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Episiotomia: quando ela é necessária e quando não é?

Você sabe o que é episiotomia? Será que esse procedimento acontece em qualquer parto? Como isso é feito? De maneira geral, alguns questionamentos ficam borbulhando na cabeça de quem vai dar à luz e é essencial acabar com essas dúvidas.

Em suma, não é algo com que você deve se preocupar, pois, deveria acontecer apenas quando extremamente necessário e com a sua autorização. Continue acompanhando a postagem e entenda tudo sobre o assunto.

Afinal, o que é episiotomia? Entenda

A episiotomia é um corte bem pequeno feito no períneo, a área entre o ânus e a vagina, com o propósito de aumentar o canal de parto. O procedimento é cirúrgico e é realizado na parte final do segundo estágio do trabalho de parto para que a passagem do bebê seja bem mais fácil.

Em outras palavras, é o corte que auxilia a abertura vaginal no momento em que a cabeça do bebê está pronta para descer. Sobretudo, é uma forma de evitar prejuízos graves no períneo.

Ainda que essa técnica seja usada em muitos partos normais para não deixar o rompimento da pele ocorrer, algo que pode acontecer com o esforço do parto, hoje em dia, conforme explica a Federação Brasileiras das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a episiotomia não deve ser feita rotineiramente.

Contudo, em alguns cenários, a episiotomia é uma recomendação dos médicos especialistas, o obstetra deve fazer a indicação da episiotomia de maneira seletiva, quando for imprescindível.

Tipos de Episiotomia

Tipos de Episiotomia: mediana (na linha média em direção ao ânus) e médio-lateral (no desenho realizada para o lado direito).

A “tradição” da episiotomia

Por muito tempo, a episiotomia foi realizada rotineiramente para ajudar a prevenir lacerações vaginais mais extensas durante o parto. Além disso, como o corte da episiotomia tem bordas mais lisas, a sua cicatrização, em geral, é melhor do que o de uma laceração que pode ocorrer naturalmente durante o parto. O procedimento também foi pensado para ajudar a preservar o suporte do tecido muscular e conjuntivo do assoalho pélvico.

Hoje, no entanto, pesquisas sugerem que as episiotomias de rotina não previnem esses problemas, afinal. Atualmente a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que durante o parto a prática da episiotomia não seja realizada de maneira rotineira.

O que ocorre quando a episiotomia não é feita?

Na maioria das vezes em que a episiotomia não é feita, nada irá ocorrer! Sim, nada. Entretanto, apesar do parto ser um processo fisiológico ele também tem alguns riscos, como naturalmente ocorre em qualquer aspecto da nossa vida.

Eventualmente um pequeno “rasgo” irá ocorrer caso não exista elasticidade suficiente da pele e do tecido muscular. Estes “rasgos” recebem o nome técnico de laceração. A laceração, na maioria das vezes, deve ser vista como parte do processo natural do nascimento.

Os riscos envolvidos em uma laceração espontânea do períneo são:

  • Infecção durante a fase de cicatrização, embora uma boa higiene seja normalmente suficiente para evitar isso;
  • Sangramento, muitas vezes bem menor que o provocado por uma episiotomia de rotina;
  • Um pequeno risco de laceração de terceiro ou quarto grau, mas isso raramente ocorre com lacerações naturais onde não há episiotomia;
  • A necessidade de pontos (sutura), geralmente menos do que após uma episiotomia;
  • Danos nos nervos e tecidos, se uma laceração ocorrer em direção à uretra.

As lacerações são ainda dividas (ou graduadas) conforme a sua gravidade e os tecidos que acometem, conforme podemos ver abaixo:

  • Lacerações de 1º grau: são superficiais acometendo apenas a mucosa da vagina e, muitas vezes, não necessitam de pontos, pois cicatrizam sozinhas;
  • Lacerações de 2º grau: são um pouco mais profundas, acometendo parte de tecido muscular, e normalmente precisam de pontos para ajudar na cicatrização;
  • Lacerações de 3º e 4º graus: são lesões que caminham em direção ao ânus, acometendo esfíncter e mucosa anal, respectivamente. A aproximação dos tecidos é realizada com pontos por um profissional capacitado, com cuidado rigoroso no pós-parto.
Tipos de Laceração Perineal

Tipos de Laceração Perineal

Quais são os riscos da episiotomia?

A episiotomia é um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns no mundo. Entretanto, embora seja considerado por alguns como um pequeno “pique”, ainda é uma incisão cirúrgica. E, como em todos os procedimentos, existem riscos. É importante conhecer os riscos para que você possa decidir se os benefícios do procedimento superam os riscos potenciais. Os riscos de uma episiotomia incluem:

  • Infecção;
  • Sangramento;
  • Danos ao tecido muscular, devido a uma ruptura de terceiro ou quarto grau que podem ocorrer mesmo após a episiotomia;
  • Incontinência urinária, devido a uma laceração mais profunda, especialmente de quarto grau;
  • Cura pós-natal mais prolongada;
  • Danos nos nervos;
  • Dor, desconforto e inchaço;
  • Necessidade de pontos, muitas vezes mais do que o necessário para lacerações naturais;
  • Relações sexuais dolorosas, devido ao tecido cicatricial resistente após a cura.

O que é melhor, a laceração natural ou a episiotomia?

As evidências atuais não suportam o uso de episiotomia de rotina. Na maioria das situações, se ocorrer alguma larecação, a laceração tem menos riscos e geralmente cicatriza melhor.

A episiotomia de rotina aumenta o risco de lacerações graves e danos a longo prazo no períneo, na vagina, no assoalho pélvico e no esfíncter anal.

Uma episiotomia raramente tem benefícios sobre uma laceração natural. Há duas exceções: no caso de emergência médica, onde o bebê precisa nascer rapidamente; ou onde uma laceração natural pode ocorrer em direção à uretra.

Quando a episiotomia é necessária? Descubra

Em geral, o médico irá realizar a episiotomia apenas em alguns casos, ok? Entretanto não é possível muitas vezes definir previamente quais serão os casos que necessitarão de episiotomia. Em geral a episiotomia é indicada nas seguintes situações:

  • Quando há sofrimento fetal;
  • Quando a evolução do trabalho de parto não é adequada (parto distócico);
  • Quando há risco de grandes lacerações espontâneas que poderiam acometer uma grande extensão do períneo ou atingir o intestino;
  • Quando o feto for prematuro;
  • Quando o peso estimado do bebê for superior a 4 kg;
  • Quando há suspeita da possibilidade de distócia de ombro;
  • Quando o parto necessitar da ajuda de fórceps ou vácuo-extrator.

Ou seja, em situações diferentes das listadas acima, a episiotomia não é necessária. Portanto, é algo para ser realizado unicamente em último caso e isso só acontece quando o bebê está perto de sair, quando está “coroando” (fase em que a cabeça do bebê está quase saindo da vagina da mãe).

Atualmente os médicos residentes são treinados para não realizar episiotomia de rotina. Portanto espera-se que gradativamente as taxas de partos sem episiotomia venha progressivamente caindo.

O processo de fazer ou não a episiotomia

Acima de tudo, a episiotomia é algo que a equipe de médicos vai decidir ao decorrer do parto. Contudo, a pessoa deve concordar com tal procedimento e idealmente é importante dar o consentimento previamente para a realização ou não da episiotomia.

Entretanto note que algumas das indicações de episiotomia só podem ser de fato analisadas quando o bebê estiver nascendo, portanto o ideal é você procurar um médico obstetra de sua confiança para fazer seu parto. Ele deverá usar as melhores evidências científicas para determinar se durante o nascimento do seu bebê intervenções como a realização da episiotomia são de fato ou não necessárias.

Como esse procedimento é feito?

A episiotomia deve ser realizada apenas após a dilatação total do colo uterino, quando o feto encontra-se no período expulsivo. Antes do corte, é feita uma anestesia local, igual a que fazemos no dentista.

A técnica mais recomendada para esse procedimento é a mediolateral. Nesse caso, é feito um pequeno corte na parte lateral da área do períneo, consequentemente, a possibilidade de rompimento da região do ânus é bem menor.

Há também a possibilidade de se fazer a episiotomia na região medial, entre a vagina e o ânus, entretanto esta técnica não é a mais utilizada pois o risco de lesões acometendo o esfíncter anal ou mesmo a mucosa do intestino é maior.

Sutura da Episiotomia

Como é suturada a episiotomia: primeiro a mucosa vaginal (a), depois a camada muscular (b) e por último ocorre o fechamento da pele (c).

Dá para evitar a episiotomia?

A massagem perineal, ou seja, a massagem da região muscular por onde o feto irá passar na pelve pode ajudar a amolecer os tecidos, fazendo com que o risco de lacerações seja menor.

O uso de compressas quentes durante o segundo estágio do trabalho de parto também pode ajudar a evitar lacerações.

Além disso a prática exercícios para fortalecer a musculatura do períneo, conhecidos como exercícios de Kegel, ajudam a fazer com que a pelve tenha uma maior resistência, evitando assim os riscos de grandes lacerações e a necessidade de uma incisão para aumentar o canal vaginal.

Durante o período expulsivo, tente ficar na posição vertical e deixe a gravidade ajudar. Escolher uma posição diferente da deitada de costas, como ajoelhada de quatro ou deitada de lado, pode ajudá-la a dar à luz sem a necessidade de uma episiotomia. Entretanto algumas posições de agachamento profundo, no entanto, podem aumentar a probabilidade de lacerações.

Converse com seu médico obstetra durante o pré-natal sobre os seus desejos e expectativas para o parto. Assim vocês poderão trabalhar juntos para reduzir a necessidade da episiotomia.

Sofrimento fetal, o que é e o que fazer?

Apesar do nome sofrimento fetal nos remeter a imaginar algo como o feto sentindo dor ou vivendo uma experiência emocionalmente aversiva, o termo sofrimento fetal não tem relação com isso. O quadro conhecido como sofrimento fetal refere-se a situações que podem ocorrer quando o fornecimento de nutrientes e oxigênio ao feto é insuficiente devido à má perfusão vascular materna e/ou extração ineficiente de oxigênio e nutrientes pela placenta.

O que pode causar sofrimento fetal para o feto?

Causas de falta de Oxigênio no Sofrimento Fetal

A falta de oxigênio para o feto pode ocorrer basicamente por dois problemas distintos. Eles podem ocorrer separadamente ou em conjunto. O primeiro problema que pode ocorrer é uma perfusão sanguínea inadequada para o útero. Quando a mulher não está grávida o fluxo sanguíneo para o seu útero é de cerca de 50ml/min. Já no fim da gestação o fluxo será de aproximadamente 500 ml/min, ou seja, 10 vezes maior.

O aumento de fluxo sanguíneo para o útero

Esse aumento no fluxo de sangue para o útero ocorre em função de um processo desencadeado pela placenta, chamado de invasão trofoblástica. Numa gestação normal, a artéria espiralada (aquela que fica na parte mais interna do útero) tem um diâmetro relativamente pequeno. Quando a placenta está se formando, algumas células dela chamadas de trofoblasto, invadem a parede do útero e “destroem” a camada muscular das artérias espiraladas. Isso faz com que o diâmetro dessas artérias aumente consideravelmente com a idade gestacional. Essa condição faz com que o fluxo de sangue para o útero aumente consideravelmente, permitindo o desenvolvimento adequado do bebê.

