| 12 Junho 2010
O HPV é um vírus transmitido em praticamente 95-98% das vezes por contato sexual podendo causar as verrugas genitais (conhecidas como “cristas de galo”), as lesões pré-cancerosas e o câncer de colo uterino. Estima-se que quase 75% da população mundial sexualmente ativa entrem em contato com um ou mais tipos de HPV durante a vida. No entanto, a grande maioria dessas infecções é eliminada pelo sistema imune, assim não são ocasionados sintomas no hospedeiro. A contaminação ocorre pelo contato direto de pele com pele, pele com mucosa e por meio dos micro-traumatismos durante a relação sexual. O período de incubação desse vírus pode variar de duas semanas a nove meses e está relacionado com a competência imunológica do hospedeiro.
Geralmente é difícil determinar quando e de quem se adquiriu o HPV. Até o momento, mais de 120 tipos de HPV já foram descritos e são agrupado em:
- HPV cutaneotrópico: afetam áreas não genitais; inclui o HPV 1, 2, 3, 4 e 10; quase sempre associados a lesões verrucosas benignas da pele;
- HPV mucoso-genitotrópico: infecta especialmente a mucosa da genitália e pode acometer qualquer outra mucosa do organismo (oral, ocular e/ou respiratória) ; conhecem-se, até o momento, mais de 45 subtipos de HPV que infectam o trato genital humano.
O HPV mucoso-genitotrópico pode ainda ser classificado de acordo com sua capacidade de transformação tumoral:
- HPV de baixo risco (tipos 6, 11, 42, 43, 44), relacionados principalmente à verruga genital e lesões intra-epiteliais cervicais de baixo grau (inclui o NIC I e infecção por HPV). Raramente esses tipos virais estão associados a lesões pré-malignas e malignas do colo uterino;
- HPV de alto risco (tipos 16, 18, 26, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 53, 56, 58, 59, 66, 68, 73 e 82), freqüentemente associados às lesões intra-epiteliais cervicais de alto grau – lesões pré-cancerosas (inclui NIC II e NIC III) e tumores malignos do colo uterino.
Manifestações Clínicas e Exames de Diagnóstico
- Clínica - a forma identificável a olho nu; são os condilomas acuminados ou condilomatose, também chamados de verrugas genitais, popularmente conhecidos como “crista de galo”;
- Subclínica - tais alterações são identificáveis apenas através de magnificação (com lente de aumento - colposcopia) com aplicação de ácido acético a 2 ou 5%, assim, o diagnóstico é suspeito pelo Papaniclolaou e confirmado pela Biópsia (histologia);
- Latente - forma identificável pelo teste para HPV (Captura Híbrida) em indivíduos sem manifestação clínica e exame colposcópico normal. O HPV, não produz qualquer alteração tecidual. Não se sabe por quanto tempo a infecção latente pode persistir; alguns investigadores acreditam que por toda vida.
Estima-se que cerca de 1 a 2% dos adultos sexualmente ativos apresentem manifestações clínicas do HPV (condiloma acuminado), 4% possuem manifestação subclínica e 10% permaneçam com a forma latente. A maioria das infecções (81%) é eliminada naturalmente pelo sistema imunológico dos indivíduos infectados dentro de nove meses (71%) após o contágio, e no máximo em dois anos (11%). Durante tal período, pode ocorrer reinfecção ou recidiva de qualquer uma das três formas de manifestação causadas pelo HPV.
Fatores de Risco
Tratamento e Prevenção
Ainda não existe uma medicação específica para o HPV. As lesões causadas por ele é que podem ser tratadas de várias formas dependendo do tipo de lesão e do local acometidos. Hoje já estão sendo comercializadas 2 vacinas anti-HPV para os subtipos mais freqüentemente encontrados na população.A vacina bivalente (para os subtipos 16 e 18) e a quadrivalente (para os subtipos 6, 11, 16 e 18) são recomendadas para imunização de mulheres entre 11 e 26 anos e de preferência que ainda não tenham iniciado suas relações sexuais. É importante salientar que o rastreamento tradicional com o exame de Papanicolaou não deve ser abandonado, pois, detectará infecção produzida pelos subtipos de HPV não incluídos nas vacinas e para os casos em que a vacina não apresente a eficácia desejada.



