| 22 Agosto 2009
A pieloectasia renal é um achado ultrassonográfico antenatal frequênte e se define como um diâmetro ântero-posterior da pelve renal maior que 4 mm antes de 20 semanas de gestação ou maior que 6 mm após esta idade gestacional. Estes limites foram definidos de forma arbitrária e dilatações maiores que estas não implicam necessariamente em uma perda da função renal.
Sabemos que quando a pelve renal é menor que 10 mm, de uma forma geral, a função renal está preservada. Entretanto dilatações da pelve renal devem ser acompanhadas ultrassonográficamente para que a sua análise evolutiva permita excluir uma progressão desta dilatação. A pieloectasia é uma observação frequênte no ultrassom obstétrico e pode ser causada por uma imaturidade da musculatura do ureter (que leva a urina do rim para a bexiga) ou pelos elevados níveis hormonais maternos de progesterona, característicos da gestação ou ainda pelo aumento da diurese fetal.
Na maioria dos casos esta condição permanece estável e se resolve logo no período neonatal (após o nascimento do bebê). Em cera de 15 a 20% dos casos pode existir uma obstrução da via urinária ou refluxo vésico-ureteral (da bexiga para o ureter), que requer seguimento e controle pós-natal.
A ultrassonografia é indubitavelmente o melhor método para diagnosticar as anomalias do trato urinário fetal, sendo muito precisa para determinar se existe dilatação ou não. Entretanto nem sempre é possível observar a causa da dilatação. As ectasias caliciais isoladas (dilatação dos cálices renais) podem estar associadas a refluxo vésico-uteteral.
As dilatações que persistem no terceiro trimestre deverão ser controladasno período neonatal, após o sétimo dia de vida, quando o recém-nascido já superou a perda de peso inicial e já apresenta boa diurese. Se o controle for normal, pode-se repetir aos três meses de vida. Na vigência de exames ultrassonograficos pós-natais normais raramente existem achados anormais na uretrocistografia miccional e raramente são indicados estudos invasivos.
Quando o diâmetro da pelve renal é maior que 10 mm, a possibilidade de obstrução urinária aumenta. Nos fetos com dilatação piélica menor que 10 mm a função renal será normal em 95% dos casos. Se a dilatação medir entre 10 e 15 mm, apenas cerca de 50 a 60% dos pacientes terão função renal normal e aproximadamente um terço dos pacientes irá necessitar de cirurgia pós-natal.
A pieloectasia também foi descrita como um sinal ultrassonográfico de Síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21), já que está presente em cerca de 18% dos fetos com Síndrome de Down (em contraste com uma prevalência de 2,5% na população normal). Entretanto este sinal aumenta muito pouco o risco para a Síndrome de Down, principalmente quando é um achado isolado.
O Dr. Victor Bunduki e o Professor Marcelo Zugaib da USP comentam em um artigo o seguinte:
É claro que os achados com dilatação dos grupamentos caliciais e do ureter ou ainda com acomentimento de bexiga dilatada são preocupantes e merecem atendimento em centro de referência para medicina fetal. O maior benefício do diagnóstico pré-natal de pieloectasia é permitir ao pediatra exercer um controle e avaliação completa pós-natal precoce e dar um diagnóstico definitivo. Concluímos que o achado de pieloectasia é bastante freqüente e muito esporadicamente significativo, ao menos quando isolado, tanto para predizer síndrome de Down fetal quanto para ser usado como preditivo de função renal alterada na infância. Ainda assim, o relato do achado permite um controle pré-natal no sentido de afirmar seu caráter isolado ou não, e permite um acompanhamento adequado dos casos pertinentes de obstrução das vias urinárias, quando um controle no terceiro trimestre é muito importante.
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Referência
- BUNDUKI, Victor and ZUGAIB, Marcelo. Pieloectasia fetal. Rev. Assoc. Med. Bras. [online]. 2004, vol.50, n.2 [cited 2009-08-22], pp. 112-113 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302004000200007&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0104-4230. doi: 10.1590/S0104-42302004000200007.




