perder um pouco de urina em função da compressão da bexiga, o que pode ser confundido com o líquido da bolsa. Também é comum que a perda do tampão mucoso seja confundido com a rotura da bolsa. Enquanto o líquido amniótico é bastante fluído o tampão mucoso tem um aspecto mais denso, parecendo um catarro.

Caso você perca líquido é importante ir até o hospital para que um médico possa fazer um exame e identificar se foi a bolsa que rompeu. Caso você tenha rompido a bolsa provavelmente ficará internada no hospital.

O que fazer para saber se estou perdendo líquido?

Se você acha que está perdendo líquido deve consultar um médico. Os principais sintomas e sinais de perda de líquido amniótico incluem:

  • A calcinha fica molhada, mas o líquido não tem cheiro, nem cor;
  • A calcinha fica molhada mais de 1 vez ao dia;
  • Diminuição dos movimentos do bebê no útero, quando já houve uma perda maior de líquido.

Na maioria das vezes apenas o exame clínico é suficiente pois o médico poderá observar o líquido saindo do colo uterino. Em casos aonde o diagnóstico não é tão claro ele poderá fazer o “teste do forro”. O teste do forro consiste em colocar um pedaço de tecido forrando a calcinha e caminhar por alguns minutos. Se a bolsa estiver rota o tecido irá ficar molhado e com cheiro característico de líquido amniótico.

Nos casos de maior complexidade poderá ser necessário realizar outros testes como um exame de ultrassom para avaliar a quantidade de líquido na bolsa, medir o pH da vagina ou analisar as características do muco cervical em um microscópio.

O que pode causar o rompimento da bolsa antes da hora?

Nos casos em que a bolsa rompe antes do trabalho de parto, em especial os casos muito precoces, é comum a associação com infecções. As infecções urinárias e vaginais estão bastante associadas com a rotura prematura das membranas. O trauma mecânico como acidentes com batidas diretamente sobre o ventre materno, podem causar a amniorrexe. O consumo de álcool, tabaco e drogas também já foram associados com a rotura prematura da bolsa.

Já as bolsas que rompem perto do fim da gravidez, quando o bebê está maduro, costumam ocorrer ao acaso, sem associação com problemas.

O que acontece quando rompe a bolsa?

Na maioria das vezes que a bolsa rompe a paciente acaba por desencadear o trabalho de parto algumas horas depois. Não existe um tratamento especifico para a bolsa rota, uma vez que ela rompeu é como um “balão furado”. Todo o líquido acaba escoando para fora do útero e ela não consegue encher mais.

A conduta médica quando rompe a bolsa vai depender um pouco da idade gestacional em que isso aconteceu. Deve-se considerar que a bolsa e o líquido amniótico protegem o bebê e o útero materno contra infecções. Além disso o líquido é importante para o desenvolvimento pulmões do feto e de toda a sua musculatura. Ficar muito tempo (semanas ou meses) sem líquido pode colocar a mãe em risco. É importante ter em mente também que na maioria dos casos o trabalho de parto acaba ocorrendo em no máximo um ou dois dias depois da bolsa romper.

Tendo isso em mente, nos casos muito precoces (geralmente abaixo de 24 semanas) levando em consideração que a chance de sobrevida do concepto é muito pequena frente as complicações que podem acontecer com a mãe, na maioria das vezes a gestação é conduzida como um abortamento.

Por outro lado, quando a bolsa rompe entre 24 e 34 semanas, já existe alguma viabilidade do feto e nestes casos prefere-se a conduta expectante. Expectante no caso significa tentar identificar se existe algum problema associado e tratar (como uma infecção urinária). Caso a paciente não entre em trabalho de parto expontâneo tenta-se ganhar tempo pois cada dia que o feto permanece no útero aumenta a sua sobrevida e reduz a chance de complicações. Geralmente se consegue ganhar alguns dias e eventualmente semanas. Durante esse tempo no exame de ultrassom será observado o oligodrâmnio, que é o volume de líquido amniótico diminuído.

Nas bolsas que rompem acima de 34 semanas o feto já está quase pronto. Nestes casos não há vantagem esperar muito tempo. Então se a paciente não entra em trabalho de parto espontâneo algumas horas depois da rotura das membranas o parto poderá ser induzido.

Quanto tempo o bebê pode ficar com a bolsa rompida?

Não há um limite para isto. Geralmente nos casos próximos ao termo aonde ocorre a rotura da bolsa o parto costuma acontecer em até um ou dois dias, quando evolui para um trabalho de parto e o desfecho é o parto normal. Como já foi comentado acima, em casos aonde a bolsa rompe muito longe do termo a idéia é ganhar tempo para o feto amadurecer um pouco mais dentro do útero e nestes casos o bebê pode ficar até semanas dentro do útero com a bolsa rota. Claro que para que isso aconteça o médico irá se certificar que não existe nenhuma contra-indicação para manter o feto dentro do útero como infecções ou sinais de sofrimento fetal.

Existem complicações após a bolsa ter rompido?

Sim, quando a bolsa rompe muito precocemente existe por exemplo um risco maior do prolapso de cordão umbilical. Além disso, nos casos onde a bolsa rompeu muito precocemente, por exemplo antes de 20 semanas, poderá ocorrer um crescimento mais lento dos pulmões do bebê, situação chamada de hipoplasia pulmonar. A hipoplasia pulmonar é bastante grave pois quando temos esse quadro o pulmão é muito pequeno para o bebê e não consegue oxigenar uma quantidade de sangue suficiente.

