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Nomeação sistemática de gestações gemelares ao ultrassom

ESTUDO QUE AVALIA A IMPORTÂNCIA DA EXISTÊNCIA DE UM MÉTODO PARA NOMEAÇÃO DOS GÊMEOS PARA SUA IDENTIFICAÇÃO, POSSIBILITANDO SEU SEGUIMENTO BIOMÉTRICO DURANTE O PRÉ-NATAL.

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Representação esquemática da nomenclatura mais utilizada (proximidade do gêmeo com o colo uterino). A posição do feto em relação ao colo pode mudar em cerca de 10% das vezes, entretanto a posição do saco gestacional (direita e esquerda) permanece inalterado.

Objetivo

A correta nomeação dos fetos gêmeos é necessária para a consistência na atribuição e interpretação do seguimento e resultado pré e pós-natal de triagem e diagnóstico. O objetivo deste estudo foi descrever um método padrão de nomeação dos fetos gêmeos no primeiro trimestre da gravidez e avaliar a sua consistência no seguimento dos gêmeos em exames posteriores e no parto.

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Durante o período perinatal também pode ocorrer mudança na posição dos gêmeos em relação ao canal cervical.

Métodos

Estudo retrospectivo realizado no primeiro trimestre de todas as gestações gemelares avaliadas por ultrassonografia no centro aonde foi realizado entre 2000 e 2010. O feto contido no saco gestacional mais próximo do colo materno foi designado como feto 1 e a orientação relativa dos fetos uns aos outros foi então definido como lateral (esquerda / direita) ou vertical (superior / inferior). Em gêmeos de sexos discordantes, o sexo e ordem apresentados na avaliação final antes do parto foram documentados e comparados com o sexo e ordem de nascimento no momento do parto.

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Nomenclatura proposta, utilizando relação entre os gêmeos (esquerda/direita e cranial/caudal).

Resultados

Um total de 416 gestações gemelares foram avaliadas durante o período do estudo. Na avaliação entre 11-14 semanas 90,9% dos gêmeos tiveram orientação lateral, enquanto o restante orientação vertical. Nenhum dos pares de gêmeos orientado verticalmente modificou sua ordem, mas 32 (8,5%) dos pares de gêmeos lateralmente orientados modificaram sua ordem entre a primeira e a última ecografia antes do parto. Foram avaliados 108 gêmeos com sexo discordante no terceiro trimestre, dos quais a ordem de nascimento foi alterada em 20,3% quando nascidos por cesariana e em 5,9% dos nascidos de parto vaginal.

Conclusão

O estudo demonstra que a nomeação pré-natal de gêmeos de acordo com a lateralidade ou orientação vertical é confiável. A técnica garante a continuidade da avaliação biométrica seriada e como tal deve ser adotada como o método preferencial de nomeação nas gestações gemelares. Além disso, o uso da orientação lateral e vertical para a nomeação pré-natal de gêmeos, em vez de atribuição de um número com base na proximidade com o colo do útero, impede qualquer equívoco sobre qual dos gêmeos vai nascer primeiro e garante que os pais e pediatras estejam cientes da probabilidade significativa de uma inversão durante o parto.

Veja também: Tipos de Gestações Gemelares e Momento Ideal do Parto em Gestações Gemelares

Momento Ideal para o Parto Planejado de Gestações Gemelares Monocoriônicas e Dicoriônicas Não Complicadas

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Objetivo

Determinar o momento ideal para o parto planejado de gestações gemelares monocoriônicas e dicoriônicas não complicadas.

Veja Também: Nomeação dos Gêmeos ao Ultrassom e Quais são os tipos de gestação gemelar.

Método

Gestações gemelares não selecionadas foram recrutadas para um estudo de coorte prospectivo (N = 1.028), que foi realizado em oito centros de referência terciária perinatal na Irlanda. A mortalidade perinatal e uma medida composta de morbidade perinatal (que incluiu dificuldade respiratória, enterocolite necrosante, encefalopatia hipóxica isquêmica, leucomalácia periventricular e/ou sepse) foram comparadas entre gemelares sem complicações que foram submetidos a parto pré-termo planejado, gêmeos monocoriônicos que continuaram no útero além de 34 semanas de gestação e gêmeos dicoriônicos que continuaram além de 36 semanas de gestação.

