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Temperatura Basal: O que é e como Controlar?

A temperatura basal é a temperatura do corpo medida imediatamente após a pessoa acordar. Essa medida deve ser feita antes de qualquer atividade física, preferencialmente até mesmo antes de sair da cama.

Fazer essa medida diariamente pode ajudar a mulher a conhecer o seu ciclo menstrual e até a saber qual é o dia da sua ovulação com maior precisão. Sabemos que imediatamente antes da ovulação a temperatura basal cai e que logo após a ovulação ela sobre cerca de 0,3 a 0,5 graus Celsius.

Gráfico Exemplo Temperatura Basal

Gráfico de temperatura corporal basal típico para um ciclo menstrual. A ovulação (no dia 14 neste exemplo) é marcada por uma leve queda na temperatura, seguida por um aumento de pelo menos 0,3 ° C nas 48 horas seguintes. A temperatura mais alta é mantida durante a fase lútea (segunda metade do ciclo). Picos aleatórios, como no dia 10, são comuns e devem ser ignorados. Se o ciclo durar mais de 28 dias, a ovulação provavelmente ocorrerá depois do dia 14.

Por que a temperatura basal aumenta na ovulação?

Quando a mulher ovula, um hormônio chamado progesterona também é liberado. Esse hormônio é responsável por aumentar a temperatura corporal. Por isso que podemos descobrir se a ovulação aconteceu fazendo o controle da temperatura basal.

Quando a Temperatura Basal aumenta?

A temperatura basal pode aumentar em diversas situações. Um resfriado por exemplo ou qualquer outra infecção que possa causar febre poderá aumentar a sua temperatura basal. Por um outro lado, um aumento na temperatura basal na segunda metade do ciclo também pode indicar que você está grávida, principalmente se esse aumento estiver associado com o atraso menstrual! Quando ocorre a fecundação o corpo lúteo continua produzindo progesterona, o que contribui para que a temperatura do corpo fique elevada.

Como se mede a Temperatura Basal?

Adquira um termômetro específico para isso. Idealmente ele deve ter uma precisão de 0,01 grau Celsius. A maneira mais precisa de medir a temperatura é pela via retal, entretanto certamente também é a via mais irritante. Alternativamente pode-se medir a temperatura vaginal, ela também é bastante confiável – desde que você não tenha uma infecção vaginal. Já a temperatura oral ou axilar não são consideradas confiáveis para esse controle. Lembre-se de usar o termômetro sempre no mesmo local pois essas áreas tem temperaturas um pouco diferentes.

Além disso é importante medir a temperatura antes mesmo de levantar da cama ou fazer muitos movimentos. A própria movimentação do corpo, como caminhar até o banheiro, poderá provocar um pequeno aumento na temperatura basal e esse aumento poderá ser confundido com o aumento da ovulação.

Lembre-se também de tomar nota dos dias “não confiáveis”. Estes são os dias aonde você fez algo que pode alterar um pouco a temperatura corporal, como ingerir álcool, usar algum medicamento diferente ou ter algum sintoma de doença. Até mesmo noites mal dormidas ou o jet lag podem alterar a temperatura corporal.

Quanto tempo preciso medir a Temperatura Basal?

É importante também medir a temperatura por alguns meses. Isso permitirá que você conheça bem o seu ciclo e possa planejar as relações sexuais para os dias de maior fertilidade. Anote a temperatura diariamente em uma tabela ou faça um gráfico. Isso permite que você identifique mais facilmente o período aonde ocorreu a alteração de temperatura.

O período fértil é uma janela de 5 dias antes da ovulação e vai até 24 horas depois de ovular. Ter relações nessa fase aumenta a chance de engravidar. Principalmente no dia da ovulação e no dia que antecede a ovulação.

Portanto a medida da temperatura basal pode ser usada tanto como método para engravidar como método anticoncepcional, desde que você conheça bem seu ciclo menstrual! E mesmo assim é importante avisar que este método não é tão eficaz quanto o uso de preservativo ou anticoncepcional oral, portanto se você ainda não quer engravidar, consulte seu ginecologista para escolher o melhor método.

Por outro lado, como a temperatura basal tem uma rápida modificação no período ovulatório, ela é relativamente precisa pra ajudar você a escolher o melhor dia para as relações sexuais. Entretanto obviamente recomendamos que este processo seja acompanhando por um ginecologista.

Gostou dessa dica sobre como controlar a temperatura basal? Agora que você já consegue descobrir o dia da sua ovulação que tal ler as nossas dicas de métodos naturais para escolher o sexo do bebê?

Descolamento Prematuro de Placenta

O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é classicamente definido como a separação abrupta e inopinada da placenta normalmente inserida antes do parto. É uma das causas de sangramento vaginal na segunda metade da gravidez.

Por sorte é um evento raro pois acontece em apenas 0,5 a 1% das gestações. Infelizmente é uma das principais causas de morbidade materna e de mortalidade perinatal. Os principais riscos incluem sangramentos abundantes, necessidade de transfusões sanguíneas, histerectomia de emergência, coagulação vascular disseminada e falência renal.

Descolamento Prematuro de Placenta

Imagem comparando a placenta normalmente inserida (esquerda) e um descolamento prematuro de placenta com hematoma retroplacentário (direita).

O principal diagnóstico diferencial do Descolamento Prematuro de Placenta é a Placenta Prévia. As principais complicações para o concepto são o óbito, a prematuridade, a asfixia perinatal. Apesar de diversos fatores de risco conhecidos, a etiologia do DPP ainda não é bem compreendida.

Existem também situações aonde o saco gestacional se descola da parede uterina. Esta é uma situação bem distinta, que ocorre nos primeiros meses de gravidez e é chamado descolamento do saco gestacional. Muitas vezes erroneamente algumas pessoas se referem ao descolamento do saco gestacional como descolamento da placenta. Entretanto são coisas bem distintas e com prognóstico bastante diferente.

Qual a causa do Descolamento Prematuro de Placenta?

A principal causa do descolamento prematuro de placenta é a ruptura de vasos maternos na decídua basal. Decídua é o nome dado a camada mais interna do útero durante a gestação. O sangue eliminado pelos vasos maternos se acumula formando um hematoma que separa a placenta da decídua.

Essa separação da placenta faz com que as trocas entre a mãe e o feto sejam interrompidas. Portanto o pedaço da placenta que descola da decídua não é mais funcional e não leva mais oxigênio e nutrientes para o bebê. Isso se torna um problema pois durante a gestação a placenta é responsável por levar oxigênio para o feto. A separação da placenta da decídua antes do nascimento pode ser letal para o concepto.

O sangramento da decídua pode se exteriorizar pelo colo uterino. Neste caso a paciente irá perceber um sangramento vaginal que é um dos sintomas mais comuns. Eventualmente o hematoma pode ficar confinado a região retro-placentária e neste caso não ocorre sangramento vaginal.

Ultrassom de Descolamento Prematuro de Placenta

Ultrassom mostrando área anecóica (escura) atrás da placenta, compatível com um hematoma em função do descolamento prematuro de placenta.

Quais são os sintomas do Descolamento Prematuro de Placenta?

No DPP o principal sintoma é o sangramento vaginal. Entretanto, em alguns casos o hematoma pode ficar confinado atrás da placenta e nestes casos o descolamento não provoca sangramento vaginal.

Além do sangramento vaginal, que ocorre de maneira abrupta e sem dar aviso prévio, é comum a dor em função do aumento do tônus uterino. O útero fica endurecido, quase que como uma pedra em função de uma forte e duradoura contração.

Como o sangramento geralmente é bastante volumoso podemos ver sinais de choque materno ou eventualmente o óbito fetal em função da separação da placenta.

Nos casos de sangramento na segunda metade da gestação é sempre importante fazer o diagnóstico diferencial com a placenta prévia, que é outra causa de hemorragia vaginal em gestantes.

Quais são os fatores de risco para um DPP?

O principal fator de risco é a hipertensão arterial. A maioria das pacientes que fazer um quadro de descolamento prematuro de placenta são hipertensas prévias ou possuem um quadro de pré-eclâmpsia.

O trauma direto sobre o útero também é um fator de risco importante para o acontecimento do descolamento da placenta. Nesse sentido é importante investigar quadros de violência doméstica, quedas ou acidentes de carro.

O uso de algumas drogas como a cocaína, crack e a metanfetamina também podem provocar quadros de descolamento prematuro de placenta. 

Como é classificado o Descolamento Prematuro de Placenta?