Também temos que considerar que casos onde a rotura da bolsa é conduzida de maneira expectante e leva muito tempo entre a rotura da bolsa e o nascimento do bebê há um risco maior de infecção, chamada corioamnionite.

Qual o risco da infecção urinária na gravidez?

As infeções do trato urinário são mais comuns em mulheres. Em função da anatomia do aparelho urinário feminino, em especial pela uretra bastante curta, o risco de uma infecção urinária é maior do que quando comparado aos homens.

Durante a gestação este risco aumenta ainda mais em função das alterações que acontecem no corpo da mulher durante a gravidez. A progesterona reduz o peristaltismo (contração involuntária) dos ureteres e a compressão do útero provoca uma estase (represamento) de urina. Tudo isto predispõe a infecção urinária. Podemos esperar que pelo menos 5% das gestantes tenham ao menos uma infecção urinária durante a gravidez.

Classificamos as infecções urinárias conforme a parte do trato urinário atingida. Quando a infecção acomete a bexiga chamamos de infecção urinária baixa, ou cistite. Se a infecção atinge os rins então é classificada como infecção urinária alta, ou pielonefrite.

Infecção Urinária

Tipos de infecção do trato urinário. Infecção urinária baixa (cistite) e infecção urinária alta (pielonefrite).

 

Na gravidez a infecção urinária é particularmente importante por dois motivos. Em primeiro lugar pela sua associação com o parto prematuro. As infeções urinárias baixas (cistites) mesmo que pouco sintomáticas podem provocar um parto prematuro.

Em segundo lugar existe um risco relativamente grande de uma infeção urinária se agravar pois o corpo da gestante propicia o agravamento de uma infecção urinária pela redução do peristaltismo e pela estase de urina provocada pela progesterona.

Por isso, durante o pré-natal realizamos 3 exames de urina, um em cada trimestre. Isto objetiva identificar o mais precocemente qualquer infecção urinária. Durante a gravidez tratamos até mesmo a bacteriúria – o que não ocorre com mulheres hígidas, fora do período gestacional. Bacteriúria assintomática é quando um número relativamente grande de bactérias é encontrado na urina mas não existem sintomas de infecção urinária.

A infecção urinária pode causar mal ao bebê?

Se não tratarmos a infecção urinária adequadamente ela pode causar o trabalho de parto prematuro. A gestante também poderá ter uma infecção grave e excepcionalmente até o bebê. Essa infecção no bebê acontece especialmente quando a bactéria causadora de infeção é o estreptococo do grupo B. Além disso a infecção urinária pode causar o rompimento prematuro bolsa de líquido amniótico.

Para mãe uma infecção urinária não tratada pode evoluir para um quadro de infecção generalizada, chamada de sepse. A sepse é uma complicação muito grave que pode inclusive causar a morte.

Quais são os sintomas

Os sintomas da infecção urinária variam também conforme a parte do trato urinário acometida. As infecções baixas costumam ter como sintoma a dor ou ardência para urinar, associado ao aumento da frequência de idas ao banheiro. Entretanto ir muito ao banheiro urinar também é um sintoma comum da gravidez que não necessariamente está relacionado a infecção. Esse sintoma é mais comum no começo da gravidez e no terceiro trimestre.

As infeções altas do trato urinário possuem como sintomas, além dos sintomas de infecção baixa, a presença de febre associada a dor lombar. A febre em especial é bem característica da infecção urinária alta.

Como é feito o diagnóstico

Durante a gestação é muito importante que as infecções urinárias sejam rapidamente diagnosticadas e tratadas. Por isso o seu médico irá solicitar um exame de urina a cada trimestre da gestação. Além destes exames que são rotineiramente feitos, caso você apresente sintomas da doença ou trabalho de parto prematuro, este exame também deverá ser realizado.

Como é feito o tratamento

Em síntese, as infecções urinárias são tratadas com antibióticos. Para as infecções baixas o tratamento geralmente é ambulatorial com antibióticos por via oral por 7 a 10 dias. Já as infecções altas devem ser internadas e tratadas com antibióticos por via endovenosa até a melhora clínica. Havendo melhora com os antibióticos endovenosos a paciente pode receber alta com um tratamento via oral até completar cerca de 14 dias de tratamento.

Para pacientes com infeções urinárias recorrentes durante a gravidez é necessário investigar se existem problemas associados, como por exemplo cálculos renais. Eventualmente o seu médico poderá prescrever uma terapia profilática aonde uma dose baixa de antibiótico é usada preventivamente para que não ocorra uma nova infecção urinária.

Como posso evitar uma infecção urinária na gestação?

Algumas dicas podem ajudar você a evitar este problema enquanto está grávida. Veja o que você deve fazer:

  • Tome bastante líquido dando preferência para água e suco de cranberry;
  • Evite colocar açúcar nas bebidas;
  • Vá ao banheiro com frequência, não espere a vontade chegar, mantenha a bexiga vazia;
  • Tente urinar antes e depois de ter relações sexuais;
  • Depois de urinar seque (e não esfregue) a área genital – certifique-se de limpar da frente pra trás;
  • Evite usar sabonetes fortes, cremes, perfumes ou sprays de higiene feminina.