Artigos com as tags: prematuridade

Prematuridade financeiramente assistida e garantida por lei

Escrito por Cristiane S. Fernandes Heusi em 10 de Setembro de 2011. Postado em Pacientes

No último dia 17 de agosto, o Senado aprovou um projeto de lei que beneficia as famílias de bebês prematuros. O projeto da ex-senadora Marisa Serrano, amplia o prazo de recebimento do salário-maternidade de 120 para 180 dias.

Bebê PrematuroAs mães de bebês prematuros extremos, como são chamados os recém nascidos que apresentam necessidades de cuidados médico-hospitalares redobradas, terão a partir de então, um suporte financeiro por um maior período de tempo enquanto acompanham e cuidam de seus filhos. 

As mães receberão o auxílio-maternidade de forma diferenciada pelo período estabelecido regularmente por lei e pelo prazo que for necessário (dentro do teto de 180 dias) para que seu filho apresente condições de receber alta médica e ser cuidado em casa. Os detalhes serão definidos após a aprovação efetiva da Lei.

Atualmente, o auxílio-maternidade é de 120 dias podendo ser estendido para 180 dias por opção da mãe nas empresas cadastradas no programa “Empresa Cidadã”, assim como para servidoras públicas cujas carreiras possuam legislação a esse respeito. 

O projeto precisa agora ser sancionado pela presidência da república para ser aplicado em todo o país. 

Bebês prematuros necessitam da dedicação dos profissionais de saúde e principalmente do carinho e amor que só os pais podem lhes dar. A humanização nas UTIs neonatais aponta para os ganhos na recuperação desses pacientes. 

Hoje, as mães que precisam retornar às suas atividades profissionais ao término da licença-maternidade, em muitos casos deixam os seus bebês ainda não em condições de alta médica. Essa situação é extremamente estressante para a mulher e para a família, levando, em muitos casos, a pedidos de rescisão de contratos de trabalho que acarretam perdas financeiras importantes. 

Em entrevista à Revista Crescer, o relator do projeto, senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que essa conquista foi importante tanto para as mães quanto para a juventude brasileira, afinal, "a criança de hoje é o jovem de amanhã". Ele explicou que, com a nova lei, as mães de prematuros vão ter garantido o tempo que for necessário para que o bebê se desenvolva antes que elas voltem ao trabalho.

Podemos Reduzir a Incidência de Parto Prematuro

Escrito por Dra. Camila Fernanda de Oliveira Gomes em 03 de Agosto de 2011. Postado em Artigos Médicos

parto-prematuroEm mulheres com colo curto ao ultrassom no segundo trimestre (medida entre 10 e 20mm), o gel vaginal de progesterona está associado a uma diminuição de 45% na taxa de nascimentos prematuros antes das 33 semanas de gestação e melhores resultados neonatais, de acordo com os resultados de um estudo multicêntrico, randomizado, duplo -cego, controlado com placebo publicado no Ultrasound in Obstetrics and Gynecology em abril de 2011.

O estudo teve como objetvo determinar a eficácia e segurança do uso de progesterona micronizada em gel vaginal na redução do risco de parto prematuro e complicações neonatais associadas em mulheres com colo curto ao ultrassom.

Foi realizado um estudo multicêntrico, randomizado, duplo-cego e placebo controlado envolvendo mulheres assintomáticas em gestações únicas com colo curto ao ultrassom (10 a 20mm) medido por via transvaginal com 19 + 0 a 23 + 6 semanas de gestação. As gestantes foram randomizadas em dois grupos, um recebendo placebo e outro progesterona micronizada em gel vaginal diariamente de 20 a 23 +6 semans até 36 + 6 semanas, ruptura de membranas ou parto.

Mulheres assintomáticas (n = 465) com uma gravidez única e um comprimento cervical de 10 a 20 mm medidos por ultrassom entre 19 a 23 semanas e 6 dias foram selecionadas aleatoriamente para receber gel vaginal de progesterona diário ou placebo. A seqüência de randomização foi estratificada por centro e pela história de nascimento prematuro anterior. A medida foi repetida até 36 semanas e 6 dias, ruptura de membranas ou parto, o que ocorresse primeiro.  Das 465 gestantes selecionadas para o estudo, sete perderam o seguimento e 458 foram incluidas na análise (235 randomizadas para o uso de gel de progesterona e 223 para placebo). Comparando com o grupo placebo, as gestantes do grupo progesterona vaginal tiveram uma menor taxa de parto prematuro antes de 33 semanas (8,9% [n = 21] vs 16,1% [n = 36]. As taxas de parto prematuro antes de 28 semanas e 35 semanas também diminuiram significativamente com progesterona vaginal (5,1% vs 10,3%). O grupo progesterona vaginal também obteve melhores resultados do que o grupo placebo nas complicações perinatais, com taxas mais baixas de síndrome do desconforto respiratório (3,0% vs 7,6%), qualquer morbidade neonatal ou evento de mortalidade ( 7,7% vs 13,5%) e peso de nascimento inferior a 1.500 g (6,4% [15/234] versus 13,6% [30/220). Os grupos não diferiram significativamente na incidência de efeitos colaterias.

