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É normal urinar muito no início da gravidez?

Preciso fazer xixi o tempo inteiro! E não só você… essa é uma queixa comum nas gestantes, principalmente entre 9 e 16 semanas de gestação. Durante a gravidez o corpo da futura mamãe sofre uma série de alterações. Estas alterações tem como objetivo preparar o corpo da gestante para enfrentar toda as necessidades da gravidez.

Com relação ao aparelho urinário existe uma aumento considerável de fluxo sanguíneo para os rins. O hormônio hCG aumenta é responsável por esse aumento de fluxo tanto para os rins como para toda a pelve. Este aumento é de cerca de 35 a 60% quando comparado a uma mulher não grávida. Com todo esse fluxo maior de sangue os rins costumam produzir cerca de 25% mais de urina logo após a concepção. Este aumento de fluxo ocorre principalmente entre 9 e 16 semanas e depois estabiliza. O aumento da frequência urinária recebe o nome de polaciúria (independente da causa deste problema).

Além do aumento na produção de urina, a bexiga está em íntimo contato com o útero. A medida que o útero cresce ele acaba por comprimir a bexiga, fazendo com que a sensação de plenitude vesical (percepção da bexiga cheia) aconteça mais rapidamente.

Útero gravídico comprimento a bexiga, motivo pelo qual a vontade de urinar é frequente

Corte sagital do corpo feminino não grávido e grávido. Veja a relação de proximidade da bexiga com o útero.

No início do segundo trimestre a maioria das mulheres irá perceber uma melhora deste sintoma. Isso ocorre porque seu útero se eleva mais alto no abdômen e se afasta da bexiga. Mas não espere que esse alívio dure muito, pois esse sintoma provavelmente retornará no terceiro trimestre. O bebê desce um pouco mais na pelve (encaixa), o que pressiona sua bexiga novamente.

Como lidar com as constantes idas ao banheiro?

Não há uma maneira de contornar esse problema, ele deve melhorar progressivamente. Não tente reduzir a ingestão de líquidos pois isso pode deixar você desidratada. Durante a gravidez há uma maior necessidade de líquidos e a gestante deve tomar de 6 a 8 copos de água por dia, no mínimo.

Você pode reduzir o número de idas ao banheiro tentando evitar algumas bebidas que tenham efeito diurético, como café, chás e refrigerantes. Bebidas alcoólicas também devem ser evitadas na gravidez pois, independente da quantidade ingerida podem causar a síndrome alcoólica fetal.

Outra técnica que você pode utilizar é aumentar a ingesta de líquido durante o dia e reduzindo um pouco algumas horas antes de deitar. Isso talvez permita que você durma um pouco mais de tempo sem precisar acordar para ir ao banheiro.

Tomar muita água pode fazer urinar muito

Evitar de tomar muita água antes de deitar pode reduzir a necessidade de acordar a noite para ir ao banheiro.

Ir ao banheiro com frequência também ajuda. Não espere a vontade chegar. Não há um número padrão de quantas vezes você deve ir ao banheiro, mas você deve ir mais vezes do que está acostumada. Em uma mulher não gestante durante o dia o número de idas ao banheiro costuma ser de 6 a 8 vezes, então espere um número maior que esse de idas ao banheiro.

Estou grávida e vou muito ao banheiro, isso é normal?

Apesar da micção frequente ser um sintoma absolutamente normal da gravidez ele também pode estar associado a infecção urinária. Se além de fazer muito xixi você sente dor ou ardência ao urinar é muito importante que você procure um médico o quanto antes pois a infecção urinária pode desencadear um trabalho de parto prematuro. Se você tiver estes sintomas o seu médico possivelmente irá solicitar um exame de urina.

Urinar muito no fim da gravidez

Já no finzinho da gravidez também passa a ser comum urinar bastante pois o útero, agora bastante aumentado de volume, comprime a bexiga. Muitas vezes a compressão é tão grande que eventualmente a mamãe poderá até perder um pouco de urina.

Dispareunia: a dor na relação sexual aflige muitas mulheres

Chamamos de dispareunia a dor durante o ato sexual ou logo após a relação. Apesar desse nome pouco conhecido a dispareunia pode ocorrer em ambos os sexos. Entretanto é mais frequente nas mulheres, atingindo cerca de 20% da população feminina.

O que significa a dor durante a relação?

A dispareunia pode ser cauda por vários fatores físicos ou psicológicos. Como causas orgânicas podemos citar as infecções sexualmente transmissíveis, distúrbios hormonais, endometriose, diminuição da lubrificação. Além das causas orgânicas problemas psicológicos também podem ser a causa da dor durante o sexo.