Invasão do Trofoblasto em Gestação Normal versus Pré-Eclâmpsia ou Restrição de crescimento.

Em casos onde a invasão do trofoblasto não ocorre de maneira adequada, a quantidade de sangue transportada para o útero da mãe é menor, sendo que essa alteração uma das causas de restrição de crescimento fetal e sofrimento fetal crônico.

Por um outro lado, a placenta pode ser incapaz de transportar a quantidade necessária de oxigênio, assim com nutrientes. Nessa situação, mesmo que o fluxo sanguíneo para o útero seja adequado, a placenta não consegue transportar esse fluxo para o bebê. Como consequência nestes casos ele também recebe uma quantidade reduzida de oxigênio e nutrientes.

Como muitas vezes não é possível identificar se o problema está no aporte sanguíneo para o útero ou na capacidade da placenta de transferir oxigênio e nutrientes para o bebê, muitas vezes optamos por chamar este quadro de insuficiência útero-placentária.

Quais são os sinais de sofrimento fetal?

Em primeiro lugar é importante frisar que quando estamos diante de um diagnóstico médico de de sofrimento fetal isso não significa que o bebê está sentindo dor, seja ela física ou emocional. A gestante não percebe nenhum sintoma diferente. Entretanto alguns sinais podem ser observados por seu médico ou até mesmo pela futura mamãe e familiares.

  • Redução da movimentação fetal: um dos principais sinais de boa vitalidade do bebê é a sua movimentação. Em casos onde existe uma insuficiência útero-placentária uma situação que pode ser observada é a redução na quantidade de movimentos fetais durante o dia. Mas atenção, é importante que você converse com seu médico a respeito da movimentação fetal pois existem épocas onde o bebê pode mexer mais ou menos. Nem toda redução de movimentação significa um problema. Para maiores informações sobre como funcionam os movimentos fetais durante a gestação leia nosso post sobre esse assunto.
  • A altura uterina está abaixo do esperado: lembra que o médico mede o tamanho da sua barriga nas consultas de pré-natal? Pois bem, essa medida é uma maneira indireta do seu médico avaliar o crescimento fetal durante a gestação. Caso a altura uterina esteja incompatível com a idade gestacional isso pode indicar um comprometimento do crescimento fetal. Nestes casos o seu médico poderá pedir para que você faça um exame de ultrassonografia para avaliar como está o peso fetal estimado.

Alterações observadas no ultrassom

A mãe ou o médico podem não perceber diretamente algumas alterações que podem estar associadas ao sofrimento fetal. Elas apenas podem ser vistas no ultrassom.

  • Peso fetal estimado abaixo do esperado: durante os exames de ultrassom que você faz na gestação o médico irá estimar o peso do bebê. Caso o peso do bebê esteja abaixo do esperado, isso pode ser um sinal de que a placenta não está funcionando como deveria. Entretanto se o peso do seu bebê não está adequado, antes de ficar preocupada converse com seu médico, pois nem todo bebê pequeno é um problema.
  • O volume de líquido amniótico está abaixo do esperado: uma das alterações que podem ser encontradas em casos de sofrimento fetal por insuficiência útero-placentária é o volume de líquido amniótico. Sabemos que o líquido amniótico é produzido, na sua maioria, pela urina do bebê. Em situações onde o bebê recebe poucos nutrientes e oxigênio, ele lança mão de um mecanismo de defesa chamado “centralização fetal”. A centralização nada mais é do que desviar o fluxo sanguíneo para áreas mais “nobres” do corpo, como o sistema nervoso central, em detrimento de outras regiões, como por exemplo os rins. Quando esse desvio ocorre, protege-se o cérebro, porém a produção de urina diminui consideravelmente, resultando na redução do volume de líquido amniótico.

Qual a diferença entre sofrimento fetal agudo e sofrimento fetal crônico?

De uma maneira geral chamamos de sofrimento fetal agudo aquele que acontece subitamente durante o trabalho de parto. Já o sofrimento fetal crônico é aquele que acontece durante a gestação, antes mesmo do trabalho de parto ter iniciado.

Essa distinção é importante pois muitas vezes a função da circulação útero-placentária durante a gestação é adequada, porém muito próxima do mínimo necessário. Durante o trabalho de parto as contrações uterinas provocam uma redução no fluxo sanguíneo da mãe para o feto. Lembre-se de que o útero é um músculo e, quando ele contrai, também comprime os vasos sanguíneos que atravessam a parede do útero, reduzindo consideravelmente a quantidade de sangue transportada.

Não acredita? Feche a sua mão com força por alguns segundos e depois abra ela. Observe como quando você abriu ela estava pálida e após abrir a mão ela foi progressivamente se tornando vermelha. Pois bem, é bem isso que ocorre durante uma contração uterina.

Como identificar o sofrimento fetal?

Caso exista algum indício de sofrimento fetal durante a sua gestação, possivelmente o seu obstetra poderá solicitar um dos seguintes exames:

  • Doppler obstétrico (ou Dopplerfluxometria): este exame de ultrassom com Doppler serve para avaliar os fluxos sanguíneos para o bebê. Os vasos habitualmente estudados são as artérias uterinas, a artéria umbilical (um dos vasos do cordão umbilical) e a artéria cerebral média (um vaso do cérebro do bebê.
  • Perfil Biofísico Fetal (ou PBF): este também é um exame de ultrassom, entretanto ao invés de analisar fluxos sanguíneos o médico irá observar algumas características biofísicas do bebê, como a presença de movimentos fetais, movimentos respiratórios, o tônus muscular do feto e a quantidade de líquido amniótico. A análise destes parâmetros permite identificar como está a saúde do seu bebê.
  • Cardiotocografia (ou CTG): neste exame será feito o registro da frequência cardíaca fetal por cerca de 10 a 20 minutos. A análise do padrão de frequência cardíaca do bebê também permite ao obstetra ter uma idéia de como está a saúde do seu bebê e se existe algum sinal de sofrimento mais grave.

O que a falta de oxigênio pode causar para o feto?

Na maioria das vezes que temos sofrimento fetal ele ocorre de uma maneira bastante branda e no fim da gestação. Na maioria das vezes o quadro não será grave e haverá reversão do mesmo ao nascimento.

Portanto, se o seu bebê está com o peso um pouco baixo em função de uma insuficiência útero-placentária leve ao nascer esse fator limitante será removido. Após o nascimento do bebê a possibilidade de uma vida normal é muito grande.

Entretanto existem casos de sofrimento fetal muito grave e que iniciam de maneira bastante precoce. Nestas situações podem ocorrer situações de hipóxia grave (falta de oxigênio) que poderão provocar o que chamamos de acidose metabólica. A acidose metabólica nada mais é do que o efeito produzido pela falta de troca de gases na placenta. A concentração de gás carbônico aumenta deixando o sangue mais ácido.

Em situações bastante incomuns poderá ocorrer uma diminuição tão severa de oxigênio que irá provocar uma lesão cerebral. Felizmente esta situação é bastante rara. Ela geralmente está associada com as restrições de crescimento fetal que são diagnosticadas muito precocemente, ainda no segundo trimestre da gestação.

Como podemos tratar o sofrimento fetal?

Quando temos o diagnóstico de sofrimento fetal infelizmente não há um tratamento específico. Em situações mais extremas pode ser necessário a antecipação do parto para que o recém-nascido possa receber a quantidade adequada de oxigênio e nutrientes.

A ausência do fator limitante para a nutrição e oxigenação do bebê irá permitir que ele se desenvolva de maneira adequada, possivelmente atingindo um peso normal na sua vida adulta.

Cordão umbilical no pescoço pode causar sofrimento fetal?

Apesar de ser uma crença comum que o cordão em volta do pescoço possa trazer algum prejuízo para o feto, na prática isso não é verdade. É relativamente comum que o cordão umbilical, quando bastante longo, esteja próximo ou até mesmo enrolado no pescoço do feto.

Entretanto isso não é um problema pois como o cordão é naturalmente longo ele não é apertado, nem mesmo durante o trabalho de parto. Portanto, apesar de existirem diversos motivos para o sofrimento fetal, ter o cordão enrolado no pescoço não é um deles.

Como identificar o sofrimento fetal durante o trabalho de parto?

Em algumas situações o trabalho de parto é um momento crítico para o surgimento do sofrimento fetal. Lembre-se que durante o trabalho de parto ocorre uma situação singular que é a presença das contrações uterinas com maior frequência e intensidade.

Ao ocorrem contrações uterinas, o fluxo de sangue da mãe para o útero é reduzido, o que pode causar o surgimento de sofrimento fetal que antes não era possível de ser diagnosticado. É como se o trabalho de parto fosse uma teste de estresse para a vitalidade do bebê e todo o sistema que leva oxigênio e nutrientes para ele.

Portanto, durante o trabalho de parto, precisamos realizar avaliações para garantir que tudo está ocorrendo como esperado. Identificar problemas rapidamente neste momento permite a tomada de medidas para preservar a saúde fetal.

Dessa forma dispomos de duas maneiras de controlar a vitalidade do bebê durante o trabalho de parto. A primeira delas, e a mais utilizada, é a ausculta intermitente dos batimentos cardíacos do bebê. Por isso o seu obstetra irá de tempos em tempos auscultar a frequência cardíaca fetal. A identificação de padrões alterados deverá dar um sinal de alerta de que algo não está como deveria.

A segunda maneira de controlar a vitalidade fetal durante o trabalho de parto é por meio da utilização de um sistema de cardiotocografia contínua, chamada cardiotocografia intra-parto.

Por que usamos o termo sofrimento fetal?

A tradução livre de “fetal distress” é “sofrimento fetal”, um termo que se usa na língua inglesa. Apesar de distress ter como principal tradução para o português sofrimento, neste caso a tradução mais adequada seria perigo ou dificuldade. Neste caso, seria um perigo de uma lesão pela falta de oxigênio comprometendo o bem estar fetal. Sendo esse perigo causado pela dificuldade em receber oxigênio, ou pela insuficiência placentária ou pela vascularização uterina não adequada.

Idade gestacional pelo ultrassom é confiável?

Quando uma mulher descobre que está grávida, uma das primeiras coisas que ela quer saber é de quanto tempo está grávida. Isto pode ser determinado por uma série de métodos, mas um dos mais confiáveis é a ultrassonografia. Utilizando a biometria fetal, ou medidas do bebê, um exame de ultrassonografia pode calcular a idade gestacional com uma margem de erro de apenas 3 a 5 dias. Isto significa que a idade gestacional pelo ultrassom é bastante confiável, desde que o exame seja realizado de maneira adequada.

Como o médico determina a idade gestacional?

Atualmente o primeiro método utilizado para determinar a idade gestacional é a data da última menstruação. O seu médico obstetra irá fazer essa pergunta na sua primeira consulta de pré-natal. Para calcular a idade gestacional ele irá contar quantos dias se passaram desde a última menstruação e irá dividir por 7 para transformar este números em semanas. Se você quiser calcular sua idade gestacional utilize nossa calculadora de idade gestacional.