Resultados

Os resultados perinatais foram registrados em 100% dos 1.001 pares de gêmeos que completaram o estudo (n = 200 monocoriônicas e n = 801 dicoriônicas). A mortalidade perinatal global foi de 30 por 1.000 em gêmeos monocoriônicos e 3,8 por 1000 entre gêmeos dicoriônicos. O risco potencial de morte no útero foi de 1,5% após 34 semanas de gestação sem complicações para a gravidez monocoriônica e 0 (zero) entre gêmeos dicoriônicos após 33 semanas de gestação sem complicações. O risco relacionado à medida composta de morbidade perinatal para gêmeos não complicados monocoriônicos caiu de 41% (13/32 recém-nascidos, 06/03 entre partos eletivos) com 34 semanas e para 5% (4 / 84) com 37 semanas (P < .001). Entre gêmeos dicoriônicos, o risco de morbidade caiu de 4% (2 / 52) entre partos eletivos com 36 semanas para 1% (5 / 344) em gestações continuando até 38 semanas (P =. 231).

Conclusões

Aplicando uma estratégia de vigilância fetal, a morbidade perinatal pode ser minimizada, permitindo que gestações monocoriônicas não complicadas continuem até 37 semanas de gestação e os gestações gemelares dicoriônicas até as 38 semanas de gestação. Entre gêmeos monocoriônicos, esta abordagem deve ser equilibrada com um risco de 1,5% de morte intra-útero tardia (após 34 semanas).

Nível de Evidência: II
box_infoBreathnach, Fionnuala M. MD; McAuliffe, Fionnuala M. MD; Geary, Michael MD; Daly, Sean MD; Higgins, John R. MD; Dornan, James MD; Morrison, John J. MD; Burke, Gerard MRCOG; Higgins, Shane MRCOG; Dicker, Patrick PhD; Manning, Fiona PhD; Carroll, Stephen MD; Malone, Fergal D. MD; for the Perinatal Ireland Research Consortium Optimum Timing for Planned Delivery of Uncomplicated Monochorionic and Dichorionic Twin Pregnancies. Obstetrics & Gynecology. 2012 Jan;119(1):50-59.

Dados mostram que as definições ultrassonográficas de aborto podem não ser seguras

Definições ultrassonográficas de aborto podem não ser seguras

Uso do Ultrassom para Diagnosticar Abortamento

Traduzido por Dr. Rafael Frederico Bruns em 04 de Dezembro de 2011.
Jeve Y, Rana R, Bhide A, Thangaratinam S. Accuracy of first-trimester ultrasound in the diagnosis of early embryonic demise: a systematic review. Ultrasound Obstet Gynecol. 2011 Nov;38(5):489-96.

Objetivo

Este estudo pretende avaliar, por meio de revisão sistemática da literatura, a precisão do ultrassom no primeiro trimestre para o diagnóstico de óbito embrionário precoce.

Método

Pesquisa nas bases de dados MEDLINE (1951-2011), Embase (1980 – 2011) e na Biblioteca Cochrane (2010) para citações relevantes. As listas de referência de todos os artigos primários e de revisão foram analisadas. Restrições com relação a língua do artigo não foram aplicadas. Estudos que avaliaram a acurácia da ultrassonografia no primeiro trimestre em mulheres grávidas para o diagnóstico de óbito embrionário precoce foram selecionados em um processo de dois estágios e os dados extraídos por dois revisores. Medidas de acurácia, incluindo sensibilidade, especificidade e relação de probabilidade (LRs) para os resultados de exames normais e anormais foram calculados para cada estudo e para cada limite de teste.