A dor durante a relação sexual ou após dificulta o ato sexual e reduz a vontade de ter novas relações. Portanto a dor, coceira ou ardência pode ser um sinal de problema e é importante falar com seu ginecologista sobre isso. Não é normal sentir dor na hora da relação. Muitas vezes tão difícil quanto tratar a dispareunia é trazer esse assunto à tona durante a consulta ginecológica.

O que pode causar a dispareunia?

As causas da dispareunia são habitualmente divididas conforme o local aonde a dor ocorre, podendo ser superficial ou profunda. A dispareunia superficial (ou de entrada) é caracterizada pela dor no intróito vaginal. Por outro lado a dispareunia profunda é quando a dor ocorre no fundo da vaginal, sendo muito comum a endometriose.

Dispareunia Superficial e Profunda

Tipos de dispareunia conforme a sua localização.

As principais causas de dispareunia superficial incluem:

  • Falta de lubrificação
  • Trauma, machucados e irritação da pele
  • Vaginismo
  • Anomalias congênitas

Por outro lado as causas de dispareunia profunda comumente podem ser:

  • Doença inflamatória pélvica
  • Endometriose
  • Cistite
  • Cistos de ovário
  • Prolapso uterino
  • Síndrome do Intestino Irritável
  • Cirurgias prévias (como cesárea, histerectomía ou outras cirurgias pélvicas)

Fatores emocionais também podem estar relacionadas com a dor na relação sexual. A queixa de dor durante o sexo comumente se relaciona com estresse, depressão, ansiedade e um histórico de abuso sexual.

A gravidez pode causar dispareunia?

A sexualidade durante a gravidez pode ser um assunto repleto de mitos e inseguranças. Enquanto algumas mulheres experimentam um aumento na libido devido às alterações hormonais, outras podem se sentir menos interessadas em atividades sexuais. Vale lembrar que a relação sexual na gravidez, na maioria dos casos, é segura e não prejudica o bebê, desde que não haja complicações médicas que indiquem o contrário. Entretanto, é importante estar atenta a eventuais desconfortos. A dispareunia, ou dor durante o sexo, é uma queixa comum durante a gravidez. Ela pode ser causada por alterações hormonais que aumentam a sensibilidade dos tecidos vaginais, aumento do fluxo sanguíneo na região pélvica, infecções do trato urinário, e até mesmo pelo crescimento do útero. Sempre converse com seu médico sobre qualquer desconforto persistente durante o sexo.

Já no puerpério, período que se estende desde o fim do parto até o retorno do corpo da mulher ao estado pré-gravidez, cerca de 6 a 8 semanas após o parto, a retomada da vida sexual pode vir acompanhada de algumas dificuldades. A principal delas é a dispareunia, que pode ocorrer devido à cicatrização de episiotomias ou lacerações, alterações hormonais decorrentes do parto e da amamentação, além do cansaço e do estresse com a nova rotina. É essencial lembrar que cada mulher tem seu tempo para retomar as atividades sexuais, e é fundamental o diálogo com o parceiro ou parceira para que haja entendimento e paciência nesse período. Caso a dor durante o sexo persista, procure um profissional de saúde para uma orientação adequada. A sexualidade é uma parte importante da vida e, tanto na gravidez quanto no puerpério, merece ser vivida de maneira prazerosa e sem dor.

O que fazer para acabar com a dor durante a relação sexual?

Nós devemos direcionar o tratamento da dispareunia para a sua causa. Por isso uma consulta ginecológica é importante. Caso a causa seja a secura vaginal pode-se usar lubrificante ou em alguns casos a utilização de hormônios podem ajudar a resolver o problema. Devemos também tratar adequadamente as infecções vaginais para eliminar o germe que causa a infecção.

Em alguns casos é difícil de identificar uma causa orgânica e então os fatores psicológicos devem ser considerados. Nestes casos o tratamento envolve a educação sexual, apoio emocional e, às vezes, medicamentos.

 

Existe Teste de Gravidez Errado?

Menstruação atrasada para quem está tentando engravidar a ansiedade é grande. Uma ferramenta bastante utilizada para saber se “deu certo” são os teste de gravidez vendidos em farmácia. Algumas pessoas comentam que quando fizeram a primeira vez o teste de gravidez negativo. Entretanto ao repetir o teste o resultado deu positivo!

Embora eles sejam muito bons eles não são infalíveis. Eles usualmente detectam a presença de hormônio hCG para dizer se você está grávida ou não. Quem produz o hormônio hCG é a placenta (chamada de trofoblasto nas fases mais precoces). Portanto o resultado é positivo só depois que a placenta (trofoblasto) se fixa ao útero.  Mas será que você pode ser surpreendida por um teste de gravidez errado?