O DPP é classificado em três graus, levando-se em conta os achados clínicos e laboratoriais, de acordo com classificação de Sher no quadro abaixo:


Grau Características
I Assintomático ou apresenta sangramento genital discreto sem hipertonia uterina significativa, com vitalidade fetal preservada. Sem repercussões hemodinâmicas e coagulopatias materna. O diagnóstico é realizado após o nascimento por presença de coágulo retroplacentário.
II Sangramento genital moderado com hipertonia uterina. Repercussões hemodinâmicas na mãe com aumento de frequência cardíaca, alterações posturais da pressão arterial e queda do nível de fibrinogênio. Feto vivo, porém com vitalidade fetal prejudicada.
III Caracteriza-se por óbito fetal. Hipotensão arterial materna e hipertonia uterina importante. Divide-se em: IIIA Sem coagulopatia instalada; IIIB Com coagulopatia instalada.

Qual a diferença entre Descolamento Prematuro de Placenta e Placenta Prévia?

As principais características que diferenciam o DPP da PP são:


Característica Placenta Prévia Descolamento Prematuro de Placenta
Inserção da Placenta Em local anômalo (prévia) Normalmente inserida
Sangramento Vaginal Incidioso, ocorre várias vezes durante a segunda metade da gravidez e geralmente em pequena quantidade Abrupto, ocorre de uma hora pra outra, geralmente em grande volume entretanto pode ser oculto
Dor Indolor Bastante doloroso
Tônus uterino Normal Bastante Aumentado
Vitalidade Fetal Normal Geralmente comprometida
Coagulopatia Ausente Presente

Qual é o tratamento para o Descolamento Prematuro de Placenta?

Na maioria das vezes, quando o feto estiver vivo será o parto pela via mais rápida e segura. Além disso a reposição de volume e sangue para a gestante é extremamente importante. Abaixo temos o fluxograma do Ministério da Saúde que detalha o tratamento conforme o grau do DPP.

Fluxograma para Tratamento do Descolamento Prematuro de Placenta

Fluxograma para Tratamento do Descolamento Prematuro de Placenta

5 coisas pra observar no seu ciclo menstrual

Chamamos de ciclo menstrual as alterações fisiológicas que ocorrem nas mulheres em idade fértil. Estas alterações fisiológicas tem como principal finalidade permitir a reprodução da espécie. Estas alterações cíclicas, duram cerca de 28 dias e são controladas pelo sistema endócrino, responsável por alterações hormonais. A maioria das meninas tem a primeira menstruação entre 11 e 13 anos de idade e estes ciclos continuam até a menopausa, geralmente por volta de 49 anos. A data em que ocorre a primeira menstruação chamamos de menarca e a data da última menstruação que ocorre na vida da mulher chamamos de menopausa.

Conhecer como funciona o ciclo menstrual é importante para a saúde sexual de todas as mulheres. Antes de discutir sobre as 5 coisas que devem ser observadas no seu ciclo menstrual, vamos entender como ele funciona.

O aparelho reprodutor Feminino e o Ciclo Menstrual

Como a principal função do ciclo menstrual está relacionada com a reprodução, os principais efeitos observados durante o ciclo menstrual estão diretamente ligados ao sistema reprodutor. A principal característica observada do ciclo menstrual, a menstruação, é um sangramento que tem origem pela descamação do endométrio, a camada mais interna do útero.

Endométrio

Ilustração do Útero apontando o Endométrio.

O ciclo menstrual começa no primeiro dia da menstruação. Por questões didáticas iremos dividir as fases do ciclo menstrual em folicular e lútea, com as seguintes características:

  • Fase Folicular – período em que o endométrio começa a se regenerar para iniciar um novo ciclo, preparando-se para uma possível gravidez. Nesse mesmo momento um folículo no ovário é estimulado a crescer para que um óvulo seja liberado;
  • Fase Lútea – Ela ocorre logo após a ovulação, enquanto o óvulo caminha pelas trompas para chegar ao útero. Nessa fase o endométrio cresce ainda mais e o corpo lúteo começa a produzir a progesterona que é o hormônio que mantém a gravidez nas primeiras semanas. Além da progesterona essa fase também possui bastante estrogênio.
Ciclo Menstrual - Alterações do Útero e Ovários

Alterações do Útero e Ovário durante o Ciclo Menstrual

Durante a fase folicular ocorre a menstruação. A menstruação é o período aonde ocorre o sangramento caracterizado pela descamação do endométrio. A menstruação só acontece quando não há gravidez. Existe um mito sobre a menstruação durante a gravidez que já desmistificamos nesse post: Grávida Menstrua?

A liberação do óvulo ocorre entre a fase folicular e a fase lutea. Já o período fértil se extende de 5 dias antes da ovulação até um dia depois. Caso você queira compreender um pouco mais sobre o período fértil preparamos um post só sobre esse assunto pra você!

Compreendendo o Ciclo Menstrual

 
Ciclo Menstrual - Fases Hormonais

Alterações Hormonais no Ciclo Menstrual.

Fase Folicular

A duração de um ciclo menstrual varia de mulher para mulher. Pode inclusive variar de duração em uma mesma mulher, conforme a fase da vida. Na maioria das mulheres a duração é de 28 dias, mas consideramos normal e é relativamente comum que ele varie entre 23 até 35 dias. Inclusive em algumas mulheres o ciclo pode ser irregular e aí cada ciclo tem uma duração um pouco diferente.

O primeiro dia do ciclo menstrual é o dia em que inicia a menstruação (dia 1). Usualmente a menstruação dura 5 dias, entretanto consideramos normal variações de três até sete dias. O primeiro dia da menstruação marca o início do novo ciclo que será controlado pela hipófise. A hipófise é uma glândula localizada na parte inferior do cérebro e antigamente era chamada de pituitária.

No início do ciclo a hipófise produz um hormônio chamado de Hormônio Folículo Estimulante (FSH). O FHS é responsável por provocar o crescimento de alguns folículos nos ovários. Os ovários guardam milhões de folículos que quando estimulados irão liberar um óvulo. Os folículos são pequenas cavidades preenchidas de líquido e que guardam em seu interior um óvulo. Nessa fase inicial o folículo tem aproximadamente 2-5 mm de diâmetro. Apesar de alguns folículos serem estimulados, habitualmente apenas um folículo, chamado de folículo dominante, irá ovular.

Enquanto o folículo é estimulado ele amadurece e acumula células secretoras de hormônios, em especial o estradiol que é um tipo de estrogênio. O estradiol estimula a síntese de FSH e do Hormônio Luteinizante (LH), mas inibem sua secreção.

Esta primeira fase do ciclo menstrual tem uma duração que pode variar um pouco enquanto a segunda fase (fase lúteo) tem uma duração mais ou menos fixa de 14 dias independente da duração do ciclo. Isto significa que num ciclo de 28 dias, a primeira e a segunda fase tem 14 dias. Já num ciclo de 30 dias a primeira fase tem 16 dias e a segunda fase 14 dias.

A Ovulação e o Período Fértil

A ovulação ocorre no final da primeira fase do ciclo. Ou seja, na transição entre a fase folicular e lútea. Próximo a ovulação o estradiol atinge seus níveis máximos. A progesterona também começa a aumentar nestes dias do ciclo. O LH que foi secretado e armazenado é liberado subitamente e logo em seguida os níveis de estradiol diminuem enquanto a progesterona continua a aumentar. O folículo atinge cerca de 25 mm de diâmetro e o óvulo é liberado. A liberação do óvulo ocorre , ou seja, o folículo rompe (estoura). Em algumas situações esse processo pode ser visto durante cirurgias de videolaparoscopia.

Foto da Ovulação Videolaparoscopia

Ovulação Humana observada durante cirurgia de Videolaparoscopia

O período fértil é a parte do ciclo aonde é possível a gravidez. Para compreender qual é o período fértil é importante entender que o espermatozóide sobrevive cerca de 5 dias após a ejaculação, enquanto o óvulo é viável por apenas 24 horas. Portanto relações desprotegidas até 5 dias antes da ovulação fazer um óvulo ser fecundado. Entretanto após a ovulação o período fértil dura apenas mais 24 horas, aproximadamente. Dessa forma o período fértil vai de cinco dias antes da ovulação até um dia depois do dia da ovulação.

A Fase Lútea

Logo após a ovulação fica uma pequena “cicatriz” no ovário aonde era o folículo. Essa cicatriz se chama corpo lúteo. O corpo lúteo secreta inicialmente progesterona. Como a progesterona é termogênica (aumenta a temperatura), podemos observar um aumento na temperatura basal de cerca de 0,5o C logo após a ovulação. Existe inclusive uma técnica para controlar o momento da ovulação com base no controle da temperatura basal. Esta técnica é simplesmente um registro diário da temperatura corporal para identificar a ovulação com base neste aumento da temperatura. A progesterona irá ajudar a preparar o endométrio para receber o óvulo fecundado.