O estudo concluiu que a administração de progesterona vaginal em gel para mulheres com colo curto ao ultrassom no segundo trimestre está associada com redução de 45% do risco de parto prematuro antes das 33 semanas de gestaçãoe complicações neonatais relacionadas a prematuridade.

Calculadora de Idade Gestacional

Escrito por Dr. Rafael Frederico Bruns em 30 de Julho de 2011. Postado em Calculadoras

Utilize a nossa calculadora de idade gestacional para calcular o tempo de gestação. Você poderá usar a data da última menstruação, a data provável do parto ou as informações de algum exame de ultrassonografia.

Leia as instruções antes de utilizar a calculadora. Quando você descobrir a sua idade gestacional, visite a página Gravidez Semana a Semana e descubra o que está acontecendo na sua gestação.
 
 
Agora que você descobriu a sua idade gestacional, descubra o que está acontecendo com o seu bebê e com o seu corpo nessa semana: Gravidez Semana a Semana.

Instruções

Se você não entende como é calculada a idade gestacional, leia antes este artigo. Para calcular a idade gestacional você deverá entrar pelo menos um dos seguintes parêmetros (também poderão ser utilizados ao mesmo tempo mais de um parâmetro). As datas deverão ser digitadas no formato dd/mm/aaaa:

  • Data da última menstruação (DUM): coloque aqui o primeiro dia da última menstruação conhecida. Neste caso a idade gestacional é calculada pressupondo que a concepção ocorreu cerca de 14 dias após o início da menstruação (o que é válido para a grande maioria das gestantes).
  • Data provável do parto (DPP): caso você tenha uma data provável do parto (estimada por um exame de ultrassom), coloque esta data aqui. Preferencialmente deve-se utilizar o PRIMEIRO exame de ultrassom realizado na gestação pois quanto mais precoce o exame, menor é a margem de erro.
  • Data de um exame anterior: se você não sabe qual é a última menstruação nem a data provável do parto, poderá utilizar os dados obtidos em um exame anterior. Neste caso você precisará entrar com 2 dados: a data em que foi realizado o exame e a idade gestacional que foi estimada naquela data. Novamente deve-se utilizar o PRIMEIRO exame realizado na gestação, devido à menor margem de erro nos exames precoces.

Se você tem dúvidas sobre como é calculada a idade gestacional, leia também este artigo sobre idade gestacional e duração da gestação.

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Calculadora do Escore de New Ballard

Escrito por Dr. Rafael Frederico Bruns em 30 de Julho de 2011. Postado em Calculadoras

Em neonatologia, o teste de Ballard é uma técnica clínica comumente utilizada para o cálculo indireto da idade gestacional de um recém-nascido. O teste atribui um valor a cada critério do exame, a soma total é então usada para inferir a idade gestacional do bebê. Os critérios são divididos neurológicos e físicos e a soma dos critérios permite estimar idades entre 26 e 44 semanas de gestação. O escore de New Ballard acrescenta alguns critérios para estimar idades gestacionais a partir de 20 semanas.

Utilize as tabelas abaixo para assinalar os sinais observados durante o exame físico. Após completar a tabela veja o resultado no fim da página.

 

SINAL ESCORE DE MATURIDADE NEUROMUSCULAR ESCORE
-1 0 1 2 3 4 5
Postura   posture

posture

posture

posture

posture

 