7 situações que podem provocar um teste de gravidez errado:

  1. Leitura errada do teste: preste atenção nas instruções. A aplicação do teste e a leitura devem ser feitas de acordo com a recomendação do fabricante. A aplicação ou leitura errada do teste podem causar um falso resultado.
  2. Você fez o teste muito cedo: apesar da maioria dos testes dar positivo já com um dia de atraso menstrual, em algumas situações o hCG pode ter níveis mais baixos e um teste muito precoce pode provocar um resultado negativo (falso negativo). Uma orientação boa é: nunca teste antes de atrasar a menstruação!
  3. Gravidez química: é possível que um teste de positivo mesmo enquanto você não está tecnicamente grávida. Isto é chamada de resultado falso positivo. Muitas vezes apesar de fertilizar o óvulo a implantação não ocorre de maneira adequada. A gravidez química é um teste positivo sem que a gravidez evolua adequadamente.
  4. Gravidez ectópica: a gravidez ectópica (fora do útero) produz níveis de hCG mais baixos que os produzidos em uma gravidez normal. Portanto o resultado do teste pode ser um falso negativo quando você tem uma gravidez ectópica.
  5. Aborto recente: se você teve uma gestação recente, mesmo tendo abortado, o hCG pode ficar positivo por algum tempo. Geralmente os níveis de hCG zeram em cerca de 30 dias, mas às vezes podem levar um pouco mais de tempo.
  6. Medicações: se você está fazendo um tratamento para gravidez pode estar utilizando hCG sintético e isso poderá provocar um teste falso positivo.
  7. Linha de evaporação: muitos testes de gravidez de farmácia possuem uma linha de controle e uma segunda linha de teste, que deve ficar parecida com a linha de controle para que o teste seja interpretado como positivo. Em algumas situações uma linha muito fraca, provocada pela evaporação da urina, pode ser confundida com um teste positivo.
Teste de Gravidez Errado - Linha de Evaporação

Diferença entre um teste fraco positivo (linha colorida fraca) e uma linha de evaporação (sem cor).

O que mais pode alterar o resultado do teste de gravidez?

Apesar dos exames de gravidez serem cada vez mais precisos, algumas (poucas) medicações podem alterar o resultado do teste. Um exemplo é se você estiver tomando altas doses de biotina. Além de alterar análises de tireoide, como TSH, T4 e T3, a biotina também pode modificar resultados de exames de hepatite, gravidez (Beta HCG), testosterona e vitamina D. 

Tem algum problema fazer o teste de gravidez tomando anticoncepcional?

Não há problema algum fazer o teste de gravidez enquanto você toma anticoncepcional. O anticoncepcional não interfere no resultado do exame e se você acha que pode estar grávida pois esqueceu de tomar o anticoncepcional ou tomou ele na época errada faça o teste!

Caso você esteja com dificuldades para usar o seu método anticoncepcional converse com seu ginecologista para que ele possa lhe oferecer outro método. Hoje existem diversos métodos diferentes no mercado.

Qual teste de gravidez é mais confiável?

Embora bastante confiável, alguns testes de farmácia não são tão precisos quanto o exame de sangue. Apesar de bastante acessíveis, rápidos e baratos os testes de farmácia ainda são superados pelos exames de sangue. O exame de sangue é muito mais confiável por não ter tantos interferentes como o teste de urina. 

Próximos passos

Se você fez um teste de gravidez e ele deu positivo, parabéns! Agende sua consulta de pré-natal o mais rápido possível para que você possa ter um acompanhamento médico. O pré-natal é muito importante e deve ser iniciado o quanto antes. Se você suspeita que fez um teste de gravidez e deu errado você também deve marcar uma consulta para discutir com o seu médico o que pode ter acontecido e quais testes deverão ser feitos para uma conclusão definitiva sobre o assunto.

O que você precisa saber sobre o Teste do Pezinho?

Teste do Pezinho um exame laboratorial gratuito e obrigatório realizado nos primeiros dias de vida de um recém-nascido. Na verdade o nome do teste é Teste de Guthrie em homenagem ao médico norte americano Robert Guthrie que desenvolveu a metodologia para o teste em 1962.

A idéia por trás do teste do pezinho é identificar precocemente algumas doenças que podem causar danos irreversíveis ao bebê durante o seu desenvolvimento. Deve ser realizado precocemente (antes dos sintomas aparecerem) para que um tratamento possa ser instituído evitando assim que danos irreversíveis aconteçam. O teste do pezinho é um exame que constata, antes mesmo do surgimento dos sintomas, doenças de origem metabólica, infecciosa e genética.

Robert Guthrie - Teste do Pezinho

Dr. Robert Guthrie, pai da Triagem Neonatal olhando para um bebê que foi beneficiado pelo teste em 1982.

Como é feito o teste do pezinho?