Após a liberação o óvulo pelo ovário ele será captado pela trompa de falópio. As tubas uterina, ou trompas de falópio são duas estruturas tubulares na lateral do útero que são responsáveis por captar o óvulo e conduzir ele até o útero. A fecundação deve ocorrer logo no início da trompa e o ovo fecundado irá viajar pela trompa até chegar na cavidade uterina fixando-se no endométrio, evento conhecido como nidação. O corpo lúteo irá continuar produzindo hormônios na primeira fase da gestação até que a placenta comece a produzir progesterona e assuma esta função, por volta de 12 semanas de gestação.

Quando a fecundação não ocorre os níveis de estrogênio e progesterona diminuem no final da fase lútea e o corpo lúteo se degenera formando o corpo albicans. Essa queda hormonal faz com que a fase luteinica se encerre e então o endométrio começa a descamar, iniciando o primeiro dia de um novo ciclo menstrual.

Calendário Menstrual

Com base nos seus ciclos menstruais passados é possível elaborar um calendário menstrual para saber quando irão ocorrer as próximas menstruações e quando será o seu período fértil. Dispomos em nosso site de uma calculadora de fertilidade que permite estimar quando será o seu período fértil e quando serão as próximas menstruações. Para usar a calculadora basta informar a duração do seu ciclo e quantos dias você fica menstruada. O sistema irá gerar uma tabela com a data estimada da próxima menstruação pelos próximos 6 meses. Isso é bem interessante para você poder programar alguma viagem fora do período menstrual. Entretanto lembre-se que não é possível prever o futuro e o seu ciclo pode variar. Sabemos inclusive que a idade e até os fenômenos sazonais podem influenciar o ciclo menstrual!

O que o seu ciclo menstrual pode dizer sobre a sua saúde íntima

1. Alterações do Fluxo Menstrual

O fluxo menstrual é a principal característica do ciclo menstrual. A duração média do fluxo menstrual é de 5 (± 2) dias. A perda sanguínea por ciclo é em média de 30 mL (variação de 13 a 80 mL), sendo em geral maior no 2º dia. Para saber o quanto você está sangrando você pode contar o número de absorvente higiênico ou tampão vaginal (OB) que troca. Cada absorvente saturado tem cerca de 5 a 15 ml de sangue. Distúrbios do ciclo menstrual podem provocar alterações no volume do sangramento ou no número de dias em que a mulher fica menstruada.

2. Periodicidade

Apesar de poderem acontecer pequenas variações no número de dias do ciclo, espera-se que na maioria das mulheres a duração do ciclo menstrual seja de 28 dias. Ciclos menores que 25 dias ou maiores que 30 dias podem indicar algum problema com o seu ciclo ovulatório e nestes casos talvez seja interessante conversar com o seu médico. ualquer modificação que faça o ciclo ficar mais curto ou mais longo que o normal por mais de três meses seguidos pode indicar alterações hormonais, ovários policísticos, entre outros problemas.

3. Cólicas Menstruais

Durante o período de sangramento o útero tem algumas contrações para ajudar a expelir o sangue e o endométrio. Nesta fase do ciclo é comum sentir algumas cólicas. São dores que vem como “ondas” começam fracas, ficam fortes e depois somem. Cólicas muito fortes, até mesmo incapacitantes, não são normais. Se a cólica for intensa e prolongada procure a ajuda de seu médico pois problemas como a endometriose podem ser a causa das cólicas fortes.

4. Odor Vaginal Forte

Toda mulher tem algum odor vaginal. Ele é causado pelas secreções da vagina, suor da pele e gordura por exemplo. Geralmente este odor pode ser minimizado pela higiene durante o banho. Em alguns casos quando o odor é muito forte e não se resolve com a higiene você pode ter alguma infecção vaginal e nestes casos é importante consultar um ginecologista. Um exame detalhado poderá identificar se existe alguma infecção vaginal causando o problema.

5. Escapes Menstruais

Uma situação relativamente comum são pequenos “escapes” menstruais, chamados de spottings. Essa é a famosa manchinha de sangue que pode aparecer na calcinha fora do período esperado para a menstruação. Em geral o spotting não é um problema sério. Ele pode ocorrer eventualmente e você não precisa ficar preocupada. Por outro lado se a frequência do spotting for muito alta isso pode indicar alguma “ferida” no colo do útero. Se você não está com o seu preventivo em dia visite seu ginecologista! Não deixe de cuidar da sua saúde. Para as usuárias de anticoncepcional hormonal oral pode ser um indício de que você esqueceu de tomar o comprimido um dia. Se o esquecimento da pílula ocorrer com frequência cuidado, eventualmente você poderá ter uma gravidez indesejada. Neste caso é importante falar com seu médico para verificar se não existe algum outro método mais adequado pra você.

6. Dores na ovulação

A dor na ovulação é uma realidade para muitas mulheres e pode ser um fator importante na vida feminina, especialmente para aquelas que estão planejando a gravidez. Conhecida como mittelschmerz, esta dor geralmente ocorre no meio do ciclo menstrual e pode variar de um leve desconforto a uma dor aguda e intensa.

A dor na ovulação acontece quando o folículo ovariano se rompe e libera um óvulo. Embora possa ser um indicativo natural do período fértil, também pode ser um sinal de condições médicas mais sérias, como endometriose ou gravidez ectópica. Portanto, é crucial entender o que causa a dor na ovulação e como gerenciá-la efetivamente para manter um estilo de vida saudável.

O Ovário Policístico e a Síndrome do Ovário Policístico

Sim, por incrível que pareça são duas coisas diferentes. O ovário policístico se refere ao aspecto ultrassonográfico do ovário. Apesar de existirem milhares de óvulos nos ovários, durante o exame de ultrassom enxergamos apenas alguns. Eles são pequenas “bolinhas” pretas. O líquido no ultrassom fica preto e estas pequenas imagens representam os folículos ovarianos, que são circundados por líquido. Essa imagem é normal. Por outro lado, em até cerca de 20% das mulheres, ao invés de ver alguns cistos no ovário, identificamos uma quantidade muito grande. Nestes casos dizemos que o ovário tem um apecto policístico – o famoso ovário policístico. O ovário policístico também pode ser chamado de ovário micropolicístico pois são diversos cistos pequenos. Isto é bem diferente dos cistos de ovário que geralmente são únicos e grandes.

Ovário Policístico - Ultrassom

Imagem ultrassonográfica comparando um ovário normal com um ovário policístico.

Já a Síndrome do Ovário Policístico (ou SOP) é algo um pouco mais complexo. Dizemos que uma paciente possui esta síndrome quando pelo menos duas das seguintes características estão presentes: (1) ciclos menstruais irregulares (anovulatórios); (2) aumento de andrógenos (hormônio masculino) e (3) presença de ovários policísticos. Portanto para ter a síndrome do ovário policístico não basta ter apenas a alteração no ovário, precisa ter pelo menos mais uma das outras características. E por outro lado é possível ter a Síndrome do Ovário Policístico sem ter os ovários policísticos… confuso não é?

O que o ovário policístico pode causar?

Quando temos apenas o ovário com aspecto policístico geralmente não temos outros sintomas associados. Já na síndrome do ovário policístico, por ser uma doença metabólica, podemos ter diversos diferentes sintomas. Os sintomas mais comuns são:

  • Irregularidade menstrual – como a ovulação geralmente não acontece, o ciclo menstrual fica bastante irregular e algumas mulheres ficam até meses sem menstrual;
  • Menstruação abundante – como o endométrio (camada do útero que descama na menstruação) cresce muito, durante o período menstrual o sangramento pode estar aumentado;
  • Acne – o excesso de andrógenos (hormônios masculinos) aumentam a oleosidade da pele, levando ao aparecimento de acne na face, no tórax e nas costas;
  • Crescimento de pelos – cerca de 70% das mulheres com a síndrome tem um aumento no crescimento de pelos. Este excesso de pelos é chamado de hirsutismo;
  • Obesidade – mais de 80% das mulheres com síndrome de ovário policístico são obesas, portanto é um dos principais fatores de risco para a doença;
  • Escurecimento da pele – algumas áreas como a virilha, pescoço e em baixo das mamas pode ocorrer um escurecimento da pele;
  • Calvice – algumas mulheres podem ficar com os cabelos mais finos e apresentar uma calvice semelhante ao que ocorre em homens.

O que causa a síndrome dos ovários policísticos?

Não existe uma causa exata para este problema. Acredita-se que os altos níveis de hormônios masculinos (andrógenos) fazem com que os ovários produzam menos hormônios e que a ovulação não aconteça. Possivelmente a associação entre uma predisposição genética, o aumento da resistência periférica a insulina e o excesso de andrógenos fazem o problema acontecer.

A insulina é um hormônio secretado pelo pâncreas e ela ajuda o seu corpo a metabolizar os açucares das comidas. Quando as células não conseguem usar a insulina corretamente o pâncreas produz mais insulina para tentar compensar esse problema. O excesso de insulina faz com que os ovários produzam hormônios masculinos – piorando o problema.

