Artigos Médicos

Momento Ideal para o Parto Planejado de Gestações Gemelares Monocoriônicas e Dicoriônicas Não Complicadas

Escrito por Dr. Rafael Frederico Bruns em 30 de Dezembro de 2011. Postado em Artigos Médicos

Estudo avalia o momento ideal para realização do parto em gestações gemelares

Objetivo

Determinar o momento ideal para o parto planejado de gestações gemelares monocoriônicas e dicoriônicas não complicadas.

Método

Gestações gemelares não selecionadas foram recrutadas para um estudo de coorte prospectivo (N = 1.028), que foi realizado em oito centros de referência terciária perinatal na Irlanda. A mortalidade perinatal e uma medida composta de morbidade perinatal (que incluiu dificuldade respiratória, enterocolite necrosante, encefalopatia hipóxica isquêmica, leucomalácia periventricular e/ou sepse) foram comparadas entre gemelares sem complicações que foram submetidos a parto pré-termo planejado, gêmeos monocoriônicos que continuaram no útero além de 34 semanas de gestação e gêmeos dicoriônicos que continuaram além de 36 semanas de gestação.

Resultados

Os resultados perinatais foram registrados em 100% dos 1.001 pares de gêmeos que completaram o estudo (n = 200 monocoriônicas e n = 801 dicoriônicas). A mortalidade perinatal global foi de 30 por 1.000 em gêmeos monocoriônicos e 3,8 por 1000 entre gêmeos dicoriônicos. O risco potencial de morte no útero foi de 1,5% após 34 semanas de gestação sem complicações para a gravidez monocoriônica e 0 (zero) entre gêmeos dicoriônicos após 33 semanas de gestação sem complicações. O risco relacionado à medida composta de morbidade perinatal para gêmeos não complicados monocoriônicos caiu de 41% (13/32 recém-nascidos, 06/03 entre partos eletivos) com 34 semanas e para 5% (4 / 84) com 37 semanas (P < .001). Entre gêmeos dicoriônicos, o risco de morbidade caiu de 4% (2 / 52) entre partos eletivos com 36 semanas para 1% (5 / 344) em gestações continuando até 38 semanas (P =. 231).

Conclusões

Aplicando uma estratégia de vigilância fetal, a morbidade perinatal pode ser minimizada, permitindo que gestações monocoriônicas não complicadas continuem até 37 semanas de gestação e os gestações gemelares dicoriônicas até as 38 semanas de gestação. Entre gêmeos monocoriônicos, esta abordagem deve ser equilibrada com um risco de 1,5% de morte intra-útero tardia (após 34 semanas).

Nível de Evidência: II

Breathnach, Fionnuala M. MD; McAuliffe, Fionnuala M. MD; Geary, Michael MD; Daly, Sean MD; Higgins, John R. MD; Dornan, James MD; Morrison, John J. MD; Burke, Gerard MRCOG; Higgins, Shane MRCOG; Dicker, Patrick PhD; Manning, Fiona PhD; Carroll, Stephen MD; Malone, Fergal D. MD; for the Perinatal Ireland Research Consortium Optimum Timing for Planned Delivery of Uncomplicated Monochorionic and Dichorionic Twin Pregnancies. Obstetrics & Gynecology. 2012 Jan;119(1):50-59.

Nomeação sistemática de gestações gemelares ao ultrassom

Escrito por Dra. Camila Fernanda de Oliveira Gomes em 18 de Agosto de 2011. Postado em Artigos Médicos

Estudo que avalia a importância da existência de um método para nomeação dos gêmeos para sua identificação, possibilitando seu seguimento biométrico durante o pré-natal.

gemeos-nomenclatura-2

Representação esquemática da nomenclatura mais utilizada (proximidade do gêmeo com o colo uterino). A posição do feto em relação ao colo pode mudar em cerca de 10% das vezes, entretanto a posição do saco gestacional (direita e esquerda) permanece inalterado.

Objetivo

A correta nomeação dos fetos gêmeos é necessária para a consistência na atribuição e interpretação do seguimento e resultado pré e pós-natal de triagem e diagnóstico. O objetivo deste estudo foi descrever um método padrão de nomeação dos fetos gêmeos no primeiro trimestre da gravidez e avaliar a sua consistência no seguimento dos gêmeos em exames posteriores e no parto.

gemeos-nomenclatura-3

Durante o período perinatal também pode ocorrer mudança na posição dos gêmeos em relação ao canal cervical.

Métodos

Estudo retrospectivo realizado no primeiro trimestre de todas as gestações gemelares avaliadas por ultrassonografia no centro aonde foi realizado entre 2000 e 2010. O feto contido no saco gestacional mais próximo do colo materno foi designado como feto 1 e a orientação relativa dos fetos uns aos outros foi então definido como lateral (esquerda / direita) ou vertical (superior / inferior). Em gêmeos de sexos discordantes, o sexo e ordem apresentados na avaliação final antes do parto foram documentados e comparados com o sexo e ordem de nascimento no momento do parto.

gemeos-nomenclatura-1Nomenclatura proposta, utilizando relação entre os gêmeos (esquerda/direita e cranial/caudal).

Resultados

Um total de 416 gestações gemelares foram avaliadas durante o período do estudo. Na avaliação entre 11-14 semanas 90,9% dos gêmeos tiveram orientação lateral, enquanto o restante orientação vertical. Nenhum dos pares de gêmeos orientado verticalmente modificou sua ordem, mas 32 (8,5%) dos pares de gêmeos lateralmente orientados modificaram sua ordem entre a primeira e a última ecografia antes do parto. Foram avaliados 108 gêmeos com sexo discordante no terceiro trimestre, dos quais a ordem de nascimento foi alterada em 20,3% quando nascidos por cesariana e em 5,9% dos nascidos de parto vaginal.