Um pouco antes da alta hospitalar, após o parto, algumas gotas de sangue são coletadas o calcanhar do bebê e colocadas num papel filtro. Esse papel filtro é enviado ao laboratório para que sejam realizados os devidos testes. Todos os recém-nascidos devem fazer o teste do pezinho. Qualquer pessoa pode ter um filho com doença rara, mesmo que não exista histórico familiar.

Quais doenças são detectadas no teste do pezinho?

É importante dizer que o teste do pezinho é um método de rastreamento. Portanto quem tiver um teste do pezinho alterado tem uma chance maior de apresentar a doença. Para a confirmação da doença exames específicos deverão ser realizados. As doenças habitualmente rastreadas são:

  • Deficiência de Biotinidase
  • Fenilcetonúria
  • Fibrose Cistica
  • Hemoglobinopatias
  • Hiperplasia Adrenal Congênita
  • Hipotireoidismo Congênito

Os pais terão a opção também o teste do pezinho ampliado e do teste do pezinho avançado. O primeiro é capaz de detectar cinco outras doenças e o segundo permite diagnosticar em torno de 45 doenças. O exame básico é gratuito e obrigatório por lei em todo o território nacional.

Além do teste do pezinho outros testes de triagem neonatal com o teste da Linguinha, Orelhinha, Coraçãozinho e Olhinho podem ser realizados.

Qual o prazo para fazer o teste do pezinho?

O teste do pezinho deve ser preferencialmente feito entre o 3º e o 7º dias de vida. Nesse período o teste tem maior sensibilidade e portanto terá melhor desempenho. Na impossibilidade de realizar o exame neste período ele pode ser realizado a partir de 48 horas de vida até 30 dias após o nascimento.

Geralmente o teste do pezinho é coletado na maternidade antes da alta do bebê. Se o teste do pezinho não foi coletado na maternidade você deve procurar o posto de saúde mais próximo o mais rápido possível para realizar o teste do pezinho.

Como consultar o teste do pezinho?

No Paraná a Fundação Ecumênica de Proteção ao Excepcional (FEPE) é o único serviço de referência em triagem neonatal credenciado ao Ministério da Saúde para execução do Programa Nacional de Triagem Neonatal.

Quando é feita a coleta do exame, a unidade coletora entrega o informativo (papel amarelo) aos pais Para a retirada pela internet do resultado basta seguir as seguintes etapas:

  1. Visite o site da FEPE (https://www.fepe.org.br/) e preencha os dados no ícone Teste do Pezinho:

a) DNV (Declaração de Nascido Vivo): é fornecida pela unidade coletora e está localizada na parte superior, lado esquerdo do informativo aos pais. Preencher somente os números. Este número também consta na Carteira de Vacina da Criança ou na Certidão de Nascimento. Se não localizar o número da DNV, colocar somente o número 0 (zero);

b) SENHA: a senha está localizada no Informativo aos Pais, parte superior, lado direito. Preencher somente os números;

c) NASCIMENTO: colocar a data de nascimento da criança (dois dígitos para o dia, dois dígitos para o mês e quatro dígitos para o ano). Não colocar barras, pois elas surgem automaticamente;

d) Clique em resultado para visualizar o laudo

e) O laudo visualizado fica disponível na internet por aproximadamente 90 dias, deve ser impresso ou salvo em arquivo de sua preferência.

Referências

  1. The Robert Guthrie Legacy Project
  2. Guthrie, R & Susi, A. A simple phenylalanine method for detecting phenylketonuria in large populations of newborn infants

O que é Vasa Prévia?

Vasa prévia é uma complicação bastante rara, mas grave, da gravidez. Na vasa prévia, alguns dos vasos sanguíneos do cordão umbilical fetal ficam muito perto  ou atravessam o orifício interno do colo uterino. Esses vasos estão entre as membranas, desprotegidos da geléia de Wharton. Dessa forma, existe o risco dos vasos se romperem quando a bolsa estourar.

Diagrama Vasa Prévia

Em termos de risco, 56% das vezes que a vasa prévia que não é diagnosticada no pré-natal resulta em natimortos.  Essa alta mortalidade é atribuída à rápida exsanguinação fetal resultante do rompimento dos vasos quando o colo do útero se dilata e as membranas rompem, rasgando assim os vasos sanguíneos. No entanto, quando a condição é detectada na gravidez, as chances de sobrevivência do feto aumentam para 97%.

Vasa Prévia - Foto

Imagem de placenta com inserção velamentosa do cordão. Observe que parte dos vasos do cordão estão inseridos nas membranas, sem a proteção da Geléia de Wharton.

Uma outra complicação que pode ocorrer quando a bolsa rompe é o prolapso de cordão. Diferente da vasa prévia, o prolapso de cordão umbilical ocorre num cordão que está normalmente inserido na placenta. Entretanto quando temos a prolapso de cordão ele sai do útero antes da apresentação fetal e acaba sendo comprimido pela parte do bebê que se apresenta no canal vaginal.