O segundo método utilizado atualmente é a medida da altura uterina. Durante a gravidez o útero da gestante aumenta de tamanha de uma forma mais ou menos regular. Até 12 semanas ele encontra-se dentro da bacia e não é palpável pelo abdômen da mamãe. Com 20 semanas de gravidez ele encontra-se mais ou menos na altura do umbigo e depois cresce cerca de 1 cm por mês. É por isso que seu obstetra mede a altura uterina em cada consulta.

Apesar destes dois métodos serem muito utilizados eles podem ser imprecisos. Para se ter uma idéia cerca de 40% das gestantes não sabem informar a última menstruação ou não a informam com precisão. A altura uterina, apesar de ser um método razoavelmente bom, pode produzir uma idade gestacional errada em situações como gestações gemelares. Além disso alterações no volume de líquido amniótico ou a presença de miomas uterinos podem também provocar erro na determinação da idade gestacional por este método.

Atualmente o método mais utilizado é a ultrassonografia. Logo na primeira consulta de pré-natal é rotina solicitar um exame de ultrassonografia que irá ajudar a determinar se está tudo bem com o bebê. Além disso o exame de ultrassom irá trazer no seu resultado a idade gestacional estimada da gravidez.

Como a idade gestacional é determinada no ultrassom?

No exame de ultrassom o médico irá fazer algumas medidas do bebê. A idade gestacional será determinada com base no conhecimento de que o tamanho do embrião ou feto é consistente com a sua idade.

Ou seja, um embrião pequeno tem menos idade gestacional do que um embrião um pouco maior. Por exemplo, um embrião de 10 mm tem aproximadamente 7 semanas e 1 dia, entanto que um de 20 mm tem 8 semanas e 4 dias.

Já num feto de maior idade gestacional utilizamos a biometria fetal média para determinar a idade gestacional. O médico irá medir a cabeça (diâmetro biparietal e circunferência craniana), o abdômen e o fêmur. Para cada medida desta haverá uma idade gestacional correspondente. A idade gestacional final será calculada utilizando a média de todas as medidas.

biometria

Biometria fetal – Na figura acima o polo cefálico é medido. Como resultado das medidas podemos ver a idade gestacional estimada no canto inferior direito.

Qual o melhor ultrassom para saber a idade gestacional?

Sempre o exame mais precoce é o mais preciso para determinar a idade gestacional. Isto ocorre pois lá no começo da gestação, quando somos apenas uma célula, todos temos quase que o mesmo tamanho. A medida que o tempo passa sofremos influência do meio em que estamos inseridos e também da nossa genética para nos tornarmos maiores ou menores.

Como o ultrassom determina a idade gestacional pelo nosso tamanho (biometria), é de se esperar que o exame feito no começo da gravidez seja mais preciso do que um realizado no fim.

Portanto, se você tiver um exame de 8 semanas e um realizado com 34 semanas o seu médico irá utilizar o primeiro exame, com 8 semanas, para calcular a sua idade gestacional atual.

CCN medido errado

No exemplo acima vemos como, para errar em uma semana, a medida é bem diferente no primeiro trimestre.

Porque no ultrassom dá uma data diferente da calculada pela menstruação?

É natural que exista uma pequena diferença entre a idade gestacional calculada pelo ultrassom e aquela determinada pelas medidas do bebê. Nem todo mundo cresce exatamente na média. Por isso é esperado, por exemplo, que a mulher tenha 6 semanas e 4 dias de idade gestacional e a medida do bebê estime a idade gestacional em 6 ou sete semanas. Neste exemplo estamos falando de uma pequena diferença de 3 ou 4 dias.

Além disso em cada exame as medidas são realizadas novamente e pequenas diferenças são esperadas. Também é bem comum que, por exemplo, nas medidas da cabeça a idade gestacional seja um pouco maior e no fêmur por exemplo seja um pouco menor. Novamente isso acontece pois ninguém cresce de maneira simetricamente perfeita. Sempre tem aquele indivíduo com uma cabeça um pouco maior e uma perna um pouco mais curta! Isto não é um sinal de problema.

Entretanto se a diferença é muito grande, por exemplo, você tem 6 semanas mas o ultrassom estima a idade gestacional em 8 semanas, o médico irá confiar no ultrassom. Na primeira metade da gravidez se a diferença é de mais de 7 dias, o médico deverá utilizar o ultrassom para calcular a sua idade gestacional com maior precisão.

Já nos exames de ultrassom do terceiro trimestre, caso a diferença seja muito grande, isto pode ser um sinal de que o bebê está grande ou pequeno. Converse com o seu médico caso tenha dúvidas sobre estas diferenças. Ele é a pessoa mais indicada para ajudar você a entender o resultado do seu exame.

Quanto tempo o ultrassom pode errar?

Isto varia um pouco com a idade gestacional. No começo da gravidez a margem de erro é menor que no fim da gravidez. E por isso o seu médico irá sempre usar o primeiro ultrassom para calcular sua idade gestacional.

Em linhas gerais podemos dizer que no primeiro trimestre da gravidez a margem de erro é de até uma semana. Já no segundo trimestre podemos esperar até 2 semanas de margem de erro. E no fim da gravidez, durante o terceiro trimestre, o erro pode ser de até 3 semanas. Entretanto é importante frisar que estes erros habitualmente ocorrem quando existe algum desvio de crescimento.

Caso o seu bebê esteja crescendo de maneira adequada, o que ocorre na maioria das vezes, o ultrassom é confiável para dizer a sua idade gestacional com uma boa precisão.

Quais são as chances de uma ultrassom dar errado?

O ultrassom é um método muito confiável para calcular a idade gestacional do seu bebê. Em geral, a margem de erro é pequena. Entretanto erros podem acontecer quando, por exemplo, o laudo contém algum erro de digitação.

Também, em situações pouco frequentes, durante a medida do bebê pode ter acontecido algum erro como o médico selecionar a medida do úmero enquanto media o fêmur ou algo assim. Portanto, apesar de muito incomum, erros podem acontecer.

Por isso é sempre importante que o exame de ultrassom seja acompanhado de documentação por imagens das medidas. Dessa forma, caso alguma coisa pareça estar errada, o médico poderá rever as imagens e identificar se houve algum erro.

Referências

  1. Determination of Gestational Age by Ultrasound

Cesárea: Vantagens e Desvantagens

Há muitas vantagens e desvantagens da cesárea. A cirurgia que permite os pais conhecerem seu bebê. Por meio de um processo cirúrgico mais um bebê chega ao mundo. Então, as mamães que estão na espera do seu filho precisam entender sobre o assunto para fazer escolhas ideais para seu caso.

Antes de falar sobre as vantagens e desvantagens da cesárea em si, vamos comentar um pouco sobre a história da cesariana e como ela é realizada.

A história da cesárea

A história da cesárea (ou operação cesariana) remonta aos tempos da Roma Antiga. Alguns sugerem que o nome “cesárea” foi dado pelo fato de Júlio César ter nascido por meio desta operação. Entretanto essa hipótese é pouco provável pois a mãe de Júlio César viveu após o parto e naquela época isso teria sido pouco provável.

O primeiro caso que temos registrado de uma mãe sobrevivendo a um parto cesárea foi na década de 1580. Jacob Nufer, na Suíça,  realizou a operação em sua esposa. Ela estava em trabalho de parto normal e ele não progredia de maneira adequada. Jacob era um castrador de porcos e decidiu tentar a arriscada cirurgia obtendo êxito. A mãe sobreviveu à operação e ainda teve mais cinco filhos de parto normal.

Nos anos 1800 com o estudo da anatomia em cadáveres as técnicas de cirurgias, inclusive a cesariana, evoluiu bastante. Historicamente a cirurgia foi sempre indicada para salvar a vida da criança (e não da mãe).

Como é o corte da Cesárea?

Durante uma operação cesariana é necessário realizar a abertura de várias camadas da barriga da futura mamãe. Inicia-se pela pele, que é seguida pelo tecido subcutâneo (gordura). A próxima camada da parede abdominal é a fáscia, um tecido conjuntivo que envolve as estruturas do corpo. Abaixo da fáscia será feita a abertura do músculo e do peritônio. O peritônio é um membrana que reveste a parte interna do abdômen, em duas camadas. E aí chegamos no útero, onde o bebê está. Ufa, dá um trabalho né? São ao todo então 7 camadas.

Independente de como são feitos os cortes e os pontos na parte interna, o que a mãe irá ver depois da cesárea é como o corte foi feito no abdômen. Existem basicamente duas maneiras de fazer o corte na pele.

A maneira mais difundida no Brasil é um corte horizontal, arqueado, próximo ao início da inserção dos pelos pubianos. Esse corte é chamado de incisão de Pfannenstiel. Recebe esse nome em homenagem a seu criador, a principal vantagem é que tem um bom resultado estético, muitas vezes ficando escondida abaixo do biquini.

A segunda incisão mais utilizada é uma incisão na vertical, bem na linha média do abdômen, iniciando logo abaixo do umbigo e estendendo-se até a pube. Essa incisão é chamada de mediana. Ela tem algumas vantagens, como sangrar menos e permitir a retirada mais rápida da criança. Além disso costuma provocar menos dor no pós-operatório. Em situações de emergência ou quando existe alguma complicação ela poderá ser utilizada. Em países como o Japão esse tipo de incisão é bastante frequente.

Diferentes cortes da cesárea

Depois que a mulher já tem uma dessas incisões no abdômen, caso seja necessário uma nova cirurgia o médico irá utilizar a mesma incisão.

Como é retirada a criança e a placenta?

Após a abertura do útero, que encontra-se relaxado, é necessário primeiramente retirar a criança. Como não existem contrações uterinas para empurrar o bebê o seu médico precisará colocar uma das mãos na cabeça do bebê e com a outra mão irá fazer uma pressão no fundo do útero. Com essa pressão o feto será empurrado para fora e com a mão ele irá guiar o bebê para sair pela incisão uterina. Logo após o nascimento o cordão umbilical é cortado.

Depois do nascimento do concepto é necessário retirar a placenta. Para isso o obstetra irá realizar uma tração pelo cordão. Essa tração e a redução no tamanho do útero irá fazer com que a placenta descole e saia também da cavidade uterina. Pronto! Agora que você já está com seu filho e o médico já retirou a placenta é só fechar o útero e a parede abdominal.

Vantagens da Cesárea

A cesárea salva vidas

Vamos começar com uma grande vantagem da cesárea, que é a capacidade de salvar as vidas de mamãe e bebê em quadros clínicos complexos. Há situações na saúde que é preciso induzir o parto e a cirurgia é um recurso para estabelecer o bem-estar dos dois.

No casos de sofrimento fetal, onde existem riscos para os bebês, as cesarianas estão muito bem indicadas. Entende-se por sofrimento fetal situações onde a quantidade de oxigênio que chega para o bebê é insuficiente. Nesta situação um parto vaginal poderia gerar complicações e o obstetra poderá optar por uma operação cesariana.

Outra indicação comum para indicar-se uma cesárea é nos casos de placenta prévia. Chamamos de placenta prévia quando a placenta está recobrindo o colo do útero. Nessa situação o nascimento do bebê por parto normal ou mesmo o trabalho de parto apenas pode gerar grandes sangramentos, sendo que profissional de saúde que acompanha a gestante poderá optar por uma cesárea.

Possivelmente a indicação mais comum do parto cesárea seja a desproporção céfalo pélvica. Chamamos de desproporção céfalo pélvica quando a cabeça do feto é incompatível com o tamanho da bacia óssea da mãe. Para evitar complicações nestes casos o obstetra irá optar pela cesárea.