A obesidade é a principal causa da resistência a insulina. Ou seja, a obesidade faz com que as células não consigam usar a insulina adequadamente. Assim o pâncreas secreta mais insulina para compensar o problema. Por isso a forte relação entre o ganho de peso pode estar associado a doença. Desta forma a mudança de estilo de vida e perda de peso fazem parte importante do tratamento da doença.

Tanto a obesidade quanto a síndrome dos ovários policísticos aumentam o risco de níveis elevados de açúcar no sangue, hipertensão, colesterol HDL (“bom”) baixo e colesterol LDL (“ruim”) alto.

Juntos, esses fatores são chamados de síndrome metabólica e aumentam o risco de doenças cardíacas, diabetes e derrame.

Como é feito o diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos?

Para o diagnóstico é preciso apresentar pelo menos dois dos três critérios abaixo, após a exclusão de outras patologias que poderiam causar sintomas semelhantes.

  1. Hiperandrogenismo clínico e / ou laboratorial;
  2. Irregularidade menstrual / anovulação;
  3. Aumento volume ovariano / alteração na morfologia dos ovários com a presença de cistos.

O hiperandrogenismo é o excesso de hormônios masculinos que podem ser identificados em exames laboratoriais de sangue ou por características clínicas como o hirsutismo. A menstruação desregulada é um sintoma comum quando a paciente possui ciclos anovulatórios, o que pode causar a infertilidade. Já a análise do volume ovariano e a presença de cistos serão avaliados durante um exame de ultrassom transvaginal.

Como é a menstruação de quem tem a síndrome do ovário policístico?

A dificuldade em ovular faz com que os ciclos sejam bastante irregulares. É comum que algumas mulheres com a síndrome do ovário policístico fiquem vários meses sem menstruar. E quando vem a menstruação podem ter sangramentos mais abundantes e que duram vários dias.

O ovário policístico faz a mulher engordar?

Apesar da forte associação entre a obesidade e a síndrome do ovário policístico a teoria mais provável é que a obesidade cause a síndrome e não o contrário. A obesidade faz com que as células do corpo tenham dificuldade em utilizar a insulina para metabolizar açúcar – o que chamamos de resistência à insulina. A resistência a insulina está associada com o aumento de produção de andrógenos pelos ovários. Justamente causando assim algumas das alterações vistas nas pacientes com a síndrome dos ovários policísticos.

É possível engravidar com o ovário policístico?

Sim, apesar de comumente as pacientes apresentarem ciclos anovulatórios, o tratamento adequado poderá fazer com que a ovulação aconteça e a paciente engravide. Em casos mais extremos poderá ser necessário um tratamento para infertilidade com a fertilização in vitro.

Qual é o tratamento da síndrome dos ovários policísticos?

A dieta alimentar e a prática de atividade física representam a primeira linha de tratamento da doença. Isso melhora a sensibilidade à insulina, regula a ovulação e aumenta a fertilidade. Em alguns casos poderá ser prescrito anticoncepcionais orais para ajudar a regular a menstruação. Por ser uma síndrome, com vários sintomas, o tratamento pode englobar diversos medicamentos como hipoglicemiantes orais ( como a metformina nos casos de resistência à insulina); medicamento para reverter o quadro de infertilidade, cosméticos conta a acne e terapias para o controle do estresse e da ansiedade.

Gravidez Silenciosa: é possível estar grávida e não sentir nada?

O fenômeno da gravidez silenciosa está sendo cada vez mais comentado. São casos aonde mulheres descobrem que estavam grávidas dias antes do parto. Mas será que isso é realmente possível? Será que é possível descobrir a gravidez no dia do parto?

Apesar de ser algo incomum, isso de fato acontece. Assim como existe a pseudociese (gravidez psicológica), também existe a gravidez silenciosa aonde a gestante não percebe que está grávida antes do terceiro trimestre. Ou seja, a gravidez só é percebida um pouco antes de dar a luz ou até mesmo no momento parto.

O problema é que algumas mulheres podem ter sangramentos durante a gravidez ou alguma irregularidade menstrual. Isto certamente contribui para dificultar a identificação da gravidez. Lembre que o primeiro sinal de gravidez é relacionado sempre ao atraso menstrual. Outras mulheres podem ter algum problema psicológico que dificulta o reconhecimento ou mesmo a aceitação da gravidez.

Como saber se estou grávida se não tenho sintomas?

Pode ser difícil diagnosticar se você tem uma gravidez silenciosa. Afinal de contas se fosse sempre fácil isso não aconteceria, não é verdade? Entretanto, se você acha que pode estar grávida mas com dificuldade de identificar alguns dos principais sinais e sintomas como o ganho de peso ou o atraso menstrual, você pode ficar atenta a outros sintomas como:

  • Seios doloridos e inchados;
  • Urinar com maior freqüência;
  • Cansaço;
  • Náuse e vômitos;
  • Não tolerar algumas comidas ou cheiros.

E claro, nada melhor do que consultar o seu médico de confiança! Ele poderá fazer um exame clínico em você e solicitar exames complementares com um teste de gravidez. Assim saberá com certeza se você está grávida ou não. Lembre-se que as mulheres devem consultar seu ginecologista pelo menos uma vez por ano.

É possível estar grávida e não sentir nada?

Geralmente o principal sintoma de gravidez é a menstruação atrasada. Claro que para uma mulher que menstrua todo o mês, sempre na mesma época, é relativamente fácil perceber que existe algo de diferente quando a menstruação atrasa. Entretanto é preciso considerar que estes casos de gravidez silenciosa geralmente acontecem com pacientes que possuem ciclos irregulares, e geralmente longos.

Algumas mulheres, por exemplo as que tem ovários policísticos, podem ficar vários meses sem menstruar. Além disso os ovários policísticos geralmente dificultam a gestação. Então, por exemplo para uma mulher com ovários policísticos a gravidez pode ser uma surpresa.

Outras mulheres podem ter sangramentos recorrentes durante a gestação e confundir isso com a menstruação. Nos casos por exemplo aonde a placenta está inserida muito próxima ao colo do útero, durante toda a gestação podem acontecer sangramentos que são confundidos com a menstruação.

Por vezes também os sintomas como aumento da frequência urinária, sensibilidade nas mamas e enjôos podem passar desapercebidos por serem muito sutis.

O uso do anticoncepcional também pode ajudar a esconder a gravidez. Principalmente para as mulheres que usam o anticoncepcional de forma contínua. Ao esquecer de tomar o anticoncepcional a paciente pode engravidar e não se dar conta pois ela normalmente não menstrua. E, como você sabe, não há método anticoncepcional infalível. Portanto mesmo tomando anticoncepcional pode engravidar!

Também é mais comum a gravidez silenciosa em mulheres obesas. Nestes casos o aumento da barriga pode não ser tão evidente pois o acúmulo de gordura no abdômen pode “disfarçar” o aumento do útero até o momento do parto.

E os outros sintomas de gravidez?

Os outros sintomas comuns da gravidez como enjôos, dores nas costas, sonolência ou dores nas mamas são bastantes inespecíficos. Isto significa que podem acontecer em diversas situação e não apenas na gravidez. Nos casos de gravidez silenciosa estes sintomas podem passar desapercebidos pois o enjôo pode ser atribuído a alimentação, o sono a um dia um pouco mais exaustivo e assim por diante.

A ausência completa de sintomas é incomum. Algumas mudanças no corpo sempre acabam acontecendo, o problema é que podem passar desapercebidas até chegar a hora de ir para o hospital.

Como posso saber se estou grávida tocando a barriga?

Durante os exames de pré-natal o obstetra palpa o abdômen materno para identificar a posição do bebê. Ele também mede a altura uterina para avaliar se o crescimento do bebê está adequado. Palpar o abdômen para identificar o útero ou o bebê exige treinamento. Talvez seja difícil ou quase impossível para alguém sem treinamento tocar a sua barriga e saber se o que está sendo palpado é o útero ou apenas o intestino. Por isso não queira tentar saber se está grávida tocando a barriga, você pode errar feio.

Talvez a melhor maneira de saber se você está grávida ou não será colocando a mão sobre o abdômen para tentar perceber os movimentos fetais. Eles geralmente podem ser percebidos a partir da 20 semana de gestação. Sentir o bebê mexendo pode ajudar a identificar se você está grávida. Principalmente se não tiver outros sintomas ou se a barriga não estiver aumentando a ponto de tornar evidente a gestação.

Quais são os riscos de uma gravidez sem acompanhamento pré-natal?

Dar a luz sem fazer o pré-natal pode ser perigoso para a futura mamãe e para o bebê. O pré-natal tem como princípio fundamental identificar situações que colocam em risco a mamãe e o bebê. Após a identificação destes problemas um tratamento é instituído para que a gestação transcorra sem problemas.