Como é feito o diagnóstico da Vasa Prévia?

A vasa prévia é assintomática. Ou seja, não existem sintomas específicos da vasa prévia. Entretanto, algumas situações devem alertar para a possibilidade desse problema. A principal situação associada com a vasa prévia é a placenta prévia.

Portanto, todos os sangramentos da segunda metade da gravidez devem fazer suspeitar da possibilidade de uma implantação anômala do cordão. O melhor método para diagnosticar a vasa prévia é o ultrassom transvaginal. No ultrassom transvaignal com Doppler é possível ver os vasos correndo sobre o orifício do colo uterino.

Vasa Prévia

Imagem de ultrassom de vasa prévia. O vaso do cordão passa sobre o orifício interno do colo uterino.

Quem corre risco de ter Vasa Prévia?

A vasa prévia pode ocorrer em qualquer gestação, entretanto em algumas situações sabemos que este risco é maior. As situações frequentemente associadas a Vasa Prévia são:

  • Placenta baixa (placenta prévia)
  • Gestações por fertilização in vitro
  • Gestações múltiplas
  • Cesárea anterior ou cirurgia uterina prévia
  • Placenta bilobulada ou sucenturiada

Como é feito o tratamento para Vasa Prévia?

Não existe tratamento específico para Vasa Prévia. Quando ela é diagnosticada no período pré-natal o objetivo do manejo é realizar o parto por cesárea ANTES do trabalho de parto ou da rotura das membranas. Portanto, se você tem o diagnóstico de vasa prévia possivelmente terá uma cesárea agendada por volta de 36 semanas de de gestação.

Referências

  1. Derbala, Y et al. Vasa Previa. J Prenat Med. 2007 1(1). https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3309346/
  2. International Vasa Previa Foundation. http://vasaprevia.com

Líquido Amniótico aumentado (polidrâmnio): o que fazer?

O líquido amniótico desempenha uma série de funções importantes para o feto. Além de proteger o bebê contra traumatismos ele permite o desenvolvimento muscular o feto. Da mesma forma participa do amadurecimento de alguns órgãos e sistemas! Em algumas vezes pode haver um desequilíbrio entre a sua produção e absorção, levando a um aumento (excesso) de líquido amniótico. Isto é chamado tecnicamente de polidrâmnio.

O que causa excesso de líquido amniótico?

Existem diversas causas para o aumento de líquido amniótico ou polidrâmnio. Algumas delas são:

Em muitos casos não é possível identificar a causa do aumento de líquido. Se esse aumento não for muito significativo e nenhuma causa for encontrada é provável que não exista nada de errado com o seu bebê.

Como o médico sabe que o líquido está aumentado?

Seu obstetra pode desconfiar do aumento de líquido medindo a altura uterina. Quando o útero é maior do que o esperado isso pode ser uma manifestação do excesso de líquido. Outras vezes isso de deve ao tamanho do bebê ou algum mioma. Por isso sempre que o médico desconfiar que a altura uterina é muito grande ele pedirá um exame de ultrassom.

No ultrassom é possível avaliar a quantidade de líquido. Para isso usamos o Índice de Líquido Amniótico. Este índice é uma maneira semi-quantitativa de estimarmos a quantidade de líquido na cavidade uterina.

Existe tratamento para o polidrâmnio?

Na maioria dos casos o aumento de líquido não é muito significativo e nestes casos não há tratamento específico. Por outro lado, quando uma causa identificável, o tratamento será direcionado para a etiologia do polidrâmnio, por exemplo nos casos de transfusão feto-feto.

Às vezes o aumento é extremamente grande. Nesse sentido, isto pode  provocar dificuldade respiratória na mãe indicando-se então fazer um procedimento chamado amniodrenagem. A amniodrenagem é um procedimento semelhante a amniocentese. Ou seja, o médico irá introduzir uma agulha na cavidade amniótica e o líquido amniótico é  então retirado.

amniocentese amniodrenagem em casos de polidrâmnio

Este tratamento no entanto é paliativo e não tem efeito muito duradouro. O feto troca todo o líquido amniótico da cavidade uterina em 24 a 48 horas. Ou seja, se você tirar 1 ou 2 litros de líquido hoje o efeito de “melhora” irá durar apenas um a dois dias.

Algumas medicações também podem ser usadas para reduzir o volume de líquido como a indometacina. A indometacina é um anti-inflamatório que possui como um dos efeitos “colaterais” reduzir a diurese do feto. Esse efeito pode diminuir o volume de líquido amniótico. Entretanto esta droga tem outros efeitos colaterais. A indometacina pode provocar o fechamento do ducto arterioso e por isso é usada com muita restrição durante a gravidez.