Janela Quadrada

(punho)

square window

square window

square window

square window

square window

square window

Flexão do Braço  

Ângulo Poplíteo

Sinal Cachecol

 
Calcanhar-Orelha

   
SINAL ESCORE DE MATURIDADE FÍSICA ESCORE
-1 0 1 2 3 4 5
Pele Pegajosa, friável, transparente

gelatinosa, vermelha, translucente

rosada, veias visíveis

descamação superficial ou eritema, poucas veias

estilhaçada, zonas pálidas, raras veias

descamação profunda, vasos não evidentes

endurecida, com sulcos, enrrugada


Lanugo
ausente

esparso

abundante

pouco espesso

zonas carecas

quase ausente

 
Sulcos Plantares
40-50mm: -1 <40mm: -2

>50 mm
sem marcas

marcas tênues

marcas na superfície anterior

marcas nos 2/3 anteriores

marcas cobrem toda superfície plantar

Mama imperceptíveis

pouco perceptíveis

aréola plana, sem mamilo

aréola pontilhada, mamilo de
1-2 mm

aréola proeminente, mamilo de
3-4 mm

aréola formada, mamilo de
5-10 mm

Olhos e Orelhas pálpebras fundidas
frouxa: -1
forte: -2

pápebras abertas
pavilhão plano
permanece dobrado

pavilhão parcial/ recurvado; mole; recolhimento lento

pavilhão completa/ encurvado, mole, com recolhimento rápido

pavilhão completa/ encurvado, firme, comrecolhimento rápido

cartilagem grossa e orelha fina

Genital (Masculino) escroto plano, liso

escroto vaziu,
pregas superficiais

testículos no canal superior,
raras pregas

testículos a descer,
poucas pregas

testículos na bolsa,
pregas evidentes

testículos pendulares,
pregas profundas

Genital (Feminino) clitoris
proeminente e labios planos

clitóris proeminente & lábios menores pequenos

clitóris proeminente e lábios menores evidentes

lábios menores e maiores

igualmente proeminentes

 

grandes lábios

maiores
 

grandes lábios cobrem clitóris e pequenos lábios

 

ESCORE TOTAL SEMANAS
-10 20
-5 22
0 24
5 26
10 28
15 30
20 32
25 34
30 36
35 38
40 40
45 42
50 44

TOTAL NEUROMUSCULAR

TOTAL FÍSICO

TOTAL
SEMANAS

 

Veja Também:

Progesterona e o Risco de Parto Prematuro em Mulheres com Colo Uterino Curto

Escrito por Dr. Rafael Frederico Bruns em 28 de Julho de 2011. Postado em Artigos Médicos

A controvérsia sobre o uso da progesterona na prevenção do trabalho de parto prematuro parece estar novamente em pauta. Um estudo conduzido pelo Dr. Eduardo Fonseca demonstrou uma redução no número de partos prematuros abaixo de 34 semanas quando a progesterona é utilizada em pacientes com risco aumentado devido ao encurtamento cervical.

Introdução

Estudos randomizados anteriores mostraram que a administração de progesterona em mulheres que tiveram partos prematuros reduz o risco de um novo parto prematuro. As mulheres assintomáticas no segundo trimestre quando tem colo uterino curto tem risco extremamente aumentado para um novo parto prematuro espontâneo, e se desconhece se a progesterona reduz este risco em tais mulheres.

Métodos

O comprimento cervical foi medido por ultrassonografia transvaginal em por volta da 22ª. semana da gestação (de 20 a 25 semanas) em 24.620 mulheres grávidas que faziam pré-natal de rotina. O comprimento cervical era de 15 milímetros ou menos em 413 das mulheres (1.7%), e 250 (60.5%) destas 413 mulheres foram escolhidas aleatoriamente para receber a progesterona vaginal (200 mg cada noite) ou placebo de 24 a 34 semanas da gestação. O desfecho avaliado foi o parto prematuro antes de 34 semanas.

Resultados

O parto prematuro espontâneo antes de 34 semanas da gestação foi menos freqüente no grupo da progesterona do que no grupo do placebo (19.2% vs 34.4%; risco relativo, 0.56; intervalo de confiança de 95% [CI], 0.36 a 0.86). A progesterona foi associada com uma redução não significante na morbidade neonatal (8.1% vs 13.8%; risco relativo, 0.59; CI de 95%, 0.26 a 1.25; P=0.17). Não houve nenhum evento adverso grave associado com o uso da progesterona.

Conclusão

Nas mulheres com um colo uterino curto, o tratamento com progesterona reduz a taxa de parto prematuro espontâneo.

Título Original: Progesterone and the Risk of Preterm Birth among Women with a Short Cervix

Fonseca EB, Celik E, Parra M, Singh M, Nicolaides KH; Fetal Medicine Foundation Second Trimester Screening Group.

Harris Birthright Research Centre for Fetal Medicine, King's College Hospital, London, United Kingdom.

Observação: Esta é uma tradução livre, realizada com o objetivo de simplificar a leitura pelo usuário. Aqueles que desejarem informações complementares devem consultar o artigo original, que tem acesso gratuíto e está publicado em: N Engl J Med. 2007 Aug 2;357(5):462-9.