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Resultados

Oito artigos primários, com quatro categorias de teste (18 tabelas 2 × 2), envolvendo 872 mulheres, avaliaram a acurácia da ultra-sonografia no diagnóstico de morte embrionária precoce. O limite inferior do IC 95% para a especificidade foi > 0,95 em apenas dois testes. Estes eram um saco gestacional vazio com diâmetro médio de ≥ 25mm e ausência de vesícula vitelina com um saco gestacional de diâmetro médio ≥ 20 mm (especificidade, 1,00, 95% CI, 0,96-1,00 para ambos).

Conclusões

Há uma escassez de dados prospectivos com de alta qualidade para fundamentar as diretrizes para o diagnóstico preciso de óbito embrionário na gravidez inicial. Os resultados são limitados pelo pequeno número de estudos e pacientes, a idade dos estudos, a inclusão de mulheres sintomáticas e assintomáticas e padrões de referência variável para o diagnóstico de óbito embrionário em gravidez inicial. Antes de diretrizes para a gestão segura de ameaça de aborto sejam formuladas, há uma necessidade urgente de um estudo usando a tecnologia atual de ultra-som, prospectivo e com dimensão adequada para determinar um padrão de referência para o diagnóstico de sucesso da gravidez ou perda.

Idade Gestacional da Cesárea Eletiva e Desfecho Perinatal

O sistema de saúde privada no Brasil possui um índice de cesáreas extremamente aumentado. Decidir qual é o momento mais oportuno para a realização da cesárea eletiva é um ponto de extrema importância para reduzir complicações advindas da prematuridade iatrogênica. O estudo em questão visa avaliar qual a melhor época para agendar uma cesárea eletiva.

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Título Original: Timing of Elective Repeat Cesarean Delivery at Term and Neonatal Outcomes Tital, ATN e col. for the Eunice Kennedy Shriver NICHD Maternal–Fetal Medicine Units Network
Aqueles que desejarem informações complementares devem consultar o artigo original, que tem acesso gratuíto e está publicado em:N Engl J Med. 2009 Jan 8;360(2):111-20.

Por causa do risco aumentado de complicações respiratórias, a cesárea eletiva não é recomendada antes de 39 semanas de gestação a não ser que exista evidência de maturidade pulmonar. O estudo em questão avalia a relação entre cesáreas eletivas realizadas no termo (acima de 37 semanas) mas antes da 39ª semana de gestação e complicações neonatais.
Foi realizado um estudo de coorte de pacientes consecutivas submetidas a cesáreas eletivas realizadas em 19 centros do Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development Maternal-Fetal Medicine Units Network entre 1999 e 2002. Mulheres com gestações únicas submetidas a cesariana (antes do trabalho de parto e sem nenhuma indicação para realização da cesárea antes de 39 semanas) foram incluídas. O desfecho avaliado foi o óbito perinatal e diversas complicações que incluem: complicações respiratórias, hipoglicemia, sepsis neonatal e internamento na UTI neonatal.

Das 24.077 cesáreas realizadas no termo, 13.258 foram feitas eletivamente. Destas 35,8% foram realizadas antes de 39 semanas completas de gravidez (6,3% com 37 semanas e 29,5% com 38 semanas) e 49,1% com 39 semanas. Um óbito neonatal ocorreu. Quando comparado com os nascimentos com 39 semanas, os nascimentos com 37 e 38 semanas foram associados com um risco aumentado para o desfecho desfavorável analisado (razão de chances de 2,1 para 37 semanas e 1,7 para 38 semanas, p menor que 0,001). As taxas de complicações respiratórias, necessidade de ventilação mecânica, sepsis neonatal, hipoglicemia, admissão na unidade de UTI neonatal e hospitalização por 5 dias ou mais foram aumentadas por um fator de 1,8 a 4,2 para nascimentos com 37 semanas e de 1,3 a 2,1 para nascimentos com 38 semanas.

Dessa forma, conclui-se que a realização de cesárea antes de 39 semanas de gestação é comum e está associada com complicações respiratórias e desfechos neonatais adversos.

Veja também: Vacina contra H1N1 pode ser administrada com seguranca em gestantes