O que é ciclo anovulatório?

O ciclo menstrual normal é caracterizado pela liberação de um folículo ovariano que quando fertilizado resulta em gravidez. Em algumas mulheres o ciclo menstrual pode ocorrer sem que se tenha ovulação. Essa situação é chamada de ciclo anovulatório ou anovulação.

O corpo humano não é uma máquina perfeita. Apesar da expectativa de que em cada ciclo menstrual um óvulo seja liberado, eventualmente em um ciclo ou outro isso pode não acontecer. E isso não é nada de anormal. O problema é quando na maioria dos ciclos não ocorre a liberação do folículo, dificultando a ocorrência de gestação. 

ciclo anovulatório

É importante saber que as meninas que menstruaram recentemente podem ter ciclos anovulatórios. Para se ter uma idéia cerca de 50% dos ciclos nos dois primeiros anos após a menstruação são anovulatórios. Por isso é relativamente comum que estes ciclos não sejam regulares.

Quais são os sintomas da falta de ovulação?

O sintoma mais comum da anovulação é a irregularidade menstrual. Geralmente ciclos muito irregulares ou longos estão associados a anovulação. Eventualmente até a falta de menstruação (amenorréia) pode acontecer.

Além disso, como a principal causa de ciclo anovulatório são as alterações hormonais, situações que podem causar um desequilíbrio hormonal também podem estar associadas a anovulação. Alguns exemplos são:

  • Extremos do peso corporal (muito baixo ou muito alto);
  • Exercícios físicos muito extremos;
  • Desnutrição;
  • Períodos da vida de muito estresse

É possível ovular em ciclos muito curtos ou longos?

Sim, a ovulação pode ocorrer em ciclos curtos ou longos. Além disso mesmo quem tem ciclos anovulatórios pode, eventualmente, ter um ciclo ovulatório. Por isso, se alguma vez você foi diagnosticada com ciclos anovulatórios, isso não significa que você não possa engravidar. Talvez com um pouco de ajuda e com uma orientação sobre o seu período fértil você já possa engravidar.

O que pode impedir a ovulação?

Geralmente o que causa a anovulação são desequilíbrios hormonais que podem ter diferentes etiologias. As causas mais comuns para estes desequilíbrios hormonais são:

  • Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)
  • As alterações na função da glândula tireóide, tanto o hipotireoidismo com o hipertireoidismo
  • Pessoas com muito baixo peso ou obesidade
  • Tumores na glândula chamada hipófise que secretam um hormônio chamado prolactina

Ciclos anovulatório podem ser uma causa de infertilidade. Se você acredita que pode estar tendo ciclos anovulatórios é importante que consulte seu médico de confiança para uma avaliação clínica detalhada.

Quem tem ciclo anovulatório pode engravidar?

Sim, claro. Talvez seja necessária alguma ajuda mas você tem chance de engravidar sim. É importante procurar o seu médico de confiança para poder discutir esse assunto com mais detalhes.

Como se trata a anovulação crônica?

O seu médico precisará fazer alguns exames de sangue para saber como estão os seus hormônios e eventualmente algum exame de imagem como o controle de ovulação por ultrassom. Caso algum problema seja identificado o tratamento inicial é voltado para a correção do problema específico.

Se nenhum problema for encontrado e você quiser engravidar o seu médico poderá utilizar alguma medicação para ajudar o seu ovário a ovular.

Grávida menstrua? Mito ou Verdade?

Todo mundo já escutou algum comentário sobre estar grávida e menstruar certo? Comentários desse tipo são tão comuns que até programas de TV já foram feitos sobre o tema. Esse é o caso do programa I Didn´t Know I Was Pregnant transmitido pela Discovery Fit & Health and TLC.

 

É possível estar grávida e ter menstruado normalmente?

De uma maneira muito simples a reposta é não. Depois que a mulher engravida no seu período fértil ela não menstrua mais.Em algumas situações a mulher pode ter sangramentos na gestação que são confundidos com a menstruação. Isso ocorre mais comumente nos primeiros meses de gravidez e recebe o nome de gravidez silenciosa.

Entretanto, quando uma mulher em idade fértil inicia um ciclo ovulatório, um hormônio chamado estrogênio faz com que a camada mais interna do útero (chamada endométrio) prolifere, ficando mais espessada. Caso a fecundação não ocorra naquele ciclo o endométrio descama, ocorrendo assim o que conhecemos como sangramento menstrual.

 

Essa descamação e sangramento coincidem com uma queda no nível sanguíneo de progesterona. A progesterona é produzida por alguns dias pelo corpo lúteo (ou corpo amarelo). O corpo lúteo é a “cicatriz” que fica no ovário após a menstruação. Alguns dias depois da ovulação o corpo lúteo se degenera, tornando-se o corpo albicans e cessando a produção da progesterona.