Inclusive casos de mães com problemas prévios de saúde que não podem recorrer ao parto natural como opção. Este é o caso por exemplo da síndrome de Marfan. Outro exemplo é quando existe uma lesão ativa de herpes genital. Neste caso indica-se a cesárea para evitar que o bebê seja contaminado pelo vírus durante o trabalho de parto.

É possível marcar data e hora do nascimento do bebê

Não podemos negar que é muito interessante saber exatamente dia e hora da chegada do bebezinho. Essa é uma vantagem da cesárea, porque a cirurgia é marcada previamente com o médico, facilitando o processo de se preparar para o bebê.

Justamente por isso costuma diminuir o tempo da própria gravidez, porque é possível marcar a partir de 39 semanas. Isso ajuda a diminuir o desconforto das mamães que o barrigão costuma proporcionar nesse período.

Cesárea

Desvantagens da Cesárea

A recuperação é mais lenta

Por outro lado, falando sobre desvantagens, a recuperação é muito mais lenta se comparamos ao parto natural, porque muitas mulheres conseguem voltar a vida normal no outro dia. Porém, após uma cirurgia intensa como a cesárea, precisamos tomar alguns cuidados e aguardar a recuperação.

Mas nada que impeça os cuidados com o bebê, apenas é preciso evitar algumas posições, pegar peso, entre outros. O ideal é prestar atenção a esses detalhes, obedecendo as recomendações médicas, porque logo poderá tirar os pontos.

Poderá gerar riscos e complicações futuras

Apesar da medicina ter evoluído muito, a cesárea não é uma cirurgia isenta de complicações e riscos futuros. Em primeiro lugar precisamos considerar que será necessário realizar uma anestesia. Habitualmente a anestesia utilizada será um bloqueio regional (ou raquianestesia). Neste caso o médico anestesista irá aplicar a anestesia na coluna da paciente e o efeito da anestesia será percebido do abdômen para baixo.

As pernas ficam dormentes e não é possível movimentá-las até que passe o efeito da anestesia. Existe ainda a possibilidade em alguns casos de se optar por uma anestesia geral, mas isto é pouco frequente. O primeiro risco a ser considerado quando se opta por uma operação cesariana é o risco da cirurgia. Apesar de consideravelmente pequeno, não é nulo.

Além disso, partos por cesáreas irão deixar uma cicatriz no útero. Esta cicatriz é uma “área de fraqueza” na região da musculatura uterina. Após a cesárea, numa gestação futura, em especial caso ocorra o trabalho de parto, poderá ocorrer a ruptura uterina. A ruptura uterina é uma complicação obstétrica bastante grave que pode colocar em risco a vida da mãe e do bebê. Por sorte essa complicação é bastante rara.

Também devemos considerar que fazer uma cesárea poderá aumentar a chance de placenta prévia (aquela que está inserida no colo uterino) e de placenta acreta (aquela que se insere de forma anormal na parede do útero).

Por estes motivos a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que as taxas de cesárea mantenham-se em torno de 15% dos partos.

Irá gerar uma cicatriz

Para as mulheres que se incomodam com a chance de ter uma cicatriz, a cirurgia pode ser uma desvantagem. Para que haja o processo de cicatrização, é necessário que uma marca apareça no local do corte, não necessariamente terá queloide, mas uma marca sim.

As que se incomodam ao extremo é possível realizar uma cirurgia plástica, a fim de reduzir os efeitos criados no corte da cesariana. Lembrando que a cicatriz se apresenta na parte baixa do abdômen, podendo não aparecer na maioria das peças de roupas, com exceção de biquínis, por exemplo.

Cicatriz de Cesárea

Toda mulher pode fazer uma cesárea!

O parto natural é algo que pode não estar acessível a todas as mulheres por questões de saúde. Como última vantagem, vamos citar que toda mulher pode fazer a cesárea, porque a cirurgia se apresenta como uma solução para mulheres com dificuldades no parto natural.

A cesárea vai apresentar vantagens e desvantagens, como acontece com uma diversidade de procedimentos cirúrgicos. Mas é fato que é ferramenta para prover mais saúde para mamãe e bebê na hora do parto em diversos casos, porque se apresenta como maravilhosa solução.

Também existem as mães que optam por esse tipo de parto porque preferem, avaliando de forma particular. O importante é que ambos estejam saudáveis depois do processo.

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Com quantas semanas posso agendar a cesárea?

Apesar de 37 semanas ser considerada uma gestação a termo, a cesárea deverá ser agendada preferencialmente para a 39a. semana de gestação. Isto ocorre por alguns motivos, entre eles podemos lembrar que nem todos os bebês ficam maduros na mesma semana. Cada indivíduo tem o seu tempo, alguns amadurecem mais cedo e outros mais tarde. Portanto ao marcar a cesárea com 39 semanas estamos dando uma margem de segurança para que o bebê não venha ao mundo antes da sua hora.

Além disso precisamos considerar que o cálculo da idade gestacional não é 100% preciso. Tanto o cálculo feito pela última menstruação quanto a estimativa pelo ultrassom podem conter alguma margem de erro. Por isso a 39 semana é a mais indicada.

O Conselho Federal de Medicina por meio da Resolução CFM nº2.284/20, determinou que a época mais adequada para uma cesárea eletiva, numa gestação de risco habitual, é a 39a. semana.

É possível um parto normal após uma cesárea?

Sim! Apesar da cesárea deixar uma cicatriz no útero e isto aumentar o risco de rotura uterina, esse aumento é pequeno e fazer um parto normal após uma cesárea é bastante seguro. Atualmente o ministério da saúde recomenda inclusive que até mesmo uma paciente com duas cesáreas anteriores não seja desencorajada a tentar um parto normal, se as condições para isto foram favoráveis.

Entretanto é importante entender isto não significa induzir um parto normal em paciente com duas cesáreas ou fazer uma tentativa extrema de ter um parto vaginal. Para preservar a segurança da mãe e bebê nestes casos de duas cesáreas anteriores a recomendação é apenas tentar parto normal em casos favoráveis e com uma evolução boa do parto.

Quando irei saber se preciso de uma cesárea?

A maioria das indicações de cesárea é feita durante o trabalho de parto. No acompanhamento pré natal muitas vezes é difícil identificar que poderá ter parto normal e quem irá precisar de um parto cesárea. A necessidade do procedimento cirúrgico muitas vezes só poderá ser identificada durante o trabalho de parto.

Os campeões de cesárea

Existem alguns países que sabidamente são campeões em indicação de cesárea. Atualmente existe uma preocupação com o aumento constante do número de cesarianas. Estima-se que nos últimos 15 anos a taxa de cesáreas tenha praticamente dobrado.

O país com a maior taxa de cesáreas é a República Dominicana, com cerca de 58%. O Brasil não fica muito atrás com cerca de 55% dos nascimentos sendo feitos por cesárea. Depois, vêm Egito (51,8%), Turquia (50,4%) e Irã (47,9%).

Essas taxas podem ser muito mais altas se segmentarmos partos realizados no sistema público versos o sistema privado. Por vezes o número de cesáreas realizados por exemplo no plano de saúde pode atingir 80 a 90%!

Campeões de Cesárea

Qual parto é mais seguro, parto vaginal ou cesárea?

De um modo geral, o parto normal apresenta menos complicações do que uma operação cesariana. Em especial quando a cesárea é realizada de maneira emergencial, durante um trabalho de parto que não está evoluindo de maneira adequada. Entretanto isso não quer dizer que existem grandes riscos em se fazer uma cesárea.

Atualmente o procedimento cirúrgico de um parto cesárea pode ser realizado com bastante segurança. A cesariana realizada efetivamente e por um profissional de saúde capacitado é bastante segura. Possivelmente o parto cesárea é uma das cirurgias mais realizadas no mundo atualmente.

Quais são as principais indicações de cesárea?

As indicações mais comuns de cesárea, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), são:

  • Desproporção céfalo-pélvica – quando o tamanho entre a cabeça do bebê e a pelve materna não são proporcionais;
  • Duas ou mais cesáreas anteriores – quando a mãe tem duas ou mais cesáreas o risco de uma rotura uterina pode aumentar e então se dá preferência a realizar a cesárea antes do início do trabalho de parto;
  • Posição fetal diferente da habitual – quando o bebê está por exemplo “sentado” (apresentação pélvica) a cesárea pode ser uma opção para reduzir possíveis complicações com o recém nascido;
  • Placenta prévia – em algumas situações a placenta pode recobrir o colo do útero, impedindo a passagem do bebê por um parto vaginal ou provocando grandes sangramentos. Em uma situação dessas o seu obstetra também poderá indicar a interrupção da gestação por cesárea;
  • Vasa prévia – esta situação também apresenta risco para saúde dos bebês. A vasa prévia ocorre quando um vaso do cordão está passando na frente do bebê, muito próximo ao colo do útero. Nestes casos quando rompe a bolsa poderá ocorrer o rompimento dos vasos do cordão. Isto causa grande hemorragia de origem fetal, o que colocaria em risco a vida do bebê. Nestes casos o parto vaginal é contra-indicado e a realização de uma operação cesárea tem indicação precisa;
  • Herpes genital com lesão ativa – quando existem lesões ativas de herpes no canal vaginal, o bebê poderá se contaminar com o vírus durante o parto normal. Nestes casos a realização de um parto cesárea poderá evitar a contaminação do bebê. Lembre-se que o recém nascido tem um sistema imunológico ainda bastante imaturo e quadros graves de herpes poderão trazer riscos para o bebê no pós-parto;
  • Sofrimento fetal agudo – o sofrimento fetal agudo é a falta de oxigênio que pode ocorrer subitamente durante o trabalho de parto. Ele pode ocorrer, por exemplo, por uma troca gasosa deficiente entre o sangue da mãe e a circulação fetal ou por uma compressão súbita do cordão umbilical durante o trabalho de parto. Nestes casos a mulher poderá ser levada rapidamente para sala de cirurgia e um parto vaginal ser convertido em cesárea;
  • Redução importante do volume de líquido amniótico durante a gestação também podem fazer com que seu obstetra prefira realizar uma cesárea no centro cirúrgico. Sabe-se que o líquido amniótico é um marcados de complicações da gestação, em especial quando ele se encontra com volume reduzido, podendo indicar algum tipo de agravo a saúde bebê pode uma disfunção da placenta.

Quando a cesárea NÃO está indicada?

