Dúvidas

Como escolher o melhor método anticoncepcional?

Muitas mulheres enfrentam dificuldades na hora de escolher um método anticoncepcional. Diariamente, os ginecologistas se deparam com pacientes que utilizaram diversos métodos, desistindo de cada um deles, sucessivamente, por motivos variados. Esse tipo de situação, além de expor a mulher ao risco de uma gestação indesejada, gera ansiedade e pode até mesmo prejudicar a vida sexual de um casal. Existem atualmente no mercado inúmeros métodos anticoncepcionais, o que torna a possibilidade de que uma mulher não se adapte a nenhum deles extremamente remota.

Pílula Anticoncepcional (Anticoncepcional Hormonal Oral)

Todas as pílulas anticoncepcionais são compostas de hormônios semelhantes aos hormônios femininos produzidos pelos ovários. Existem hormônios de dois tipos: o ESTROGÊNIO, principal hormônio da mulher e que nos confere as características femininas; e a PROGESTERONA, hormônio responsável pela manutenção da gravidez. Todas as pílulas anticoncepcionais são compostas por um desses hormônios, ou pela combinação dos dois (que corresponde à maioria das pílulas). Portanto, estamos falando de medicações hormonais, que carregam consigo diversas vantagens e desvantagens, das quais falaremos a seguir. A pílula é um método anticoncepcional de alta eficácia, com taxa de falha menor que 1% quando utilizada corretamente.

Há diversas vantagens no uso da pílula, além do fato de evitar a gravidez: ela regula o ciclo menstrual, tornando-o previsível. Diminui a intensidade do sangramento na menstruação e também as cólicas menstruais. Com frequência, observa-se melhora no aspecto da pele e redução da acne. Essa melhora acontece com todas as pílulas, mas algumas combinações específicas dos hormônios estrogênio e progesterona podem trazer benefícios maiores para a pele. Ainda em relação ao aspecto estético, a pílula pode diminuir os pelos corporais. Além disso, a maioria das mulheres que usam a pílula têm diminuição nos sintomas da TPM.

Os efeitos colaterais mais comuns da pílula anticoncepcional são transitórios, tais como enjôos ou irritabilidade, que podem aparecer nas primeiras semanas de uso, melhorando logo que o organismo se adapte aos hormônios. Algumas mulheres podem notar diminuição da libido ou alterações do humor. Diversos mitos envolvem efeitos colaterais da pílula, como os exemplificados a seguir:

A pílula engorda?

Em termos gordura propriamente dita, a resposta é não! A maioria das pílulas com dose hormonal baixa não causa alteração considerável do peso, embora possa se notar alguma retenção de líquido. O que fazer para evitar esse efeito colateral tão temido? A boa e velha combinação: exercícios físicos, dieta equilibrada e diminuir a quantidade de sal da dieta (pois isso contribui para a retenção hídrica).

A pílula causa varizes?

Essa é uma afirmação comum, no entanto as varizes são causadas por predisposição genética. Em pacientes predispostas, a pílula pode contribuir para o aumento de varizes ou varicoses, mas não é o único fator. Ganho de peso e sedentarismo são fatores que também contribuem.

A pílula pode afetar minha fertilidade?

Não, as pílulas anticoncepcionais não alteram a fertilidade. O que se observa, em alguns casos, é que pacientes que utilizaram pílula durante período longo de tempo podem demorar alguns meses (poucos) para regularização dos ciclos menstruais após pararem de usar a medicação. No entanto, isso não tem relação com a capacidade de engravidar.

Devo fazer pausa da pílula?

Muitas mulheres acreditam que não se deve usar a pílula durante muitos meses consecutivos. Isso, no entanto, não tem nenhum embasamento científico. Parar o uso da pílula para “desintoxicar o organismo” não trará nenhum benefício, além de levar ao risco de uma gravidez indesejada. Quando paramos o uso da pílula e retomamos logo a seguir, nosso organismo terá que se readaptar aos hormônios novamente.

Há contra-indicação para a pílula anticoncepcional?

Mulheres que têm antecedente pessoal de trombose (trombose na perna, infarto, derrame) não devem utilizar medicações hormonais. Isso também vale se a mulher tem familiares próximos que tiveram esses mesmos problemas numa idade jovem. O tabagismo e o uso concomitante da pílula aumentam o risco de problemas relacionados com a trombose, portanto se você fuma e usa pílula, mais um motivo para abandonar o vício.

A mulher pode utilizar a pílula em qualquer idade?

As pesquisas mais recentes a esse respeito, dizem que mesmo mulheres acima dos 35 anos podem utilizar pílula, sempre avaliadas pelo médico. Para essas mulheres, deve-se dar preferência a pílulas com menores doses de hormônios. Nas mulheres fumantes acima de 35 anos, o risco de problemas relacionados à pílula aumenta e deve-se repensar o seu uso. Falando sobre doses de hormônios na pílula, as pílulas modernas possuem uma dosagem hormonal muito menor se comparadas às primeiras pílulas, aquelas responsáveis pela revolução sexual feminina. Hoje, contamos com medicações muito mais modernas, com doses menores e com uma ampla gama de possibilidades, cuja melhor escolha só pode ser avaliada pelo seu ginecologista. Converse com seu médico!!