Dr. Rafael Frederico Bruns

Quando que o bebê é muito grande?

O feto macrossômico é um termo utilizado para definir um feto grande, mais precisamente aquele cujo peso é superior a 4.000g. Entretanto esta definição não é muito boa para classificar os fetos com baixa idade gestacional (digamos 30 ou 32 semanas) e que estão muito grandes, pois nesta idade mesmo um feto com peso extremamente elevado dificilmente chega a 4.000g.

feto_pesoPara tentar resolver este problema, utilizamos com maior freqüência a definição de Grande para a Idade Gestacional, que significa um feto que está acima do percentil 90 do peso para a sua idade gestacional. Estar acima do percentil 90 para a idade gestacional significa que 90% da população normal tem peso menor do que o do feto em questão; ou seja, não é comum termos um feto com tanto peso.

Este peso exagerado não significa necessariamente doença pois cerca de 10% da população normal está acima do percentil 90. Entretanto o médico sempre deverá ter uma atenção especial com os fetos muito grandes ou muito pequenos pois os extremos de peso podem estar associados com algum problema ou doença. Entretanto é importante ressaltar que na maioria das vezes estes indivíduos são normais e não tem nenhuma doença.

Habitualmente o crescimento fetal está predeterminado genéticamente, entretanto durante a gravidez alguns fatores podem favorecer o crescimento fetal ou inibí-lo. A mãe sofre uma série de modificações metabólicas e vasculares para adaptar-se à gestação, inclusive ocorrendo a liberação de hormônios que predispõe a diabetes. Isto causa um aumento da glicemia materna e consequêncimente um aporte maior de glicose para o feto. Lembre que a glicose é um açúcar e no feto está glicose irá promover o ganho de peso e aumentará a sereção de insulina pelo pâncreas fetal. No feto, diferentemente do adulto, a insulina é um hormônio cuja atuação provoca o crescimento e ganho de peso. E assim, o feto da mãe diabética tem geralmente um peso acima do encontrado nos fetos das mães não diabéticas.

Os fatores de risco para a macrossomia fetal são: obesidade materna, diabetes, história prévia de fetos macrossomicos, gravidez prolongada, ganho de peso materno excessivo durante a gestação, multiparidade e idade materna avançada.

Este incremento do crescimento fetal tem um impacto importante no desfecho da gestação. Os fetos muito grandes tem maior risco de complicações por partos distócicos ou traumáticos.

Nos filhos de mães diabéticas também aumenta a incidência de hipóxia perinatal, aspiração meconial, hipoglicemia neonatal e outras complicações metabólicas.

O método para rastrear crescimento fetal acelerado é a medida da altura uterina (quando o obstétra mede a distância entre o osso da pube materna e o fundo uterino). Quando esta distância está acima do esperado isto pode ser um indício de crescimento fetal acelerado. Para confirmar ou afastar esta hipótese diagnóstica é importante realizar um ultrassom, onde será estimado um peso fetal aproximado.

Cabe mencionar que o cálculo do peso é menos preciso quando se trata de fetos de grande tamanho (quando comparados com fetos de peso próximo a média), sendo os valores preditivos positivos para fetos macrossomicos de cerca de 70%. O valor preditivo positivo de 70% significa que, quando o ultrassom diz que o feto está muito grande, a chance desta informação estar correta é de cerca de 70%.

Deve-se ter em mente que os filhos das mães diabéticas apresentam um importante crescimento do tronco e das vísceras abdominais, enquanto que a taxa de crescimento da cabeça e do cérebro permanecem próximas ao normal. Este aumento de crescimento geralmente só é observado após a 28 semana de gestação. Isto acontece porque o hormônio lactogenio placentário, responsável pela característica diabetogênica da gravidez, começa a ser secretado em grande quantidade após a 25 semana de gestação.

É importante realizarmos a estimativa de peso fetal de maneira adequada pois a conduta obstétrica poderá ser alterada de acordo com a estimativa de peso fetal. Além disso, algumas vezes o teste de tolerância oral à glicose (aquele que tem que tomar um suco bem doce e medir a glicemia depois) pode ter resultados falsos negativos (ou seja, a paciente ter a doença e o teste dar negativo). Na eventualidade de um feto muito grande e a paciente com um teste de tolerância oral à glicose negativo poderá ser necessário a repetição do teste, a critério de seu obstetra.

  • Sexta, 29 Julho 2011

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