Em algumas situações, a indicação de cesariana pode ser relativamente fraca e sem evidências claras de benefícios. Eventualmente nestas situações a realização do parto por meio de um procedimento cirúrgico como a cesariana pode não trazer benefício para a mulher ou para o bebê. Entretanto, é importante ressaltar que você deve discutir cada situação com seu obstetra antes de optar por parto normal ou cesariana. Vejamos algumas situações que são indicações fracas para uma cesárea e que eventualmente pode-se realizar um parto normal:

  • Circular de cordão umbilical – um grande mito que existe entre as mulheres é que se o cordão umbilical está enrolado no pescoço do bebê deve-se optar por uma cesariana. Isto não passa de um mito. A circular de cordão umbilical é um situação bastante comum. Na maioria das vezes não traz risco para o bebê;
  • Quando a futura mamãe sente muita dor – a dor, ou o medo dela, e comumente um fator que faz com que as mulheres solicitem antes mesmo de entrar em trabalho de parto a realização de uma operação cesariana. Entretanto, atualmente, podemos utilizar diversos métodos para o controle da dor durante o trabalho de parto normal. A mulher poderá solicitar inclusive uma analgesia de parto, o que pode reduzir bastante o desconforto provocado pelas contrações uterinas. Métodos não farmacológicos como massagens ou ficar em baixo de um chuveiro também podem ajudar a mitigar este tipo de problema;
  • Gestação prolongada – quando a data provável do parto chega e ele não acontece não é necessário realizar a cesárea imediatamente. Existe a possibilidade de tentar-se uma indução do parto para que o bebê venha a nascer de parto normal;
  • Quando rompe a bolsa – a rotura prematura das membranas que envolvem o bebê, popularmente conhecida como “rompimento da bolsa” não é uma indicação de cesárea. Nesta situação, na maioria das vezes, a paciente irá entrar em trabalho de parto espontaneamente em algumas horas e o parto vaginal poderá ocorrer sem nenhum problema;
  • Quando a placenta “amadurece” muito precocemente – caso o crescimento do bebê esteja normal e não existam evidências de sofrimento fetal a gestação pode seguir tranquilamente e o parto normal pode ser realizado;
  • O bebê é muito grande – sim, em algumas situações o bebê pode ser bastante grande e o parto normal tornar-se difícil. Entretanto, para considerarmos que a cesariana seria a melhor opção a estimativa de peso do bebê pelo ultrassom deveria ser maior que 4.500g! Ou seja um bebê realmente muito grande! Uma ressalva fica pra as pacientes com diagnóstico de diabetes. Nestes casos se a estimativa de peso fetal for maior que 4.000g os riscos de um parto vaginal são maiores. Então seu obstetra poderá optar por realizar uma cesárea.
  • Dor no umbigo – essa dor é bastante comum e ocorre por um estiramento de um ligamento da mãe.

Como é a recuperação após a cesárea?

De um modo geral a recuperação após a cesárea atualmente é bastante rápida. Não há necessidade de ficar acamada em repouso absoluto no pós-parto. Claro que o bom senso de não realizar nenhuma atividade física muito extrema é importante.

Entretanto não existem grandes riscos em levantar da cama e caminhar um pouco pela casa no pós-parto. Isso inclusive é importante para evitar uma complicação chamada trombose. Mulheres que após a cesárea ficam demasiadamente paradas sobre a cama tem uma chance maior de que o sangue coagule. Isto geralmente nos membros inferiores, provocando bastante dor e causando uma complicação bastante grave.

Mulheres que realizaram cesárea também terão um pouco mais de dificuldade para iniciar a amamentação. Isto ocorre pois o leite demora um pouco mais pra descer. Mas não se preocupe, os bebês tem uma reserva de gordura suficiente para aguardar esse período.

Da mesma forma que no parto normal, no pós-parto haverá um sangramento vaginal. Isto dura na maioria das vezes uma ou duas semanas. Eventualmente podendo se estender por um período maior.

Na região do corte da cesárea a mulher poderá notar algumas particularidades como alterações nas sensações táteis. Isto ocorre pois o corte para dar acesso a cavidade uterina e retirar o bebê também lesa algumas terminações nervosas, provocando estas sensações estranhas na região do corte. Mas não se preocupe, com o tempo isso irá reduzir e você irá se acostumar.

Quanto tempo leva para uma cesárea cicatrizar por dentro?

A pele irá cicatrizar o suficiente para retirar os pontos em uma ou duas semanas. Se um fio não absorvível foi utilizado para os pontos da pele geralmente os pontos serão retirados uma semana após a cirurgia. Todo o processo de cicatrização leva em torno de um ano. Nas camadas internas da cirurgia utiliza-se atualmente fios absorvíveis que duram cerca de 60 dias.

Pode pegar a criança no colo?

Não há problema em pegar o bebê no colo. Claro que você pode sentir um pouco de dor, mas isso com o tempo melhora. É interessante evitar grandes esforços e por isso talvez seja interessante nas primeiras semanas ter alguém para lhe ajudar a arrumar as coisas em casa.

Para cuidar da cicatrização basta lavar a ferida com água e sabão e manter ela sempre bem seca. Não é necessário fazer um curativo especial. Se algum ponto estiver enroscando na roupa ou estiver saindo um pouco de secreção e sujando a roupa você poderá cobrir a ferida com gazes. É importante procurar o seu médico se houver sinal de dor, vermelhidão ou secreção abundante.

Vida sexual após o parto

Outra dúvida comum das mulheres é quando a vida sexual pode ser retomada. A recomendação é aguardar por volta de 30 dias para ter relações sexuais novamente. Nesse período o sangramento já parou e o corpo da mulher já praticamente retornou ao estado de antes de engravidar. Esse tempo também é necessário para que a mulher não tenha mais dor. Ele também para se habituar a nova vida com um filho em casa.

Com relação a anticoncepção recomenda-se o uso de um destes três métodos anticoncepcionais. São eles a pílula de progesterona, o dispositivo intra-uterino e o preservativo.

O papel da doula na assistência à gestante

Uma doula é uma profissional que fornece apoio físico, emocional e informativo contínuo à mãe. Antes, durante e logo após o parto. A doula não substitui o papel do médico, mas trabalha em colaboração com ele. Muitas mulheres escolhem ter uma doula presente durante a sua gravidez e parto porque oferecem benefícios únicos.

A palavra “doula” vem da Grécia antiga e significa “criada da mulher”. Uma doula pode dar um apoio inestimável às mulheres grávidas, quer estejam em trabalho de parto. Durante este tempo, a doula é uma fonte contínua de apoio e encorajamento para a mãe.

Ela é também uma “defensora da mãe”, ajudando-a a tomar decisões informadas sobre os seus cuidados durante a gestação e o parto. A doula é habitualmente uma pessoa do sexo feminino, pois a parturiente geralmente assim prefere devido à intimidade do momento do parto.

Para se tornar uma doula, não é necessário ter uma formação específica na área da saúde, mas precisa ter uma formação específica na área da doulagem. Existem diversos cursos disponíveis no Brasil.

O papel da Doula

Qual a vantagem de ter uma doula?

Uma doula pode ajudar a aliviar a dor das contracções, fornecendo orientação sobre técnicas de respiração, massagem, ou outras posições de trabalho de parto que possam aliviar o desconforto.

Uma doula oferece suporte durante todo o trabalho de parto, parto e no puerpério.

O médico ou a enfermeira obstetriz podem estar presentes apenas durante os estágios finais do parto. As doulas, no entanto, geralmente já acompanham a gestante antes do nascimento. Também ficam com você durante todo o trabalho de parto e o parto. Geralmente fazem ainda uma ou duas visitas de acompanhamento pós-parto para verificar o progresso da amamentação e garantir que o bebê esteja fazendo a pega da mamada corretamente.

Estudos mostraram que as doulas podem ajudar a reduzir o tempo do trabalho de parto, reduzir a ansiedade da mãe, diminuir a taxa de intervenções médicas (incluindo cesarianas) e melhorar o vínculo mãe-bebê após o nascimento.

Sua assistência tem demonstrado aumentar as chances de sucesso da amamentação, já que muitas doulas também são consultoras de amamentação.

Uma doula pode ser especialmente útil para uma futura mamãe que está sozinha, seja por escolha ou porque seu parceiro não pode estar presente.

Como funciona o atendimento da doula?

Geralmente a doula irá iniciar o acompanhamento da gestante por volta do sétimo mês de gestação. Isso é importante para permitir tempo para a discussão sobre o plano de parto. No plano de parto você deverá listar quais são suas preferências e desejos para o parto, como por exemplo se deseja ou não que seja feita a episiotomia.

Se você pretende ter uma doula é interessante conversar isso com seu obstetra para verificar se ele tem alguma recomendação ou se alguma equipe costuma trabalhar em conjunto com ele. Muitos obstetras já estão habituados a trabalhar com doulas pois percebem a importância da tarefa que elas realizam.

Os papéis são claramente definidos, com a doula oferecendo apoio moral para você e sua família, e o obstetra supervisionando seus cuidados médicos e o parto de seu bebê.

É importante avisar ao seu médico que você terá uma doula presente durante o trabalho de parto e o parto.

O que a Doula não faz?

Não pratica qualquer ato médico. Não faz exames como medir a pressão arterial ou toques vaginais para avaliar a dilatação do colo do útero.

Ela não substitui nenhum profissional habitualmente envolvido na assistência ao parto (como obstetra, pediatra ou anestesista). Também não é função da Doula discutir procedimentos com a equipe de saúde ou questionar decisões da mesma.

Quanto custa ter uma doula?

No Brasil, o custo varia entre R$ 250,00 e R$ 3.000,00 por dia. Geralmente este valor não é coberto pelo plano de saúde.

O hospital deve permitir a presença da doula?

Em Curitiba, as maternidades devem permitir a presença de doulas durante o trabalho de parto, o parto e após o parto.

Em geral outras cidades do país seguem a mesma conduta. Mesmo em hospitais do SUS a presença da doula deve ser permitida (mesmo quando ela é paga).

Qual a diferença entre parteira, doula e enfermeira obstetriz?

A parteira é uma figura bastante antiga e hoje cada vez mais rara. São pessoas que aprendem a auxiliar a parturiente durante o trabalho de parto. Atualmente estão mais presentes em áreas rurais, assistindo parto em regiões remotas, onde a assistência é precária. Adquirem conhecimento geralmente observando uma pessoa mais experiente na assistência ao trabalho de parto, não há um curso específico. Muitas vezes é a única pessoa que está ajudando a gestante no momento do parto.

A doula, como já comentamos, geralmente possui um curso de formação de curta duração. Sua atuação é mais voltada para o suporte físico e emocional à gestante e aos seus familiares. A doula não deve ser julgadora, respeitando as escolhas da gestante e do seu obstetra. Em nenhum momento a doula deve dizer a gestante o que deve fazer, mas sim dar-lhe poder, ajudando-a a tomar as decisões.

Por outro lado, a enfermeira obstetriz tem uma formação inicial em enfermagem com uma pós-graduação na área de obstetrícia. Por vezes é a principal figura na assistência do trabalho de parto, geralmente atuando em instituições hospitalares. Quase sempre em conjunto com um médico obstetra que poderá intervir em casos onde o parto apresenta alguma complicação.

Grávida pode fazer exercícios? Saiba tudo sobre o assunto

Existem muitos mitos que fazem parte do universo da maternidade. Um deles é se a grávida pode fazer exercícios. Na verdade isso não passa de um mito e alguma atividade física leve e de baixo impacto é inclusive recomendada na gravidez. Fazer caminhadas por exemplo pode ser um excelente exercício físico.

Embora a gravidez exija cuidados especiais e algumas mudanças no estilo de vida, ela não é um atestado de doença, que proíbe a mulher de diversas de diversas tarefas. A gravidez não requer isolamento social nem sedentarismo! Levante-se inicie alguma atividade física leve, mesmo que em casa. Sim alguns exercícios você pode inclusive fazer em casa.