Um exemplo são os exames de sangue. No pré-natal é realizada uma triagem para anemia, diabetes, algumas infecções e se esses problemas forem descobertos é importante iniciar o tratamento adequado o quanto antes. Os exames de urina também são importantes pois as infecções urinárias, muito comuns na gestação, são a principal causa de parto prematuro.

Outro dado importante do pré-natal é a pressão arterial da futura mamãe que deve ser aferida em todas as consultas pois existe uma doença, chamada pré-eclâmpsia, que faz a pressão aumentar especificamente na gravidez. E claro, não podemos nos esquecer de citar também os exames de ultrassom que são fundamentais para acompanhar o desenvolvimento do bebê.

Algumas dores não são normais na gravidez e se você não sabe que está grávida, poderá não tomar o cuidado necessário! Para saber quais são essas dores leia nosso artigo sobre 6 dores que não são normais na gravidez.

Tive uma gravidez silenciosa, será que serei uma boa mãe?

Claro que sim! Apesar de dar a luz sem perceber que estava grávida, isso não impede essas mulheres de serem serem excelentes mães. Na maioria das vezes quando as mulheres descobrem a gravidez elas compreendem e aceitam seu filho muito bem.

Entretanto é recomendável, se você teve uma gravidez silenciosa, fazer uma avaliação mental para tentar descobrir o que a levou a negar a gravidez. Isso é importante para previnir o abuso infantil e a negligência, que são mais comuns em mulheres que negaram a gravidez.

O que é o corpo lúteo?

O corpo lúteo é uma estrutura que é formada nos ovários logo após a ovulação. Os ovários são duas estruturas arredondadas que ficam ao lado do útero e são responsáveis por liberar os óvulos durante o o ciclo menstrual. Todos os meses os ovários são estimulados durante o ciclo menstrual e um folículo amadurece, liberando um óvulo. O óvulo quando fecundado irá ser captado pelas trompas por onde seguirá até o útero para formar o embrião.

Corpo Lúteo

Esquema do Ciclo Ovulatório mostrando um ovário e todas as fases de um folículo até a ovulação e formação do corpo lúteo.

Após a liberação do óvulo, forma-se o corpo lúteo. Ele nada mais é do que uma cicatriz que se forma no local onde o óvulo foi liberado. Durante o ciclo menstrual e caso ocorra uma gravidez o corpo lúteo é responsável pela produção de progesterona. Nas gestantes a progesterona é um hormônio importante para a manutenção da gravidez, sendo produzido inicialmente pelo corpo lúteo e após 12 semanas pela placenta.

Como o corpo lúteo é formado?

Dentro dos ovários, os óvulos são armazenados dentro de estruturas chamadas folículos primários. Ao nascer uma mulher possui milhões de folículos primários em cada ovário. Um folículo primário nada mais é do que um óvulo envolvido por uma camada de células chamada de granulosa. Durante cada ciclo menstrual um folículo primário é recrutado. Isto significa que ele é escolhido como folículo do mês para ser amadurecido e ovular. Durante o processo de amadurecimento do folículo a camada de células da granulosa fica mais espessada.

As células da granulosa produzem líquido formando um pequeno cisto que cresce progressivamente. Ao ultrassom é possível ver os folículos estimulados como pequenos cistos que medem cerca de 10 mm ou mais. A medida que o ciclo ovariano progride, as células da granulosa se multiplicam cada vez mais e produzem mais e mais líquido, fazendo o folículo crescer cerca de 3 mm por dia.

Folículo Ovariano

Na imagem podemos ver um ovário com um folículo estimulado (imagem grande em preto arredondada) e outros folículos menores e não estimulados (pequenas imagens arredondadas na periferia do ovário).

Como ocorre a ovulação?

Quando o folículo atinge 24-25 mm de diâmetro ele rompe, como um balão que ficou muito cheio. Neste momento o óvulo que estava dentro do folículo é jogado pra fora do ovário.

Momento da Ovulação Humana

Momento da ovulação visto durante um exame de videolaparoscopia. O óvulo que está sendo liberado está marcado pela seta.

Logo após a ovulação ocorre um pequeno sangramento geralmente auto-limitado o que forma o corpo hemorrágico que em seguida se torna amarelo, dando origem ao corpo lúteo (do latim corpo amarelo). O corpo lúteo é formado pelas células da granulosa e tem grande importância no ciclo menstrual pois secreta um hormônio chamado progesterona. Ele possui colocação amarela em função da luteína que é o hormônio presente nele.

Corte macroscópico de um ovário mostrando o corpo lúteo

Corte de um ovário mostrando o corpo lúteo na parte superior.

O corpo lúteo é relativamente grande em relação ao ovário, tendo cerca de 2 a 5 cm. A função do corpo lúteo é preparar o útero e manter a gravidez até que a placenta comece a secretar a progesterona. Caso não ocorra a fecundação o corpo lúteo vira uma pequena cicatriz esbranquiçada chamada corpo albicans.

Todo este ciclo é possível de ser estudado e acompanhado ao ultrassom com o exame chamado controle de ovulação.

Qual é a função do corpo lúteo?

O corpo lúteo tem a função de produzir a progesterona. Estrogênio e progesterona são os dois principais hormônios envolvidos na ovulação e no ciclo menstrual da mulher. Na primeira fase do ciclo, chamada de fase folicular, um hormônio chamado FSH (hormônio folículo estimulante) é secretado pela hipófise. Ele faz com que o folículo ovariano cresça e se desenvolva até o momento onde ocorre a ovulação. Nesta fase os ovários produzem o estrogênio que junto com a progesterona irá ajudar a preparar o útero para a gravidez. No fim desta fase do ciclo menstrual a hipófise começa a secretar menos FSH e mais LH (hormônio luteinizante). O LH irá ajudar no amadurecimento do folículo para que ocorra a ovulação.

Após a ovulação temos a segunda fase do ciclo, chamada de fase lútea, onde o principal hormônio envolvido é a progesterona. Ela agora é produzida pelo corpo lúteo e irá provocar um espessamento do endométrio, preparando o útero para a implantação do ovo (nome dado ao óvulo fecundado). Essa fase do ciclo tem uma duração de aproximadamente 14 dias e caso não ocorra a fecundação os níveis de progesterona irão diminuir o que irá provocar o descamamento do endométrio, causando a menstruação.

Por outro lado, caso a mulher tenha relações sexuais e ocorra a fecundação o ovário irá continuar a produção de progesterona. Ela será responsável por dar suporte a gravidez até que a formação da placenta esteja completa. Com cerca de 12 semanas de gravidez a placenta assume o papel do corpo lúteo e passa a produzir a progesterona que será fundamental na manutenção e suporte da gravidez.

Quanto tempo o corpo lúteo fica no ovário?

Caso não aconteça a gestação o corpo lúteo permanece por cerca de duas semanas até se tornar o corpo albicans (branco, do latim). Por outro lado, caso ocorra a gestação, o corpo lúteo irá produzir progesterona até aproximadamente a 12ª semana de gestação, quando então a placenta irá tomar essa função.

O que significa a progesterona baixa?

A produção de progesterona é fundamental para a regulação dos ciclos menstruais e para o desenvolvimento normal da gravidez. Mulheres que tem níveis baixos de progesterona podem ter menstruação irregular.

Além disso, quando a progesterona é muito baixa no início da gravidez isto pode causar uma perda gestacional. Esta situação é conhecida como insuficiência de corpo lúteo. Nos casos onde a produção de progesterona é insuficiente o seu médico poderá recomendar o uso de progesterona exógena para tratar a insuficiência de corpo lúteo.

O diagnóstico de insuficiência de corpo lúteo é difícil e deve ser feito pelo seu médico. Em casos de perdas gestacionais recorrentes o seu obstetra poderá prescrever progesterona para evitar uma perda gestacional.

Quando o corpo lúteo aparece no ultrassom?

Caso você faça um ultrassom logo após ter ovulado, o médico poderá ver um corpo lúteo. É uma imagem escura (chamada tecnicamente de anecóica), cercada por um halo mais esbranquiçado. Muitas vezes é possível ver também que o corpo lúteo possui rica vascularização, quando associamos o Doppler ao exame de ultrassom.

Corpo Lúteo no Ultrassom

Imagem de um corpo lúteo ao ultrassom.

Apesar desta ser a forma mais comum do corpo lúteo, ele ainda pode assumir outras formas. Por exemplo, quando existe um sangramento mais abundante durante a ovulação ele pode ter características semelhantes a um hematoma. Neste caso é chamado de corpo lúteo hemorrágico. Outras vezes o corpo lúteo pode formar um cisto de dimensões um pouco maiores. Nesta situação recebe o nome de corpo lúteo cístico.

