Dr. William Kondo

O que são os miomas?

Os miomas são tumores benignos (não cancerosos) originados do tecido muscular liso do útero. Também podem ser chamados de leiomiomas ou fibromas.

De acordo com sua localização na parede uterina, podem ser divididos em:

  • Subserosos: localizados na superfície externa do útero, projetanto-se para a cavidade abdominal;
  • Intramurais: localizados dentro da parede muscular do útero;
  • Submucosos: localizados na superfície interna do útero, projetando-se para o interior da cavidade uterina;
  • Miomas Pedunculados: os miomas subserosos ou submucosos podem crescer de maneira a ficarem prezos apenas por um pedículo, sendo então chamados de pedículados. Quando o mioma pediculado cresce até se exteriorizar pelo canal cervical e vagina (como no trajeto do parto normal), ele é chamado de mioma parido.

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Qual é a frequência dos miomas?

Os miomas são muito comuns. Pelo menos uma em cada 4 mulheres desenvolvem um ou mais miomas durante a sua vida. Eles geralmente surgem em mulheres entre 30 a 50 anos.

Causas

Não está claro como os miomas se desenvolvem. Os miomas são sensíveis ao estrogênio, o hormônio produzido nos ovários. Eles tendem a aumentar de tamanho quando os níveis de estrogênio estão aumentados, como durante a gestação. Eles tendem a regredir de volume quando os níveis de estrogênio estão baixos, como após a menopausa. A terapia de reposição hormonal pode promover o crescimento de miomas. Sintomas A maioria dos miomas não causa nenhum sintoma. Geralmente são encontrados durante um exame de rotina pelo ginecologista ou durante uma ecografia pélvica. Os sintomas, quando presentes, incluem: Menstruações abundantes e dolorosas Desconforto na região pélvica e aumento do volume abdominal Sintomas urinários ou intestinais Dor durante a relação sexual Infertilidade e abortamento O tipo de sintoma e a sua intensidade dependem do número, do tamanho e da localização dos miomas.

Diagnóstico

O ginecologista pode sentir o útero aumentado e irregular durante o exame físico. O ultrassom pélvico confirma o diagnóstico e exclui outros tipos de massas em região pélvica. Outros exames de imagem complementares são histerossalpingografia, histerossonografia e ressonância nuclear magnética.

Imagens de Miomas em Cirurgia Laparoscópica

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Tratamento

As mulheres que não têm sintomas geralmente não necessitam de tratamento. Mulheres com sintomas significativos podem tentar tratamento médico ou cirúrgico.

Tratamento Clínico

  • Pílulas anticoncepcionais – podem ser úteis na diminuição do sangramento menstrual aumentado associado aos miomas. As pílulas não reduzem o tamanho do mioma, portanto não são um tratamento efetivo para mulheres com pressão pélvica, dor ou infertilidade;
  • Dispositivo intra-uterino (DIU) com levonorgestrel – pode reduzir significativamente o sangramento menstrual e fornecer uma forma de anticoncepção efetiva a longo-prazo (até 5 anos);
  • Implantes, injeções e pílulas de progestogênio – os progestogênios reduzem a espessura da camada interna do útero (endométrio), reduzindo o sangramento menstrual;
  • Agonistas do GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) – tratamento clínico mais comum para os miomas. A maioria das mulheres pára de menstruar e tem uma redução significativa no tamanho dos miomas. Os efeitos colaterais deste tratamento incluem ondas de calor e sudorese noturna, similar aos sintomas apresentados por mulheres na menopausa, e perda mineral óssea se utilizado por mais de 12 meses. Trata-se de um tratamento temporário (3 a 6 meses) enquanto a mulher está aguardando e se preparando para o tratamento cirúrgico;
  • Medicações antifibrinolíticas – não tratam os miomas, mas reduzem o sangramento em 30 a 55%.

Os tratamentos com medicamentos conseguem controlar os sintomas, mas não fazem os miomas desaparecerem. Na maioria das vezes são tratamento paliativos.

Tratamento Cirúrgico

O tratamento cirúrgico pode ser recomendado para a melhora a longo-prazo dos sintomas de sangramento e dor. Em outros casos, os procedimentos cirúrgicos são realizados na tentativa de tratar infertilidade. Vários são os tratamentos cirúrgicos disponíveis:

  • Histerectomia – remoção cirúrgica do útero através do abdome ou da vagina;
  • Miomectomia – remoção cirúrgica do mioma. Pode ser realizada por laparotomia (grande incisão na parede abdominal) ou por laparoscopia (várias incisões pequenas na parede abdominal). Se o mioma é submucoso, a miomectomia histeroscópica (por via vaginal, através do colo uterino) pode ser recomendada;
  • Embolização uterina – um pequeno cateter é inserido em um vaso calibroso na região inguinal e é progredido até um vaso próximo ao mioma. Pequenas partículas são liberadas no vaso, ocluindo a vascularização ao mioma;
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Escolha do Tratamento

Vários fatores influenciam a escolha do tipo de tratamento para cada mulher. Um dos mais críticos fatores é o desejo ou não de futures gestações. Embora a histerectomia ofereça excelente melhora dos sintomas, uma mulher que deseje engravidar no futuro deve considerar a realização de uma miomectomia. Uma mulher com a prole definida, mas que não deseja realizar histerectomia, pode considerar a embolização uterina. Nas mulheres que optam pela histerectomia, temos preferido a realização por laparoscopia, uma via de acesso alternativa à cirurgia aberta que permite uma melhor visualização das estruturas pélvicas, menor dor no pós-operatório, melhor efeito estético, recuperação mais rápida e retorno precoce às atividades habituais e ao trabalho.

  • Quinta, 21 Julho 2011

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