Gravidez é vida e exatamente por isso pede movimento. As grávidas não precisam ficar sedentárias durante a gestação, apenas escolher atividades indicadas e que geram benefícios para mãe e filho.

Vamos falar mais sobre o tema a seguir. Confira tudo!

Exercícios Físicos na Gravidez

Afinal, grávida pode fazer exercícios?

As grávidas não apenas podem fazer exercícios, como também há estudos que comprovam os benefícios de determinadas atividades durante a gestação.

É claro que, assim que a mulher descobre gravidez, ela deve passar por orientação médica e o obstetra responsável pelo acompanhamento da gestante é quem devem autorizar a prática de atividade física.

Isso porque, cada indivíduo é diferente e tem características e reações distintas e com as mulheres grávidas é a mesma coisa. Quando a gravidez não é considerada de risco, certamente o médico vai dar o aval para os exercícios físicos. Além da alimentação saudável, realizar alguma atividade física é importante até para ajudar a gestante a ter uma boa noite de sono.

Quais são os exercícios mais indicados para grávidas?

É importante considerar também, e isso o médico irá avaliar, qual é a relação da gestante com a prática de atividade física. Por exemplo, grávidas que já tinham uma rotina frequente de exercícios de musculação poderão seguir até determinada fase da gravidez.

Isso porque, os exercícios mais indicados para grávidas são os de baixo impacto. Veja alguns deles:

  • Caminhada;
  • Pilates;
  • Hidroginástica;
  • Alongamento;
  • Yoga;
  • Bicicleta ergométrica.

É recomendável os exercícios mais leves porque as mulheres grávidas não podem ter uma elevação da temperatura corporal muito além do normal, porque pode causar má formação da criança. Lembre-se que a atividade física irá ajudar você a manter uma melhor relação entre a sua massa magra e gordura corporal.

Por isso, é fundamental seguir sempre as recomendações do médico a respeito da prática de exercícios físicos para grávidas.

Benefícios dos exercícios físicos para grávidas

Praticar atividade física durante a gravidez é uma das maneiras mais efetivas de controlar o peso corporal e manter a saúde em dia. Além disso, os exercícios ajudam a grávida na diminuir o inchaço, incômodo muito frequente durante a gestação.

Ao escolher uma atividade física de baixo impacto, a grávida evita dores musculares, fortalece a coluna vertebral e a musculatura, reduz o risco de ter pressão alta, conhecida na gestação como pré-eclâmpsia, além de reduzir o estresse e a ansiedade.

Os exercícios físicos durante gravidez também são benéficos para regular o intestino e a controlar a quantidade de açúcar no sangue.

Quais exercícios as grávidas devem evitar?

De um modo geral devem ser evitados os exercícios com risco de acidentes (batidas), de impacto ou atividade muito extenuante. Alguns exemplos de exercícios que devem ser evitados:

  • Jump;
  • Corrida de alta performance;
  • Spinning nos últimos meses da gravidez;
  • Treino muito pesado de musculação;
  • Abdominais;
  • Crossfit;
  • Mergulho;
  • Atividades que utilizam bola.

Dicas para melhor aproveitamento

  • Procure se exercitar ao menos três dias na semana, escolhendo atividades moderadas e com acompanhamento médico;
  • Procure atividades com foco no assoalho pélvico, assim você gera benefícios para o momento do parto;
  • Hidrate-se durante as atividades físicas e jamais ultrapasse seu limite;
  • Tenha foco na manutenção da saúde e não na forma física ou peso.

Este conteúdo foi útil pra você? Aproveite para conferir outros artigos aqui no blog!

Verdade ou mito: o bebê pode soluçar dentro da barriga da mãe?

Soluçar é algo que fazemos e nem damos valor não é? Mas mundo da maternidade é tão amplo que muitas coisas, as mamães só conseguem aprender na prática. Isso pode ser um pouco assustador, afinal, nem sempre sabemos o que está acontecendo.

E uma dessas novidades é descobrir que o bebê soluça dentro da barriga.

Sim, é verdade! Mas acalme-se, não é preciso entrar em desespero porque isso é normal e acontece com quase todas as mamães.

Por que meu bebê soluça?

Esses soluços podem começar entre a 14ª e a 20ª semana. Ou seja, um pouco antes de você perceber os movimentos fetais o bebê já pode estar soluçando! Neste período o bebê ainda “respira” por meio do cordão umbilical.

Porém, o sistema respiratório dele já está se desenvolvendo e o útero envia estímulos para o diafragma do neném.

Em resposta a esses estímulos, os músculos respiratórios em desenvolvimento se contraem. E como a mamãe ainda está acostumada só com alguns pequenos movimentos, descobre que o bebê soluça mesmo dentro da barriga.

Além disso, os soluços podem ser um aviso para outro desenvolvimento dele: O estômago.

Quando o estômago ainda está em desenvolvimento e o neném engole o líquido amniótico, ele pode ter soluços por seu estômago ainda não estar 100% pronto para digerir. Isso também fortalece o desenvolvimento do pequeno.

Com quantas semanas o bebê começa a mexer na barriga

Os soluços fazem mal?

Com certeza essa é a maior preocupação de todas as mamães quando descobrem o soluço do bebê.

Mas pode ficar tranquila. Soluçar não faz mal nenhum ao seu bebê, ele não sente dor e os soluços não atrapalham seu desenvolvimento.

Pelo contrário, faz parte do desenvolvimento de sua criança. Pois os músculos estão começando a aprender a trabalhar e isso contribui para o desenvolvimento pré-natal do bebê.

Dessa forma, quando o neném nascer seu sistema respiratório já estará forte e muito bem treinado.

O que eu devo fazer?

A resposta é simples: nada. Essa percepção dos soluços fetais nada mais é do que um sintoma comum da gravidez.

Como já explicamos, o bebê soluça por conta de seu desenvolvimento, isso significa que seus músculos e órgãos estão reagindo a estímulos.

Dessa forma, os soluços são um sinal de que seu bebê está saudável e seu corpo se desenvolve da forma como deve.

Porém, algumas mamães podem ficar agoniadas com os insistentes pulinhos que o bebê dá na barriga.

Então, primeiro busque se acalmar, pois não há como parar o soluço do pequeno, isso acontecerá por conta própria.

Por isso, se você se sentir incomodada ou os soluços causarem um desconforto, busque relaxar e ocupar sua mente com outras atividades.

É importante também levar em conta que é possível que os soluços acabem depois de algumas semanas, mas também é possível que eles permaneçam presentes até o bebê nascer.

Então, com o tempo, você se acostuma e os momentos de soluço do bebê podem até mesmo passar despercebidos.

Como identificar se o bebê soluça?

Enquanto umas mamães se sentem extremamente incomodadas com os soluços, também têm aquelas que mal os sentem.

Então, como diferenciar se meu bebê está chutando, se mexendo ou se é o soluço?

Normalmente, quando o bebê está se mexendo os movimentos são inconsistentes, e acabam rapidamente. Porém, quando o bebê soluça, ele dá um “pulinho” dentro da barriga da mamãe.

Além disso, o soluço é ritmado, normalmente os pulinhos acontecem em um mesmo espaço de tempo e demoram mais para acabar.

Se você mamãe perceber uns pulinhos em sua barriga, não se preocupe, é apenas seu pacotinho de amor soluçando.

Ivermectina pode ser usada na gravidez?

Ivermectina é uma droga utilizada no tratamento algumas parasitoses. Entre elas estão a infestação por piolhos, sarna, oncocercose, estrongiloidíase, tricuríase, ascaridíase e filaríase linfática. Em infestações externas, pode ser administrada por via oral ou aplicada na pele.

A ivermectina é um dos antibióticos mais importantes já descobertos. É reconhecida como um medicamento de referência pela American Chemical Society e seus descobridores receberam o Prêmio Nobel em 2015. Além disso, a ivermectina é um dos medicamentos antiparasitários mais amplamente usados em animais e humanos.

Recentemente a ivermectina ganhou interesse mundial pois alguns pesquisadores recomendaram o seu uso para o tratamento da Covid 19, entretanto nenhuma agência recomendou formalmente o seu uso com esse fim até o momento.

ivermectina na gravidez

Segurança da Ivermectina segundo o FDA

O Food and Drug Administration (FDA) dos EUA classifica a ivermectina como categoria C na gravidez, ou seja, “Estudos de reprodução animal mostraram um efeito adverso no feto e não há estudos adequados e bem controlados em humanos, mas os benefícios potenciais podem justificar o uso da droga em mulheres grávidas, apesar dos riscos potenciais ”.

Esta classificação é baseada em estudos feitos em camundongos, ratos e coelhos durante a aprovação original do medicamento na década de 1990 pelo laboratório Merck. Esses estudos mostraram resultados adversos da gravidez em doses cumulativas que são altas o suficiente para produzir sinais de toxicidade materna em animais, variando entre 20 e 600 vezes a meta de dose única no ser humano (de 0,15 a 0,20 mg / kg).

No entanto, evidências posteriores mostraram que a cepa de camundongo (CF-1) usada nos estudos iniciais de toxicidade de ivermectina era inadequada, pois mais tarde foi mostrado que camundongos CF-1 têm expressão deficiente de glicoproteína P, que é uma chave de bomba de efluxo para prevenir a toxicidade da ivermectina.

Estudos sobre Ivermectina em Gestantes

A maior fonte de informação que temos sobre o uso da ivermectina em gestantes vem de situações aonde a ivermectiva foi distribuída em massa e algumas mulheres que não sabiam que estavam grávidas utilizaram a medicação. Um estudo publicado em 2020 identificou 147 registros, dos quais apenas cinco estudos observacionais e um ensaio clínico foram incluídos para análise quantitativa. Esses estudos foram publicados entre 1990 e 2008 e foram feitos em seis países africanos.

Foram incluídas 893 mulheres com 899 desfechos de gravidez, das quais 496 mulheres grávidas (500 desfechos de gravidez) receberam ivermectina inadvertidamente durante as campanhas de distribuição em massa da ivermectina nos estudos observacionais. Além disso 397 mulheres grávidas (399 desfechos de gravidez) receberam intencionalmente ivermectina como parte de um ensaio clínico.

Nenhum estudo relatou mortes neonatais, morbidade materna, nascimentos prematuros ou baixo peso ao nascer. Não ficou claro entretanto se a exposição à ivermectina durante a gravidez aumenta o risco de abortos espontâneos e natimortos ou anomalias congênitas.

A invermectina pode ser usada no tratamento da Covid 19?

Em fevereiro deste ano, a própria fabricante da ivermectina, a farmacêutica Merck Sharp and Dohme (MSD), divulgou um comunicado reforçando que não há evidências que o seu medicamento seja eficaz no tratamento e combate da covid-19.

Não existe recomendação do uso de ivermectina para o tratamento ou prevenção de COVID-19 em pessoas ou animais. A ivermectina não se mostrou segura ou eficaz para essas indicações.

Há muita desinformação por aí, e você deve ter ouvido que não há problema em tomar grandes doses de ivermectina. Isso não é verdade!

Até mesmo as doses de ivermectina recomendadas para uso humano podem interagir com outros medicamentos, como anticoagulantes. Também pode haver uma overdose de ivermectina, que pode causar efeitos colaterais como náuseas, vômitos, diarreia, hipotensão (pressão arterial baixa). Também podem ser observadas reações alérgicas (coceira e urticária), tonturas, ataxia (problemas de equilíbrio), convulsões, coma e até morte.