Ter um corpo lúteo no ultrassom significa que estou grávida?

Não. Ter um corpo lúteo no ultrassom significa que você ovulou. Entretanto, apesar de ter ovulado isto não significa necessariamente que você está grávida. Se você deseja engravidar é interessante determinar o seu período fértil e para isso possuímos no site uma calculadora que te ajuda a determinar o seu período fértil. Portanto o corpo lúteo pode aparecer no ultrassom após a ovulação, mesmo que você não esteja grávida.

Qual a importância do corpo lúteo para a gravidez?

Num primeiro momento, ainda durante a fase lútea do ciclo menstrual, a formação do corpo lúteo é importante para a gravidez no sentido em que prepara o endométrio para receber o óvulo fecundado. Neste momento, o principal objetivo do corpo lúteo é liberar progesterona para esta preparação.

Caso ocorra a gravidez a progesterona terá papel fundamental na manutenção da gestação. A progesterona ajuda o útero a crescer para que possa acomodar o bebê. Além disso ela evita que ocorram contrações, o que ajuda a manter a gravidez. Quando o útero tem muitas contrações nas fases iniciais da gestação isto pode levar a uma perda gestacional.

Em algumas pacientes com risco aumentado para parto prematuro a progesterona também tem sido usada com sucesso para ajudar a extender o tempo de gravidez.

Coceira na Vagina? Pode ser Candidíase!

Uma queixa comum das mulheres quando visitam o seu ginecologista é o prurido (coceira) vaginal. Esse sintoma pode se tornar mais comum ainda durante a gravidez em função das próprias alterações fisiológicas causadas pela gestação.

A queixa de coceira vaginal é comumente causada por uma infecção fúngica do gênero Candida. Essa infecção recebe o nome de candidíase ou monilíase. Entre todas as espécies deste fungo, a Candida albicans é a mais comum, sendo responsável por até 90% dos casos. Antes de iniciar qualquer tratamento é importante que a paciente consulte o seu ginecologista para ele confirmar a infecção e prescrever o tratamento apropriado. Isso é especialmente importante em gestantes pois algumas medicações podem ter restrição de uso na gravidez.

Quais são os sintomas de candidíase vaginal?

Apesar do sintoma mais comum ser a coceira no canal vaginal, alguns outros sintomas também podem aparecer. Entre eles podemos destacar:

  • Coceira (prurido);
  • Dor para urinar;
  • Inchaço ou irritação da vulva;
  • Dor nas relações sexuais;
  • Vermelhidão na vulva;
  • Corrimento esbranquiçado e com grumos.
Corrimento da Candidíase Vaginal

Exame ginecológico evidenciando colo uterino recoberto por corrimento esbranquiçado e grumoso, compatível com candidíase vaginal.

Os sintomas da infecção vaginal por cândida podem ser semelhantes a diversas outras condições como uma infecção bacteriana (vaginose bacteriana), tricomoníase e dermatite. Para o diagnóstico adequado é importante consultar o seu ginecologista.

Como se pega a candidíase?

A Candida é um fungo que faz parte do trato gastrointestinal e muitas vezes da vagina. Em situações normais a Candida não causa nenhum sintoma. Em algumas situações, como por exemplo após o uso de algumas medicações ou alterações dos sistema imune, este fungo pode crescer de maneira exagerada. Nesta situação os sintomas acima podem aparecer.

Apesar da candidíase poder ser sexualmente transmissível, mas maioria das vezes não é. Geralmente a doença é causada por um simples desequilíbrio da flora vaginal. Muitas vezes alguns fatores de risco podem aumentar a chance de ter candidíase, como por exemplo o diabetes, a falta de higiene com as partes íntimas, o uso de roupas muito apertadas e que diminuem a aeração da região íntima.

Como a candidíase é tratada?

O tratamento para candidíase é feito com a administração de antifúngico. Para mulheres não grávidas a medicação pode ser via oral, mas para gestantes recomenda-se a aplicação de creme vaginal para minimizar a exposição do feto a medicação. Em algumas situações o tratamento também pode ser combinado, usando a medicação via oral e o creme vaginal. O tratamento dura entre 1 e 2 semanas, a depender de cada caso.

O que fazer se você tem candidíase recorrente?

Algumas mulheres podem ter vários episódios de candidíase no ano. Nestes casos é importante conversar com o seu médico por ele irá pesquisar a causa dessas infecções de repetição. Você por exemplo pode estar com diabetes e não sabe.

Além da investigação habitual, algumas medidas comportamentais também podem ajudar a evitar a candidíase de repetição:

  • Diminuir o consumo de doces;
  • Evitar usar roupas apertadas;
  • Realizar a higiene íntima de maneira adequada;
  • Secar bem as partes íntimas após o banho;
  • Fazer atividade física e ter alimentação saudável.

Lembre-se: o estilo de vida e os hábitos de higiene podem evitar a candidíase!

A candidíase pode passar para o bebê?

Se no momento do parto vaginal houver uma infecção por Candida na vagina da paciente, a pele do bebê será contaminada por uma grande quantidade de fungos. Como o bebê não tem o sistema imunológico completamente desenvolvido, ele poderá desenvolver uma infecção de pele causada pela Candida.

Gostou desse conteúdo? Veja nossas dicas para evitar candidíase!

Eritroblastose Fetal: A Doença da Incompatibilidade Sanguínea entre Mãe e Feto

A eritroblastose fetal, também conhecida por doença hemolítica perinatal, ocorre quando existe uma incompatibilidade entre o sangue da mãe e do bebê. A incompatibilidade mais comum é a do fator Rh. Nos casos aonde a anemia fetal é muito grave pode ser necessário a realização de um procedimento de transfusão intrauterina de sangue para o bebê.

Como acontece a incompatibilidade sanguínea?

O nosso sistema imunológico tem o poder de reconhecer elementos (proteínas) que não fazem parte do nosso corpo, chamados de antígenos. Quando isso acontece produzimos anticorpos que se ligam nessas proteínas formando um complexo antígeno-anticorpo (ou complexo imune). Este complexo é então destruído pelo nosso sistema imune.

Quando a mãe é Rh negativo isso significa que na superfície da hemácia dela não existe uma determinada proteína (que atualmente é conhecida como antígeno D). Quando ela está gestando um bebê de Rh positivo, as hemácias do feto possuem este antígeno. Enquanto não houver passagem do sangue do bebê para a circulação materna nenhum problema ocorre pois o sistema imunológico da mãe não é “apresentado” a essa proteína estranha.

Caso ocorra algum sangramento aonde o sangue do bebê entra na circulação da mãe então sim ocorre a “apresentação” do antígeno D ao sistema imunológico da mãe. Depois que isso acontece o sistema imunológico da mãe começa a produzir anticorpos contra o antígeno D pois ele não sabe dizer que essa proteína é do bebê, ele age como se fosse por exemplo uma proteína de um vírus que estivesse tentando “atacar” a mãe.

Para a mãe, nenhum problema irá ocorrer pois em alguns dias o sangue fetal será retirado da circulação dela. Entretanto, uma vez que o sistema imunológico da mãe foi “apresentado” ao antígeno ele irá produzir anticorpos para o resto da vida. Essa “apresentação” do antígeno ao sistema imunológico é chamada de sensibilização.

Como os anticorpos da mãe causam a anemia fetal?

O problema então acontece pois os anticorpos da mãe atravessam a barreira placentária e se ligam nas hemácias do feto. Ao ver o complexo imune (complexo antígeno-anticorpo) o sistema imunológico do feto destrói ele (junto com a hemácia). A destruição progressiva das hemácias fetais irá provocar a anemia fetal. As hemácias também são chamadas de eritrócitos e por isso o nome eritroblastose fetal. Esta anemia pode ter maior ou menor gravidade, eventualmente necessitando de uma transfusão intrauterina para salvar a vida do bebê. Como a doença na maioria das vezes é causada pela incompatibilidade Rh ela também é conhecida como isominunização Rh.

Eritroblastose Fetal - Isoimunização Rh - Doença Hemolítica Perinatal

Esquema da Eritroblastose Fetal.

Apenas o fator Rh causa anemia no feto?

Não, o fator Rh é responsável por cerca de 95% das anemias por incompatibilidade sanguínea. Outros antígenos na superfície da hemácia também podem causar anemia, porém são mais raros. Um exemplo desses antígenos é o antígeno Kell.

Quais são os sintomas da eritroblastose fetal?