Conclusão

O estudo demonstra que a nomeação pré-natal de gêmeos de acordo com a lateralidade ou orientação vertical é confiável. A técnica garante a continuidade da avaliação biométrica seriada e como tal deve ser adotada como o método preferencial de nomeação nas gestações gemelares. Além disso, o uso da orientação lateral e vertical para a nomeação pré-natal de gêmeos, em vez de atribuição de um número com base na proximidade com o colo do útero, impede qualquer equívoco sobre qual dos gêmeos vai nascer primeiro e garante que os pais e pediatras estejam cientes da probabilidade significativa de uma inversão durante o parto.

Uso do Ultrassom para Diagnosticar Abortamento

Escrito por Dr. Rafael Frederico Bruns em 04 de Dezembro de 2011. Postado em Artigos Médicos

Dados mostram que as definições ultrassonográficas de aborto podem não ser seguras

Jeve Y, Rana R, Bhide A, Thangaratinam S. Accuracy of first-trimester ultrasound in the diagnosis of early embryonic demise: a systematic review. Ultrasound Obstet Gynecol. 2011 Nov;38(5):489-96.

Objetivo

Avaliar, por meio de revisão sistemática da literatura, a precisão do ultra-som no primeiro trimestre para o diagnóstico de óbito embrionário precoce.

diagnostico-aborto

Método

Pesquisa nas bases de dados MEDLINE (1951-2011), Embase (1980 - 2011) e na Biblioteca Cochrane (2010) para citações relevantes. As listas de referência de todos os artigos primários e de revisão foram analisadas. Restrições com relação a língua do artigo não foram aplicadas. Estudos que avaliaram a acurácia da ultrassonografia no primeiro trimestre em mulheres grávidas para o diagnóstico de óbito embrionário precoce foram selecionados em um processo de dois estágios e os dados extraídos por dois revisores. Medidas de acurácia, incluindo sensibilidade, especificidade e relação de probabilidade (LRs) para os resultados de exames normais e anormais foram calculados para cada estudo e para cada limite de teste.

Resultados

Oito artigos primários, com quatro categorias de teste (18 tabelas 2 × 2), envolvendo 872 mulheres, avaliaram a acurácia da ultra-sonografia no diagnóstico de morte embrionária precoce. O limite inferior do IC 95% para a especificidade foi > 0,95 em apenas dois testes. Estes eram um saco gestacional vazio com diâmetro médio de ≥ 25mm e ausência de vesícula vitelina com um saco gestacional de diâmetro médio ≥ 20 mm (especificidade, 1,00, 95% CI, 0,96-1,00 para ambos).

Conclusões

Há uma escassez de dados prospectivos com de alta qualidade para fundamentar as diretrizes para o diagnóstico preciso de óbito embrionário na gravidez inicial. Os resultados são limitados pelo pequeno número de estudos e pacientes, a idade dos estudos, a inclusão de mulheres sintomáticas e assintomáticas e padrões de referência variável para o diagnóstico de óbito embrionário em gravidez inicial. Antes de diretrizes para a gestão segura de ameaça de aborto sejam formuladas, há uma necessidade urgente de um estudo usando a tecnologia atual de ultra-som, prospectivo e com dimensão adequada para determinar um padrão de referência para o diagnóstico de sucesso da gravidez ou perda.

Diagnóstico Não Invasivo das Trissomias do 13 e 18

Escrito por Dr. Rafael Frederico Bruns em 06 de Agosto de 2011. Postado em Artigos Médicos

Artigo publicado demonstra que com técnica adequada é possível fazer diagnóstico pré-natal não invasivo das trissomias do 13 e 18!

dna-livre

O seqüencialmente paralelo massivo de moléculas de DNA no plasma de mulheres grávidas permite o diagnóstico pré-natal preciso e não invasivo da trissomia fetal 21. No entanto, não é claro se esta abordagem de seqüenciamento é tão precisa para o diagnóstico pré-natal não-invasivo das trissomias 13 e 18 devido à falta de estudos com grande número de dados.

Foram estudadas 392 gestações, entre os quais 25 tinham um feto com trissomia 13 e 37 um feto com trissomia 18, por seqüencialmente paralelo passivo. Ao utilizar a abordagem do padrão z-score previamente relatada, foi demonstrado que esta abordagem poderia identificar 36,0% e 73,0% de trissomia 13 e 18 com especificidades de 92,4% e 97,2%, respectivamente.

Nosso objetivo foi melhorar taxa de detecção de trissomia 13 e 18 usando uma máscara-não-repetida do genoma humano de referência em vez de uma máscara-repetida para aumentar o número de seqüências alinhadas lidas para cada amostra. Em seguida, aplicou-se uma abordagem de bioinformática para corrigir o viés dos dados de seqüenciamento. Com estas medidas, detectamos todos (25 em 25) fetos com trissomia 13 com especificidade de 98,9% (261 de 264 não-trissômicos) e 91,9% (34 em 37) dos fetos com trissomia18 com 98,0% de especificidade (247 de 252 não-trissômicos).

Estes dados indicam que com a análise de bioinformática apropriada, o diagnóstico pré-natal não invasivo por seqüencialmente de DNA para a trissomia 13 e trissomia 18 é possível.