O que você deve saber sobre a ivermectina

  • Não existe uma autorização formal do uso da ivermectina para prevenção ou tratamento de COVID-19 em humanos ou animais. A ivermectina é aprovada para uso humano no tratamento de infecções causadas por alguns vermes parasitas (Ex: Strongyloides stercoralis). Além disso pode ser usada para piolhos e doenças da pele como a rosácea.
  • Os dados atualmente disponíveis não mostram que a ivermectina é eficaz contra COVID-19. Ensaios clínicos avaliando comprimidos de ivermectina para a prevenção ou tratamento de COVID-19 em pessoas estão em andamento.
  • Tomar doses altas de ivermectina é perigoso.
  • Se o seu médico prescrever uma receita de ivermectina0, tome-a exatamente como prescrito.
  • Nunca use medicamentos destinados a animais em você ou em outras pessoas. Os produtos de ivermectina animal são muito diferentes daqueles aprovados para humanos. O uso de ivermectina animal para a prevenção ou tratamento de COVID-19 em humanos é perigoso.

Referências

  1. Safety of oral ivermectin during pregnancy: a systematic review and meta-analysis.
  2. Is ivermectin safe in pregnancy?

Folículo no ovário: desvendando este mistério

A presença de folículo no ovário pode ser algo intrigante, vamos aqui ajudar você a desvendar o mistério por traz do que isto significa. Os ovários são as glândulas femininas localizadas na pelve e responsáveis por produzir células sexuais. Além da sua função na reprodução humana os ovários também atuam como glândulas secretando hormônios que atuam sobre o sistema endócrino da mulher.

O tecido do ovário é repleto de folículos ovarianos. Um feto de 20 semanas, por exemplo, tem em média 300 mil folículos. Já por volta de 13 anos de idade, a mulher que inicia sua vida reprodutiva tem entre 1,5 milhões e 20 mil folículos. Em cada ciclo menstrual um folículo ovariano cresce e rompe, liberando o óvulo. Esse fenômeno é chamado de ovulação e caracteriza o período fértil. Portanto é bastante normal ter folículo no ovário e na maioria das vezes nenhum tratamento será necessário para tratar estes folículos.

Após ocorrer a ovulação o óvulo geralmente é captado pelas tubas uterinas local onde ele pode ser fecundado ou não. Caso ocorra a fecundação o ovo (óvulo fecundado) provavelmente irá se fixar no útero. Este processo de fixação é chamado de nidação. Esse é o início de uma gestação.

Se o óvulo não for fecundado nas tubas uterinas ene não irá se fixar na cavidade uterina e em alguns dias deverá ocorrer a menstruação.

Portanto a presença de folículos ovarianos é normal e tem papel importante para a reprodução humana. Mulheres que não possuem folículos ovarianos podem necessitar inclusive de técnicas de reprodução assistida para que tenham uma gravidez.

Como o foliculo no ovario é diagnosticado?

Normalmente os folículos ovarianos são estruturas muito pequenas, vistas apenas no microscópio. Portanto, quando você realiza um exame de ultrassom, aqueles milhares de folículos que estão presentes no ovário não podem ser vistos de maneira individualizadas. A maior parte do ovário tem aspecto homogêneo, como uma massa sólida. No ultrassom transvaginal podemos observar na periferia do ovários algumas pequenas bolinhas escuras (cistos). Estes são os chamados folículos antrais. Folículos antrais são aqueles pequenos cistos vistos nos ovários que estão em uma fase pré-ovulatória. Ou seja, que não iniciaram seu crescimento ainda, mas que podem responder aos hormônios para se desenvolverem.

No ultrassom o líquido fica escuro (preto) e esses folículos antrais ou pré-ovulatórios são alguns dos milhares de folículos que estão se preparando para ovulação. Nesse preparação para a ovulação eles aumentam a quantidade de líquido em sua volta, o chamado líquido folicular. É esse acúmulo de líquido folicular que dá o aspecto de “bolinha preta” na periferia do ovário.

Folículo no Ovário

Portanto a ultrassonografia é capaz de identificar o folículo ovariano que está sendo preparado para liberar um óvulo durante o processo de ovulação. Como os óvulos que estão sendo preparados acumulam um pouco de líquido em sua periferia esses óvulos podem ser identificados pela ultrassonografia como um pequeno cisto.

O que é Folículo Dominante?

No início do ciclo menstrual todos os folículos tem aproximadamente o mesmo tamanho. Dependendo do dia do ciclo menstrual a quantidade de líquido acumulada em volta dos óvulos pode aumentar bastante. Quando o ciclo menstrual inicia preparando o corpo para a gravidez, um dos folículos é recrutado. Esse folículo recrutado irá ficar maior que os demais e recebe o nome de folículo dominante.

O folículo dominante tem uma forma arredondada e recebe estimulação por meio de alterações hormonais ou medicamentos que produzem o seu desenvolvimento. Ao mesmo tempo que o folículo cresce os hormônios também fazem o tamanho do endométrio crescer, tornando o útero mais receptivo a gravidez.

No vídeo acima podemos observar uma reconstrução em 3D do ovário e seus folículos. O folículo dominante é o maior, assinalado em vermelho e indicado com o número 1.

Enquanto o folículo dominante cresce consideravelmente os outros folículos permanecem dormentes, ou seja, não se desenvolvem. Dessa forma um ultrassom realizado para acompanhamento do ciclo ovulatório, chamado de controle de ovulação, poderá demonstrar quantos folículos estão sendo estimulados e a velocidade de crescimento deles. Os profissionais que trabalham com reprodução assistida utilizam bastante este exame para acompanhar o desenvolvimento dos óvulos.

O controle de ovulação também poderá ser utilizado para acompanhar o desenvolvimento dos óvulos escolhendo o melhor momento para captação de folículos para uma fertilização in vitro, por exemplo. Em casos aonde existe dificuldade de gestação técnicas de reprodução assistida podem ser utilizadas pelo profissional de saúde.

É normal ter quantos folículos no ovário em cada ciclo?

Apesar de cada ovário ter milhões de folículos, espera-se que em um ciclo normal apenas um dos óvulos seja estimulado. Dessa forma um folículo dominante é observado por ciclo menstrual. A presença de mais de um folículo no ultrassom indica que mais de um óvulo está sendo estimulado e eventualmente poderemos ter a ovulação de dois óvulos. Mas calma, isso não significa necessariamente que você terá gêmeos. Mesmo ovulando dois ou mais óvulos a maior probabilidade é que apenas um seja fecundado e portanto ocorra uma gestação única.

Tinha um folículo no ovário direito e agora está no ovário esquerdo, o que aconteceu?

Os óvulos estão presentes em ambos os ovários. Portanto a presença de um folículo no ovário direito indica que, neste ciclo menstrual o estímulo está ocorrendo no ovário direito e se você realizar uma ultrassonografia irá ver um pequeno cisto nesse ovário. Esse é um cisto chamado funcional e não necessita nenhum tratamento específico. Em um próximo ciclo menstrual, caso você realize um novo exame de ultrassonografia o cisto poderá estar no ovário esquerdo. Isso apenas indica que agora o seu ovário esquerdo está sendo recrutado para liberar um óvulo.

Como existem óvulos nos dois ovários é comum que eles se alternem em cada ciclo. Portanto a cada menstruação um ovário diferente poderá apresentar um folículo ovariano. Portanto a presença de cistos nos ovários nem sempre é um sinal de preocupação. Isto pode apenas significar que seus óvulos ainda estão sendo recrutados e respondendo a presença de hormônios.

Qual a diferença entre folículo e óvulo?

Enquanto os óvulos são uma célula única que contém o material genético da mãe. Eles estão contidos dentro de uma pequena bolsa de líquido chamada folículo. Portanto o óvulo está guardado dentro do folículo e será liberado apenas durante a ovulação.

Em qual fase do ciclo menstrual o folículo ovariano é visto?

Os folículos ovarianos podem ser vistos em diferentes fases do ciclo menstrual, até mesmo quando a mulher estiver menstruando. Nos primeiros dias do ciclo menstrual, o que vemos no ultrassom são os folículos antrais, que geralmente tem entre 2 a 5 mm de diâmetro.

Quando um folículo dominante começa a se desenvolver, ele geralmente tem um pouco mais de 10 mm e deve crescer ao longo do ciclo menstrual até atingir 24 a 26 mm. Nesse momento o folículo habitualmente rompe, ocorrendo a liberação do óvulo que deverá entrar na tuba uterina.

Após o rompimento do folículo dominante, resta no ovário uma pequena cicatriz chamada de corpo lúteo. A avaliação de como se desenvolve o ciclo menstrual e os folículos ovarianos geralmente é feita por ultrassonografia. A ultrassonografia é um exame que permite acompanhar a estimulação do folículo e outras respostas da mulher ao ciclo da ovulação.

Com o ultrassom podemos, por exemplo, verificar alterações no colo uterino. Durante o período ovulatório no canal cervical habitualmente podemos observar a presença de muco, o que aumenta as chances de engravidar. O muco cervical serve como uma “porta de entrada” do espermatozóide para a cavidade uterina.

Além do ultrassom, em alguns casos o seu médico poderá solicitar também exames de sangue para acompanhar o ciclo ovulatório.

E quando o folículo não rompe?

Em alguns casos o folículo pode não romper, ocorrendo o que chamamos de ciclo anovulatório. No ciclo anovulatório não ocorre a liberação de óvulos e portanto a mulher não engravida. Nestes casos poderá ser necessária a ajuda médica de um profissional especialista em reprodução humana.

Em ciclos anovulatórios no ultrassonografia podemos ver um cisto, chamado de cisto funcional. Este cisto é habitualmente bastante grande, tendo cerca de 30 mm ou mais. Quando um cisto desses é identificado em geral o tempo para que ele desapareça é de aproximadamente 6 meses. É importante o acompanhamento com seu médico pois eventualmente ele poderá prescrever alguma medicação para evitar o crescimento deste cisto.

Os ciclos anovulatórios geralmente não prejudicam a saúde, entretanto eles dificultam a ocorrência de gravidez. Mesmo não ovulando o seu ciclo menstrual irá continuar e a menstruação poderá ficar desregulada. Caso você tenha ciclos anovulatórios o seu médico poderá prescrever um ciclo de estimulação ovariana ou medicações que ajudem a romper o folículo dominante para que o óvulo seja liberado. Estas técnicas de reprodução humana habitualmente envolvem o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, tratamento com medicamentos e acompanhamento com ultrassonografia seriada para avaliar a resposta dos ovários a estimulação.

Quais são os sintomas de folículos ovarianos?

Os folículos ovarianos normalmente não produzem nenhum sintoma. Excepcionalmente nos casos aonde o folículo não rompe e ele é muito grande (maior que 60 mm) pode ocorrer a torção do ovário. Os casos de torção do ovário produzem sintomas de dor pélvica aguda, muito forte e são um quadro de emergência, podendo inclusive ser necessária a cirurgia para retirada do ovário. Mas esta é uma situação bastante incomum e rara. A grande maioria dos casos de folículos ovarianos são assintomáticos.

Nos casos em que o ovário possui diversos folículos, poderemos estar diante da síndrome do ovário policístico. Neste casos alguns sintomas de distúrbios menstruais, obesidade e acne poderão estar associados.