Quando uma mulher durante o ciclo menstrual engravida, o trofoblasto (uma das camadas do embrião em formação) produz a progesterona. As células do trofoblasto irão formar a placenta que será responsável por manter os níveis de progesterona altos. Como durante a gravidez não ocorre a redução nos níveis de progesterona o endométrio não descama e consequentemente grávida não menstrua.

O que pode causar menstruação na gravidez?

Como explicamos acima, a menstruação não ocorre durante a gravidez. Portanto o mais correto seria chamarmos de sangramento na gravidez e não de menstruação. Existem diversas causas de sangramento na gravidez, basicamente elas são dividades nas causas da primeira e da segunda metade da gravidez.

As causas da primeira metade da gravidez são a ameaça de aborto ou aborto, a gravidez ectópica e a doença trofoblástica gestacional (também conhecida como mola hidatiforme).

A causa mais comum de sangramento na primeira metade da gestação é a ameaça de aborto, provocada por um descolamento do saco gestacional. Outra causa de sangramento pode ser uma gravidez anembrionária.

Já as causas da segunda metade da gravidez são a placenta prévia, o descolamento prematuro de placenta, a rotura uterina, a rotura de vasa prévia e a rotura de seio marginal.

Existem ainda outras causas de sangramento como o sangramento de implantação. Este sangramento ocorre no momento em que o óvulo fecundado implanta no endométrio. É bastante incomum mas pode ocorrer. Ocorre cerca de uma semana após a fecundação e é pouco volumoso.

Também devemos considerar que alguns dos sangramentos que ocorrem na gravidez tem origem não obstétrica, como miomas, lesões do colo uterino ou da vagina, pólipos, etc.

Pouco líquido amniótico (oligodrâmnio), o que fazer?

O líquido amniótico faz parte de todo um sistema que dá suporte ao feto em desenvolvimento. Ele protege o bebê e ajuda o desenvolvimento muscular e respiratório. Além disso também ajuda os pulmões e o trato gastrointestinal a amadurecer. O nome técnico para pouco líquido amniótico na bolsa é oligodrâmnio (algumas pessoas preferem oligoâmnio ou mesmo oligohidrâmnio – mas todos estes termos querem dizer a mesma coisa).

Qual a causa do pouco líquido na bolsa?

O oligodrâmnio pode ter várias causas distintas. A causa mais comum é a rotura da bolsa amniótica. Quando a bolsa rompe é como um balão furado, mesmo que mais líquido seja produzido ele escoa pelo buraco na bolsa. Dessa forma a quantidade de líquido dentro da bolsa dica diminuída. Outras causas para a redução no volume de líquido podem ser:

  • Desidratação, que reduz a quantidade de líquidos em todo o corpo da mulher;
  • Alterações na placenta que prejudicam a nutrição do bebê e provocam uma redução na produção de urina;
  • Malformações renais que impedem a produção de urina;
  • Síndrome da transfusão feto-fetal no caso de gravidez de gêmeos não-idênticos em que um dos bebês recebe menos sangue do que outro e se desenvolve menos, produzindo menos urina e, consequentemente, menos líquido amniótico;
  • Alguns medicamentos anti-hipertensivos e anti-inflamatórios também diminuem a produção de líquido amniótico.

Oligodrâmnio - pouco líquido amniótico

Como identificar a perda de líquido amniótico?

Caso tenha ocorrido a rotura da bolsa amniótica, o sintoma mais comum é a perda de líquido pela vagina. A calcinha fica o tempo inteiro umedecida. O líquido amniótico é transparente e tem cheiro bem característico de água sanitária. Então é relativamente fácil de identificar se a bolsa rompeu pelas características do líquido.

Caro o motivo do pouco líquido não seja a rotura das membranas, o diagnóstico pode ser um pouco mais difícil. Seu médico pode suspeitar do pouco líquido pela altura uterina, mas o diagnóstico definitivo será dado apenas pelo ultrassom.

Como o oligodrâmnio é diagnosticado?

O diagnóstico definitivo da redução de líquido amniótico poderá ser feito pelo ultrassom. Apesar de não ser um método perfeito ele é a melhor forma disponível no momento para avaliar a quantidade de líquido amniótico dentro da bolsa. Para avaliação do volume de líquido o seu médico irá medir o Índice de Líquido Amniótico que é uma maneira semi-quantitativa para determinar a quantidade de líquido. Os limites de normalidade deste índice geralmente estão entre 80 e 240 mm. Eventualmente o bebê pode se mexer menos quando há pouco líquido amniótico.

O que fazer se estou com pouco líquido na bolsa?