Geralmente para a gestante a doença é assintomática. Ou seja, dificilmente veremos alguma manifestação da doença na mãe. Para o feto iremos observar inicialmente um aumento da velocidade do sangue na circulação. Esse aumento de velocidade ocorre em função do sangue anêmico ser menos viscoso. Essa alteração pode ser usada para identificar a anemia fetal, entretanto para isso é necessário que seja realizado o exame de dopplervelocimetria pois o ultrassom obstétrico normal não é capaz de medir a velocidade do sangue nos vasos. Em quadros mais avançados da doença fetal poderemos ver que o feto fica inchado (hidrópico). Já o recém nascido irá apresentar anemia e icterícia (amarelão). Quadros mais graves para o recém nascido poderão cursar com danos cerebrais, insuficiência cardíaca ou hepática.

Pode haver incompatibilidade pelo sistema ABO?

Sim, a incompatibilidade pelo sistema ABO também pode acontecer, entretanto ela não costuma causar uma anemia grave. Isso ocorre porque os antígenos do sistema ABO estão presentes em diversos tecidos do corpo e possuem pouca expressão imunogênica nas hemácias (células do sangue). Já o antígeno do Rh (antígeno D) está presente apenas nas hemácias e com grande expressão imunogênica.

O que mais pode causar a anemia no feto?

A anemia fetal também pode ser causada por infecções como a Parvovirose e por algum distúrbios metabólicos como a doença de Niemann-Pick, doença de Gaucher, anemia de Fanconi, deficiência de G-6-PD e talassemia alfa. Além de distúrbios genéticos e metabólicos, algumas gestações gemelares também podem ocorrer devido ao compartilhamento da placenta (transfusão feto-fetal).

Como evitar a isoimunização Rh?

A isoimunização Rh pode ser evitada ao se impedir a sensibilização da mãe. O momento mais comum da sensibilização é a hora do parto. Por isso ouvimos dizer que na primeira gravidez não tem problema mas que o problema pode ocorrer em uma gravidez subsequente. É na na primeira gravidez tudo transcorre muito bem e a sensibilização ocorre apenas na hora do parto. Na gravidez seguinte infelizmente os problemas já acontecem desde o início da gestação pois a mãe já tem o sistema imunológico sensibilizado da gestação passada.

Para evitar a sensibilização pelo Rh devemos impedir a apresentação do sistema imunológico ao antígeno D. Para isso, quando o sangue fetal entra em contato com o sangue materno, é importante administrar o quanto antes a imunoglobulina anti-D. A imunoglobulina anti-D nada mais é que o próprio anticorpo. Quando administramos o anticorpo precocemente ele se liga no antígeno D e o sistema imunológico da mãe não “enxerga” mais essa proteína. É como uma brincadeira de esconde-esconde.

Apesar muitas vezes nos referirmos a imunoglobulina como “vacina”, ela tecnicamente não é uma vacina. Por ser cara, a imuglobulina na maioria das vezes só é administrada na hora do parto, momento aonde a maioria das sensibilizações acontece. Em alguns locais ela é administrada também na 28ª semana de gestação.

Posso ser senbilizada mesmo tomando a imunoglobulina?

Quando administramos a imunoglobulina apenas no parto cerca de 2% das gestantes ainda se sensibilizarão. Se administrarmos também na 28ª semana baixamos essa taxa para cerca de 0,5%.

A imunoglobulina também deve ser administrada em casos de sangramentos, abortos, gestação ectópica e procedimentos invasivos como a amniocentese e a biópsia de vila corial.

Uma vez administrada a imunoglobulina ela tem uma meia-vida de cerca de 12 semanas. ou seja, quando administramos com 28 semanas ela dura até próximo ao parto.

Como sei se já fui sensibilizada?

Para saber se você já foi sensibilizada o seu médico irá solicitar no pré-natal um exame chamado teste de Coombs Indireto ou Pesquisa de Anticorpos Irregulares (PAI). As pacientes não sensibilizadas terão estes testes negativos. Se os testes forem positivos significa que você já foi sensibilizada. Caso você tenha tomado a imunoglobulina é esperado que estes testes fiquem positivos por cerca de 12 semanas.

Como fazemos para saber se o bebê tem anemia?

Para saber se o bebê tem anemia utilizamos o ultrassom com dopplervelocimetria. A dopplervelocimetria permite medir a velocidade do pico sistólico da Artéria Cerebral Média. Com esse dado podemos inferir se o bebê está anêmico ou não. Em casos de anemia a viscosidade do sangue é menor e a velocidade fica maior. Dispomos em nosso site de uma calculadora para ajudar a dizer se o bebê tem anemia ou não: Calculadora Anemia Fetal.

Se você é médico e gostaria de saber sobre a conduta nos casos de isoimunização, leia nosso post sobre a conduta na isoimunização Rh.

Referência

  1. Isoimunização Rh materna. Profilaxia, diagnóstico e tratamento: Aspectos atuais.

 

Quando a cirurgia fetal pode ajudar?

A cirurgia fetal, também conhecida como cirurgia intrauterina ou pré-natal, é o ramo da medicina fetal que utiliza uma série de técnicas cirúrgicas para tratar defeitos congênitos e problemas enquanto o bebê ainda está na barriga da mamãe. Existem três tipos principais de cirurgia fetal: a cirurgia a céu aberto, a cirugia fetoscópica minimamente invasiva e as terapias percutâneas.

Cirurgia Fetal

Mão da Esperança. Foto tirada por Michael Clancy mostra Samuel Alexander Armas enquanto ainda um feto estendendo a sua mão pela abertura no útero de sua mãe e tocando o dedo do cirurgião durante uma cirurgia fetal aberta para mielomeningocele.

Os primórdios da cirurgia intrauterina

O procedimento chamado amniocentese foi o primeiro procedimento que abriu o caminho para a intervenção fetal. A amniocentese consiste basicamente da introdução de uma agulha dentro da cavidade uterina para retirar ou introduzir algum fluido. O primeiro relato de uma amniocentese foi em 1881 na Alemanha, onde foi usada para retirar líquido amniótico em um caso de polidrâmnio. Décadas depois a amniocentese foi utilizada como um método de diagnóstico para avaliar casos de isoimunização Rh, determinar o sexo fetal e algumas doenças hereditárias. Como principais benefícios da introdução deste procedimento no pré-natal podemos citar:

  • Permitiu o tratamento do excesso de líquido amniótico (chamado de polidrâmnio);
  • A possibilidade de analisar o líquido amniótico;
  • Abriu o caminho para transfusão sanguínea pré-natal.

Tudo isso permitiu um grande avanço para a medicina fetal. Em meados da década de 60 e com o advento do ultrassom na década de 70, a técnica evoluiu bastante. Inclusive desenvolveu-se o tratamento da anemia fetal. Usando a técnica da amniocentese para ter acesso ao feto e seu cordão umbilical, que agora podiam ser vistos pelo ultrassom, foi possível a realização de transfusões sanguíneas intra-uterinas.

Fetoscopia: uma janela para o claustro uterino

Já no fim da década de 70 houve o desenvolvimento da técnica de fetoscopia. A fetoscopia consiste na introdução de uma pequena câmera de vídeo na cavidade uterina para poder observar o feto. Além disso a fetoscopia permitiu a obtenção de amostras de pele fetal para estudos.

Fetoscopia

Imagem do feto ainda no útero da mãe, obtida em uma cirurgia por fetoscopia.

Inicialmente ela foi utilizada em fetos previamente a realização da interrupção da gravidez para estudo de factibilidade da técnica e era considerada um risco para o feto e para a mãe. A técnica e as indicações do procedimento evoluíram bastante em 1986, quando um artigo foi publicado detalhando os procedimentos para a obtenção de amostras de sangue fetal, pele, fígado, amostras de tumores e de vilosidades coriônicas.

As primeiras intervenções em seres humanos

Em 1981 o Dr. Michael Harrison realizou a primeira cirurgia fetal em seres humanos. Um problema chamado válvula de uretra posterior impedia o feto de urinar, promovendo dilatação da bexiga e rins fetais. Então como tentativa de tratamento para estes casos foi realizada uma derivação vésico-amniótica. Um pequeno cateter é colocado na bexiga e na bolsa amniótica. Como a urina não consegue sair pela uretra que está fechada, ela acaba saindo pelo cateter. Em 1987 uma série de 57 casos desse tipo de cirurgia foi publicada.

Em 1988 um artigo semelhante falando sobre o derivação ventrículo-amniótica foi publicado. Este procedimento foi utilizado em casos de hidrocefalia, colocando o cateter no ventrículo lateral e drenando o excesso de líquido para a cavidade amniótica.

Nos dois tipos de tratamento descritos acima houver casos de sucesso e complicações. Isto fez com que novos estudos fossem recomendados para melhor esclarecer sobre a eficácia destes tratamentos.

A cirurgia fetal endoscópica

Atualmente a cirurgia fetal endoscópica (fetoscopia) mais feita no mundo é para o tratamento da transfusão feto-fetal. A transfusão feto-fetal ocorre nas gestações gemelares quando os fetos dividem a placenta. Nestes casos pode haver uma anastomose artéria-venosa que “retira” sangue de um dos bebês e “leva” o sangue para o outro bebê. Esta doença é extremamente grave e possui uma mortalidade muito alta.

