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Podemos Reduzir a Incidência de Parto Prematuro

Escrito por Dra. Camila Fernanda de Oliveira Gomes em 03 de Agosto de 2011. Postado em Artigos Médicos

parto-prematuroEm mulheres com colo curto ao ultrassom no segundo trimestre (medida entre 10 e 20mm), o gel vaginal de progesterona está associado a uma diminuição de 45% na taxa de nascimentos prematuros antes das 33 semanas de gestação e melhores resultados neonatais, de acordo com os resultados de um estudo multicêntrico, randomizado, duplo -cego, controlado com placebo publicado no Ultrasound in Obstetrics and Gynecology em abril de 2011.

O estudo teve como objetvo determinar a eficácia e segurança do uso de progesterona micronizada em gel vaginal na redução do risco de parto prematuro e complicações neonatais associadas em mulheres com colo curto ao ultrassom.

Foi realizado um estudo multicêntrico, randomizado, duplo-cego e placebo controlado envolvendo mulheres assintomáticas em gestações únicas com colo curto ao ultrassom (10 a 20mm) medido por via transvaginal com 19 + 0 a 23 + 6 semanas de gestação. As gestantes foram randomizadas em dois grupos, um recebendo placebo e outro progesterona micronizada em gel vaginal diariamente de 20 a 23 +6 semans até 36 + 6 semanas, ruptura de membranas ou parto.

Mulheres assintomáticas (n = 465) com uma gravidez única e um comprimento cervical de 10 a 20 mm medidos por ultrassom entre 19 a 23 semanas e 6 dias foram selecionadas aleatoriamente para receber gel vaginal de progesterona diário ou placebo. A seqüência de randomização foi estratificada por centro e pela história de nascimento prematuro anterior. A medida foi repetida até 36 semanas e 6 dias, ruptura de membranas ou parto, o que ocorresse primeiro.  Das 465 gestantes selecionadas para o estudo, sete perderam o seguimento e 458 foram incluidas na análise (235 randomizadas para o uso de gel de progesterona e 223 para placebo). Comparando com o grupo placebo, as gestantes do grupo progesterona vaginal tiveram uma menor taxa de parto prematuro antes de 33 semanas (8,9% [n = 21] vs 16,1% [n = 36]. As taxas de parto prematuro antes de 28 semanas e 35 semanas também diminuiram significativamente com progesterona vaginal (5,1% vs 10,3%). O grupo progesterona vaginal também obteve melhores resultados do que o grupo placebo nas complicações perinatais, com taxas mais baixas de síndrome do desconforto respiratório (3,0% vs 7,6%), qualquer morbidade neonatal ou evento de mortalidade ( 7,7% vs 13,5%) e peso de nascimento inferior a 1.500 g (6,4% [15/234] versus 13,6% [30/220). Os grupos não diferiram significativamente na incidência de efeitos colaterias.

O estudo concluiu que a administração de progesterona vaginal em gel para mulheres com colo curto ao ultrassom no segundo trimestre está associada com redução de 45% do risco de parto prematuro antes das 33 semanas de gestaçãoe complicações neonatais relacionadas a prematuridade.

Progesterona e o Risco de Parto Prematuro em Mulheres com Colo Uterino Curto

Escrito por Dr. Rafael Frederico Bruns em 28 de Julho de 2011. Postado em Artigos Médicos

A controvérsia sobre o uso da progesterona na prevenção do trabalho de parto prematuro parece estar novamente em pauta. Um estudo conduzido pelo Dr. Eduardo Fonseca demonstrou uma redução no número de partos prematuros abaixo de 34 semanas quando a progesterona é utilizada em pacientes com risco aumentado devido ao encurtamento cervical.

Introdução

Estudos randomizados anteriores mostraram que a administração de progesterona em mulheres que tiveram partos prematuros reduz o risco de um novo parto prematuro. As mulheres assintomáticas no segundo trimestre quando tem colo uterino curto tem risco extremamente aumentado para um novo parto prematuro espontâneo, e se desconhece se a progesterona reduz este risco em tais mulheres.

Métodos

O comprimento cervical foi medido por ultrassonografia transvaginal em por volta da 22ª. semana da gestação (de 20 a 25 semanas) em 24.620 mulheres grávidas que faziam pré-natal de rotina. O comprimento cervical era de 15 milímetros ou menos em 413 das mulheres (1.7%), e 250 (60.5%) destas 413 mulheres foram escolhidas aleatoriamente para receber a progesterona vaginal (200 mg cada noite) ou placebo de 24 a 34 semanas da gestação. O desfecho avaliado foi o parto prematuro antes de 34 semanas.

Resultados

O parto prematuro espontâneo antes de 34 semanas da gestação foi menos freqüente no grupo da progesterona do que no grupo do placebo (19.2% vs 34.4%; risco relativo, 0.56; intervalo de confiança de 95% [CI], 0.36 a 0.86). A progesterona foi associada com uma redução não significante na morbidade neonatal (8.1% vs 13.8%; risco relativo, 0.59; CI de 95%, 0.26 a 1.25; P=0.17). Não houve nenhum evento adverso grave associado com o uso da progesterona.

Conclusão

Nas mulheres com um colo uterino curto, o tratamento com progesterona reduz a taxa de parto prematuro espontâneo.

Título Original: Progesterone and the Risk of Preterm Birth among Women with a Short Cervix

Fonseca EB, Celik E, Parra M, Singh M, Nicolaides KH; Fetal Medicine Foundation Second Trimester Screening Group.

Harris Birthright Research Centre for Fetal Medicine, King's College Hospital, London, United Kingdom.

Observação: Esta é uma tradução livre, realizada com o objetivo de simplificar a leitura pelo usuário. Aqueles que desejarem informações complementares devem consultar o artigo original, que tem acesso gratuíto e está publicado em: N Engl J Med. 2007 Aug 2;357(5):462-9.