Não existe um tratamento específico para o pouco líquido. Seu médico pode recomendar uma boa ingesta de líquidos e repouso, mas não existe uma evidência clara de que isso possa aumentar o volume de líquido amniótico. Certamente os esforços serão feitos no sentido de identificar se existe algum problema causando essa redução de líquido. Se nada for encontrado e você tiver uma redução pequena do líquido amniótico é muito provável que sua gestação transcorre sem maiores complicações.

Referências

  1. Diagnóstico do Oligoâmnio pela Ultra-Sonografia: Uso de Diferentes Medidas do Maior Bolsão Comparadas ao ILA
  2. What Does Low Amniotic Fluid Really Mean

Cordão Umbilical: de onde vem, pra onde vai e pra que serve?

Olá, futuras mamães! Hoje, vamos conversar sobre um aspecto incrível da maternidade que muitas vezes passa despercebido, mas desempenha um papel crucial no desenvolvimento do seu bebê – o cordão umbilical. O cordão umbilical é uma estrutura que começa a se formar logo após a fecundação, por volta da quinta semana de gestação. Trata-se de uma espécie de tubo, que contém habitualmente duas artérias e uma veia. Esse cordão serve como um canal de comunicação entre você e seu pequeno durante a gravidez, ligando o feto à placenta, tendo aproximadamente 50 a 70 cm de comprimento. Esse comprimento permite que o bebê se mova livremente dentro do útero.

 

Qual é a função do cordão umbilical?

A função principal do cordão umbilical é fornecer ao feto tudo o que ele precisa para crescer e se desenvolver adequadamente. Ele transporta oxigênio e nutrientes ricos em sangue da placenta para o feto. Em sentido inverso, o cordão umbilical também transporta os resíduos metabólicos e dióxido de carbono do feto para a placenta, de onde são eliminados para o sangue materno.

A troca de substâncias acontece de maneira incrível, pois mesmo que o sangue do bebê e da mãe circulem por esta estrutura, eles não se misturam diretamente, graças a uma barreira que existe na placenta.

Cordão Umbilical

Cordão umbilical ligando o feto a placenta.

Na figura acima podemos observar os vasos do cordão umbilical (em azul as artérias e em vermelho a veia). As artérias levam sangue rico em gás carbônico (CO2) e a veia traz o sangue oxigenado (O2). Devido a sua grande importância, esses vasos sanguíneos são protegidos por uma substância pegajosa chamada geléia de Wharton, que por sua vez é coberta por uma camada de membrana chamada âmnion.

Em alguns bebês o cordão umbilical pode ter apenas 2 vasos (uma artéria e uma veia). Essa condição é chamada de artéria umbilical única e na maioria das vezes não tem nenhuma implicação para a gestação.

Existe também o mito de que o cordão enrolado no pescoço do bebê poderia trazer algum problema. Isto não passa de um mito, como você pode ver em nosso post: O Bebê está com o Cordão Enrolado no Pescoço? Não tem Problema!

Aonde está ligado o cordão umbilical na mãe?

O cordão umbilical não se conecta diretamente com a mãe. O cordão umbilical ‘vai’ para a placenta, um órgão temporário que o corpo da mãe desenvolve especificamente para a gravidez. Esta placenta é uma verdadeira usina de trabalho. Ela produz hormônios para sustentar a gravidez, serve como os pulmões, rins e sistema digestivo do feto, e fornece nutrientes e oxigênio para o bebê, além de eliminar os resíduos que ele produz. Portanto não existe ligação direita do cordão na mãe, o que se conecta na mãe é a placenta.

 

Feto no útero materno ligando placenta e cordão umbilical.

Observe que a placenta está ligada ao útero e o cordão liga o bebê a placenta.

 

E o que tem por atrás do nosso umbigo?

O umbigo é a cicatriz que fica após a queda do coto do cordão umbilical. Durante a vida fetal os vasos do cordão continuam por dentro do nosso corpo, mas após o nascimento eles perdem a função e tornam-se um ligamento fibroso. Às vezes algumas gestantes podem ter “dor no umbigo” quando o útero cresce e traciona este ligamento.

O que acontece com o cordão depois do parto?

Logo após o nascimento, o cordão umbilical é clampeado e cortado. Isso não causa dor no bebê, pois o cordão umbilical não possui terminações nervosas. A pequena parte que fica no bebê secará e cairá após uma ou duas semanas, deixando o umbigo como conhecemos.

O cordão umbilical tem um papel incrivelmente importante na gravidez, e é uma das primeiras ligações físicas entre você e seu bebê. Ele é essencial para o desenvolvimento saudável do feto e serve como um sistema de suporte vital enquanto seu pequeno se prepara para nascer. Por isso, é fundamental cuidar bem de sua saúde durante a gravidez, garantindo que seu bebê receba todos os nutrientes e oxigênio necessários.