Em outubro de 1988, o Dr. Julian E. De Lia, realizou a primeira ablação fetoscópica a laser de anastomoses placentárias. Um procedimento aonde uma ótica de 3,5 mm identifica os vasos sanguíneos que fazem anstomoses entre os gêmeos e então realiza a ablação destas anastomoses por meio de um laser. O resultado é a separação do fluxo sanguíneo dos bebes. Mais um grande passo para a medicina fetal! Este procedimento deu uma nova esperança a inúmeras gestantes cujo pré-natal foi complicado por transfusão feto-fetal.

Cirurgia Fetal para Transfusão Feto-Fetal

Primeira Cirurgia Fetal para Transfusão Feto-Fetal realizada em 1988 na Universidade de Utah. Fonte: https://www.facebook.com/TTTSFoundationConference2012/

As primeiras cirurgias fetais por endoscopia para tratar a transfusão feto-fetal foram feitas no Brasil em 2001.

Além da cirurgia endoscópica para a transfusão feto-fetal, também é possível tratar a hérnia diafragmática congênita. Para isto um pequeno balão é colocado na traquéia do feto antes de 29 semanas. Este balão provoca a oclusão da traquéia fazendo com que o líquido secretado pelos pulmões se acumule. Isto faz com que os pulmões sejam expandidos. Antes do parto o balão é então retirado. A oclusão temporária provocada pelo balão faz com que os pulmões cresçam, melhorando a chance de sobrevida do concepto.

A medicina fetal cresceu muito com os procedimentos invasivos. Esta especialidade deixou de ser um mero expectador dos problemas fetais e passou a cuidar de uma maneira muito mais abrangente da saúde do feto. O pré-natal feito pela medicina fetal deixou de ser apenas diagnóstico e passou para um momento de intervenção na saúde fetal.

A Cirurgia Fetal a Céu Aberto

Em 1991 a UCSF descreveu sua experiência de 8 anos com cirurgia fetal a céu aberto com 17 casos. As indicações incluíram hidronefrose bilateral grave, hérnia diafragmática congênita, teratoma sacrococcígeo e malformação adenomatóide cística congênita. Em todos estes casos a cirurgia fetal apenas era indicada quando o problema era extremamente grave e a chance de sobrevida do feto era virtualmente zero. Ou seja, a cirurgia era reservada para os casos aonde o prognóstico era muito ruim.

A mielomeningocele, apesar de ser um problema bastante grave, na maioria das vezes não é letal. A sua correção no pré-natal tinha potencial para melhorar o prognóstico, entretanto a tentativa de corrigir a mielomeningocele durante a gestação demorou um pouco mais, pelos grandes riscos impostos pela cirurgia.

O estudo sobre a cirurgia fetal para mielomeningocele

Em fevereiro de 2003, o National Institutes of Health iniciou o Management of Myelomeningocele Study (MOMS). Este estudo tinha como objetivo identificar se a cirurgia fetal para mielomeningocele trazia benefícios ou não. Três centros (Vanderbilt University, Children’s Hospital of Philadelphia e University of California at San Francisco) foram escolhidos para participar do estudo de 183 fetos que foram randomizados, 91 para reparo fetal e 92 para reparo pós-natal. O estudo levou 8 anos para ser concluído a um custo de US $ 22,5 milhões. Em 2011 o resultado do estudo foi publicado e o benefício foi tão evidente que o estudo foi interrompido antes de incluir o número da casos planejado.

No Brasil os primeiros casos de mielomeningocele foram operados em São Paulo pelo Prof. Moron no ano de 2004. Atualmente no Brasil existem diversas equipes que operam mielomeningocele no pré-natal por diferentes técnicas, a céu aberto e por endoscopia. Hoje está claro que o melhor momento para a correção deste problema é quando o feto ainda está no ventre da mãe. Isto permite que as lesões sobre a medula sejam menores no momento do nascimento.

Em que situações a cirurgia intrauterina é indicada?

Em que pese a história da cirurgia fetal ser cheia de percalços, hoje é uma área em bastante desenvolvimento. Algumas situações atualmente podem ser tratadas pela cirurgia fetal, vejamos algumas delas. Você pode clicar nos links abaixo para ver mais informações sobre estas doenças e como podem ser tratadas:

Além dessas doenças algumas outras situações mais raramente também podem receber algum tipo de abordagem intra-uterina ou na hora do parto. Se você tem alguma dúvida se a cirurgia fetal pode ser aplicada em um caso em particular converse com um especialista em medicina fetal.

Em 2020 a Netflix e a BBC lançaram uma série de documentários sobre cirurgiões que estão a frente de seu tempo. No primeiro episódio retrata-se a vida e o trabalho do Professor Kypros Nicolaides um dos pioneiros e mais renomados médicos que fazem cirurgia fetal. O nome do documentário é Cirurgiões Inovadores.

Referências

  1. Kowhler AM, Knezevich M, Wagner M. The Evolution of Fetal Surgery . Journal of Fetal Surgery – 1(1):07-23.

O que é o sequestro pulmonar?

O sequestro pulmonar é uma anomalia congênita rara aonde um segmento do pulmão não se conecta com a árvore brônquica ou com as artérias pulmonares, recebendo seu suprimento sanguíneo de um vaso anômalo, geralmente ramo da aorta. O sequestro pulmonar também é conhecido como pulmão acessório ou sequestro broncopulmonar.

Sequestro Pulmonar

Desenho esquemático de um sequestro pulmonar.

 

Quais são os tipos de sequestro pulmonar?

O s sequestros pulmonares podem ser divididos e classificados da seguinte forma:

  • Sequestro Pulmonar Intralobar – é o tipo mais comum, cerca de 75% dos sequestros pulmonares. Nesta forma a região pulmonar anômala está incorporada ao parênquima pulmonar normal.
  • Sequestro pulmonar Extralobar – perfaz cerca de 25% dos sequestros pulmonares. Apesar de geralmente estar em contato com o pulmão normal, possui envoltório pleural independente. Pode estar localizado no tórax (intra-torácico) ou mesmo abaixo do diafragma (subdiafragmático).

Como é feito o diagnóstico pré-natal de sequestro pulmonar?

Usualmente no exame de pré-natal o sequestro pulmonar pode ser identificado como uma massa ecogênica (esbranquiçada) na região do tórax. Dependendo do tamanho essa massa poderá desviar o coração mudando o seu eixo ou sua posição no tórax. Ao Doppler muitas vezes é possível identificar também o vaso anômalo que sai da aorta e faz a nutrição de “pulmão acessório”.

Ultrassom de sequestro pulmonar

Ultrassom de sequestro pulmonar (área delimitada em amarelo)

Usualmente o sequestro pulmonar é mais facilmente identificado no terceiro trimestre. No terceiro trimestre, em função da atenuação sonora produzida pelas costelas ele pode ser de difícil identificação. Algumas vezes também é possível observar a associação do sequestro pulmonar com o derrame pleural (acúmulo de líquido ao lado dos pulmões). O principal diagnóstico diferencial do sequestro pulmonar é a malformação adenomatóide cística de pulmão.

Quais são os sintomas do sequestro pulmonar?

Os sintomas mais comuns do sequestro pulmonar intralobar nos bebês incluem tosse, problemas respiratórios, dificuldades de alimentação e insuficiência cardíaca, embora muitos bebês sejam assintomáticos. Já os sequestros extralobares estão comumente associados a outros defeitos congênitos como a hérnia diafragmática, malformação adenomatóide cística, cistos de duplicação e outros problemas pulmonares.

Qual é o tratamento do sequestro pulmonar?

Os sequestros pulmonares geralmente permanecem do mesmo tamanho ou crescem com o feto. Usualmente não causam problemas graves pois na cavidade torácica há espaço suficiente para a parte normal do pulmão crescer sem comprimir o coração. Em alguns casos a massa pode até diminuir de tamanho.

As perspectivas para a vida pós-natal são excelentes. É importante acompanhar estes fetos realizando exames de ultrassom com maior frequência, sendo o parto realizado no termo e o sequestro pulmonar removido cirurgicamente após o nascimento. Essa remoção cirúrgica na maioria das vezes é eletiva.

Um pequeno número de casos poderá estar associado a um acúmulo de líquido ao lado do pulmão na vida fetal o que é chamado de derrame pleural. Dependendo da quantidade de derrame pleural poderá haver compressão do coração. Além disso caso o fluxo sanguíneo dentro do sequestro pulmonar seja muito grande poderá haver um quadro de insuficiência cardíaca. Estes são os únicos casos aonde pode ser necessária uma intervenção ou cirurgia fetal.