Quem tem folículo no ovário pode engravidar ou precisa de fertilização in vitro?

Sempre que você tem dúvidas sobre a gravidez ou dificuldades para engravidar você deve conversar com profissional de saúde para discutir a necessidade de técnicas de reprodução assistida. Os folículos não impendem a gravidez, na verdade eles são necessários para que ela ocorra.

Tenha sempre em mente que o corpo humano não é perfeito e que para que as mulheres possam engravidar uma série de fatores devem estar presentes. É necessário um ciclo em que ocorra ovulação e a tuba uterina deve estar em boas condições para carregar o óvulo. Além disso o sêmen do parceiro deve conter uma quantidade satisfatória de espermatozóides e eles devem ter morfologia normal.

Não menos importante é o endométrio, camada mais interna do útero que irá receber o óvulo fecundado. Além de ter uma boa espessura o endométrio deve apresentar características favoráveis para que ocorra a nidação.

O anticoncepcional trata cistos no ovário?

O anticoncepcional faz o bloqueio do eixo endócrino que controle o ciclo menstrual. Portanto, quando uma mulher utiliza o anticoncepcional ela faz com que o ovário não sobra estimulação naquele ciclo. Nestes casos um exame de ultrassonografia poderá revelar um ovário com forma normal, mas com dimensões um pouco menos e sem folículos.

Estas alterações são bastante compatíveis com o bloqueio do eixo endócrino que faz a estimulação da ovulação. Portanto se você está usando anticoncepcional e seu ovário está um pouco menos não é necessário realizar nenhum tipo de tratamento. As alterações provocadas pelo bloqueio do anticoncepcional são rapidamente revertidas no momento da interrupção do uso do anticoncepcional.

Portanto o anticoncepcional poderá ser utilizado pelo seu médico para tratamento de cistos no ovário.

Quando procurar um especialista em reprodução humana?

O momento ideal é assim que você identificar algum fator que dificulta ou impede a gravidez. O especialista em reprodução humana deve ser procurado nos seguintes casos:

  • Após um ano de tentativas sem sucesso ou seis meses de tentativas em mulheres acima de 35 anos;
  • Mulheres com ciclos menstruais irregulares pois podem estar relacionadas a distúrbios da ovulação;
  • Casais que já tiveram mais de dois abortos;
  • Mulheres com história de endometriose;
  • Uso de medicamentos ou cirurgia que possam reduzir a reserva ovariana.
  • Mulheres que realizaram cirurgia para retirada dos ovários ou que receberam radioterapia ou quimioterapia.
  • Mulheres com doenças reumatológicas que usam medicamentos que interferem na reserva ovariana.
  • Parceiro com histórico de espermograma alterado ou doenças que podem afetar os espermatozoides.

Estas situações acima elencadas são indícios importantes de dificuldades para engravidar. Se você se enquadra em alguma dessas situações a avaliação por uma equipe multidisciplinar com um profissional de saúde especialista em reprodução humana é muito importante.

Esse artigo foi interessante para você? Aproveite para ler o nosso post sobre as 6 dores que não são normais na gravidez e o que fazer com elas!

Pré-Natal: importância para a gestante

Pré-natal é fundamental na prevenção e/ou detecção precoce de doenças ou problemas que podem comprometer a saúde da gestante ou do feto. Permite assim que o bebê e a mãe se desenvolvam de forma saudável. Ele consiste de consultas regulares que as mulheres grávidas realizam. O ministério da saúde recomenda que sejam realizadas pelo menos 6 consultas.

Ficou interessada em saber mais sobre esse assunto? Então, continue a leitura e entenda melhor a seguir a importância do pré-natal para a gestante.

Pré-Natal

De acordo com a Fundação Abrinq, podemos compreender o pré-natal como o acompanhamento que a gestante faz ou precisa fazer, desde o momento em que sua gravidez é confirmada até o período do parto.

O objetivo, com isso, é monitorar a gestante, considerando o fato de que nesse período ela passa a ter demandas fisiológicas relacionadas à gestação, como, por exemplo, ganho de peso, pressão arterial, alimentação, crescimento do bebê dentro do útero, alterações emocionais etc.

Esse monitoramento se faz importante porque reduz os riscos que a gestante e o feto podem enfrentar durante esse período. Em cada consulta são realizadas avaliações do peso da gestante, sua pressão sanguínea e mede-se a altura uterina que permite avaliar o desenvolvimento do bebê. O obstetra também avalia os batimentos cardíacos fetais em cada consulta pré-natal. De fundamental importância também determina-se a idade gestacional o que permite realizar orientações mais específicas sobre cada fase do desenvolvimento do bebê.

Seu médico também irá realizar orientações importantes em cada consulta como a possibilidade ou não de realizar atividades físicas, orientações nutricionais, etc. 

Anotamos todas estas informações na caderneta da gestante. Este documento nos permite compartilhar todas as informações coletadas e cuidados tomados entre o obstetra e os demais profissionais envolvidos.

Carteira de Pré-Natal da Gestante

Quais são os tipos de pré-natal?

Basicamente, temos dois tipos de pré-natal. A saber:

De baixo risco ou risco habitual

É o pré-natal destinado à gestante que não apresenta nenhum tipo de comorbidade ou alguma doença que possa vir a se agravar durante o período de gestação.

De alto risco

O pré-natal de alto risco, por sua vez, é destinado à mulher que desenvolverá algum tipo de patologia durante a gravidez, que pode tanto comprometer sua saúde como a do bebê. Um exemplo de patologia que podemos destacar nesse sentido é a hipertensão arterial ou pré-eclâmpsia.

No caso do pré-natal de alto risco, a gestante precisa de uma atenção especializada de um ou mais profissionais, conforme os problemas que ela apresentar.

Vantagens do pré-natal

A partir do que até aqui expomos, dá-se para ter noção acerca das vantagens do pré-natal para a preservação da saúde da gestante e do bebê. No entanto, para tornar esse assunto mais claro, apresentamos, a seguir, as principais. Observe:

  • A assistência pré-natal possibilita identificar, segundo o Ministério de Saúde, doenças que já estavam presentes no organismo, mas evoluindo de forma silenciosa, como são o caso da diabetes, doenças do coração e hipertensão, por exemplo. Ao identificá-las, pode-se adotar o tratamento adequado para evitar prejuízos à saúde da mulher e do bebê;
  • Pode-se identificar também mal formações fetais. Algumas delas podem ser tratadas se identificadas em sua fase inicial, de maneira a fazer com o recém-nascido tenha uma vida normal. Os exames mais importantes para avaliar a anatomia fetal são o da translucência nucal e o morfológico de segundo trimestre;
  • Segundo o Ministério da Saúde, avaliamos problemas relacionados à placenta, para adotar o tratamento adequado se identificarmos algum problema.

A assistência poderá ser realizada não apenas por um obstetra mas por toda uma equipe composta de especialistas em diversas áreas como enfermagem, nutricionista, fisioterapeuta, psicóloga e agentes comunitários de saúde. O número de profissionais envolvidos irá variar de acordo com a necessidade de cada caso.

Como funcionam as consultas de pré-natal?

Inicialmente as consultas são mensais. Após a 28ª semana de gestação as consultas passam a ser a cada duas semanas. Depois da 37ª semana elas são semanais. Uma série de exames são realizados durante o pré-natal, se quiser conhecer os principais basta ver nosso post sobre os principais exames do pré-natal. Os principais exames realizados no pré-natal durante a gravidez são:

  • Tipagem sanguínea e fator Rh;
  • Rastreamento de infecções como sífilis, HIV, toxoplasmose, hepatite B.
  • Exame de urina para rastrear infecção urinária
  • Glicemia de jejum e Pesquisa de diabetes gestacional por meio do teste de tolerância oral à glicose
  • Ultrassom

Com relação ao exame de ultrassom é importante a realização de pelo menos três exames distintos. Um exame entre 11 e 14 semanas para avaliar a translucência nucal. Um segundo exame entre 20 e 24 semanas chamado de ultrassom morfológico, junto com outros exames do segundo trimestre. E um exame no último trimestre da gravidez para avaliar a quantidade de líquido amniótico e o desenvolvimento do bebê.

Quando houver o diagnóstico de algum problema o obstetra irá tomar os cuidados necessários para preservar o bem estar do bebê e da mamãe. Apenas para dar uma idéia da importância que o pré-natal pode ter, o rastreamento da infecção pelo HIV e a instituição da terapia anti HIV durante a gravidez pode chegar a zerar a transmissão vertical da doença, segundo a Organização Mundial de Saúde.  

Quando devo começar o pré-natal?

Idealmente as consultas médicas deveriam  começar com uma consulta pré-concepcional. É isso mesmo, a primeira consulta deveria ser antes mesmo de engravidar. Quase ninguém faz essa consulta infelizmente. Ela é muito importante para identificar fatores de risco prévios a gestação para se possível corrigi-los, como doenças infecciosas. Além disso a imunização das mulheres contra doenças que podem acometer o feto (como a rubéola) é de suma importância. Devem ser feitas caso a paciente seja suscetível e ainda não estiver grávida.

Muito importante também é a consulta pré-concepcional para prescrição de ácido fólico. A administração do ácido fólico por cerca de 3 meses antes da concepção ajuda a reduzir a chance de problemas fetais como a mielomeningocele.

Como se pode visualizar, realizar o pré-natal é uma condição fundamental para que a gestação ocorra de forma tranquila e saudável. Por isso, toda mamãe deve fazer, pois assim ela protege tanto sua saúde como a de seu bebê. E quanto mais cedo o início melhor. Em algumas situações a mulher pode ter o que chamamos de gravidez silenciosa. A gravidez silenciosa ocorre quando sangramentos do início da gestação confundem a grávida pois parecem ser a menstruação. Por isso é muito importante visitar o seu ginecologista regularmente. Mesmo quando você ainda não está planejando engravidar.

Enfim, qual a importância do pré natal?

O acompanhamento da gravidez de maneira adequada permite que o médico ajude as gestantes a ter uma gravidez mais saudável. Diagnosticamos problemas como o diabetes, a pré eclâmpsia e outras complicações de maneira precoce, o que reduz o risco para os bebês. No acompanhamento pré-natal, o profissional que acompanha a gestante esclarece as dúvidas que ela possa ter. Assim, podemos fornecer as orientações adequadas e prescrever as vitaminas e medicações necessárias. Também é importante conversar sobre os cuidados e restrições, caso existam, além de solicitar o exames e programar os retornos.

Existe consulta pós-parto?

Sim, após o parto geralmente são realizadas duas consultas. A primeira cerca de uma semana após o parto tem como objetivo verificar se a mãe está bem. Avaliar se consegue amamentar de maneira adequada, se não está tendo sangramentos ou alguma infecção. O aleitamento materno reduz em 13% a mortalidade até os cinco anos. Além disso evita diarreia e infecções respiratórias, diminui o risco de alergias, diabetes, colesterol alto e hipertensão. Leva a uma melhor nutrição e reduz a chance de obesidade.

Normalmente realizamos a segunda consulta 6 semanas após o parto. Não solicitamos novos exames nesse momento. Entretanto é importante discutir questões gerais de saúde da mulher e orientar com relação a algum método anticoncepcional.